Segóbriga – Província de Cuenca

Durante séculos, o atual território espanhol fazia parte do poderoso Império Romano, formando uma de suas inúmeras províncias, denominada Hispania. Muitas das mais conhecidas cidades espanholas foram fundadas neste período, como Barcelona (Antiga Barcino), Zaragoza (Caesar Augusta), Toledo (Toletum), Sevilha (Hispalis), etc, etc. Abaixo, vemos um mapa que nos mostra a grande extensão alcançada pelo império cuja capital seria conhecida posteriormente como a “Cidade Eterna”, Roma

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, podemos conhecer em muitas regiões da Espanha parques arqueológicos que nos permitem compreender como se desenvolvia a vida cotidiana numa cidade romana da Hispania. Um destes lugares, de grande interesse turístico, é Segóbriga, situado na Província de Cuenca (Comunidade de Castilla-La Mancha). Declarado por sua importância arqueológica Monumento Nacional em 1931, Segóbriga constitui um dos principais parques arqueológicos do país relacionado a esta etapa histórica. Abaixo, vemos uma foto aérea do conjunto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No entanto, séculos antes de sua fundação romana, o local já era habitado por tribos celtíberas, como demonstram os achados de cerâmica encontrados na zona, que pertencem ao século V aC. Inclusive seu nome deriva de dois termos de origem celtíbero, Sego e Briga, cujo significado é “Cidade Vitoriosa“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegóbriga integrava uma das principais províncias da Hispânia Romana, denominada  Citerior Tarraconensis, cuja capital e principal cidade era Tarraco, atual Tarragona (situada na Comunidade da Catalunha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs primeiras notícias desta cidade foram dadas pelos geógrafo grego Estrabón, embora  pouco precisas. No século I, se menciona o ataque realizado por Viriato (de origem lusitano, foi um dos principais líderes contra a dominação romana) sobre a cidade , por sua aliança com Roma. Segóbriga está situada no alto de um cerro denominado “Cabeza de Griego“, e seus restos arqueológicos encontram-se bem conservados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de realizar a visita aos principais pontos da cidade, convêm conhecer o Centro de Interpretação do lugar, onde podemos apreciar melhor sua importância e seu contexto histórico. Muitas peças arqueológicas encontradas estão nele expostas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos um  exemplo destas peças de grande valor histórico, como o retrato de um senador romano, achado no Fórum da cidade (pertencente ao século I dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO desenvolvimento desta cidade romana ocorreu graças à exploração de uma variedade translúcida de gesso denominada “Lapis Specularis“, muito apreciada na época para a fabricação de vidros, especialmente para janelas, e extraída nas minas existentes próximas à Segóbriga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da vitória romana contra as tribos celtíberas no século II aC, progressivamente a cidade se transforma ao modo de uma urbe romana, tributária a Roma, e adquirindo o status jurídico de Municipium durante a época de Augusto, em torno ao ano 12 aC, sendo governada por indivíduos de cidadania romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos principais nomes associados a Segóbriga foi Caio Júlio Silvano, um funcionário imperial que chegou à cidade para organizar e controlar a exploração do “Lapis Specularis“. Um dos pontos visitados durante o passeio são os restos de sua casa, e o mosaico branco en negro decorado com elementos geométricos que se exibe no Centro de Interpretação, que embelezava uma de suas dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de chegar ao cerro onde se situa os principais restos arqueológicos, conhecemos uma necrópolis ou cemitério romano, datado do período mais tardio da ocupação romana. Situado fora das muralhas que rodeavam a cidade, os romanos já sabiam da importância de enterrar os mortos fora do núcleo urbano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Também situado fora do recinto de muralhas, o aqueduto abastecia de água a cidade, formando um traçado de 5 km. A água corria por um tubo feito de chumbo e estava protegida por muros de concreto, além de coberta por telhas para que se mantivesse sempre fresca. Os restos da estrutura apenas nos permite imaginar sua real envergadura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproximadamente no ano 80 dC, foram finalizados os principais monumentos da cidade, que veremos no próximo e último post sobre a cidade romana de Segóbriga.

