Clunia – Parte 2

No Conjunto Arqueológico de Clunia se conserva a maior parte dos espaços públicos que constituíam uma cidade romana, cujo urbanismo refletia o próprio modelo da capital imperial, Roma. O centro da vida pública estava composta pelo Foro, local onde se realizavam as principais atividades políticas, comerciais, jurídicas e religiosas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Foro situava-se no centro da cidade, onde de cruzavam as avenidas principais, o chamado Cardus Maximus e o Decumanus Maximus. Possuía um formato retangular que media 160m de comprimento por 115 m de largura. Contava com um templo dedicado a Júpiter, a principal divindade religiosa da antiga Roma. Foi edificado no século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte de seu espaço estava ocupada pela Basílica, com funções jurídicas e comerciais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Foro também situavam-se as tabernas, cujas ruínas vemos abaixo, além de um detalhe arquitetônico de uma delas, do século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Romanos davam um grande valor a sua higiene pessoal, e as Termas constituiam um local de grande importância social. Em Clunia podemos ver os restos das chamadas Termas de los Arcos, construídas também no século I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs termas estavam formadas por um espaço denominado Palestra, onde se realizavam exercícios físicos. Depois de sua prática, as pessoas banhavam-se em piscinas para limpar o corpo. Em seguida, passavam às salas de banhos com temperaturas variadas: Frigidarium (banho frio), Tepidarium (banho temperado) e Caldarium (banho quente).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aquecimento da água se produzia através do sistema de hipocausto, com um forno e uma câmara situados sob o pavimento da sala.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos restos conservados de maior importância do conjunto arqueológico, o Teatro Romano de Clunia é uma verdadeira maravilha construtiva. Escavado na rocha e com capacidade para acolher cerca de 10 mil espectadores, foi um dos maiores de toda a Hispania.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA arquibancada estava apoiada na própria ladeira do terreno e parte dela foi talhada diretamente na rocha. Encontrava-se rematado em sua parte superior por um pórtico, que servia de acesso à parte interior do teatro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO público presente no teatro contemplava uma fachada composta por dois níveis de altura formada por colunas, e decoradas com estátuas. Abaixo, vemos uma recriação do teatro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II dC, o teatro passou a ser utilizado como local para espetáculos de lutas de gladiadores e animais ferozes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o século III DC, se produz um progressivo despovoamento da cidade, devido à crise geral deste período e a própria decadência do Império Romano, sendo que no final do século foi incendiada pelos povos bárbaros. Clunia sobrevive até o século VII, mas ua importância em época visigoda diminui, com o desaparecimento de sua existência das fontes literárias. Apesar de sua ruínas despertarem a curiosidade das autoridades desde o século XVI, foi somente a partir do século XX quando começaram a ser realizadas escavações sistemáticas no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Idade Média, Clunia serviu como canteiro de pedra para a construção de outros edifícios das cidades próximas, tanto populares como nobres, como o próprio Castelo de Coruña del Conde, que vimos recentemente no blog. Por este motivo, suas ruínas foram permanentemente saqueadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs trabalhos arqueológicos iniciaram em 1915 e as ruínas deixaram de ser saqueadas, principalmente com a chegada de Blas Taracena (1895/1951), um renomado arqueólogo espanhol, e com a declaração de Clunia como Monumento Nacional. As escavações permanecem ativas até os dias de hoje…

