Tribunal das Águas de Valência – Patrimônio da Humanidade

A matéria de hoje está dedicada a uma das instituições mais veneradas pelos valencianos, cuja importância se reflete na declaração da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, outorgada à cidade em 2009. O denominado Tribunal das Águas de Valência é considerado a instituição jurídica mais antiga da Europa, e seus habitantes se sentem orgulhosos disso. Sua finalidade é solucionar os conflitos derivados da utilização e aproveitamento da água entre os agricultores da comunidade.

20181004_163036Para entender sua importância, convêm mencionar que o Rio Turia, antes de entrar na cidade, distribui seu precioso líquido em 8 canais de irrigação principais, destinados aos campos de cultivo. Cada um deles constitui um sistema hidráulico próprio, cujas origens datam da época muçulmana, provavelmente do ano 960, durante o período conhecido como Califato de Córdoba. Em 1238, o Rei Jaime I, logo depois da reconquista da cidade, doou estes sistemas de irrigação aos camponeses, respeitando o chamado direito consuetudinário (que surge dos costumes de uma sociedade, não passando por um processo formal de criação de leis). O Tribunal das Águas está composto por 8 membros, também denominados síndicos, que representam cada uma das zonas de cultivo e que são indicados pelos próprios agricultores. Cada um dos membros é responsável por estabelecer a quantidade de água que cada região pode dispor e cada camponês deve acatar suas ordens, sob pena de severas multas. Vestem a tradicional roupa negra e se reúnem em conselho deliberativo e/ou executivo (em época de secas) todas as quintas feiras às 12:00 hs na Porta dos Apóstolos, cuja arquitetura gótica é uma dos principais atrações da Catedral Valenciana. Um dos síndicos é escolhido presidente, cujo mandato dura 2 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1960, se celebrou o milenário do Tribunal das Águas. Ainda que existisse no período romano algo parecido, sendo que alguns historiadores postulam que é originário desta época, a organização atual do tribunal se remonta à fase muçulmana. Este fato é respaldado por alguns detalhes, como o dia em que se realiza a reunião do tribunal, uma quinta feira, um dia antes da sexta, considerado festivo para os muçulmanos. Também o local escolhido, a catedral, antiga mesquita da cidade.

20181004_163022Reconhecido por todas as ideologias, culturas e povos que configuraram a Comunidade Valenciana, o Tribunal das Águas foi igualmente respaldado pela atual Constituição Espanhola, em vigor desde 1978. Sua estrutura, a participação dos camponeses e a rapidez em que os problemas são resolvidos projetaram o tribunal ao âmbito internacional. Especialistas em direito de todas as partes do mundo o consultam como modelo nos diversos foros, conferências e associações relacionadas à utilização da água. No entanto, sua continuidade depende da  sobrevivência dos campos de cultivo da Comunidade Valenciana, principalmente de sua zona norte, ameaçados pelo crescimento desordenado dos empreendimentos imobiliários. Finalizo a matéria com uma foto de um quadro que retrata o Tribunal das Águas, que decora uma das salas do Palácio de la Generalidad, que vimos no último post.

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Palácio de la Generalidad – Valência

Durante nossa estadia em Valência, eu e meu irmão Marcelo tivemos a sorte de poder conhecer um edifício que normalmente se encontra fechado ao público, mas que abriu suas portas com o motivo da celebração do dia da Comunidade Valenciana, no início de outubro. O denominado Palácio de la Generalidad (Palau de la Generalitat, no idioma valenciano) é a sede do governo da Comunidade Valenciana, e situa-se em pleno centro histórico da cidade.

20181004_161945Considerado um símbolo das instituições políticas da comunidade, o Palácio de la Generalidad é um excelente exemplo da arquitetura gótica civil que podemos apreciar na cidade. Foi construído no século XV (1421) como residência nobre, e reformado no século XVI, quando incorpora também o estilo renascentista em sua fachada, com a construção de uma grande torre.

20181004_160500Formam parte da Generalidad as Cortes Valencianas, o Presidente da Comunidade e o Conselho. Seu antecedente histórico, do qual procede seu nome, foi a Deputação Geral, que surgiu na segunda metade do século XIV como uma comissao organizada pelas Cortes do antigo Reino de Valência, encarregada de cobrar o imposto chamado de generalidades.

20181004_161748Abaixo, vemos um detalhe da fachada…

20181004_160555O interior do edifício está formado por um belo pátio gótico, com uma escada construída em 1511.

