Loeches – Comunidade de Madrid

Depois de publicar as matérias sobre os principais monastérios de Madrid, considerei oportuno este post sobre a cidade de Loeches, onde a influência destes históricos conventos é notória. Situada na parte leste da Comunidade de Madrid, Loeches encontra-se a apenas 40 km da capital. Sua existência está documentada desde o séc. XII, e seu nome é de origem vasco, devido a repovoaçao realizada com pastores do País Vasco depois da reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALoeches recebeu o título de cidade em 1555, outorgado pelo rei Carlos I. A vila pertenceu ao senhorio da família Cárdenas, que fundou o Convento das Carmelitas em 1596. Ao falecer os membros da família, o senhorio foi adquirido pelo Conde Duque de Olivares, válido (primeiro ministro) do rei Felipe IV, em 1633. Até o nome da escola pública da cidade recebeu seu nome…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Conde Duque de Olivares foi o responsável pela construçao do monumento mais importante de Loeches, o Monastério de la Inmaculada Concepción.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Carbonel foi o arquiteto encarregado de realizar a obra, finalizada em 1640. O edifício barroco foi totalmente inspirado no Monastério de la Encarnación de Madrid, que vimos recentemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté mesmo o material principal utilizado, o granito, visível na fachada, é o mesmo do convento da capital. O Monastério de la Inmaculada Concepción é conhecido como Monastério Grande, para diferenciar de outros existentes na cidade, e está habitado por freiras da Ordem Dominicana. O Conde Duque de Olivares, personagem fundamental da política espanhola do séc. XVII, nele está enterrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, em 1909, Jacobo Fitz-James Stuart y Falcó, membro da famosa Casa de Alba, fundou um panteao agregado a uma capela do monastério. A partir de entao, todos os membros da família foram sepultados no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO panteao foi realizado por Juan Bautista Lázaro, que se inspirou no panteao real do Monastério de El Escorial. Os sepulcros foram feitos com mármore negro, exceçao feita ao que acolhe os restos de Francisca de Sales y Portocarrero, irma da Imperatriz da França Eugenia de Montijo, esposa de Napoleao III, feito com mármore branco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta tradiçao dos membros da Casa de Alba de serem sepultados na capela foi quebrada, com o recente falecimento de Cayetana, a última Duquesa de Alba, cujo desejo expresso de ser enterrada em Sevilha foi devidamente atendido. Abaixo, vemos uma foto da igreja do monastério e de sua cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento de importância da cidade de Loeches é a Igreja de N.Sra de la Asunción, um templo renascentista levantado a partir de 1560. Sua torre de 30m de altura é um de seus destaques.

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O Palácio del Buen Retiro – Madrid

No post de hoje, conheceremos a história do Palácio del Buen Retiro, um complexo arquitetônico de enormes dimensoes, intimamente relacionado com o Parque do Retiro que atualmente contemplamos. O palácio foi construído pelo arquiteto Alonso Carbonel (1590/1660) como uma segunda residência e lugar de recreio do rei Felipe IV, que normalmente residia no antigo Alcázar, situado onde hoje vemos o Palácio Real de Madrid. Antes de sua construçao, Felipe IV tinha o costume de hospedar-se também nos aposentos anexos do denominado Convento de San Jeronimo, chamado de Quarto Real. Além do mais, aproveitava para passear pelos terrenos situados ao lado do convento, propriedade do seu válido (uma espécie de primeiro ministro, que realmente governava o país), o Conde Duque de Olivares. Com a intençao  de agradar ao monarca, Olivares inicia, a partir de 1630, uma série de gabinetes e pavilhoes que originaram o Palácio del Buen Retiro. Finalizado em 1640, contava com mais de 20 edifícios, que eram principalmente utilizados para a celebraçoes de festas, apresentaçoes teatrais, e inclusive recriaçoes de batalhas navais no lago do Retiro. Além do complexo arquitetônico, estava formado por inúmeros jardins e lagos, dado o caráter lúdico do local. Abaixo, vemos os retratos do rei Felipe IV e outro equestre do Conde Duque de Olivares, pintados pelo pintor real do monarca, Diego Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível artístico empregado no palácio rivalizava com a residência habitual do rei, o Alcázar. Grande parte das coleçoes adquiridas por Felipe IV  que hoje decoram as paredes do Museu do Prado, embelezavam em sua origem o Palácio del Buen Retiro. O palácio foi praticamente destruído durante a Guerra da Independência, quando as tropas de Napoleao utilizaram o lugar como quartel de artilharia. Finalizada a guerra, a rainha Isabel II tentou acometer sua restauraçao, mas o grau de ruinas era tal que decidiu-se por sua quase total demoliçao. Na foto a seguir, vemos uma imagem antiga do Palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do próprio Parque do Retiro, sao remanescentes do antigo palácio duas construçoes, atualmente situadas fora dos limites do parque (hoje em dia, o parque possui somente a metade de sua extensao original). O Casón del Buen Retiro é uma delas. Antigo Salao de Bailes do palácio, transformou-se numa dependência pertencente ao Museu do Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém projetado por Alonso Carbonel, seu aspecto neoclássico atual se deve às reformas realizadas pelo arquiteto Ricardo Velázquez Bosco no final do séc. XIX. A partir dos anos 70 do séc. XX, albergou a coleçao do Prado relativa ao séc. XIX, funçao que exerceu até 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a ampliaçao do Museu do Prado realizada por Rafael Moneo, o Casón del Buen Retiro foi reformado e adaptado como Centro de Estudos do museu. Abaixo, vemos a parte detrás do Casón.

