Basílica de Santa Maria e o “Mistério de Elche”

Prosseguindo nosso passeio pelo Centro Histórico de Elche, na matéria de hoje veremos a Basílica de Santa Maria e a festa denominada de “O Mistério de Elche“, declarada Patrimônio Imaterial Da Humanidade, título outorgado pela Unesco em 2001. Antes, porém, vale a pena mencionar o Ayuntamiento da cidade, ou se preferirem, a Casa da Vila, como se conhece o edifício da Prefeitura de Elche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é uma das Casas Consistoriais mais antigas da Comunidade Valenciana, já que o conselho nela se reúne desde 1445. A torre que vemos na foto foi erguida em 1458. No século XVIII, reformas foram realizadas, conferindo-lhe um aspecto barroco ao edifício. Antigamente, se encontrava adossada à muralha. Abaixo, vemos outro edifício pertencente à Prefeitura de Elche, completamente diferente em quanto a época de construção e sua arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar dos escassos restos de sua origem árabe, em meu passeio pela cidade pude observar alguns edifícios inspirados em sua arquitetura, como o que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oficina de Turismo da cidade foi igualmente construída e inspirada nos elementos arquitetônicos árabes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrincipal templo religioso da cidade, a Basílica de Santa Maria foi edificada no mesmo local onde antigamente se erguia a Mesquita Árabe, derrubada depois da reconquista de Elche em 1265.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja atual começou a ser construída em 1672 e as obras finalizaram em 1784. Sua portada, que vemos no destaque acima, é considerada uma das mais belas do Barroco Valenciano, e foi realizada por Nicolás de Bussi entre 1680 e 1682.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ostentar o título de Basílica Menor, os habitantes da cidade a chamam de “A Catedral de Elche“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da cúpula, tirada da Torre de Calahora, que vimos num post recente…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAElche é uma cidade muito devota à Virgem Maria, e no interior da basílica se realiza entre os dias 14 e 15 de agosto uma representação teatral conhecida como “O Mistério de Elche“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta festividade em honra à Virgem Maria é considerada a única representação conhecida no ocidente realizada no interior de uma igreja, depois que o Concílio de Trento (1545/1563) proibiu este tipo de manifestação nos templos religiosos. Também conhecido como um Autosacramental, este drama litúrgico representa a morte, assunção e coroação da Virgem Maria através de cenas teatrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua história se remonta ao século XII, e um grande contingente de atores profissionais ensaiam durante todo o ano para a ocasião. O trabalho para sua realização é elevado, com especial cuidado para a indumentária que os atores utilizam, minuciosamente confeccionadas segundo uma tradição secular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerimônia dura 8 horas, dividida em dois atos, cada qual celebrado num dia. Cantos medievais complementam o drama, e seguem uma partitura que data de 1639, embora exista a crença de que se trata de uma cópia de uma mais antiga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da Basílica de Santa Maria foi colocada uma escultura de bronze que representa uma das cenas da festa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO momento principal do drama ocorre quando uma imagem da Virgem é elevada à cúpula da igreja, representando  sua ascensão ao céu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Mistério de Elche” recria os últimos momentos da Virgem, que ao aproximar da hora de sua morte, pede a Deus para que possa ver por última vez os apóstolos e despedir-se. Pouco a pouco, os apóstolos chegam de terras distantes e a Virgem morre em paz. Todos juntos assistem sua elevação e sua coroação como Rainha do Céu. Apesar de não me encontrar nas datas em que a festa é celebrada, pude ver vídeos da mesma no chamado Museu da Festa, dedicado ao “Mistério de Elche”. Uma pena que as fotos não estão permitidas. Abaixo, vemos o exterior do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Mistério de Elche” recebeu vários títulos importantes, como Monumento Artístico Nacional em 1931 e o de Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2001. No youtube existem vários vídeos disponíveis, dando uma ideia desta festa de origem medieval, e da emoção que sentem todos (as) que nela participam.