20181004_160635Tivemos a oportunidade de conhecer as principais dependências do palácio, como a Sala Dourada, assim chamada pela cor do artesanato de estilo mudéjar que a decora.

20181004_16125720181004_161313A Sala dos Reis possui um interessante conjunto de retratos dos monarcas que governaram a Comunidade Valenciana. Também se conhece como a Sala da Capela devido ao pequeno espaço religioso que se situa em seu extremo.

20181004_16112220181004_161148O local mais interessante do palácio é a Sala Nova ou das Cortes, decorada em seu teto com um artesanato original de madeira do século XVI.

20181004_160811Além do mais, pinturas representativas dos diversos setores sociais (políticos, clero e classe militar) ornamentam suas paredes…

20181004_16085420181004_160837Ao longo de sua existência, o palácio foi a sede de várias instituições, como a Casa da Deputação do Reino de Valência (1421 a 1705), Real Audiência (1750 a 1923), Deputação Provincial (1923 a 1982) e finalmente sede da Generalidad a partir de 1982.

20181004_160714Em 1931, o Palácio de la Generalidad foi declarado Monumento Histórico-Artístico.

Os Pueblos mais Belos de Espanha: Parte 5

Espanha possui mais de 8 mil pueblos, sendo que muitos deles poderiam constar de minha lista pessoal dos mais bonitos do país. Na matéria de hoje, visitaremos várias comunidades, em busca de alguns de seus povoados mais encantadores. A Comunidade Valenciana situa-se na região leste do país, e na Província de Castellón tive a oportunidade de conhecer dois belíssimos pueblos. Peníscola (matéria publicada em 6/9/2012) integra muitas das listas dos povoados mais belos de Espanha

DSC00707DSC00733Situado na costa do mediterrâneo, numa península rochosa, Peníscola é um povoado com muita história, e serviu de residência ao Papa Luna. Já Morella é outro pueblo de grande beleza, situado no interior da Província de Castellón

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMorella conserva sua muralha e castelo medievais, e foi declarada Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo outro lado do país, fronteira com Portugal, localiza-se a Comunidade de Extremadura. Na Província de Cáceres situa-se um pueblo maravilhoso, Guadalupe (8, 9 e 11/6/2014), famoso pelo Monastério de Santa María (12 a 15/6/2014), santuário de devoção à popular Virgem de Guadalupe, que foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

DSC08795OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do país, a Comunidade de Madrid destaca-se por acolher a capital da Espanha, e também pela existência de vários pueblos belos e interessantes. Buitrago del Lozoya, por exemplo, está situado ao norte, em plena Serra de Guadarrama, e conserva boa parte de seu aspecto medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPróximo à capital, Colmenar de Oreja (14 e 15/3/2015) possui uma belíssima Praça Mayor

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos povoados mais bonitos de toda a comunidade, Chinchón (9/4/2012 e 18/8/2014) foi cenário de vários filmes, pela beleza e conservação de seu centro histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa igreja principal do povoado podemos contemplar pinturas de Goya

OLYMPUS DIGITAL CAMERAChinchón também possui uma pitoresca Praça Mayor, de formato circular e palco de corrida de touros. Cercada por vários restaurantes famosos, o povoado recebe muitos turistas nos finais de semana, vindos de Madrid.

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Museu González Martí: Valencia

