Catedral de Barcelona – Segunda Parte

O interior da igreja mede 90m de comprimento por 40 de largura. Está formado por 3 naves de mesma altura, sendo que a central possui o dobro de largura que as duas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA girola, também denominada deambulatório, rodeia o presbitério, formando 9 capelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJusto encima se encontram os vitrais mais antigos da catedral, que iluminam o ábside (1317/1334). Existem aqueles que foram realizados no séc. XV e os do trifório, de época contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, existem outras 17 capelas. Abaixo, vemos algumas delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO cimbório foi iniciado em 1422 e finalizado de forma definitiva somente em 1913.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior, vemos uma imagem da exaltação da cruz, rodeada por 6 anjos, realizada pelo escultor Frederic Marès (cujo excepcional museu será brevemente tema de um post), em 1976. Em sua parte inferior, está a cátedra, ou cadeira do bispo, talhada a mediados do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cripta de Santa Eulália situa-se bem embaixo do presbitério, e sua construção se deve a Jaime Fabre, no princípio do séc. XIV. O sarcófago da santa encontra-se no centro da cripta, e foi feito em mármore, também no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos tesouros da catedral é o excepcional coro, iniciado em 1390.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele vemos, esculpidos em madeira, o púlpito, a cadeira episcopal e uma maravilhosa silhería, decoradas com brasões correspondentes aos Cavalheiros da Ordem do Tosão de Ouro.

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O trascoro é uma obra renascentista do séc. XVI e está adornado com relevos que representam cenas da vida e do martírio de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgão, espetacular, é renascentista (1538) e existem somente 4 similares a ele  em toda a Europa. A caixa é original, bem como a maioria dos tubos. A parte técnica é atual. Além de acompanhar os cantos litúrgicos, são celebrados, com freqüência, concertos na catedral, em que o órgão é o protagonista principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral acolhe numerosas tumbas dos soberanos do Condado de Barcelona e da Coroa de Aragón. Junto à sacristia, sobre um fundo pintado em 1545, estão os sepulcros do Conde Ramón de Berenguer I e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a característica bôveda de crucería, típica do gótico.

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Catedral de Barcelona

Situada em pleno Bairro Gótico, a Catedral de Santa Cruz e Santa Eulália é um dos mais significativos monumentos da arquitetura gótica catalã. Sua construção iniciou-se em 1298, durante o reinado de Jaime II. O templo foi construído sobre os restos de uma basílica paleocristiana, cujos restos se podem ver no subsolo do Museu de História da cidade, e também sobre a anterior catedral românica. A catedral somente foi definitivamente finalizada na época moderna, quando a finais do séc. XIX se levantou a atual fachada. Desde 1929, a Catedral de Barcelona é considerada Monumento Histórico-Artístico Nacional.

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O templo está dedicada à Santa Cruz desde o ano 599, e a partir de 877, também recebeu a advocaçao de Santa Eulália, uma jovem de 13 anos que foi martirizada na época romana (304 dC), e que converteu-se na padroeira da cidade.

Devido à Exposição Universal realizada em 1888 em Barcelona, as obras da catedral foram retomadas depois de 400 anos para a realização da fachada, no mesmo estilo que o resto da igreja. Desta forma, a fachada neogótica está composta por uma portada e duas torres com seus respectivos pináculos, estando decorada com todos os elementos da arquitetura gótica e com uma profusão de imagens de santos e anjos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetada pelo arquiteto Josep Oriol i Mestres, está formada por um grande arco gótico com arquivoltas, presidida por uma escultura de Cristo, e em ambos lados por imagens dos Apóstolos. Além destas, um total de 76 figuras, representando também profetas e reis, adornam a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da porta principal, que dá para a Praça da Catedral, existem outras 4, de diferentes épocas. A mais antiga é a Porta de San Ivo, cujo nome se deve ao edifício situado em frente, que durante muitos anos foi a sede dos advogados, que tem como padroeiro a San Ivo. Durante 5 séculos foi o acesso principal ao templo. Realizada em mármore e pedra extraída da montanha de Montjuic, foi uma das primeiras portas em utilizar os arcos ojivais, típicos do gótico, na Catalunha (1298). No tímpano, vemos uma imagem de Santa Eulália, pertencente a finais do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta situa-se bem embaixo de uma das torres campanários da catedral. Nela, vemos também um relevo, que representa a luta entre um homem e uma fera, que provavelmente procede da antiga catedral românica, já que data do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outro detalhe escultórico da Porta de San Ivo.

