Museu Arqueológico de Badajoz

Depois da reconquista de Badajoz em 1230, o recinto da Alcazaba passou a ser conhecido como “El Castillo“. Nele se estabeleceram as Ordens Militares de Santiago e Calatrava, passando a ser o local de residência das famílias mais importantes da cidade, mantendo seu papel como centro de poder. No séc. XIV, os assaltos sofridos motivados pelas guerras com Portugal fizeram com que estas famílias construíssem verdadeiros palácios -fortalezas, caso do denominado Palácio dos Duques de Feria, construído no século XV pelo regidor (cargo semelhante ao de um prefeito) da cidade, Lorenzo Suárez de Figueroa. De planta quadrada, está franqueado por 4 torres, apresentando linhas renascentistas com toques mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, o palácio transformou-se em um local para o armazenamento de artilharia e, no seguinte, como quartel de infantaria. Uma de suas partes de maior interesse é o claustro interior, de estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, este palácio de origem nobre foi convertido na sede do Museu Arqueológico de Badajoz. Conhecer a  coleção de suas peças nos permite realizar uma verdadeira trajetória pelo passado da cidade e da Província de Badajoz, pois possui abundantes achados arqueológicos pertencentes às mais diversas etapas históricas. Da pré-história destacam os restos de cerâmica encontrados, além de adornos pessoais e utensílios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir dos séculos IX a VIII aC, na época final da chamada Idade de Bronze, os povos autóctonos começaram a realizar estelas com a representação de guerreiros. As razões para tanto ainda não foram devidamente explicadas, mas foram interpretadas como sinalizadoras de tumbas ou para delimitar o território. Na região de Badajoz se encontraram uma  grande quantidade delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO período romano está muito bem representado no museu, com algumas peças realmente interessantes, como esta estátua do lar, uma divindade de culto doméstico, do século I dC e procedente de Mérida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo mesmo período vemos uma estátua representativa do Imperador Tibério

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm se tratando da época romana, não poderia faltar os mosaicos, como o que vemos a seguir, cujas cenas narram o Mito de Orfeu (séc. IV dC). Uma pena que se encontra incompleto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das salas de maior riqueza arqueológica pertence à época visigoda, tanto pela quantidade de peças, como pela raridade de algumas delas e seu excelente grau de conservação. Abaixo, vemos um tesouro encontrado na Sierra de la Martela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeterminadas peças possibilitam uma melhor compreensão da arquitetura visigoda, que evoluiu através da tradição clássica, mas que se transformou notavelmente graças ao cristianismo e a reorganização política e social da época. A maior parte dos restos encontrados pertencem a locais de culto, como este fragmento de pedra, provavelmente procedente de uma igreja (séculos VI/VII dC). A tradução da inscrição que se vê esculpida na pedra seria: “Por aqui se entra ao altar sagrado de São Cristóvão. Paz perpétua para aqueles que entram e saem”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente impressionante é o conjunto de pilastras visigodas, decoradas com um grande simbolismo religioso. A cruz, por exemplo, passou a ser representada como símbolo cristão somente no século V, pois no mundo antigo estava relacionada como um signo de infâmia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs espigas de trigo e as uvas se relacionam à Eucaristia. Indicam fertilidade, prosperidade e abundância, e também representam a igreja e seus fiéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto da sala em que se exibem as pilastras visigodas

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa época árabe destaca a lauda sepulcral de Sapur, o primeiro rei da Taifa de Badajoz, falecido no ano de 1022.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, do período medieval cristão, vemos o escudo de Juana I, apelidada La Loca, e de seu marido, o rei Felipe I, chamado El Hermoso. Realizado em 1506, de procedência desconhecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um Escudo de Badajoz do século XVII. Nele observamos a Coluna de Hércules com o lema Plus Ultra (além da), um símbolo heráldico do monarca Carlos I, que foi incorporado ao escudo da cidade no início do século XVI. O leão simboliza o reino que reconquistou a cidade (Castilla y León) e seu uso como figura simbólica se deve a que Badajoz, depois da reconquista, se tornou uma vila de realengo, dependendo diretamente do rei.

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Real Monastério de Guadalupe – Parte 2

O interior do Real Monasterio de Santa Maria de Guadalupe está composto por numerosos lugares de interesse, entre os quais merecem destacar o claustro, a igreja e a hospedaria, e cada um deles será o tema de um post exclusivo. Hoje, conheceremos o claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecido como Claustro dos Milagres, foi construído no final do séc. XIV, no estilo mudéjar, em torno do qual se estabeleceram os dormitórios, refeitório e outras dependências monásticas. O centro do espaço está ocupado por um admirável templete mudéjar, edificado como estrutura decorativa em 1405 pelo frade Juan de Sevilla e único em seu estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro está formado por dois níveis de arcos, onde observamos a influência da arquitetura mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visao que se contempla do monastério em sua grandiosidade e beleza é magnífica, desde os limites do claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas paredes estao expostos quadros referentes aos milagres atribuídos à Virgem de Guadalupe e ao achado da imagem pelo pastor Gil de Cordero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVemos também quadros que homenageiam a celebridades religiosas que visitaram o monastério, como o Papa Joao Paulo II, que esteve no local em 1982.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os sepulcros situados no claustro, cabe mencionar o do frade Gonzalo de Llecas, Bispo de Córdoba, e que foi prior do monastério. O sepulcro foi construído entre 1458 e 1460 pelo escultor Egas Cueman.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das esquinas do claustro encontramos um belíssimo lavatorium, que eram utilizados pelos monges antes de entrarem no refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza artística do claustro se vê refletida nos mínimos detalhes, como nesta magnífica porta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à entrada do monastério, existe outro claustro, mais modesto e de dimensoes reduzidas.

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Os Amantes de Teruel e a Igreja de San Pedro – Parte 2

A Igreja de San Pedro e o Mausoléu dos Amantes encontram-se situados na Praça dos Amantes, local imprescindível para conhecer esta história, cuja fama extrapolou os limites da cidade aragonesa, tornando-se conhecida em toda Espanha. A Fundação dos Amantes de Teruel é uma instituição  que se encarrega de difundir as tradições relacionadas a esta trágica história de amor. A visita ao complexo inclui o mausoléu e todas as dependências da igreja, seu interior, o claustro e a torre mudéjar. O claustro é um dos poucos do estilo mudéjar conservado em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, foi construído no séc. XIV. Antes da construção do mausoléu, os restos dos amantes se encontravam aqui. O claustro foi restaurado  no séc. XX, com uma nova ornamentação neogótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Pedro é um templo formado de somente uma nave, contando com uma série de capelas laterais que rodeiam todo o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está coberto por uma bela bôveda de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço foi totalmente restaurado nos séc. XIX e XX, cujo responsável foi o arquiteto Pablo Monguió, impulsor do movimento modernista na cidade. A decoração  foi realizada por Salvador Gisbert.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as vidreiras policromadas que proporcionam ao templo uma intensa luminosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi realizado no séc. XV no estilo renascentista, e dedicado ao titular do templo, San Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom este post, finalizamos as matérias realizadas sobre esta belíssima cidade de Teruel, cuja visita recomendo a todos (as) que desejam conhecer uma parte da Espanha que não integra as rotas turísticas tradicionais, mas que nos surpreendem por sua beleza urbanística, riqueza monumental e tradições seculares.