Visitar o belíssimo Palácio de Dos Águas em Valencia é uma oportunidade única de conhecer uma mansão aristocrática  do século XVIII. Além de suas salas e requinte decorativo, possui uma incrível coleção de cerâmicas de várias épocas, que formam o acervo do Museu González Martí, inaugurado no local em 1949. Manuel González Martí (1877/1972) foi um historiador, crítico de arte e político valenciano de grande prestígio. Com 18 anos de idade iniciou uma excepcional coleção de cerâmica, que doou ao estado em 1946.  Entre 1922 e 1936, ocupou o cargo de diretor da famosa Escola de Cerâmica de Manises, situada na cidade de mesmo nome, e que durante décadas foi uma das poucas escolas relacionadas à fabricação de cerâmica existente na Espanha. Foi também diretor do Museu de Bellas Artes de Valencia. Abaixo, vemos a escultura do fundador do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo de cerâmicas do Museu González Martí está composto por peças das várias culturas que passaram pelo país, como a grega, ibérica, romana, árabe, além da cerâmica produzida no próprio país durante a Idade Média Cristã.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVisitar as diversas salas que compoem o museu nos permite conhecer os diferentes tipos de cerâmicas e sua importância cultural ao longo do tempo. Durante a época muçulmana, por exemplo, a cerâmica foi aplicada como um elemento ornamental da arquitetura e constituiu um dos materiais principais na construção dos edifícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerâmica cristã, elaborada entre os séculos XIII e XIV, foi uma herdeira direta do mundo muçulmano, e os principais centros na Espanha foram as cidades de Valencia e Granada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande qualidade artística, as cerâmicas mudéjares foram elaboradas em Valencia graças ao grande contingente de população mourisca existente na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos alguns exemplos de peças fabricadas no séculos XVI e XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, existiam 3 polos produtores cujas influências foram fundamentais na cerâmica espanhola, Itália, França e China. Em 1927 se funda a Real Fábrica de Alcora, que se transforma no centro mais inovador da cerâmica espanhola, situado num povoado da Comunidade Valenciana. Abaixo, vemos algumas das salas do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos admirar também cerâmicas modernistas, utilizadas principalmente como elemento decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos espaços domésticos onde tradicionalmente a cerâmica foi empregada nos lares valencianos foi a cozinha. No Museu González Martí se reproduziu uma delas, com cerâmicas dos séculos XVIII e XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com uma grande coleção de porcelanas chinesas. A partir do século XV, devido ao comércio com o Extremo Oriente, este tipo de peça tornou-se habitual nas cidades européias, e eram muito estimadas. Vários foram os centros produtores que tentaram fabricá-las, mas o segredo de sua elaboração dificultava sua reprodução. O primeiro centro que foi capaz de reproduzi-las foi o de Meissen, Saxônia, em 1709.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com outras imagens do museu….

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Valencia Gótica

A Arte Gótica adquiriu um grande protagonismo em Valencia nos séculos XIV e XV, fruto do grande desenvolvimento alcançado pela cidade nesta época como centro mercantil. Num passeio por seu centro histórico, muitos foram os edifícios construídos neste estilo, tanto no plano religioso, quanto civil, como vimos na matéria anterior sobre a Lonja de Valencia. Outro exemplo da arquitetura gótica adaptada ao uso civil constitui o Edifício da Generalitat Valenciana, isto é, a sede do governo regional da Comunidade Valenciana. A Generalitat teve como origem a necessidade da Coroa para recadar impostos e logo o edifício passou a sediar o organismo representativo do Reino antes às cortes. Sua construção iniciou-se em 1421, e no século seguinte se colocou uma torre, já no estilo renascentista. Na foto vemos o edifício iluminado, pois estive na cidade em plena época natalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém pertencente ao Estilo Gótico Valenciano, o Almudín foi construído no princípio do século XV como um local de armazenamento e venda de trigo. Seu nome provém da palavra árabe Almud, uma medida relacionada aos graos. Considerado monumento histórico-artístico, desde 1996 funciona como um centro cultural. Vemos o edifício na foto abaixo, à esquerda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia conta com inúmeras igrejas góticas, apesar que as reformas subsequentes alteraram a fisionomia de muitas delas. A primeira que visitei foi a Igreja de San Agustín, que fazia parte do antigo Convento dos Frades da Ordem de Santo Agostinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi gravemente afetado, tanto na Guerra da Independência contra os franceses, quanto na Guerra Civil Espanhola do século XX. Por este motivo, a igreja teve que ser restaurada em 1940. Abaixo, vemos algumas fotos de seu belo interior, com destaque para um ícono bizantino situado no altar maior, denominado Nossa Senhora de Grácia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro da Catedral situa-se a Igreja de Santa Catalina, edificada a partir do ano 1300, num momento em que se começaram a construir templos católicos sobre as antigas mesquitas árabes. Recebeu este nome por um desejo expresso do Rei Jaime I, em honra a sua filha a Infanta Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1548, a igreja sofreu um grande incêndio, e foi parcialmente reconstruída. Entre 1688 e 1705, se construiu a torre campanário, obra de Juan Bautista Viñes, considerada uma das obras primas do Barroco Valenciano, e um dos símbolos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1936, a igreja foi assaltada e incendiada. Na década de 50 foi restaurada, devolvendo-lhe seu aspecto gótico original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à Lonja de Valencia, na Praça do Mercado, se localiza a Real Paróquia de los Santos Juanes (São João Batista e São João Evangelista). Erguida sobre uma mesquita árabe, sofreu diversas remodelações ao longo de sua história. Erguida originalmente no século XIII, foi reconstruída nos séculos XIV e XV devido aos vários incêndios que foi vítima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII e começo do XVIII, adquiriu seu aspecto barroco atual, sendo que sua parte exterior apresenta uma fachada a modo de retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central vemos uma escultura da Virgem do Rosário, realizada por Jacopo Bertesi. Sobre ela, a torre do relógio (imagem acima).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe intitula Real depois da visita que a Rainha Isabel II realizou ao templo em 1858. Em 1947, recebeu o título de monumento histórico-artístico. Uma pena que permaneceu fechada durante minha estadia, esta que é considerada uma das igrejas mais belas de Valencia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com o Real Convento de Santo Domingo, construído durante o reinado de Jaime I. Ampliado nos séculos XIV, XV e XVI, foi sede das Cortes do Reino de Valencia e nele se realizou o casamento de Felipe III com Mariana de Áustria. Lamentavelmente, também não pude visitá-lo e contemplar seu claustro gótico…