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Uma das poucas partes da anterior catedral românica é a Porta de Santa Lúcia, que serve de entrada exterior à capela de dita santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decoraçao escultórica em seus capitéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas outras portas permitem o acesso direto ao claustro, a de Santa Eulália e a da Piedade. No tímpano desta última, vemos uma cópia do relevo original, realizado em madeira, e que se conserva no museu catedralício, com a representação da Piedade, rodeada com os símbolos da paixão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais curiosos de qualquer catedral gótica são as gárgolas e a de Barcelona possui uma grande quantidade delas. Normalmente representam seres fantásticos, e sua finalidade principal é escorrer a água das chuvas, além de espantar os maus espíritos. As mais antigas situam-se acima da Porta de San Ivo (séc. XIV).

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Segundo uma tradição popular, são bruxas que, durante a procisao do Corpus Christi, cuspiam nos devotos, sendo castigadas a permanecerem petrificadas como figuras monstruosas, com a missao de “cuspir” a água dos telhados da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes atrativos do templo é que está permitida a subida à terraça. Nela, vemos as torres campanários, as duas agulhas góticas e a parte exterior do cimbório, decorado com uma imagem de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral possui duas torres campanários. Com uma altura de 53m, foram levantadas no final do séc. XIII. As torres receberam até nomes, a de Honorata e a de Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo alto da terraça, contemplamos uma bela vista de Barcelona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro gótico está situado no mesmo local que seu precedente românico. Datado dos séc. XIV/XV, a ele se pode aceder a partir das portas mencionadas acima, bem como por outra situada dentro da catedral, que acredita-se  era uma das portas laterais do antigo templo românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro está rodeado por capelas em três de seus lados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, se encontra um jardim, renovado no final do séc. XIX, com árvores e um grupo de 13 cisnes brancos, que recordam a idade do martírio de Santa Eulália.

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Uma fonte de 1448 representa a São Jorge lutando contra o dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, daremos continuidade sobre a Catedral de Barcelona, comentando o seu espetacular interior.

Patrimônios da Humanidade de Sevilha

Além do Real Alcázar, Sevilha possui dois outros monumentos catalogados em conjunto como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. O primeiro deles é a Catedral de Santa Maria , eleito um dos 12 tesouros de Espanha.

O templo sevilhano é considerado a catedral gótica de maior superfície de todo o mundo. Segundo a tradição, foi construída a partir de 1403, embora não exista documentos dos trabalhos construtivos até 1433. A edificação se realizou no mesmo local da antiga mesquita maior da cidade, construída no séc. XII.

DSC00229Depois da conquista da cidade pelos reinos cristãos no séc. XIII, a mesquita foi consagrada como templo católico, sendo desta forma utilizada durante mais de 150 anos. Devido ao mau estado da mesquita, e sua quase ruína depois de ser afetada por um terremoto em 1356, decidiu-se pela construção de uma nova catedral, que sería inaugurada em 1506.

Sevilha22Sevilha19Um dos seus elementos mais conhecidos é a Torre Campanário, conhecida como “La Giralda”, cuja altura se eleva a mais de 100m. Grande parte da estrutura corresponde ao minarete da antiga mesquita do séc. XII, e foi construída à imagem e semelhança da mesquita de Marrakech (Marrocos).

Sevilha25A parte superior foi levantada no séc. XVI em estilo renascentista para acolher os sinos, cujo encarregado foi o arquiteto Hernán Ruiz, que também foi o responsável pela estátua que coroa a torre, instalada em 1568. Durante séculos, foi a torre mais alta do país.

Sevilha26Do alto da torre vemos os sinos e uma bela vista geral do templo.

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No exterior, existem inúmeras portas de acesso, dada suas grandes dimensões. Uma delas é a Porta das Campanillas, assim denominada porque quando foi levantada, era deste local onde se tocavam as campanas para chamar aos trabalhadores. As esculturas que a adornam são renascentistas, bem como o relevo do tímpano que representa a entrada de Cristo em Jerusalém.

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A Porta dos Palos é também chamada de Porta da Adoração dos Reis Magos, devido ao relevo do tímpano, executado em 1520.

DSC00293O interior está formado por 5 naves, cujas dimensões são de 116m comp x 76m de largura. No cruceiro, a cúpula eleva-se a 40m de altura. Neste espaço retangular, situava-se a antiga mesquita.