Clunia – Província de Burgos

Há cerca de 2200 anos atrás os romanos se estabeleceram na Península Ibérica, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica (218/201 aC), travada contra outra potência mediterrânea da época, Cartago, que terminou com o triunfo do Império Romano e a derrota do General Aníbal. Finalizado o confronto, os romanos demoraram dois séculos em conquistar plenamente o novo território, devido as constantes guerras travadas contra os povos ibéricos, autóctonos do território espanhol, e também pelos conflitos entre os próprios governadores romanos, como no caso de Sertorio, que desafiou o poder de Roma. Com a conquista dos povos indígenas, a cultura local foi substituída pela civilização latina. O nome dado pelos romanos à península, Hispania, esteve relacionado à nomenclatura oficial das três províncias criadas para sua administração no final do século I aC: Hispania Ulterior Baetica (cuja capital foi a atual cidade de Córdoba), Hispania Citerior Tarraconensis (capital Tarraco, atual Tarragona) e Hispania Ulterior Lusitania (Capital Emérita Augusta, atual cidade de Mérida).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, com a reforma administrativa efetuada por Diocleciano (284/305 dC), as províncias foram aumentadas, como vemos no mapa abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome do país, Espanha, se originou do termo Hispania, e uma das explicações de seu significado seria “Terra de Coelhos“. Muitas das cidades mais importantes do país foram fundadas pelos romanos, como por exemplo: Zaragoza (CaesarAugusta), Barcelona (Barcino), Sevilha (Hispalis), Toledo (Toletum), etc. Algumas delas conservam um impressionante patrimônio histórico relacionado à época romana, e foram declaradas Patrimônio da Humanidade, como os Conjuntos Arqueológicos de Tarragona e de Mérida, o Aqueduto Romano de Segovia e a Muralha Romana de Lugo. Além do mais, se conservam por todo o país vestígios arqueológicos de cidades de grande importância naquele período, como a antiga cidade romana de Clunia, situada atualmente na Província de Burgos, próxima à cidade de Coruña del Conde, que vimos no último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, esta zona esteve ocupada pelos Arévacos, um povo pré-romano pertencente aos Celtiberos, que se assentaram neste local. Apesar do desconhecimento em relação a sua localização exata, todas as informações relacionados a este anterior povoado se devem às fontes romanas, sendo que finalmente a cidade foi submetida ao poder imperial de Roma. A denominada Colônia Clunia Sulpicia foi uma das principais cidades romanas da metade norte de Hispania. Pertenceu à província de Hispania Citerior Tarraconensis e constituiu um Convento Jurídico (assembléia de reunião entre os povos romanos e as comunidades indígenas, que aconselhavam o governador na administração e na justiça). Situava-se no alto de um cerro que supera os 1000m de altitude, na estrada que ligava Tarraco (atual Tarragona) com Asturica Augusta (atual cidade de Astorga).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia, o político e militar romano Quinto Sertorio resistiu durante 20 anos a Pompeyo, que destruiu a cidade no ano 72 aC. Foi reconstruída pelo Imperador Tibério (14/37 dC), que lhe concedeu inicialmente o título de Municipium, o segundo em importância de uma cidade romana, com um status inferior ao de Colônia. Clunia emitiu moedas de bronze e de ouro com a efígie do imperador, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade adquiriu o título de colônia e o nome de Sulpicia depois que Sulpicio Galba se proclamasse imperador na própria cidade, durante a revolução travada contra o Imperador Nero. Seu esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, chegando a ter cerca de 30 mil habitantes, uma quantidade apreciável para a época. Clunia constitui atualmente um excepcional enclave arqueológico, cujas ruínas estão entre as mais importantes da Espanha Romana. Como ocorre com qualquer outra cidade, a maior parte do espaço urbano estava constituído por residências, como a denominada Casa de Taracena, que preserva um impressionante conjunto de mosaicos que podemos contemplar na visita guiada que se realiza no local, decorado com elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa ocupa quase toda a extensão de um quarteirão…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mosaico central possui um grande interesse devido à variedade de sua composição policromada. Seus motivos decorativos relacionam-se com a moda imperial vigente entre os séculos II e III dC, com a presença de elementos geométricos e da flora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita, vemos outros mosaicos conservados, como os que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Clunia foi criada a primeira Legião Romana de Hispania, a Legio VII Gemina. No Centro de Interpretaçao construído como complemento informativo à visita, podemos observar vários restos arqueológicos encontrados no local, como uma estela funerária, com o nome do defunto em sua parte inferior e curiosos elementos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo esta primeira parte da matéria sobre a cidade romana de Clunia com uma foto minha, tirada por uma das pessoas que integrava a excursão, dentro do Teatro Romano da cidade.

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