La Alberca – Província de Salamanca

Viajar pelo interior da Espanha é uma experiência inesquecível, pois possibilita conhecer lugares encantadores, como os pequenos povoados, aqui denominados Pueblos, abundantes por todo o país. Alguns destes povoados, apesar de seu reduzido tamanho, possuem uma valioso patrimônio histórico-artístico. Outros se caracterizam por suas peculiaridades e por serem lugares realmente pitorescos, como o povoado de La Alberca, situado numa região serrana ao sul da Província de Salamanca, uma das províncias que formam a Comunidade de Castilla y León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizada numa região de grande beleza natural, a denominada Sierra de Francia, neste povoado não veremos castelos, palácios ou belas igrejas, pois La Alberca é conhecida principalmente por sua interessantíssima arquitetura popular tradicional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom pouco mais de mil habitantes, La Alberca foi o primeiro povoado da Espanha em receber o título de Monumento Nacional, em 1940. A partir deste momento, o povoado, antes conhecido apenas por curiosos viajantes, alcançou grande popularidade e prestígio, sendo frequentado por milhares de turistas que a visitam anualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA beleza e a singularidade deste pueblo foi divulgada por personalidades do mundo artístico como o cineasta Luis Buñuel (1900/1983) e por intelectuais famosos, como o escritor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864/1936), cujo retrato aparece decorando uma das casas do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive o privilégio de conhecer La Alberca num passeio de fim de semana organizado pelos professores de história Rafael (conhecido como “Rafa”) e Fernando, cujas aulas sobre a história de Madrid pude presenciar durante dois anos em cursos que realizei na capital espanhola. Rafa foi nosso guia na excursão, brindando as cerca de 40 pessoas que faziam parte do passeio com seus amplos e profundos conhecimentos sobre história, arte e arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO povoado de La Alberca localiza-se numa das zonas mais úmidas do país, e seu nome procede do artigo árabe “Al” com o termo de origem hebraico “Bereka”, significando “lugar das águas”. Foi habitada desde tempos remotos por tribos pré-romanas, os celtíberos, como demonstram os restos de um antigo castro, como são conhecidos os assentamentos deste povo, sobre o qual se construiu o povoado de La Alberca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os séculos XII e XIII, o local foi repovoado por ordens do Rei Alfonso IX de León, principalmente por franceses, justificando desta forma a presença de inúmeras palavras na região de origem francesa ou relacionadas ao país vizinho (Sierra de Francia, por exemplo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XV, o monarca Juan II concedeu o povoado à Casa de Alba, transformando-se num senhorio. Esta condição permaneceu até 1834, quando  finalmente os senhorios foram abolidos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALa Alberca foi edificada sem nenhum tipo de planificação urbana, e suas ruas, praças e casas se adaptaram às condições geográficas do local, uma montanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos consideram La Alberca como o Pueblo mais belo da Espanha, e razões não faltam para tanto. De fato, aparece sempre nas listas dos povoados mais bonitos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No próximo post, faremos um passeio pelo pueblo, e vocês terão a oportunidade de conhecê-lo com mais profundidade…

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Alcalá de Henares : Complutum