DSC00324A nave central está constituída pelo Coro e a Capela Maior. O coro está franqueado por dois órgãos gêmeos, construídos em 1901. O móvel que serve de suporte, porém, é de 1724. Ambos instrumentos se interpretam simultaneamente a partir de um mesmo teclado. O conjunto formado possui 4  teclados manuais, um de pedal e cerca de 7000 tubos.

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A Capela Maior, por sua vez, alberga o Retábulo Maior, considerado o maior da cristiandade. Foi realizado pelo escultor flamenco Pedro Dancart em 1482.

DSC00308Abaixo, vemos algumas imagens das muitas capelas que existem no interior da catedral.

DSC00329DSC00327A luz penetra no interior através de belas vidreiras historiadas.

DSC00301A Catedral de Sevilha guarda também sepulcros de personagen ilustres, como o do rei Fernando III, conquistador da cidade. Porém, mais famosa ainda é a tumba de outro conquistador, cuja autenticidade de seus restos foi motivo de uma acirrada polêmica. Nos referimos à tumba de Cristóvão Colombo.

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Na verdade, existem várias “tumbas de Cristóvao Colombo”, em conseqüência das mudanças dos seus locais de sepultamento. Sua história se remonta ao ano de 1506, quando falece o navegador genovês em Valladolid. Na cidade, é enterrado por primeira vez e três anos depois foi desenterrado e levado à Cartuja de Sevilha, nela permanecendo entre 1509/1537. No entanto, o ilustre defunto manifestou em vida o desejo de ser sepultado em terras americanas, e seus restos foram levados à catedral de Santo Domingo, República Dominicana, onde se manteve até 1795. Com a perda da posse da ilha para os franceses, o corpo é levado desta vez à catedral de Havana, em Cuba. Em 1898, Espanha perde o domínio do país e seus restos realizam sua última viagem à Catedral de Sevilha. Na República Dominicano se acredita que ali estão os verdadeiros restos de Colombo, graças à descoberta de um ataúde com a inscrição “Varón ilustre y distinguido, Don Cristóbal Colón…”. Segundo uma interpretação, houve um equívoco durante o traslado do corpo em 1795, e os restos levados à Espanha seriam os do seu filho. Para acabar de vez com a controvérsia, foram realizados exames de DNA em 2003, que certificaram a identidade dos restos da Catedral de Sevilha como o de Cristóvão Colombo.  Para custodiar seu corpo, foi edificado um monumento em que se representam os quatro reinos espanhóis (Castela, Leão, Aragão e Navarra) que sustentam o féretro.

DSC00313O outro monumento distinguido pela Unesco é o Arquivo Geral das Índias, criado em 1785 pelo rei Carlos III, com o objetivo de centralizar em um único lugar, a enorme documentação existente referente à administração das colônias espanholas, até então dispersas. Convém ressaltar que, depois da descoberta do novo mundo, Sevilha converteu-se no porto exclusivo do comércio com o continente americano.

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Os documentos nele conservados ocupam mais de 9km lineais de estantes, sendo considerado o maior arquivo documental existente no mundo da atividade espanhola na América. Muitos destes documentos possuem um valor incalculável, como o diário de Cristóvão Colombo, e outros assinados por Fernando de Magalhães, Francisco Pizarro e Hernán Cortés, entre outros. O edifício sede foi construído no séc. XVI (1572), durante o reinado de Felipe II, dentro da estética renascentista, para abrigar a Lonja dos Mercadeiros.

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Granada

A cidade de Granada situa-se ao sul da Comunidade de Andaluzia, aos pés da Serra Nevada, que abriga, além de lindos pueblos, o ponto culminante da península Ibérica, o Pico de Mulhacén, com 3482m. Além disso, existem estações de esqui, consideradas das melhores de Espanha.

Seu período de maior prosperidade ocorreu durante a dominação árabe, quando se transformou num reino independente em 1023, sob a dinastia dos Ziríes. Em 1492, os Reis Católicos conquistaram a cidade, colocando um ponto final aos quase 8 séculos de domínio muçulmano no país. Conta-se que seu último rei, Boabdil, ao partir para o exílio depois da reconquista crista, olhou por última vez à sua amada cidade e chorou. Sua mãe o reprovou incontinente, pronunciando uma célebre frase:

“Choras como uma mulher o que não soubeste defender como um homem.”

