Antigo Convento Carmelita – Valencia

A Ordem Carmelita chegou a Valencia em 1280, logo depois da morte do rei Jaime I. Os frades se estabeleceram num convento, hoje centro cultural, que engloba vários estilos arquitetônicos. O antigo convento se articula ao redor de dois claustros, sendo o mais antigo construído no estilo gótico, entre os séculos XIV e XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das capelas do claustro gótico podemos ver o sarcófago do escritor, jornalista e político espanhol, nascido em Valencia, Vicente Blasco Ibáñez (1867/1928). A obra foi encarregada pela Prefeitura da cidade ao grande escultor, também valenciano, Mariano Benlliure Gil (1862/1947), que finalizou o sepulcro em 1935.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro claustro conventual foi edificado no estilo renascentista, entre os séculos XVI e XVII, cujo responsável da construção foi o frade carmelita Gaspar de Sent Martí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma das galerias que compõem o claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento possuía todas as dependências necessárias para seu funcionamento, como refeitório, dormitórios, e a igreja que vemos a seguir, situada na Plaza del Carmen.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Paróquia de Santíssima Cruz, seu nome oficial, foi construída a partir de 1343. Da construção original nada resta, pois o templo foi reformado no século XVII, no estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa primeira metade do século XIX, o Convento Carmelita foi desamortizado e abandonado pela comunidade religiosa, mas a igreja continuou realizando cultos após o fechamento do convento. A partir deste momento, o antigo espaço conventual passou a sediar várias instituições culturais, transformando-se na primeira sede do Museu de Belas Artes de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o edifício sede do museu situa-se em outro local, mas o antigo convento carmelita realiza uma ampla atividade cultural com exposições temporárias, dependentes do Museu de Belas Artes. Pude presenciar uma exposição interessante de obras contemporâneas no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua função como centro cultural fez com que o edifício fosse adaptado e ampliado, e novas dependências surgiram, como a Sala Ferreres, cujo nome é uma homenagem ao arquiteto que a projetou, Luis Ferreres Soler.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1983, o Antigo Convento Carmelita de Valencia recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico, e vale a pena conhecê-lo, tanto por sua secular história, quanto pelas atividades culturais que organiza.

 

Último Passeio por Antequera

Definitivamente, Antequera merece o adjetivo de monumental, graças ao seu imenso patrimônio histórico e artístico, como pudemos ver nesta série de posts. Muitos outros lugares da cidade não tive a oportunidade de conhecer, por falta de tempo. Mas no último passeio que realizei pela cidade, pude visitar  outros locais interessantes, como sua bela Praça de Touros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espetáculo taurino mais antigo celebrado na cidade de que se tem notícia ocorreu em 1509, na Praça de San Sebastián. A antiga Praça de Touros, chamada de San Francisco, acolheu as corridas realizadas até mediados do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO atual coso taurino, como muitas vezes se designa a Praça de Touros, foi inaugurado em 1848. Em 1984, uma ampla reforma que durou duas décadas, fez com que adquirisse o aspecto de uma praça andaluza de finais do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Antequera possui um interessante Museu Taurino inaugurado em 1986 e um curioso restaurante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO calendário festivo da cidade é intenso, destacando a Semana Santa, com várias procissões onde o fervor religioso da cidade pode ser observado. Um monumento às festas realizadas neste período embeleza uma de suas ruas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntequera possui um patrimônio religioso invejável, com igrejas e conventos de uma beleza inigualável. Muitos ainda são frequentados por freiras de clausura, enquanto outros foram transformados em centros culturais. O antigo Convento de Santa Clara, fundado por monjas Clarissas pertencentes à Ordem Franciscana em 1603 é um exemplo. Desde 2009, é utilizado como local em que se pode ver exposições e varias atividades culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Real Monastério de San Zoilo, declarado Bem de Interesse Cultural, sedia atualmente a Biblioteca Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado um dos monumentos mais antigos preservados da cidade, sua construção foi ordenada pela rainha Isabel La Católica em 1500. Em 1515 finalizaram-se as obras, cujo projeto foi realizado pelo arquiteto toledano Enrique Egas. Do que foi o extenso convento franciscano, se conserva a igreja e o importante claustro gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro se compõe por dois níveis de galerias. Originalmente as colunas, feitas de arenito, estavam decoradas com capitéis historiados. No começo do séc. XVIII foram substituídas pelas que se conservam hoje em dia, de Ordem Toscano e talhadas em pedra calcária vermelha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a escada de acesso ao nível superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro do Real Monastério de San Zoilo pode ser visitado a partir da bela Praça de Plácido Fernández Viagas, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara recuperar do esforço de caminhar durante vários dias, nada melhor que um bom vinho e uma saborosa comida local. Num dos restaurantes em que estive, vi uma enorme maquete da cidade, totalmente feita à mão. Com 24 metros quadrados e 15 anos de trabalho, é considerada a maior da Espanha, representando uma cidade no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVoltei a Madrid com a esperança de retornar a esta encantadora cidade da Província de Málaga algum dia, porque Antequera merece ser visitada várias vezes. Motivos não faltam…