A cidade de Alcalá de Henares, situada a apenas 20 km de Madrid, já foi tema de dois posts, ambos publicados no dia 8/5/2012. Nestas matérias, realizei apenas um esboço desta cidade, berço de Miguel de Cervantes e com o título de Patrimônio da Humanidade concedido pela Unesco. E para conhecê-la melhor, temos que remontar à sua origem, como uma vila romana denominada Complutum, capital de um extenso território político e uma das mais prósperas cidades do interior. Na antiga Hispania, então uma província do Império Romano, a região onde hoje se localiza a Comunidade de Madrid se chamava Carpetania, e seus habitantes, os carpetanos, uma tribo de origem celtíbera que habitavam estas terras entre os séculos III e II aC. Na realidade, Complutum teve sua origem como uma espécie de cidade-estado destes povos indígenas. Posteriormente, durante a república Romana, houve um intento de desenvolver uma cidade em torno ao Cerro de San Juan del Viso, uma elevação rochosa situada próxima à atual cidade. Apesar disso, sua localização final se deu no fértil vale do Rio Henares, através de duas fundações sucessivas, a primeira na época de Augusto e a segunda em tempos do imperador Cláudio (segunda metade do século I dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComplutum gozou do título de municipium, isto é, uma cidade com privilégios. Seu urbanismo possuía o clássico desenho ortogonal, em que as ruas se cruzam em ângulo reto, estando delimitadas por duas vias principais, o Decumeno Máximo, que cruzava a cidade de leste a oeste, e o Cardo Máximo, de norte a sul. Os quarteirões eram quadrados e tinham um formato de 30x30m. As ruas principais estavam porticadas e algumas delas alcançavam até 12m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA atividade arqueológica em Complutum está entre as mais antigas de toda a Espanha, sendo que as investigações desta cidade romana datam do século XVI. Este processo de descobrimento continuou desenvolvendo-se em períodos posteriores, segundo o conceito da arqueologia daquele momento, o colecionismo, ou seja, a busca de antiguidades segundo um critério estético, artístico e de raridade. Apesar dos avanços científicos e de mentalidade nesta área, uma parte da antiga Complutum foi sepultada em função do progresso urbanístico que ocorreu em Alcalá de Henares nas décadas de 60 e 70 do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 60, Alcalá de Henares tinha 40 mil habitantes. A rápida industrialização da cidade fez com que sua população aumentasse aos 120 mil no final da década de 70. A chegada de muitas pessoas atraídas pelo desenvolvimento econômico provocou a construção de grandes blocos residenciais, e cerca de 25 hectares da antiga Complutum foram afetados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar disso, um criterioso programa de escavações do serviço de arqueologia da Prefeitura de Alcalá de Henares recuperou numerosos restos de seu passado romano, e atualmente podemos ter uma ideia de Complutum visitando o parque arqueológico que se encontra na atual cidade. Entre os restos visitáveis se encontram um dos 6 bairros que a compunham, o Regio II, cujas fotos estamos vendo nesta matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se encontrava o foro, o espaço público mais importante das cidades romanas. Ainda hoje podemos observar sua infra estrutura hidráulica, composta por cloacas e uma rede de encanamento que formavam o sistema de saneamento da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando estive visitando o local, um simpático funcionário me mostrou algumas moedas encontradas na área arqueológica…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos os principais edifícios que constituíam o foro, e desta forma teremos uma boa noção da importância de Complutum.

Museu Arqueológico Nacional: Os Iberos

Tradicionalmente se diz que o território da Península Ibérica foi habitado por dois povos antes da presença do Império Romano nestas terras: Os Iberos e os Celtas. Em relação aos primeiros, de grande importância para sua formação tiveram os fenícios e os gregos. Num primeiro momento, os gregos conheciam somente a zona costeira onde se assentaram, e denominaram iberos a todos os seus povoadores e Ibéria às terras do extremo ocidental do Mar Mediterrâneo. Aos poucos, porém, foram conhecendo os distintos povos existentes e seus respectivos nomes. Realmente, os povos ibéricos representavam uma grande variedade de tribos, com denominações diferentes de acordo com a região onde vivam. No mapa abaixo, podemos constatar sua diversidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcredita-se que os Iberos eram procedentes do Mediterrâneo e habitaram o atual território de Portugal e Espanha entre os séc. VI aC e I aC, quando foram conquistados e submetidos à Roma. Suas características físicas (estatura média, pele morena) fizeram com que fossem associados diretamente como os antepassados dos atuais espanhóis. No Museu Arqueológico Nacional, podemos conhecer esta interessante cultura através de uma grande quantidade de achados arqueológicos, alguns dos quais se tornaram verdadeiros símbolos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Iberos não formavam um grupo coeso, como vimos acima, mas em ocasiões se reuniam para combater inimigos comuns. Se organizavam em pequenas comunidades fortemente hierarquizadas. Peças como a Roda de Troya, que vemos abaixo (séc. IV aC), ajudaram a compreender sua composição social, pois sua fabricação foi encarregada por príncipes ou membros da classe aristocrática.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHerdeiros da cultura da Idade do bronze, os iberos praticavam a monogamia e o patriarcado. Veneravam a natureza e rendiam culto aos mortos. Sua religião era complexa e se desconhece o nome de suas divindades, mas seguramente adoravam a Deusa Mãe. Seus principais santuários se localizavam próximos às grandes vias de comunicação, como o o chamado Monumento de Pozo Moro, que pode ser visto no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre feita de pedra foi erguida sobre o sepulcro de um personagem importante, talvez o fundador de alguma linhagem, cujos membros construíram ao seu redor outras tumbas, que com o tempo se transformou numa verdadeira necrópole ibérica. O defunto foi queimado numa pira funerária, junto com alguns objetos. Possui um paralelo com construções existentes no Oriente Próximo, e seu estilo chegou à península graças aos contatos com os fenícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos, esta tumba alcançou um grande grau de complexidade construtiva. Os santuários recebiam numerosos fiéis que neles depositavam oferendas e exvotos. A conservação destas imagens constituem uma evidência de sua religiosidade popular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano econômico, praticavam a agricultura e a pecuária. Um dos elementos mais conhecidos associados aos ibéricos são os Verrascos, representações escultóricas de porcos ou touros, normalmente feitos de granito, e datados a partir do séc. IV aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua principal finalidade era sinalizar zonas de pasto, além dos caminhos para as áreas de criação de animais. Por este motivo, eram colocados em lugares visíveis da paisagem. Posteriormente, começaram a ter uma função funerária e foram reutilizados gravando neles nomes em latim. Curioso é este objeto feito de bronze (séc. IV aC) que adornava a extremidade de um carro puxado por vacas. O belo trabalho de metal representa a cabeça de um lobo, animal relacionado a simbologia funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo podemos observar, os iberos eram grandes mineradores, escultores e artesãos. Existem muitas cerâmicas cuja estética foram copiada dos gregos, e outras originais de sua própria cultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira peça acima, mais elaborada, foi encontrada numa necrópole ibérica em Granada. Normalmente utilizada para o transporte de vinho e azeite, na cultura ibérica foi usada como uma urna funerária (procedência grega).