Além da Alhambra e do Generalife, o bairro de Albaicín também foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.

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Situado numa colina em frente à Alhambra, da Praça de San Nicolás se contempla uma das mais belas vistas do palácio. O Albaicín é considerado o bairro árabe mais bem preservado de todo o país, conservando a beleza de sua arquitetura, num itinerário composto por ruas irregulares repletas de casas brancas, formando um labirinto de ruelas e praças de um encanto inegável.

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No bairro, é possível assistir a shows de flamenco, outras de suas atrações.

DSC00510A Catedral de Granada foi construída logo após a conquista dos Reis Católicos. Iniciada em 1505, sob as ordens da rainha Isabel “la Católica”, foi erguida sobre a antiga mesquita maior da cidade. Inicialmente, foi concebida como um templo gótico inspirado na catedral de Toledo. Porém, quando assumiram as obras os arquitetos Enrique Egas em 1523 e seu substituto Diego de Siloé em 1529, se modificou o planejamento original, transformando-se numa das primeiras catedrais renascentistas de Espanha.

Granada21Em 1664, Alonso Cano realizou uma reforma da fachada principal, introduzindo elementos barrocos. Abaixo vemos algumas imagens da catedral e seus dois órgãos, de mediados do séc. XVIII.

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Um dos locais mais importantes do templo é a Capela Real, construída por petição dos Reis Católicos, para que acolhesse o sepulcro do rei, da rainha e de seus descendentes. Desta forma, no interior podemos ver o túmulo de Isabel de Castilla, Fernando de Aragón, e seus filhos Juana “La Loca” e Felipe “El hermoso”. A partir de 1574, os monarcas passariam a ser enterrados no Monastério do Escorial, por desejo expresso do rei Felipe II. A capela está encostada à catedral, sendo o segundo monumento em visitas da cidade, depois da Alhambra.

Granada16Infelizmente, nao se podem tirar fotos no interior…

Também construída por Diego de Siloé a partir de 1537, a mudéjar Igreja de Santa Ana situa-se nas proximidades do rio Darro, e passear por suas margens é descubrir uma cidade cheia de lugares interessantes.

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Pamplona – Navarra

Situada no norte de Espanha, Pamplona é a capital da Comunidade Foral de Navarra.

A cidade foi fundada em 74 aC pelo general romano Pompeyo, sobre um povoado pré-existente chamado Iruña, nome do idioma euskera pelo qual também é conhecida  atualmente. Logo, a cidade se converteu num dos povoados mais importantes dos territórios dos vascones. Foi ocupada por visigodos e árabes e no séc. IX se tornou capital do Reino de Pamplona e, durante a Idade Média, no Reino de Navarra.

Em 1423, o rei Navarro Carlos III ditou o Privilégio da União, mediante o qual Pamplona, até então formada por 3 burgos independentes (Navarrería, San Saturnino e San Nicolás), se unifica ao redor da prefeitura, acabando com séculos de conflitos. A Casa Consistorial se localiza exatamente na confluência destes antigos burgos. Do seu aspecto original não sobrou nada, e sua parte mais antiga é a fachada reformada no séc. XVIII, numa combinação de elementos barrocos e neoclássico.

Localizado no centro histórico da cidade, de seu balcão iniciam-se, com o lançamento de um foguete (chupinazo), as festas de maior projeção internacional da cidade, o San Fermín.

Celebradas entre os dias 6 e 14 de julho, sua fama é um fenômeno recente, vinculado à difusão dada ao evento pelo escritor Ernest Hemingway, em sua novela “Fiesta”. As festividades homenageiam a San Fermín, padroeiro de Navarra e da diocese de Pamplona. Segundo a tradição, Fermín, filho do senador Firmus, que governou a cidade no séc. III, se converteu ao catolicismo e foi batizado por San Saturnino.

Uma de sua principais atividades é o encierro, com séculos de antiguidade. Consiste numa corrida de touros, realizada em plena rua e num trajeto de 800m, que culmina na Praça de Touros da cidade. Durante o evento são comuns as graves lesões e, inclusive, foram registradas 15 mortes desde 1922, principalmente de turistas embriagados, que pensam que fugir de um touro de 700kg é a mesma coisa que fugir de um cachorro bravo.