O Grego de Toledo

Graças aos contatos realizados com espanhóis durante sua estadia em Roma, El Greco viaja a Espanha em 1577, estabelecendo-se em Toledo, capital religiosa do país e uma das maiores cidades européias da época. O pintor adota definitivamente a cidade castelhana, nela permanecendo até o final de sua vida, onde desenvolve de maneira genial seu estilo, pintando seus quadros mais famosos. Com 36 anos de idade, El Greco já possuía fama, e os encargos religiosos nao demoraram em aparecer. Abaixo, vemos o Retábulo Maior  realizado para o Convento de Santo Domingo de Toledo, o primeiro que concebeu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizado entre 1577 e 1579, com esta obra El Greco rompe os critérios narrativos dos grandes retábulos, dando uma ênfase ao ritmo vertical da composiçao, segundo critérios maneiristas. A parte central do retábulo representa a Assunçao da Virgem Maria, baseando-se no quadro com a mesma temática pintado por Ticiano. Começa a utilizar cores pouco convencionais e proporçoes anatômicas únicas. O intenso jogo de luzes busca o contraste. A parte superior do retábulo representa a Trindade, uma referência ao estilo escultural de Miquelângelo. Como podemos observar nas primeiras obras em terras espanholas, a influência dos mestres italianos é patente. Estes quadros aumentaram a reputaçao do pintor em Toledo, dando-lhe grande prestígio. Seu objetivo principal, no entanto, era transformar-se em pintor real da corte de Felipe II, colaborando para a decoraçao do Monastério do Escorial, cuja monumentalidade vemos na foto a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “cartao de visita” de El Greco na corte de Felipe II foi o quadro intitulado “O Martírio de Sao Maurício”, pintado entre 1580 e 1582,  que pode ser admirado atualmente no próprio monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO motivo central do quadro narra o episódio em que Sao Maurício convence aos seus companheiros da legiao tebana que é preferível morrer em martírio do que oferecer sacrifícios aos deuses pagaos do Império Romano. O martírio em si é relegado a um segundo plano, situado na parte inferior esquerda do quadro. Na parte superior, os anjos aguardam a alma daqueles que serao martirizados. A presença do quadro num dos altares laterais da igreja do monastério se justifica porque Sao Maurício era o padroeiro da Ordem do Tosao de Ouro, cuja soberania foi passada aos monarcas austríacos da corte espanhola. Infelizmente para El Greco, o rei Felipe II nao gostou do quadro, e nao encarregou outras pinturas ao pintor cretense. A partir de entao, El Greco decide permanecer em Toledo, cidade que lhe havia recebido como um grande artista. O clero toledano lhe encomenda várias obras que podem ser admiradas na Catedral Primada. Uma delas é “O Expólio”, exposta na sacristia da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena retrata o momento inicial da Paixao de Cristo, quando Jesus é despojado de suas roupas. El Greco escurece os elementos que considera secundários no episódio e ilumina a figura de Jesus, auxiliado pelo vermelho de sua túnica. Para realizar o quadro, o pintor nao seguiu ao pé da letra nenhum dos evangelhos oficiais da Igreja Católica, motivo pelo qual surgiram polêmicas cujo resultado foi a demora em receber o pagamento da obra. Na Catedral de Toledo estao expostos muitos outros quadros do pintor, como a “Crucificaçao de Cristo”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu entao “Sao José e o Menino Jesus”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProgressivamente, seu estilo se caracteriza pelo alargamento das figuras com uma iluminaçao própria, expressiva e ao mesmo tempo fantasmagórica, realizadas com uma combinaçao de cores contrastantes. A temática religiosa, predominante na obra do pintor, tinha como objetivo principal propagar a doutrina da Contrareforma e sua luta contra o Protestantismo, estabelecida pelo Concílio de Trento em 1563, sendo o centro do catolicismo espanhol a Arquidiocese de Toledo. Um dos temas preferidos para deter a expansao protestante foi a vida e o exemplo dos Santos Católicos, inúmeras vezes retratados por El Greco. Abaixo, vemos uma pintura de Sao Pedro, exposta no Museu de Santa Cruz de Toledo, cuja foto vemos na sequência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC03546Outro tema fundamental era a Glorificaçao da Virgem Maria, cuja maternidade divina era negada pela Reforma Protestante de Lutero. Um exemplo é o quadro da “Imaculada Conceiçao” realizado entre 1607 e 1613 e também exposto no museu acima citado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObservamos nesta obra o alargamento das formas e o sentido vertical do quadro, conduzindo o olhar do espectador ao rosto da Virgem, culminando em sua parte superior na pomba representativa do Espírito Santo.