DSC08622Um detalhe escultórico dos capitéis que decoram as colunas.

DSC08624 Outro edifício sobrevivente do Palácio del Buen Retiro é o denominado Salao de Reinos, a estância principal para as recepçoes e celebraçoes do monarca. O salao possuía  as melhores obras de arte do acervo real e seu nome se deve aos 24 escudos dos reinos que constituiam a Monarquia Espanhola na época de Felipe IV.

DSC08628Inicialmente, foi concebido como palco, onde os reis pudessem assistir os espetáculos e obras teatrais que se realizavam. Depois, foi agregado o caráter cerimonial, como Salao de Trono do rei. Com esta nova funçao, cumpria a missao de impressionar as embaixadas e demais membros das cortes européias. Por isso, sua decoraçao era a mais suntuosa de todo o palácio.

DSC08634DSC08636Depois que deixou de ser parte integrante do palácio, foi a sede do Museu do Exército, até que em 2010 foi trasladado ao Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido às constantes reformas realizadas após a Guerra da Independência, o Salao dos Reinos apresenta um aspecto bastante alterado. No entanto, estas duas edificaçoes nos dao uma idéia da magnificência e grandiosidade deste palácio que chegou a ser a “inveja da Europa”, e base do local que hoje conhecemos como o Parque do Retiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salao de Reinos encontra-se novamente em reformas, e sua nova funçao ainda é um mistério….

Igreja do Vicariato Castrense – Madrid

Durante o reinado de Felipe III (1599/1621), dois personagens corruptos e ambiciosos dominaram a vida política do reino: o Duque de Lerma e seu filho, o Duque de Uceda. O governo de D.Francisco Gómez de Sandoval, o Duque de Lerma, foi o mais imoral registrado na história  espanhola, contando com uma extrema aptidão para o suborno e os atos ilegais. A pessoa de caráter mais nobre na corte foi a rainha Margarita de Áustria, que tentou de todas formas combater a enorme corrupção existente, conseguindo, pelo menos, a destituição do odiado secretário do duque, D.Rodrigo Calderón, que gozava de uma enorme fortuna, acumulada graças aos constantes desvios do tesouro real. Felipe III foi convencido de que sua situação se tornaria insustentável, caso não abolisse os inúmeros casos de corrupção de seus ministros. Para salvar-se, o Duque de Lerma conseguiu o apoio catedralício, fundando diversos conventos na corte, com o objetivo de ganhar a simpatia das principais ordens religiosas. Porém, o duque não contava com a traição por parte de seu próprio filho, o Duque de Uceda, D. Cristóbal Gómez de Sandoval, para assumir o poder, algo que logrou finalmente em 1618. De imediato, construiu o magnífico palácio situado na Calle Mayor como residência pessoal (que vimos no recente post sobre a Calle Mayor). Para dissimular tamanha opulência, fundou o vizinho Convento das Bernardas do Sacramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu curto tempo no governo, entretanto, não lhe permitiu sequer iniciar a construção do templo. Com a morte de Felipe III em 1621, assume a regência seu filho, Felipe IV, cujo válido (uma espécie de primeiro ministro) seria o Conde Duque de Olivares. Este, para ganhar popularidade, começou uma intensa campanha de perseguição contra os ministros anteriores. Como consequência, ambos ministros, pai e filho, tiveram seus bens confiscados e condenados a pagar uma elevada soma em dinheiro. Menor sorte teve o secretário D.Rodrigo Calderón, que foi julgado e executado em plena Praça Maior. Por estes motivos, a construção da igreja iniciou-se somente em 1671, cujo projeto se deve ao arquiteto Bartolomé Hurtado, sendo finalizada em 1744. A fachada foi construída totalmente em pedra, com um relevo do séc. XVIII representando a Apoteose de São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja carece de torre, e seu único sino situa-se na parte superior da fachada. No interior, o templo possui uma iluminação maravilhosa, e sua decoração coube aos irmãos González Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo coro alto, vemos os tubos do órgão e sobre ele, um quadro de São João Batista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de permanecer num deplorável estado de abandono, a igreja foi restaurada com muito critério, quando o arçobispado de Madrid cedeu o templo às forças armadas, para que se convertesse na atual Igreja Vicariato Castrense. Abaixo, vemos imagens de sua preciosa cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior neoclássico, realizado por Gregório Ferro no séc. XVIII, representa a Adoração da Eucaristia por São Bernardo e São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários outros retábulos decoram o interior, como o também neoclássico que representa o Arçobispo de Lima (Peru), Santo Toribio de Mogrobejo. Este santo originário da Cantábria é raramente representado. Aqui o vemos evangelizando os indígenas peruanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola madrilenha do séc. XVIII, contemplamos um retábulo com a escultura de São Bernardo. Em sua parte superior, um soberbo quadro da Sagrada Família, realizado por Lucas Jordán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um retábulo dedicado à Piedade, com uma linda escultura do séc. XVIII, de autoria de Luis Salvador Carmona, um dos mais ativos e importantes escultores da época. A Igreja Castrense das Forças Armadas foi catalogada como Monumento Nacional em 1982.

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