Monastério de Uclés – Parte 2

Como comentei no último post, o Monastério de Uclés teve uma grande importância histórica na Espanha por ter sido a sede da Ordem de Santiago, uma das principais ordens militares e religiosas do país. A Ordem de Santiago foi fundada no século XII (ano de 1170) no antigo Reino de León, precisamente na cidade de Cáceres, atual Comunidade de Extremadura. Inicialmente, seu objetivo primordial era proteger os peregrinos que realizavam o caminho a Santiago de Compostela, onde se encontra o sepulcro do Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o tempo, a Ordem de Santiago acabou participando do processo de expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica, tendo um papel relevante nas guerras de reconquista. No Monastério de Uclés vivía o grande mestre da ordem, bem como muitos dos cavalheiros que pertenciam à instituição. O emblema da ordem era a Cruz de Santiago, que podemos observar em distintos locais do monastério, como no pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu na sacristía….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de uma cruz vermelha que simula uma espada com forma de flor de lis na empunhadura. Os cavalheiros da ordem  levavam a cruz estampada num estandarte e em sua capa branca. A espada representa o espírito guerreiro do Apóstolo Santiago e sua forma de martírio, pois foi decapitado com uma espada. Simboliza também “tomar a espada” em nome de Cristo. Abaixo, vemos a cruz numa das capelas da igreja do Monastério de Uclés, na qual podemos ver exposições sobre a história da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem de Santiago enriqueceu graças ao grande território que se estendia sobre seus domínios, principalmente pela região que atualmente conhecemos como Castilla La Mancha. Chegou a possuir mais propriedades que as ordens de Alcántara e Calatrava juntas, outras ordens importantes do país. Sua rápida propagação se deve a que suas regras eram menos rígidas que as demais, sendo a única em que os cavalheiros membros tinham o direito de casar. Além de suas amplas propriedades na Espanha, a Ordem de Santiago possuía terras em Portugal, França, Itália, Hungria e também na Palestina. Abaixo, vemos a sacristía do Monastério de Uclés, transformada numa capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1493, os Reis Católicos incorporaram as ordens militares-religiosas à Coroa da Espanha. Atualmente, constituem uma organização nobiliária religiosa e honorífica. Na sequência, vemos um quadro do Apóstolo Santiago retratado como peregrino…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a bela escada de acesso ao nível superior do pátio construído como se fosse um claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE um quadro da Imaculada Conceição que decora uma das paredes do interior do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto a ser salientado neste monastério é a grande quantidade de estilos artísticos que apresenta em sua construção, como vimos na matéria anterior. Sua fachada principal pertence ao século XVIII, e foi realizada por Pedro de Ribera, um dos maiores arquitetos barrocos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi concebida como se fosse um autêntico retábulo feito de pedra, caracterizado por uma rica decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1836, com o processo desamortizador dos bens eclesiásticos, a Ordem de Santiago teve que abandonar o monastério. No começo do século XX, o Monastério de Uclés transformou-se num colégio de educação secundária e depois num colégio de noviciados pertencente aos padres agostinhos. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, foi saqueado, convertendo-se num hospital. Com o término do conflito, acolheu uma penitenciária para presos políticos até 1943, em cujo período faleceram centenas de presos republicanos pelas más condiçoes a que eram submetidos, além da prática da tortura. Finalmente, com o fechamento da prisão, foi transformado num seminário.

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Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés

 

 