Catedral de Astorga – Parte 2

O interior da Catedral de Astorga possui planta basilical formada por 3 naves e o mesmo número de ábsides poligonais. As bôvedas sao típicamente góticas, chamadas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Trascoro, situado como o próprio nome indica na parte detrás do Coro, é neoclássico, e foi feito de materiais diversos, como mármore, jaspe, alabastro e bronze. Trata-se de uma verdadeira capela com um retabulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, vemos duas imagens principais, a da Virgem no centro e de Santo Toríbio, Bispo de Astorga do séc. V, no alto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro é de estilo flamenco e foi executado com madeira de nogal. Foi realizado por Juan de Colonia, um dos arquitetos da catedral, em 1515.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior direita do Coro, vemos o belíssimo órgao barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs vitrais que compoem a catedral estao sendo, pouco a pouco, restaurados. Alguns sao medievais. Outros, de época moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe barroco de uma de suas capelas e a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Catedral de Astorga estao sepultadas as conhecidas Enfermeiras Mártires de Somiedo, que foram fuziladas pelos republicanos no começo da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maires tesouros artísticos do interior do templo é o Retábulo Maior. Esta grande obra de arte foi realizada por Gaspar Becerra (1520/1568), um dos grandes nomes do Renascimento Espanhol. Pintor e escultor, o artista viveu durante um tempo na Itália, e sua obra caracteriza-se por uma forte influência de Miguel Ângelo. Foi pintor da corte de Felipe II e este retábulo é uma de suas principais obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste retábulo, realizado na segunda metade do séc. XVI, foi revolucionário para a época, tornando-se motivo de inspiraçao para muitos outros que vieram depois dele. A claridade e monumentalidade arquitetônica, além de sua sobriedade decorativa, colaboraram para isso. Os temas escultóricos estao relacionados com a exaltaçao da Virgem Maria e a vida de Cristo. Na parte superior do retábulo, observamos o Calvário. Toda esta iconografia estava relacionada com o Concílio de Trento, cujas reformas visavam reafirmar os dogmas do Catolicismo, bem como uma tentativa de deter o avance do Protestantismo.

Museu da Real Academia de San Fernando – Pintores Estrangeiros

O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando conta com uma excepcional coleçao pictórica,  composta de aproximadamente 1400 obras. No post de hoje, conheceremos algumas das pinturas realizadas por autores estrangeiros, ou seja, nao espanhóis. Começaremos com o menos “estrangeiro” deles, Domenikos Theotokopoulos (Creta-1541/Toledo-1614),  mais conhecido pelo apelido de “El Greco”. Digo isso, porque apesar de ter nascido em Creta, El Greco esteve intimamente relacionado a Toledo, cidade em que realizou suas obras mais conhecidas e onde  atingiu sua madurez artística. Neste quadro pintado em 1600, retrata a San Jerônimo, um dos quatro doutores da Igreja Católica. O santo retirou-se à vida penitente no deserto durante dois anos. No quadro, aparece seminu numa gruta meditando diante da caveira e do crucufixo. Os livros sao uma referência à sua grande obra religiosa, a traduçao da Bíblia ao latim. Na Contrareforma, sua figura incitava os fiéis a uma vida penitente e lhes servia de modelo.

