As Corridas de Touros

Depois de publicar matérias sobre os personagens principais de uma tourada, o touro e o toureiro, no post de hoje comentaremos sobre o espetáculo em si, sua organização e demais participantes. A Tourada ou Corrida de Touros é um dos espetáculos taurinos existentes, um evento que consiste em “lidiar” touros bravos, a pé ou a cavalo, num recinto fechado construído para tal finalidade, a Plaza de Toros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo espetáculo moderno realizado à pé, suas normas foram fixadas no século XVIII na Espanha, sendo que a tourada finaliza com a morte do touro. Também é praticada, devido a influência espanhola, em países sul-americanos como México, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Na Europa, além da Espanha, se realizam touradas em Portugal (onde geralmente não se mata o touro) e no sul da França, com  destaque para  a cidade de Arles, onde se organizam touradas no antigo anfiteatro romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Corridas de Touros se classificam segundo a idade dos touros em “Becerradas“, “Novilladas” e as touradas propriamente ditas. Durante o espetáculo participam diversas pessoas com incumbências definidas, que seguem um rígido protocolo tradicional. O Toureiro é também conhecido como diestro, matador ou espada, e realiza a parte principal da tourada matando o touro com seu “estoque“. Geralmente, num evento taurino se “lidiam” 6 touros (quase sempre da mesma ganadería) por parte de 3 matadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma tourada é gerenciada pelo Presidente, geralmente um representante municipal e nomeado pela máxima autoridade civil da província onde se realiza o espetáculo. Conta com assessores que normalmente são um toureiro já retirado e uma pessoa do setor veterinário, também aposentado. Sua função principal é velar pelo regulamento da tourada em todos seus aspectos e manter a ordem dentro do recinto. Ordena o início da tourada e a mudança de tercios (como se conhecem as três partes que compõem uma tourada e que veremos no próximo post), além de conceder prêmios para os matadores (orelha e/ou rabo). Para tanto, conta com um jogo de lenços de cores variadas, através dos quais indica ao público as decisões pertinentes no decorrer da tourada. O público pode expressar aceitação ou desacordo com as decisões que foram tomadas através de palmas e vaias, respectivamente. Para dar início ao espetáculo, o presidente mostra um lenço branco, e começa o desfile de todos os participantes da corrida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas que prestam auxílio ao toureiro matador são conhecidas como subalternos, e o conjunto do toureiro com os subalternos se chama quadrilla. Está composta por pessoas que atuam em determinados momentos da tourada, como os “Picadores“, que montados num cavalo, utilizam uma vara longa com uma parte metálica na ponta denominada “Puya“. Seu objetivo é castigar o touro, provar sua bravura e detectar as características do animal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs denominados “Banderilleros” atuam no segundo tercio de uma tourada. Utilizam as “banderillas“, um pau cilíndrico feito de madeira com 70 cm de comprimento e decorados com papéis coloridos. Na ponta se coloca uma espécie de arpão para ser cravado na pele do touro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa terceira e definitiva parte de uma tourada, o toureiro matador é auxiliado pelo “Mozo de Espadas“, que colabora diretamente com o toureiro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Calatayud – Comunidade de Aragón

Calatayud é, tanto no plano histórico quanto no econômico, uma das principais cidades da Comunidade de Aragón. Situada na Província de Zaragoza, dista aproximadamente 90 km da capital aragonesa, estando comunicada pelos trens de alta velocidade que unem Madrid e Barcelona. Sem contar as chamadas capitais de província da comunidade (Zaragoza, Teruel e Huesca), Calatayud é a única cidade que conta com mais de 20 mil habitantes (21 mil, no senso realizado em 2014).