Os Celtas, mais altos e loiros, procediam da Europa central e ocuparam o território através de sucessivas migrações. Paulatinamente, ambas populações acabaram misturando-se, de modo que a partir do séc. II aC se pode falar de uma nova cultura, a Celtíbera. No próximo post, veremos algumas das obras mais destacadas da cultura ibérica, entre as quais destacam suas figuras femininas, verdadeiros ícones deste povo pré-romano.

Bílbilis Romana

A pouca distância de Calatayud se encontram os restos do antigo povoado de Bílbilis, o mais antigo assentamento humano da região. Infelizmente não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente este sítio arqueológico de fundamental importância relativa ao passado ibérico e sua subsequente dominação romana. No entanto, no Museu de Calatayud, que também funciona como Oficina de Turismo, situado no local onde antes se erguia um antigo Convento Carmelita do séc. XVI, uma exposição permanente me permitiu conhecer os restos arqueológicos encontrados nas ruínas e compreender seu passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, Bílbilis era um povoado celtíbero. Os celtas, provenientes da Europa Central, em sucessivas migrações entraram em contato com os povoadores autóctonos da península, os iberos (destes povos indígenas surgiu o termo Península Ibérica, que compreende os países que a compõem, Portugal e Espanha). A partir de 195 aC, os romanos conquistaram progressivamente o Vale do Rio Ebro, e seu domínio se estendeu pelas localidades desta zona, inclusive a antiga cidade de Bílbilis. A cidade impressiona por sua localização, elevada sobre três cerros a 700m de altitude. Apesar do complicado relevo, soube adaptar-se às ladeiras dos montes que a cercavam, conhecidos com os nomes de Santa Bárbara, San Paterno e Bámbola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas ruas e espaços públicos foram construídos em terraços, comunicados entre si por meio de rampas e escadas. A partir de finais do séc. I aC e primeira metade do séc. I dC, a cidade passou por profundas transformações, que lhe proporcionaram o aspecto de uma típica cidade romana, cujo modelo urbano foi importada da capital do império, Roma. Este processo ocorreu entre os reinados dos imperadores Augusto e Tibério, responsáveis pela edificação dos grandes monumentos identificadores da arquitetura romana, como o Forum, o Teatro, as Termas, etc. Abaixo, vemos as instalações do Museu de Calatayud, com alguns dos restos escultóricos encontrados nas ruínas de Bílbilis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Augusto, a cidade recebeu o nome de Municipium Augusta Bílbilis e seus habitantes passaram a ser considerados cidadãos romanos. Seu mais ilustre habitante, o poeta Marco Valério Marcial, deixou constância em seus escritos sobre as virtudes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma escultura que representa o retrato oficial do Imperador Augusto, encontrada no Teatro de Bílbilis e esculpida em mármore grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua população está estimada entre 3.500 e 4 mil habitantes, e a cidade estava cercada por uma grande muralha defensiva. Possuía uma ampla rede de cisternas e fontes públicas para o abastecimento de água, um verdadeiro êxito arquitetônico devido a acidentada localização da cidade. As casas estavam compostas por até 3 andares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a desintegração do Império Romano, a cidade entra em decadência. A partir do séc. II dC este processo se acentua e no século V se encontra completamente desabitada. Bílbilis sofre inúmeros ataques destrutivos ao seu patrimônio, e as pedras de suas construções são utilizadas para os edifícios da cidade de Calatayud. A Praça de Touros, por exemplo, possui em sua base materiais procedentes da antiga cidade romana. As ruínas de Bílbilis receberam o título de Monumento Histórico-Artístico em 1931, devido a importância de seus restos para a  compreensão da antiga Hispania, nome pelo qual se denomina o período em que o atual território espanhol foi uma província do Império Romano. As escavações arqueológicas oficialmente iniciaram-se em 1917, e prosseguem atualmente. Abaixo, vemos uma imagem dos estudos iniciais realizados no Teatro Romano de Bílbilis, entre os anos de 1975 e 1976.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos com mais detalhes alguns dos aspectos da vida da cidade,  seus principais monumentos e os restos conservados das diversas manifestações artísticas procedentes das ruínas arqueológicas.