Em 1512, Pamplona foi anexada à coroa espanhola, ao ser ocupada pelas tropas do rei Fernando Católico. A parir do séc. XVI, tornou-se um baluarte de defesa contra as invasões francesas. A cidadela, um recinto fortificado de estilo renascentista construída em 1571 pelo rei Felipe II, fazia parte deste sistema defensivo. Situado no centro da cidade, possui planta pentagonal e se converteu atualmente numa das áreas verdes preferentes dos habitantes da cidade.

A Praça do Castelo é o principal ponto de encontro da cidade, e seus edifícios representam uma variada combinação de estilos.

O café Iruña, situado na praça, é um dos locais preferidos para tomar uma cerveja, comer umas tapas e bater papo.

Durante a Idade Média, Pamplona possuía uma esplêndida catedral românica. Em 1317, decidiu-se construir um claustro novo, adossado ao templo românico. Durante sua construção,em 1389, a igreja ruiu e foi necessária sua reconstrução, também no estilo da época, o gótico.

Na Catedral de Santa Maria ainda podemos contemplar o claustro do séc. XIV, um dos mais belos da Europa realizados nesta época.

Das diversas portas de acesso que possui, a denominada Porta Preciosa está belamente esculpida. Construída entre 1350/1360, comunica o claustro com o dormitório dos canônigos. Seu nome se explica porque o clero, quando entravam no dormitório, o realizavam em procissão litúrgica, cantando um salmo de louvor à Virgem que começava com este adjetivo. No tímpano, vemos talhadas cenas da vida da Virgem.

No interior, destacamos o mausoléu dos reis navarros Carlos III e sua esposa Leonor. Foi executado entre 1413/1419 pelo escultor flamenco Johan Lome de Tournay, em alabastro.

No presbitério, vemos a imagem românica de Santa Maria la Real.

O teto está formado por bôvedas de crucería, típicas do estilo gótico.

No exterior, a fachada pertence à época neoclássica, realizada por Ventura Rodríguez no séc. XVIII. A catedral representa o conjunto gótico mais importante da comunidade.

Outro monumento religioso de importância é a Igreja de San Saturnino, localizada próxima à Casa Consistorial. Inicialmente construído no estilo românico (séc. XII), foi reedificada no século seguinte em estilo gótico. Além de ter sido centro religioso do burgo medieval, cumpria também a função de defesa militar, numa época de habituais disputas com os demais burgos. O fato se comprova pelo aspecto da torre, mais parecida a uma fortaleza.

Abaixo, vemos o decorado tímpano da portada principal.

A cidade de Pamplona é atualmente o centro financeiro, comercial e administrativo da comunidade, além de ser sua cidade mais populosa, com cerca de 200mil hab. Possui invejável qualidade de vida, e sua renda per capita é bastante superior á média espanhola e da Uniao Européia.

Pamplona faz parte da segunda etapa do Caminho de Santiago, da rota de peregrinos procedentes de Roncesvalles.

Catedral Nova de Plasencia

A Catedral Nova de Plasencia está dedicada a Asunçao de Nossa Senhora. Conforma, junto com a Catedral Antiga, a silueta arquitetônica mais conhecida da cidade.

De estilo renascentista, no exterior o templo possui duas portadas de interesse. A Portada Norte corresponde à porta principal da catedral.

O desenho e a execução de sua parte inferior pertencem ao mestre Juan de Ávila, que realizou a obra no estilo plateresco, variedade do Renascimento Espanhol. Ávila se encontrou com um espaço gótico de tendência vertical, ao qual era complicado esculpir estruturas ornamentais renascentistas de caráter horizontal. O problema foi solucionado colocando, entre os contrafortes, quatro corpos clássicos com suas correspondentes colunas. A bela decoração que adornam os muros e seu rico conteúdo iconográfico convertem esta estrutura em uma jóia do patrimônio artístico espanhol.

Em sua parte superior, interveniram grandes mestres da época, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. Na parte alta da porta, os canteiros deixaram gravada a data de sua finalização: “Em 1558 se terminou esta portada”.

A portada Sul forma um magistral conjunto com a Torre da Catedral Antiga e a Torre do Melão, que coroa a sala capitular, também da catedral velha. Denominada Porta do Enlosado, possui uma estrutura clássica e a combinação com as demais elementos proporciona um “livro aberto”, um manual de estudos de arquitetura.

O interior do templo está inundado de dourado, cor que na cultura crista está relacionada à Luz Celeste e à divindade.