Colegiata de Santa Maria – Úbeda

Nao bastasse seus magníficos edifícios públicos e a Sacra Capela do Salvador do Mundo, na Plaza de Vázquez de Molina situa-se também o templo mais importante de Úbeda, a Colegiata de Santa María de los Alcázares. A igreja ocupa o mesmo local da antiga mesquita da cidade. Depois de reconquistada em 1234 por Fernando III, transformou-se em templo católico, como tantas vezes ocorreu na história espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o séc. XIV, a igreja sofreu inúmeras reformas, motivo pelo qual carece de unidade arquitetônica. Seu aspecto original possuía um caráter de fortaleza, estando adossada aos muros do antigo Alcázar, derrubado pelos Reis Católicos no séc. XV. No século seguinte, foram realizadas as reformas mais importantes do templo, que lhe conferiram a forma que vemos atualmente. A fachada principal, que vemos acima, possui duas colunas de estilo coríntio de cada lado. Em sua parte central, vemos as estátuas de Isaías e Moisés e o grande relevo representando a Adoraçao dos Pastores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1888, foram construídas as duas espaldanas (estrutura superior da fachada principal, que vemos na primeira foto acima), que substituiram a primitiva torre campanário. A outra porta da Colegiata de Santa Maria chama-se Portada de la Consolada, com destaque para uma imagem da Virgem Maria e o Menino Jesus, acompanhada pelo escudo do bispo Sancho De Ávila, promotor das reformas do templo no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está composto por 5 naves separadas por Arcos Ojivais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro desapareceu na Guerra Civil e das 32 capelas existentes, se conservam 16. A mais importante é a Capela Maior, local em que, segundo a tradiçao, foi realizada a primeira missa na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela está presidida pelo Cristo dos 4 Cravos, uma imagem do séc. XV realizada numa postura retorcida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa cúpula, de estilo barroco, vemos representados os 4 Evangelistas em cada uma de suas esquinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Capela de Yedra é a segunda em importância, depois da Capela Maior. O seu destaque fica por conta da excepcional reja policromada. Nela, observamos cenas como o abraço entre Sao Joaquim e Santa Ana, acompanhados por anjos e pastores. Na parte superior, vemos a Árvore de Jessé, que nos mostra a Genealogia de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Batismal, podemos contemplar uma Pia Batismal gótico-mudéjar do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela interessante é a do Cristo da Caída, com uma escultura de um dos grandes artistas do séc. XX na Espanha, Mariano Benlliure.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta de acesso à Sacristia fazia parte da antiga Capela de la Merced. Esta belíssima porta possui duas partes. A superior é gótica, com um grande Arco Conopial e as imagens de Sao Joao, Sao Paulo e a Virgem. A Inferior é barroca, com uma Arco de Meio Ponto e um tímpano decorado com um relevo do Escudo da Colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto da Sacristia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento destacável é o Claustro Gótico. De finais do séc. XV., possui um curioso formato de trapézio irregular. Ao seu redor, se abrem várias capelas funerárias e um pátio, parte integrante da antiga mesquita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo a “viagem” às cidades irmas de Baeza e Úbeda, mas a Província de Jaén ainda nos reserva muitas surpresas, como sua capital provincial, que em breve veremos no blog. Como dizem os espanhóis, un saludo a todos (as) que visitam o blog, até a próxima !!!!!.