Ronda – Província de Málaga

A partir de hoje, iniciamos uma série de publicaçoes sobre uma das cidades mais espetaculares da Espanha, Ronda. Localizada no sul do país, ao noroeste na Província de Málaga (Comunidade de Andalucia), Ronda possui cerca de 37 mil habitantes, a segunda maior cidade do interior da província, depois de Antequera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACapital da comarca de Serranía de Ronda, a cidade está cercada por uma belíssima serra, cujas vistas podem ser apreciadas graças aos caminhos existentes  dentro de seu recinto histórico, como o Paseo de los Ingleses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOu entao o Paseo de Blas Infante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARonda está assentada sobre uma meseta cortada por uma profunda depressao escavada pelo Rio Guadalevín, criando uma paisagem notável.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua pintoresca localizaçao, o entorno natural que a rodeia e a grande quantidade de monumentos que conserva (palácios, igrejas, pontes incríveis, uma histórica praça de touros, etc) a transformaram num centro turístico de primeira magnitude.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs três mil anos de história desta cidade mágica oferecem ao visitante um imenso leque de possibilidades turísticas, referências dos inúmeros povos que habitaram a regiao ao longo de sua dilatada existência. Ainda que em suas proximidades foram descobertos restos pré-históricos (pinturas rupestres na Cueva de la Pileta), suas origens sao celtíberas. Depois, foram conquistadas pelos gregos, que a denominaram Runda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, a cidade como tal, foi fundada dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, durante a campanha do general romano Escipión contra os cartagineses que viviam na Hispania.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente um enclave militar, recebeu o nome de Arunda pelos romanos, utilizado para a pacificaçao e controle das tribos celtíberas que habitavam a serra próxima a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a ocupaçao romana, construiu-se o denominado Castelo de Laurus, hoje desaparecido graças às tropas francesas, que o destruíram na Guerra da Independência, travada no séc. XIX. Sua construçao possibilitou o assentamento de uma comunidade ao seu redor. Durante a época do imperador Júlio César, este pequeno recinto militar alcançou o nível de cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, “perder-se” por suas ruas nos permite contemplar suas típicas casas brancas e os inúmeráveis segredos que guarda…

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Medinaceli – Província de Sória

A histórica vila de Medinaceli situa-se na Província de Sória, que por sua vez é parte integrante da Comunidade de Castilla y León. O povoado conserva monumentos de distintas épocas e devido ao seu rico patrimônio, foi declarada Conjunto Histórico-Artístico em 1963.

Sua origem é anterior ao período da dominação romana, quando foi habitada pelos povos celtíberos, na época conhecida como Occillis. A cidade como tal, porém, foi fundada pelos romanos, que necessitavam de um local estrategicamente localizado entre as influentes César Augusta (Zaragoza) e Emérita Augusta (Mérida). Um dos monumentos mais conhecidos de Medinaceli é justamente o Arco Romano, construído no séc.I dC.