Castelos da Espanha – Paradores Nacionais

Uma experiência altamente recomendável para todos (as) aqueles (as) que visitam a Espanha é hospedar-se na rede de hotéis dos Paradores Nacionais. Esta cadeia hoteleira caracteriza-se por aproveitar construções históricas como sede de seus estabelecimentos. Sempre que visito alguma cidade do país, aproveito para conhecer um Parador Nacional e contemplar suas dependências, nem que seja apenas para tomar um cafézinho em seus restaurantes. Palácios, Conventos e Monastérios antigos foram adaptados para a instalação de hotéis da rede, como também os inumeráveis Castelos existentes por todo o território espanhol. Nesta última parte sobre os Castelos da Espanha, dividida em duas matérias, conheceremos alguns exemplos de fortalezas que acolhem Paradores Nacionais. O Castelo de Oropesa, situado na Província de Toledo (Comunidade de Castilla La Mancha) é um dos mais antigos em sediar um Parador Nacional, inaugurado em 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste castelo, construído entre os séculos XII e XIII, foi a residência de Álvarez de Toledo, Conde de Oropesa. Foi reformado nos séculos XV e XVIII e seu aspecto de fortaleza é realmente maravilhoso. Abaixo, vemos a Torre del Homenaje, entre as casas da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui um belo Pátio de Armas, local onde se desenvolvem atividades culturais e que constitui a parte central do castelo, servindo de eixo para a distribuição das várias dependências da fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Abaixo, vemos uma de suas torres, com a paisagem castelhana ao fundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConforto, bom gosto decorativo (com objetos relacionados a vida e história dos antigos castelos), charme e uma oferta gastronômica de primeiro nível são algumas das características dos Paradores Nacionais. Um dos hotéis mais exclusivos da rede situa-se na belíssima cidade de Sigüenza (Província de Guadalajara, Comunidade de Castilla La Mancha), que preserva boa parte de sua estrutura medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO hotel foi instalado num antigo palácio fortificado construído no século XII sobre uma anterior fortaleza muçulmana, que pertenceu aos bispos da cidade até o século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste Parador Nacional foi inaugurado em 1972,  e vale a pena conhecê-lo para admirar a história do edifício e usufruir de suas comodidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro castelo pertencente à Comunidade de Castilla La Mancha que acolhe um Parador Nacional é o Castelo de Alarcón, considerado um dos conjuntos fortificados mais importantes da Província de Cuenca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fortaleza encontra-se localizada sobre o alto de uma formação rochosa rodeada pelo Rio Júcar, que atua como um fosso natural. Parece que sua origem está relacionado com uma antiga fortaleza muçulmana, e foi propriedade do Marquês de Villena, dono destas terras em séculos passados. Por este motivo, o hotel recebeu seu nome…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACiudad Rodrigo é uma cidade da Província de Salamanca (Comunidade de Castilla y León) que conserva um importante patrimônio histórico. O chamado Castelo de Enrique II de Trastámara constitui uma de suas principais atrações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XIV, em 1929 passou a integrar a Rede de Paradores Nacionais da Espanha, o que o converte num dos mais antigos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA rede administra 95 hotéis espalhados pelo país, e desde 2015 possui também uma franquia em Portugal. Abaixo, vemos algumas imagens do Parador Nacional de Ciudad Rodrigo.

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Outros Castelos da Espanha

Nesta matéria veremos outros Castelos da Espanha de grande importância histórica. Um dos melhores castelos do norte da Espanha encontramos na cidade de Castro Urdiales, situada na Comunidade de Cantabria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta vila costeira possui um encanto especial, pois sua parte velha encontra-se junto ao mar, estando formada pelo Castelo de Santa Ana, a Igreja de N.Sra de la Asunción e uma ponte, de estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Santa Ana foi construído a partir do século XII, sendo considerado um dos mais conservados da comunidade. Possui uma planta pentagonal com torres cilíndricas. Curiosamente, em seu interior foi colocado um farol, inaugurado em 1853.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o castelo, as vistas da cidade são espetaculares…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns Castelos e Fortalezas da Espanha foram propriedades eclesiásticas, como o Castelo de Torija, situado na Província de Guadalajara, Comunidade de Castilla La Mancha.

DSC07841Construído no século XIV, seu primeiro proprietário e provavelmente construtor foi Alonso Fernández Coronel, que ocupou importantes cargos durante o reinado de Alfonso XI. Depois, passou a ser propriedade do Arcebispo de Toledo Pedro González de Mendoza no século XV.

DSC07846O castelo está localizado no centro da cidade, em excelente estado de conservação. Possui uma planta quadrada com 3 torres circulares, além da Torre del Homenaje, também de formato quadrado. No Pátio de Armas do castelo funciona um Centro de Interpretação relacionado aos atrativos turísticos da Província de Guadalajara.

DSC07852Em sua Torre del Homenaje podemos visitar um museu dedicado a um livro escrito por Camilo José Cela (1916/2002), congratulado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1989. O livro se intitula “Viaje a la Alcarria“, e nele o escritor narra suas andanças pela Comarca de La Alcarria, onde se encontra a cidade de Torija. Provavelmente, trata-se de o único museu do mundo dedicado apenas a um só livro…Abaixo, vemos uma parte do interior do castelo, e a obra de adaptação do mesmo para sediar os vários centros culturais existentes no interior.