Catedral de Baeza – Parte 2

O interior da Catedral de Baeza é de uma beleza surpreendente. Nele, podemos observar as diferentes etapas construtivas do templo, além  de admirar seus magníficos retábulos, inúmeras obras de arte e suas suntuosas e belas capelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formado por duas partes bem diferenciadas. A cabeceira, por exemplo, foi construída a partir de 1529, quando o primitivo templo foi derrubado, e apresenta uma arquitetura gótica de sua fase final, estando presidida pelo Retábulo Maior de Manuel de Álamo, realizado no estilo barroco em 1674 e dourado em 1741. Nele, observamos as colunas salomônicas, típicas do barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte renascentista foi realizada, como vimos no post anterior, pelo arquiteto Andrés de Vandelvira a partir de 1567.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre todas as existentes, a bôveda do cruceiro se destaca das demais, por estar decorada com pinturas murais. Está composta por medalhoes, onde aparecem Deus Pai acompanhado por Sao Pedro, Santo André, Sao Joao Batista e os chamados Pais da Igreja (Sao Gregório, Sao Jerônimo, Sao Ambrósio e Santo Agotinho).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs capelas que rodeiam o templo sao uma atraçao à parte. Abaixo, vemos do lado direito, a Capela de Sao Miguel, construída por Andrés de Vandelvira e decorada com um quadro de princípio do séc. XVIII, no qual aparece Sao Miguel vencendo o demônio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de Andrés de Vandelvira, na Capela de Santiago (finais do séc. XVI) vemos uma representaçao escultórica de Santiago Matamouros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJunto a Capela Maior situa-se a Capela do Sagrário, de 1748. Originalmente, aqui se encontrava a sacristia, que foi transformada em capela em 1620. Como destaque, vemos um Cristo Crucificado do séc. XIV, inserido num retábulo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das mais importantes da catedral, a denominada Capela Dourada foi construída no séc. XVI, estando presidida também por um retábulo do estilo barroco (1621).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto do maravilhoso púlpito, realizado em 1580…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma porta no interior da igreja nos conduz ao claustro gótico, de finais do séc. XV, formado por várias capelas, algumas do estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar de interesse é a valiosa Biblioteca da Catedral, composta por cerca de 6 mil livros de Teologia, Filosofia e Línguas Clássicas, muitos dos quais pertencentes aos séculos XVI e XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita finaliza no alto da torre, onde contemplamos os sinos da catedral…

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Catedral de Ciudad Rodrigo – Parte 3

O claustro da Catedral de Ciudad Rodrigo me impressionou tanto que decidi dedicar-lhe um post especial. Este espaço, normalmente quadrado, é considerado o mais importante de um templo religioso depois da igreja, seja catedralício ou monacal (ou conventual).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo gótico, o claustro da catedral foi levantado entre os séc. XIV e XVI. Ao seu redor foram construídos arcos de formato ojival, típicos da arquitetura gótica, por todo seu perímetro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASao lugares utilizados pela comunidade religiosa para a oraçao e o recolhimento. Também cumprem a funçao como local de sepultamento para os membros da comunidade.

DSC09796Normalmente se acede ao claustro por uma das portas que se encontram nas naves laterais da igreja. Nos monastérios mais importantes, servem de elo de comunicaçao às dependências constituintes do mesmo, como dormitório, refeitório, sala capitular, biblioteca, etc.