DSC08558A Pintura Flamenca está representada por Peter Paul Rubens (Siegen-1577/Amberes-1640). Artista inserido dentro do contexto do barroco, foi também colecionador e diplomata. Artista prolífico, suas obras foram encomendadas por várias cortes européias, inclusive a espanhola, e abarcam desde a pintura religiosa, os temas mitológicos, retratos, paisagens e cenas de caça. Seu estilo exuberante enfatiza o movimento, a cor e a sensualidade. Suas principais influências procediam da antiguidade clássica. Um de seus principais clientes foi o rei Felipe IV, que lhe encarregou numerosas obras para a decoraçao dos Palácios Reais. Aliás, o monarca espanhol constitui a principal razao para que o Museu do Prado seja a pinacoteca com a maior quantidade de quadros de Rubens de todo o mundo, com aproximadamente 90 obras. Abaixo, vemos o quadro intitulado “Santo Agostinho entre Cristo e a Virgem”, pintado em 1615. Este motivo temático surgiu na Contrareforma, e procede, talvez, da passagem de um evangelho apócrifo em que o santo expressa seu amor por Cristo e a Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro pintor universal, também flamenco, foi Anthon Van Dyck (Amberes-1599/Londres-1641). Conhecido por seus famosos retratos, pintou também temas bíblicos e mitológicos. Foi aluno e assistente de Rubens, do qual assimilou o estilo e a técnica. Faleceu com apenas 42 anos, e foi sepultado  na Catedral de San Paul, de Londres. Abaixo, vemos o quadro exposto no Museu da Academia de San Fernando intitulado “A Virgem e o Menino Jesus com os pecadores”. A obra pertence à fase italiana de Van Dyck (1621/1627) e mostra a influência de mestres como Ticiano. Desde o Concílio de Trento, a penitência, o perdao e o arrependimento sao uma constante na literatura e na arte da Contrareforma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa Pintura Italiana provém uma das jóias do museu, o único quadro de Giuseppe Arcimboldo (Milao-1527/1593) existente no país, denominado “La Primavera”. O quadro foi pintado em 1563 e se desconhece em qual circunstância chegou à Espanha, provavelmente no séc. XVIII como um presente para os reis da dinastia borbônica. Formava parte de um conjunto sobre as quatro estaçoes, na realidade uma alegoria do poder imperial de Maximiliano II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Joli (Módena-1700/Nápoles-1777) viveu em Madrid entre 1749 e 1754, e realizou várias obras para o rei Fernando VI. Interessantíssimos sao seus quadros retratando a Madrid de sua época, como o quadro abaixo, chamado “Vista de la Calle de Alcalá”. O quadro é um verdadeiro tesouro de informaçoes sobre a cidade na época barroca e, principalmente, de uma de suas ruas mais famosas e importantes. De fato, o barroco unifica e monopoliza o aspecto urbano, com inúmeras cúpulas e torres. A paisagem descrita representa a Calle de Alcalá por volta de 1750. Observa-se, no fundo à esquerda, a antiga Praça de Touros de Madrid, hoje desaparecida. Também no lado esquerdo, a Igreja de San José,  que recentemente foi a matéria de um post.

DSC08546Pintor e teórico neoclássico, Anton Raphael Mengs (Aussig, Bohemia-1728/Roma-1779) foi considerado um dos artistas mais completos de seu tempo. Suas obras caracterizavam-se pela exatidao do desenho e a maestria das texturas. Nos retratos, destacava-se pela observaçao atenta do caráter. A seguir, vemos o retrato feito em homenagem ao seu amigo Louis Silvestre, diretor da Academia de Dresde. Atualmente, seus retratos estao entre suas obras mais valorizadas.

DSC08547O francês Louis-Michel Van Loo (Tolón-1707/Paris-1771) chegou em 1737 à Madrid como pintor de Felipe V e em 1744 foi nomeado primeiro pintor de câmara do monarca. Durante a época da fundaçao da Academia de Belas Artes, realizou um quadro para que servisse de modelo aos alunos, denominado “Vênus, Mercurio e o Amor”. A obra enfatizava a missao pedagógica da recém fundada instituiçao, constituindo uma alegoria,  salientando que o exercício contínuo (simbolizado por Mercurio) e a busca da beleza e da perfeiçao (simbolizada por Vênus), deveriam ser as metas a alcançar pelos jovens artistas. A obra foi doada pelo próprio artista ao museu.