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A Lonja de Valencia: Patrimônio da Humanidade

A prosperidade econômica e a estabilidade monetária alcançada por Valencia no século XV a transformou numa das maiores potências econômicas do Mediterrâneo. Este período é considerado o século de ouro da cidade no plano demográfico, cultural e artístico. Com cerca de 75 mil habitantes em 1483, converteu-se na cidade mais importante da península, através do seu grande porto marítimo e o desenvolvimento das atividades mercantis. O edifício mais importante desta época é ainda hoje um dos referentes da cidade, a Lonja dos Mercadeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lonja é um local de reunião de comerciantes, e a Lonja de Valencia é considerada uma das obras mais importantes da arquitetura gótica civil de toda a Europa. Simboliza a pujança e riqueza da cidade no século XV, um exemplo perfeito da Revolução Comercial que se propagou por todo o continente, além do crescimento social e o prestígio alcançado pela burguesia valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcebida como um verdadeiro templo dedicado ao comércio, foi construído em apenas 15 anos, entre 1483 e 1498, pelo mestre Pere Compte. A lonja situa-se na Praça do Mercado, centro vital da cidade desde a época árabe. Nela se realizaram corridas de touros, execuções públicas, etc. Sua função de mercado data do reinado de Jaime I, mas foi com Pedro IV de Aragón que adquiriu um caráter comercial permanente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que pudesse ser realizada sua construção, foram adquiridas e posteriormente derrubadas 25 casas. O edifício se assemelha aos castelos medievais, por seu imponente aspecto de fortaleza. A estrutura está repleta de figuras simbólicas e personagens grotescos, e somente em relação às gárgulas, se contabilizam 28 delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Escudo do Reino de Aragón, franqueado por anjos, colocado numa das esquinas exteriores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia consta de 4 partes. Na torre situa-se o calabouço, onde eram confinados aqueles que roubavam os comerciantes e os proprietários de estabelecimentos menos honrados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas dependências mais espetaculares, a denominada Sala de Contrataçao deslumbra por sua beleza gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está formado por duas fileiras de colunas helicoidais de 16 m de altura, que lhe proporcionam um aspecto semelhante a um bosque de palmeiras. Por sua vez, o teto da sala está composto por espetaculares bôvedas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o edifício recebeu o nome de Lonja da Seda, pois nele se realizavam as transações relativas ao comércio da seda, cuja indústria era a mais potente da cidade. No século XIV, existiam muitos comerciantes que se dedicavam à sua fabricação, principalmente judeus, e mais tarde conversos, que se agruparam em 1465 numa confraria chamada “Virgem da Misericórdia“. Por este motivo encontramos uma capela a ela dedicada no interior da Lonja. O século XVIII representou o momento de maior esplendor do comércio da seda, com cerca de 25 mil pessoas que trabalhavam em sua indústria. A partir de 1790, a atividade entrou em decadência, mas a Lonja de Valencia mantêm o nome de Lonja da Seda até hoje, uma homenagem a esta indústria pioneira. A seguir, vemos o Pátio de los Naranjos (Pátio das Laranjas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma escada situada no pátio conduz a outra dependência do edifício, a Sala do Consulado do Mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Consulado do Mar foi uma instituição criada em 1238, onde os juízes celebravam sessões relacionadas a assuntos marítimos e mercantis. Abaixo, vemos a belíssima sala, também decorada com um magistral teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia foi declarada Monumento Nacional em 1931, e em 1996 recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, concedido pela Unesco, por sua importância histórica, excelente estado de conservação e exemplo único do Gótico Civil Europeu.