DSC07830Finalizamos a matéria com uma das Fortalezas mais incríveis da Espanha, o Castelo de Coca, situado nesta cidade da Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste castelo é considerado uma das melhores amostras do estilo gótico-mudéjar de todo o país. Foi edificado principalmente com tijolos por mão de obra mourisca, que utilizaram o material também como elemento decorativo, característica do estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu sistema defensivo consta de duas partes cercadas por muralhas, compostas por pequenas torres e um fosso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Coca foi construído pelo Bispo de Ávila e Arcebispo de Sevilha Don Alonso de Fonseca a partir de 1453, depois da permissão dada pelo Rei Juan II para sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo conserva excelentes amostras de pintura mudéjar, que podemos observar em seu interior…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, a Torre del Homenaje

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última parte da matéria sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha estará dedicada aos castelos que foram adaptados como hotéis da rede dos Paradores Nacionais, e que veremos no próximo post…

Castelos Senhoriais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Senhoriais da Espanha veremos outros exemplos de palácios construídos como fortalezas para os nobres, que ainda hoje impressionam por sua esbelta silueta na paisagem espanhola. O Castelo de Almansa é um dos mais importantes da Província de Albacete (Comunidade de Castilla La Mancha), situado no alto de uma colina que domina a cidade, conhecida como “Cerro del Águila“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente foi uma fortaleza muçulmana e nos séculos posteriores passou a pertencer a nobreza. Seua aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, no século XV. Este castelo foi cenário de um conflito histórico, a Batalha de Almansa, que possibilitou o ascenso de Felipe de Anjou como Rei da Espanha, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, no início do século XVIII. Proclamado Rei com o nome de Felipe V, foi o primeiro monarca da dinastia bourbônica a ocupar o trono da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém localizado na Província de Albacete, e edificado sobre uma fortaleza árabe anterior, o Castelo de Chinchilla de Monte Aragón foi outra das fortalezas que pertenceram ao II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, que da mesma forma que o anterior, foi igualmente restaurado por ele no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está formado por um fosso de grandes proporções, como vemos abaixo. Como elemento decorativo destaca o escudo do proprietário, algo habitual nas Fortalezas e Castelos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bom aspecto que conserva atualmente se deve a que foi utilizado como prisão durante muito tempo. Um dos prisioneiros mais famosos foi César Borjia, filho de Rodrigo Borjia, eleito Papa em 1492 com o nome de Alexandre VI. O filho foi acusado de cometer um assassinato contra seu irmão, o I Duque de Gandía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos Castelos da Espanha estão localizados em lindos povoados que conservam sua arquitetura medieval, caso de Pedraza, localizado na Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León). Foi construído sobre os restos de fortalezas anteriores, sobretudo romana e muçulmana. No século XV passou a pertencer à família dos Herrera, época que data sua Torre de Homenaje. No século XVI, tornou-se propriedade de Fernández de Velasco, Duque de Frías e Condestable de Castilla, cuja reforma lhe proporcionou o aspecto que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, o pintor Ignacio de Zuloaga (1870/1945), um dos principais pintores espanhóis do final do século XIX e início do XX, adquiriu o castelo e o restaurou, instalando em seu interior um atelier. Parte de sua obra pode ser vista no interior do castelo, e ainda hoje permanece pertencendo aos herdeiros do pintor, que o utilizam como residência e museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XVI como um suntuoso palácio fortificado para o Conde de Albuquerque, o Castelo de Cuéllar é um dos grandes atrativos deste povoado castelhano, situado também na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeus hóspedes mais ilustres foram o Rei Juan I de Castilla e sua esposa Leonor, que faleceu no castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, funcionou como penitenciária para presos políticos. Depois, passou a ser usado como um sanatório para tuberculosos. Atualmente,  seu interior alberga um instituto de educação secundária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro povoado maravilhoso de Castilla y León que conserva seu imponente castelo é Peñaranda del Duero, situado na Província de Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XI com a finalidade de deter o avanço muçulmano, foi reconstruído no século XV pelo I Duque de Miranda. De forma alargada, o castelo adapta-se perfeitamente ao grande rochedo sobre o qual se assenta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma grande muralha serve de elemento protetor, e a Torre de Homenaje eleva-se no centro da fortaleza.