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Guadalajara – Parte 2

Na segunda metade do séc. XIV se estabelece em Guadalajara a influente e poderosa Família dos Mendoza, cujo destino marcou a paisagem e história da cidade. Seus membros constituuem a denominada Casa do Infantado, título nobiliário concedido pelos Reis Católicos em 1475 ao primeiro duque da casa, Diego Hurtado de Mendoza. Entre as muitas opçoes de interesse existentes na cidade, o Palácio dos Duques de Infantado é, talvez, a mais conhecida. Por sua importância,  lhe dedicamos uma matéria, realizada no dia 2/9/2012. O edifício, um dos exemplos mais relevantes da última fase do gótico civil europeu, foi construído entre 1480 e 1497 pelo arquiteto Juan Guas para a família.

DSC07863O exterior destaca-se pela profusa decoraçao da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio foi reformado no séc. XVI e bombardeado durante a Guerra Civil Espanhola. Por este motivo, foi restaurado entre 1960 e 1974. No interior, podemos admirar o famoso Pátio dos Leoes, assim denominado pelas muitas representaçoes do felino em seus relevos, bem como os escudos heráldicos da família dos Mendoza.

DSC07870DSC07867Entre outros membros de importância, citamos a Iñigo López de Mendoza (1398/1458) e Pedro González de Mendoza (1428/14959, Cardeal de Toledo e conselheiro dos Reis Católicos. Na parte lateral do palácio, podemos percorrer um formoso jardim, com uma perspectiva diferente da construçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio dos Duques de Infantado sedia atualmente o Museu Provincial de Guadalajara, repleto de obras de arte. O acervo está constituído por peças que abarcam diferentes períodos históricos, começando pelos povos celtíberos que habitaram a regiao.

DSC07899Os mosaicos romanos também estao representados, bem como peças do período da dominaçao árabe, decisiva para a fundaçao da cidade.

DSC07898Dos séc. XIV/XV, o destaque fica por conta de uma peça com inscriçoes hebraicas, procedente de uma Sinagoga Medieval situada em Molina de Aragón.

DSC07896Como podemos constatar, na Idade Média, da mesma forma que ocorreu em outras cidades espanholas, em Guadalajara conviveram comunidades cristas, árabes e judias, que deixaram sua marca na arquitetura mudéjar, que em breve veremos no blog. Outra das atraçoes do Museu Provincial sao os sepulcros ricamente talhados, pertencentes a famílias nobres. Abaixo, vemos um deles, pertencente, evidentemente, a um membro dos mendoza, D. Aldonza de Mendoza.

DSC07888Figuras de tradiçao popular podem ser conhecidas, como o Botarga. Normalmente associado como um símbolo do mal, sao representados dançando de maneira agressiva. Segundo a tradiçao, costumam acompanhar as procissoes dos santos, realizando travessuras e distraindo os fiéis durante a missa.

DSC07903Entre os muitos quadros de temática religiosa que estao expostos, alguns sao de alta qualidade artística. Abaixo, vemos um Ecce Homo, realizado no séc. XV e de autoria desconhecida.

DSC07879A seguir, vemos o Êxtase de Sao Francisco, uma obra da escola toledana, realizada provavelmente por um discípulo de El Greco (XVI/XVII).

DSC07910Do séc. XVI, podemos apreciar este quadro representando a Sao Jerônimo no estudio. Pertence à escola italiana, e foi pintado por Romulo Cincinato. O santo está representado em suas variadas facetas, enquanto escreve a denominada Bíblia Vulgata. A cena está representada num escritório, repleto de detalhes alusivos a sua vida como eremita (caveira, crucifixo), intelectual (livros, cartas) e cardeal (chapéu). Aparece também o leao, um dos símbolos a ele atribuído.

DSC07908A Bíblia Vulgata foi escrita por Sao Jerônimo em 382 dC, e traduzida ao latim a partir da antecessora Bíblia grega. Utilizada pela Igreja Católica durante séculos, no Concílio de Trento (séc. XVI) foi declarada a versao oficial pela ortodoxia católica, e ainda hoje é utilizada para diversas traduçoes.