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As Torres de Valencia

Antes da reconquista de Valencia no século XIII por Jaime I, a cidade contou com dois recintos de muralhas, um construída durante a época romana e outro no período da dominação árabe. No século XIV se ergueu um novo sistema defensivo durante o reinado de Pedro IV de Aragón, construído entre 1356 e 1370. Esta muralha medieval possuía 4 km de perímetro e estava composta por 13 portas, das quais 4 monumentais e 9 portas pequenas. A muralha foi derrubada em 1865 para que a cidade pudesse ser ampliada além de seus limites, mas se conservam duas das grandes torres de acesso ao seu interior. O acesso principal à cidade se dava pela denominada Torre dos Serranos, uma imponente construção que ainda é um dos referentes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre foi construída entre 1392 e 1398 pelo mestre de obras Pere Balaguer, que se inspirou nos modelos da arquitetura militar gótica de Gênova, na Itália. Além de sua função defensiva, era usada como entrada para cerimônias oficiais, como a vinda de embaixadores e monarcas de outros países. Seu nome se originou porque este era o caminho de entrada da cidade desde a Comarca dos Serranos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta pentagonal, a Torre dos Serranos encontra-se num excelente estado de conservaçao. Em 1586 transformou-se em prisão militar para nobres e cavalheiros. Durante a Guerra Civil Espanhola, travada entre 1936 e 1939, converteu-se num depósito previamente adaptado para proteger as obras de arte do Museu do Prado de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Torre dos Serranos foi declarada Monumento Histórico-Artístico. A parte interna da torre desempenhou outras funções, além de proteger a cidade, como a celebração de festas e atos públicos. As festividades mais famosas de Valencia, conhecidas como Fallas, se inauguram justamente na Torre dos Serranos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra torre pertencente à Muralha Medieval de Valencia que se conserva é a robusta Torre de Quart. Foi edificada entre 1441 e 1460 pelos mestres Pere Compte e Francesc Baldomar, que se inspiraram nos sistemas defensivos de Nápoles. Sua denominação se explica porque ela conduzia à cidade de Quart de Poblet, desde onde seguia o caminho ao antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém característica da arquitetura militar gótica, a Torre de Quart está composta por duas torres gêmeas. Desde o século XVII até 1952, foi utilizada como prisão militar e armazém de pólvora. Durante muito tempo foi chamada de Torre da Cal, já que por ela entrava este material na cidade. Esta magnífica construção suportou diversos ataques durante sua história, como os efetuados durante a Guerra da Sucessão Espanhola (século XVIII), a Guerra da Independência (XIX) e a Guerra Civil do século XX. Podemos observar na torre as marcas que deixaram os canhões de Napoleão durante os ataques efetuados à cidade durante a Guerra de Independência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas da cidade fechavam à noite, e muitos viajantes, quando chegavam a Valencia, tinham que dormir à esmo fora do recinto de muralhas. Em 1931, a Torre de Quart também recebeu o título de Monumento Nacional por sua importância histórica. A torre pode ser visitada e do alto de sua estrutura almenada as vistas do centro da cidade impressionam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de construção da muralha ocorreu em virtude da denominada Guerra entre os 2 Pedros, um conflito entre os Reinos de Castilla e  Aragón, que envolveu os monarcas Pedro I de Castilla e Pedro IV de Aragón (1356 e 1369). O rei aragonês tinha como objetivo principal incorporar o Reino de Murcia à Coroa de Aragón, além de dominar o Mediterrâneo, em disputa com o Reino de Castilla e sua aliada, a cidade de Gênova. Por outro lado, o reino castelhano encontrava-se num período de intensa crise social, devido ao conflito entre Pedro I e seu irmão bastardo Enrique de Trastámara, também pretendente ao trono castelhano. A guerra iniciou-se com o ataque aragonês a barcos genoveses. Ao final da batalha, não houve nenhum vencedor claro, pois as aspirações de Pedro IV não se concretizaram e Pedro I de Castilla acabou sendo assassinado e destronado por Enrique de Trastámara.

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