DSC09813A escultura, tanto no período românico, quanto no gótico, encontrou no claustro um lugar perfeito para manifestar sua rica simbologia, principalmente nos capitéis das colunas que sustentam os arcos.

DSC09806DSC09811O conjunto de capitéis está formado por cenas curiosíssimas. Vemos desde animais fantásticos, representaçoes religiosas, relacionamento humano, figuras amedrontadoras, etc.

DSC09812DSC09815As cenas mais erosionadas pertencem à época primitiva da construçao do claustro. As melhores conservadas foram esculpidas posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANao havia visto nunca representaçoes como estas, simbolizando o contato entre seres humanos, num claustro …

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de terem sido esculpidas séculos depois da construçao do claustro, e nao serem consideradas como parte integrante da mentalidade medieval, nao deixam de ser curiosas e de alta sensibilidade artística, em minha opiniao.

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Real Monastério de Guadalupe – Parte Final

Ter conhecido o pueblo de Guadalupe e o Real Monastério de Santa Maria foi uma experiência fascinante, enriquecida ainda mais pela minha estância na Hospedaria do próprio monastério, situada em seu interior.

DSC08831A Hospedaria possui uma entrada própria, construída no séc. XVI.

DSC08827OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída pelos Reis Católicos no final do séc. XV para seu próprio alojamento, pois com frequência visitavam o monastério. Posterirmente, na época dos monges jerônimos, foi transformada na farmácia onde eram fabricados os remédios que eram enviados aos distintos hospitais de Guadalupe e para a enfermaria pertencente à comunidade de religiosos. Com a desamortizaçao do séc. XIX, converteu-se num pátio utilizado pelos habitantes do povoado. Nos anos 70 do século passado, os monjes franciscanos implantaram uma escola dentro de seus limites. Dentro da hospedaria, temos uma visao diferente do espaço monacal.

DSC08763DSC08768Depois de transformar-se em hospedaria para fins turísticos, as  instalaçoes foram ampliadas e o restaurante reformado pelo renomado arquiteto Rafael Moneo. Sua cozinha adquiriu grande fama e prestígio. Abaixo, vemos uma das salas da hospedaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHistoricamente, a parte mais importante da hospedaria corresponde ao claustro gótico  com influência mudéjar, levantado no séc. XVI.

DSC08749O espaço está formado por 3 níveis, cada qual composto por arcos de estilos diferentes.

DSC08756Os quartos da hospedaria estao situados ao redor do claustro, oferecendo uma fantástica panorâmica do mesmo.

DSC08762No pátio do claustro, encontra-se uma cisterna construída em 1523, que representava a reserva hídrica mais importante do monastério.

DSC08748Poder realizar as refeiçoes no próprio claustro ou entao em outras dependências da hospedaria propicia momentos difíceis de esquecer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Hospedaria está gestionada pelos franciscanos e equivale a um hotel de duas estrelas. Quando lá estive, as diárias custavam 50 Euros, mas a excelente comida, o privilégio de estar hospedado num local de grande beleza e o contato permanente com a história do monastério sao motivos mais que justificados para uma inesquecível estadia em Guadalupe. No próximo post, conheceremos a história da Virgem de Guadalupe, e com ela concluimos esta série sobre este sagrado e maravilhoso lugar.