20150813_092026Sua localização na confluência dos rios Jiloca, Jalón e Ribota condicionou sua longa história, representando um lugar de passagem entre as principais rotas que comunicavam o Vale do Rio Ebro e a zona central do país. Abaixo, vemos o Rio Jalón, que atravessa a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs primeiros habitantes da cidade, os celtíberos, se assentaram a 4 km da atual cidade de Calatayud, num povoado denominado Bílbilis, que foi posteriormente conquistada pelos romanos, transformando-se numa importante cidade. Até hoje, os nascidos em Calatayud são chamados de bilbilitanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, Calatayud “aparece no mapa” com a chegada dos árabes em 716, quando foi construído o Castelo de Qual at Ayub, que deu o nome à cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XI, Calatayud transformou-se numa das maiores cidades da Taifa de Zaragoza. Foi reconquistada em 1120 pelo rei Alfonso I “El Batallador”, quando então recebeu o foro. Desde 2006 celebram-se as festas chamadas “Las Alfonsadas“, quando a cidade volta a ter um aspecto medieval, recriando os acontecimentos que sucederam durante o processo da reconquista. A necessidade de repovoamento do território depois de reconquistada fez com que o foro da cidade fosse respeitoso com as minorias. A partir de então, passaram a conviver junto com os cristãos, os judeus e os mouros. Abaixo, vemos o atual aspecto da antiga Judería da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença judaica em Calatayud foi simultânea com a dominação islâmica. Se assentaram principalmente na parte alta, próximo às fortalezas da cidade, criando ruas sinuosas e estreitas. Como Aljama, isto é, como bairro judeu, se constituiu no séc. XII. No final do séc. XIII, a população judaica estava formada por quase 200 famílias, uns 900 habitantes aproximadamente (um número significativo na Idade Média), convertendo a Judería de Calatayud na mais importante de Aragón, depois da comunidade judaica de Zaragoza. Os judeus permaneceram na cidade até o edito de expulsão promulgado pelo Reis Católicos em 1492. Os que não se converteram foram obrigados a emigrar a outros países. Já os judeus conversos permaneceram na cidade, mantendo seus ritos, crenças e tradições na clandestinidade. Em Calatayud, como em grande parte das cidades que chegaram a possuir importantes bairros, os judeus desenvolveram uma importante atividade comercial, artesanal e científica, neste caso principalmente relacionada com a medicina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs mouros habitaram um bairro próprio, a Morería, até que foram expulsos em 1610. Abaixo, vemos uma foto da antiga morería, reconhecível pelo nome da rua com um desenho da lua em quarto crescente, símbolo do islã.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA convivência entre estas três culturas produziu uma das artes mais originais do continente europeu, embora seja exclusivamente espanhola, o Mudéjar. Em Aragón, este estilo adquiriu características próprias, que lhe valeram o reconhecimento da Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2001. Calatayud é, junto com Zaragoza, Teruel e Daroca, uma das capitais do mudéjar aragonês, e algumas das igrejas da cidade formam parte da lista de monumentos mudéjares da comunidade que foram protegidos pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACalatayud ostenta o título de cidade desde 1366. O principal ponto de encontro de seus habitantes é a medieval Plaza de España, que originalmente era o local onde se realizava o mercado.

20150813_101406Nela também se realizavam corridas de touros, como sucedeu com a maioria das praças maiores do país. A maior parte das casas que vemos atualmente foram construídas nos séc. XVII e XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal edifício da praça é a Casa Consistorial, sede da Prefeitura de Calatayud, uma construção renascentista do séc. XVI e reformada no XIX.

20150813_101418 Calatayud faz parte do Caminho de El Cid, que vimos recentemente no blog. Nos próximos posts veremos com mais profundidade a história dos principais monumentos desta bela e importante cidade aragonesa.