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Museu do Azeite – Illescas (Parte 2)

Neste segundo post sobre o Museu do Azeite de Illescas veremos outros aspectos deste produto de grande tradição na Espanha, destacando principalmente seu método tradicional de fabricação. Para a comercialização do produto, e dependendo de sua qualidade, existem três tipos de azeite: O Azeite de Oliva Virgem Extra é aquele de máxima qualidade, sendo obtido diretamente das azeitonas unicamente através de procedimentos mecânicos. O seu grau de acidez não pode superar 0.8 %. O Azeite de Oliva Virgem segue os mesmos parâmetros de qualidade do anterior. A diferença é que não pode superar os 2 % de acidez. Por último, o Azeite de Oliva é obtido a partir do refinamento dos azeites que não alcançaram os critérios de qualidade dos demais (não pode superar o 1% de acidez).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs componentes principais das azeitonas constituem o azeite (23%), açúcares (19%), água (de 50 a 60%), celulose (6%) e proteína (menos de 2%). Sua cor pode variar do amarelo/dourado ao verde mais acentuado, dependendo dos pigmentos predominantes da azeitona no momento da colheita. No início, será mais verde devido à presença de clorofila. Na medida em que fica mais madura, perde clorofila, tornando-se mais amarelada. A variedade de Azeitona predominante na região de Illescas é a Cornicabra, ligeiramente amarga e um pouco picante. A Comunidade de Castilla La Mancha é a maior produtora da Espanha deste tipo de azeitonas. Abaixo, vemos uma foto da Almazara (fábrica onde se elabora o azeite) de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos motivos para a criação do Museu do Azeite na cidade foi o excelente estado de conservação das máquinas da Almazara, que seguia o padrão tradicional de fabricação do azeite de oliva. Evidentemente, o primeiro passo para a obtenção do azeite é a colheita das azeitonas de sua árvore, a Oliva ou Oliveira. Realizava-se manualmente com um golpe que se dava na árvore com uma vara flexível. Depois, separavam-se as azeitonas procedentes da mesma daquelas caídas no solo. Na Espanha, a colheita é realizada entre outubro e dezembro. Em seguida, efetua-se o transporte das azeitonas à Almazara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa chegada das azeitonas na Almazara, inicialmente se separavam as azeitonas defeituosas das normais, que passavam por distintos processos de fabricação. A segunda etapa envolve processos de limpeza da azeitona, com o objetivo de eliminar folhas, pequenos talhos e pó, através de ventiladores de ar. Em seguida, se procede à lavagem das azeitonas com água para eliminar barro ou possíveis pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, a azeitona é triturada por um moinho com o objetivo de facilitar a extração do azeite. O moinho da Almazara de Illescas está praticamente em desuso por sua baixa rentabilidade em relação aos atuais métodos utilizados. Por outro lado, é considerado um moinho de grande importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rompimento da azeitona efetuada pelo moinho produz uma pasta que é pressionada para a saída do azeite. As gotas de azeite se aglutinam formando uma etapa oleosa com a finalidade de separar a água, a pele, a pulpa e o osso da fruta. Em seguida, se realiza um processo intermediário de separação dos componentes sólidos e líquidos, momento no qual é obtido o azeite de máxima qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA separação do azeite dos demais componentes realiza-se tradicionalmente pelo método de prensado. O método clássico é o que se realizava na Almazara de Illescas. A pasta oleosa é colocada sobre discos porosos feitos de fibra, colocados uma encima do outro. Os discos se colocam numa prensa, liberando a parte líquida da pasta. Atualmente esta parte do processo de fabricação do azeite é realizada pelo método de centrifugação, com a pasta sendo colocada num cilindro horizontal que gira a grande velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do processo é a decantação, que se baseia na diferença de densidade, realizado em depósitos comunicados entre si nos quais o líquido permanece em repouso. Uma vez terminado e antes de ser engarrafado, o  azeite é filtrado para eliminar possíveis materiais indesejados em suspensão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO azeite é armazenado e posteriormente envasado. Abaixo, vemos outras imagens do interior da Almazara de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria um um poema de Federico García Lorca denominado “Paisaje“, no qual o grande poeta rende uma homenagem aos campos de cultivo da Oliva, que podemos admirar em boa parte do território espanhol.

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