O Retábulo Maior é barroco e está composto por 3 partes. Nele se fundem arquitetura, escultura e pintura, com o objetivo de atrair o olhar dos fiéis à sua contemplação. A parte escultórica é obra do mestre Gregório Fernández. O conjunto desenvolve temas próprios da Contra-reforma.

Em sua parte inferior, vemos a Paixão de Cristo. Sua parte central está representada pelo momento em que a Virgem, padroeira da catedral, é elevada ao céu em meio de um coro de anjos.

O calvário compõem as imagens da parte superior. Em quanto às pinturas, destacam os quadros de Francisco Rizzi, Anunciação e Adoração dos Pastores.

No presbitério, vemos o sepulcro de Ponce de León, bispo desta diocese no séc. XVI.

Em frente ao sepulcro, situa-se a Porta da Sacristia, realizada por Francisco de Colônia e Juan de Ávila em estilo plateresco.

Nas naves laterais, encontramos dois retábulos de estilo churrigueresco, típicos do barroco espanhol.

O Coro é outro dos tesouros da catedral. Feito de madeira de nogal por Rodrigo Alemán a finais do séc. XV, foi realizado para a Catedral Antiga e adaptado posteriormente ao local que ocupa atualmente.

O maravilhoso órgão está classificado dentro do grupo de instrumentos românticos de princípio do séc. XX. A caixa do órgão, porém, é barroca do séc. XVII e contém figuras de pedra ricas em expressão e movimento. Representam os símbolos da música. À esquerda, vemos a estátua de Jubal, pai dos tocadores de cítara e flauta e, à direita, a estátua de Orfeu com a Lira.

Abaixo, outras fotos da catedral.

Com estas fotos, concluímos a série de post dedicadoa à cidade de Plasencia. Espero que tenham gostado, e nao deixem de conhecê-la, quando venham à Espanha. Vocês, como eu, se surpreenderao…

Catedral Velha de Plasencia

Na mesma época da fundaçao da cidade no séc. XII, surgiu a sede episcopal de Plasencia. A cidade possui duas catedrais dedicadas à Virgem Maria, formando o conjunto arquitetônico e artístico mais importante da cidade. Ambas estão incompletas, sendo que a catedral velha carece de ábside e cruceiro, derrubados para a construção da catedral nova.

A Antiga Catedral de Santa Maria é um belo exemplo de templo de transição dos estilos românico ao gótico. Do primeiro, pertence os capitéis das colunas e do segundo, os arcos, janelas e bôvedas de crucería. Sua construção iniciou-se a princípios do séc. XIII e no século seguinte edificou-se a maior parte do templo, cujas obras foram dirigidas pelos mestres Juan Pérez, Diego Díaz e Juan Francês.

A portada principal é de estilo românico. Na parte superior vemos uma escultura da Anunciação de Nossa Senhora, que também aparece no rosetón.

Suas 3 naves estavam cobertas até o séc. XVIII por uma espessa camada de cal que, ao desaparecer, permitiu que admirássemos  a esbeltez do templo, solene e acolhedor ao mesmo tempo.

No muro que separa as duas catedrais, foi colocado um retábulo de estilo barroco português, representando as cenas da paixão de Jesus Cristo.

Além do Retábulo Maior, outros decoram as naves da igreja.

De planta retangular, o claustro conserva seu aspecto original. Inspirado na arquitetura cistercense, serve de união às duas catedrais. No centro, vemos uma fonte gótica do séc.  XV, com as armas do bispo e cardeal D.Juan de Carvajal.

A partir do claustro, acedemos à Capela de San Pablo, antiga sala capitular, e conhecida popularmente como a Torre do Melão, assim chamada por seu aspecto exterior, culminado com uma bola que parece um melão aberto.

Seu interior é de formato quadrangular com uma cúpula octogonal. A configuração do espaço recorda os cimbórios da Catedral de Zamora, da Colegiata de Toro e da Torre do Galo da Catedral de Salamanca.

Abaixo, uma bela imagem da Virgem colocada dentro da capela.

A Torre possui im claro aspecto românico.

A Catedral Antiga de Plasencia foi declarada Monumento Nacional em 1931. A princípio do séc. XV, decidiu-se levantar uma nova catedral, de tamanho superior que, como comentamos, destruiu parte da cabeceira e do cruceiro. Sobre a Catedral Nova, falaremos no próximo post.