Praça de Touros de Aranjuez – Parte 2

Devido a sua importância histórica e seu excelente estado de conservaçao, a Praça de Touros de Aranjuez recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico. Para conhecer a fundo sua história e poder apreciar suas distintas dependências, sao realizadas visitas guiadas ao seu interior, bastante recomendáveis. Nela, vislumbramos aspectos que nos permitem aprofundar no mundo taurino. Sao introduzidas nomenclaturas próprias da Arte de Tourear, como o termo Ruedo, denominaçao da superfície circular e arenosa onde  ocorrem as corridas de touros. O Ruedo da Praça de Aranjuez é um dos maiores do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Toriles sao as portas de entrada dos touros na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor do Ruedo, podemos observar lugares onde permanecem os diversos participantes que compoem uma Corrida de Touros, como os Picaderos e os Banderilleros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASao  chamados de Picadores os encarregados de “preparar” o touro para a última etapa de uma corrida, denominada de Tercio de Muleta. A Muleta é o nome que recebe o pano vermelho que o toureiro utiliza para realizar suas manobras diante do touro. Os Picadores normalmente investem sobre o touro com um cavalo e uma lança chamada Puya. Com várias estocadas, picar o touro significa debilitá-lo antes da entrada do toureiro matador. Os Banderilleros sao os toureiros que no segundo terço de uma corrida introduzem no animal pequenas lanças (70 a 78cm de comprimento), recobertas de adornos (papel picado) chamadas Banderillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, nos espetáculos taurinos, 6 sao os touros que entram no Ruedo. Das fazendas de criaçao, sao transportados até a praça, entrando por este portao que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs touros permanecem encerrados nos chamados chiqueros, antes de entrar nos toriles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos as cordas que sao puxadas para a abertura das portas de saída dos touros do chiquero. Abaixo, vemos a dependência situada na parte superior do chiquero, perfeitamente conservada com sua arquitetura de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma pequena capela onde os toureiros realizam suas oraçoes, antes do começo do espetáculo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da Praça de Touros podemos conhecer um Museu Taurino, onde sao expostos trajes de toureiros famosos, cartéis publicitários de corridas de várias épocas, utensílos utilizados nas corridas, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Aranjuez transformou-se em cenário para vários filmes realizados, como “Fale com Ela”, produçao de 2002 realizada por Pedro Almodóvar e “Blancanieves”, dirigida por Pablo Berger em 2012. Finalizamos o post com uma foto antiga, das muitas que podem ser vistas no Museu Taurino de Aranjuez, esta cidade repleta de atraçoes e cuja visita é obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Belas Praças de Espanha – Parte 3

Além das funções originais como mercado e da localização de edifícios públicos, as Praças Maiores também foram os locais preferidos para solenidades e festividades, algumas das quais felizmente já não existem, como os autos de fé praticados pelo Tribunal da Inquisição (principalmente no que se refere à sua parte solene, pois os réus eram executados em locais mais discretos) e execuções públicas de caráter civil. Muitas vezes, tornaram-se o centro de manifestações sociais. No entanto, dentre os espetáculos realizados em seu entorno, o mais praticado, sem dúvida alguma, foram as corridas de touros. Muitas praças foram expressamente construídas para este fim, como no caso de Tudela (Navarra).

DSC01417DSC01416A partir do séc. XIX, começaram a ser edificadas Praças de Touros permanentes, abandonando-se o costume de realizá-las na Praça Maior. Porém, em alguns locais, o costume ainda permanece, como no caso de Chinchón, pueblo situado na Comunidade de Madrid. Nos dias festivos, ainda são realizados corridas de touros em sua Praça Maior, consideradas uma das mais belas e pitorescas do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Praças Maiores são locais acolhedores e cheios de vida, e ponto de encontro da vida social. Algumas delas são autênticos monumentos, grandiosas e magníficas, como a Praça Maior de Salamanca e a de Madrid. Outras possuem elementos tradicionais de caráter popular, que a distinguem das demais, como no caso de Chinchón. Um outro exemplo de arquitetura tradicional vemos na Praça Maior de Puerto Lápice (Castilla-La Mancha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então como Tembleque, povoado situado próximo à Puerto Lápice.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor suas características que lhe proporcionam amplas perspectivas e por ser um lugar muito frequentado, a Praça Maior é o local perfeito para a colocação de estátuas e monumentos, que rendem homenagem a personalidades ilustres e acontecimentos fundamentais da história. Abaixo, vemos novamente a Praça Maior de Madrid, presidida pela monumental estátua equestre de Felipe III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, já consideradas como locais de encontro e ócio, foram colocados bancos para o descanso e quiosques para representações musicais. Atualmente, é o local escolhido por uma grande variedade de artistas e cenário de uma grande agenda cultural. Abaixo, vemos a Praça Maior de Toro (Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das mais belas Praças de Espanha conservam seu caráter medieval, tema do nosso próximo post…