Trata-se do único conservado em Espanha que possui 3 arcadas, sendo que a central era utilizada para carruagens e as laterais, para pessoas. Formava parte da antiga muralha, servindo como portão de acesso à vila. Em sua construção foram usadas pedras areníticas.

Também do mesmo período são os dois mosaicos encontrados sob suas ruas, e um deles está exposto no Palácio Ducal. Realizado no séc.II dC, representa seres mitológicos, combinados com a fauna e a flora da região.

Medinaceli foi uma fronteira divisória entre os territórios cristãos e muçulmanos. Apesar do nome, a denominada Porta Árabe, segundo hipóteses aceitas, possui cimentos romanos. É a única que se conserva, das 4 que continha a cidade.

Da época árabe, podemos apreciar um típico neverro , cuja função era armazenar e conservar a neve do inverno para sua posterior utilização.

Além disso, o legado árabe é facilmente visto em suas estreitas ruas, dando um aspecto notadamente medieval à Medinaceli.

Segundo alguns autores, na cidade veio a falecer o famoso caudilho árabe Almanzor, depois da batalha de Calatañazor.

Em 1129, a cidade é reconquistada pelo rei aragonês Alfonso I “El Batallador”, até então sob o poder muçulmano. Seu período de máximo esplendor ocorreu quando, a partir de 1370 o rei Enrique II converte a cidade num condado. Foram os primeiros condes os responsáveis pela construção do castelo no séc. XIV, levantado sobre o antigo alcázar árabe, e que reforçava as defesas do antigo recinto de muralhas. A fortificação serviu de residência para os condes até a construção do Palácio Ducal, situado na Praça Maior.

De lonje, é possível avistar a silueta do castelo. A partir do séc. XIX, vem sendo utilizado como o cemitério da vila.

Em 1479 a vila é elevada a categoria de ducado pelos Reis Católicos, que nomeia a Don Luis de la Cerda o primeiro duque de Medinaceli, personagem que contribuiu sobremaneira na paisagem urbana que atualmente podemos admirar.

Típica praça castelhana, a Praça Maior localiza-se no que foi o antigo foro romano.

Bem conservada, nela se destacam dois edifícios: a Alfândega, do séc. XVI, está constituída por dois níveis porticados. Nela se controlavam o comércio da cidade e também residia a sede do conselho. Em sua parte posterior, funcionava a prisão.

O Palácio Ducal, anteriormente citado, ocupa o lado norte da praça. De estilo renascentista, foi construído entre os séc. XVI/XVII. Sua fachada apresenta uma decoração sóbria, elegante e simétrica, com duas torres realizadas segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora.

O interior se distribui em torno a um pátio central retangular, composto de dois andares, também de estética renascentista. Recentemente foi objeto de reformas, quando foi colocada sua belíssima cúpula.

No séc. XIX, o palácio foi abandonado e a deterioração subsequente quase causou sua ruína total. Nos anos 90 do século passado foram realizadas obras de restauração e em 2008 foi inaugurado o Centro de Arte Contemporâneo, onde se pode contemplar exposições temporais, concertos, além do mosaico romano nele instalado.

A Colegiata de N.Sra da Asunçao é o principal templo da cidade. Antes de sua construçao, existiam várias igrejas na cidade, provavelmente românicas. O duque D. Luis de la Cerda decidiu derrubar a todas, concentrando o culto na parróquia que vemos atualmente.

A nova igreja foi erguida no séc. XVI, no estilo tardo gótico.

No interior, apreciamos uma famosa talha do séc. XVI conhecida como Cristo de Medinaceli, além de um órgao do séc. XVIII.

Localizado no antigo bairro judeu, se supoe que o Beatério de San Román foi antigamente uma sinagoga. Transformada em paróquia, cumpriu esta funçao até o séc. XVI. Posteriormente, se converteu num beatério, e atualmente encontra-se em ruínas.

Durante os séc. XIX e XX, a cidade perdeu grande parte de sua população, que se foram às grandes urbes em busca de melhores condições de vida. Atualmente, porém, Medinaceli ressurge como  enclave turístico de primeira ordem, testemunho de sua riqueza monumental e de sua importância histórica.

Nas proximidades da cidade, existem muitas outras opçoes de passeios, como visitar um parque arqueológico com fósseis de dinossauros e muitos outros pueblos típicos desta encantadora e surpreendente Província de Sória.