Monastério de El Paular – Segunda Parte

Um dos principais tesouros do Real Monastério de Santa Maria de El Paular encontra- se no claustro, construído no estilo gótico (séc. XV) por Juan Guas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1626, o então abade do monastério, Juan de Baeza, encarregou ao pintor Vicente Carducho uma série de quadros de grande tamanho (3.45 x 3.15m) para decorar o claustro. O artista realizou, num prazo de 6 anos, um total de 56 obras, considerada a obra pictórica mais completa e ambiciosa jamais realizada sobre a Ordem dos Cartuxos, na época responsável pelo Monastério de El Paular. Vicente Carducho (nascido em Florença em 1576 ou 1578 e falecido em Madrid em 1638) foi um pintor barroco de origem italiana que trabalhou para a corte espanhola. Além de um respeitado teórico da arte, era considerado um dos melhores da época, reunindo as condições necessárias para a realização do projeto. Entre elas, um amplo conhecimento no desenho de composições de grande tamanho, habilidade para expressão de sentimentos e gestos, assim como a destreza no emprego de cores que amenizassem o dramatismo das cenas. Estes aspectos definiam um gênero artístico com uma alta cota de consideração no séc. XVII, a Pintura Histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todos os quadros realizados, dois deles foram perdidos na Guerra Civil Espanhola. Os 54 restantes se dividem em dois grupos. Os 27 primeiros ilustram a vida do fundador da Ordem dos Cartuxos, São Bruno (1035/1101), desde o momento em que decide abandonar a vida pública e retirar-se aos Montes de Chartreuse (França), até sua morte. Estão representados o impulso fundacional da ordem e seus diversos aspectos, o retiro em paisagens remotas, sua vida de humildade, mortificação e penitência, a dedicação ao estudo e a oração, etc. Na foto abaixo, vemos um quadro em que a Virgem Maria e São Pedro aparecem aos primeiros monges cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de iniciar a construção do primeiro recinto monástico, Sao Bruno e seus companheiros perceberam que o local não contava com água suficiente. Deus escutou suas preces, e fez brotar um manancial. O milagre foi retratado no primeiro quadro da esquerda, que vemos abaixo. Nele, São Bruno agradece a Deus, enquanto os demais manifestam seu espanto com o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma outra representação, Hugo, Bispo de Grenoble, veste o hábito dos Cartuxos, em  reconhecimento ao acético modo de vida destes religiosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma forte carga dramática se observa no quadro dedicado à morte de São Bruno, acentuada pelo emprego da técnica do claro-escuro, recordando ao mestre Caravaggio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo grupo de pinturas está relacionado aos feitos mais notáveis da história da ordem, desde o séc. XI até o XVI. Em algumas delas, foram representadas cenas heróicas, relativas às perseguições e martírios padecidos por algumas comunidades cartuxas nos séc. XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro acima,  por exemplo, retrata a prisão e morte de 10 membros da Comunidade Cartuxa de Londres, detidos e assassinados pela oposição em aceitar o poder religioso do rei Enrique VIII sobre a Igreja Católica. A seguir, vemos a Morte do Venerado Odón de Novara, no quadro de fundo da foto abaixo. Segundo a tradição, Odón faleceu com mais de 100 anos no Monastério Cartuxo de Tagliacozzo, Itália, onde passou seus últimos anos caracterizados por um exemplar ascetismo. No quadro, Jesus aparece ante o falecido para levar sua alma. A seu lado e ajoelhados, vemos da direita para a esquerda, ao escritor Lope de Vega, o próprio pintor Vicente Carducho, e o abade Juan de Baeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A série de pinturas reflete a predileção barroca pela religiosidade, a oração, milagres e o dramatismo dos martírios. Depois da Desamortização de Mendizábal (1835), o Monastério de El Paular foi abandonado e suas obras de arte foram levadas a outros locais. De forma surpreendente, os quadros de Carducho permaneceram na Espanha, sendo que o Museu do Prado guardava a maior parte da série, seguido do Museu Provincial de La Coruña. Depois que o magnífico coro que decorava a igreja foi devolvido (encontrava-se desde o séc. XIX na Basílica de São Francisco El Grande de Madrid), iniciou-se uma campanha para a devolução dos quadros de Vicente Carducho ao seu local original, o claustro do Monastério de El Paular. Em 2006, os quadros foram restaurados pelo Museu do Prado, depois de 4 anos de um intenso trabalho, e em 2011 foi concretizado o antigo sonho de vê-los novamente e em perfeito estado de conservação, no local para os quais foram destinados.

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