Touros: Críticas e Controvérsias

Neste último post sobre esta extensa série sobre o mundo dos touros na Espanha veremos que mesmo no país as críticas e em relação às touradas sempre estiveram presentes em vários momentos históricos, apesar da grande popularidade da prática taurina, gerando controvérsias no âmbito da sociedade espanhola. Antes, porém, gostaria de mencionar algumas expressões coloquiais utilizadas no cotidiano e seu significado e que se originaram da tauromaquia. Por exemplo:

– “Cada toro tiene su lidia“: significa que cada pessoa ou situação é distinta das demais e requer um tratamento diferenciado

-“Coger el toro por los cuernos“: enfrentar de forma decidida a um problema, resolvendo-o de uma vez por todas.

-“Quedar para el arrastre“: quando uma pessoa encontra-se esgotada fisicamente.

-“Darle cornadas al viento“: realizar atos ou emitir frases ou palavras totalmente inúteis, ineficazes ou banais.

-“El toro de cinco y el torero de veinticinco“: contundente expressao destinada a estabelecer que cada coisa deve ser realizada no momento adequado.

20151218_085226As primeiras proibições documentadas das touradas na Espanha partiram da Igreja Católica no século XVI, quando em 1567 o Papa Pio V decretou que os participantes e espectadores de uma tourada seriam excomungados. Em 1575, ante a reação das autoridades espanholas, o Papa Gregório XIII se viu obrigado a moderar o decreto, excluindo da excomunhão aos laicos e reservando a pena somente aos religiosos e sacerdotes. Enquanto os monarcas da Dinastia dos Habsburgos eram adeptos das corridas de touros, os reis da Dinastia Bourbônica desprezavam os espetáculos por considerarem indignos, pelo qual Felipe V proibiu em 1723 sua realização. Já o Rei Fernando VI apenas consentiu a prática das touradas em troca que seus ingressos fossem destinados a obras de caridade, como a construção de hospitais. Em 1771, Carlos III proibiu novamente as touradas. Posteriormente, diversas propostas antitaurinas foram abolidas, por serem consideradas antipopulares.

20170528_191642 No século XX, a era dourada das touradas na Espanha, durante o governo de Franco e mais tarde no período democrático, era possível assistir touradas ao vivo pela TV. Em 2006, a RTVE (Radio e TV Espanhola) proibiu a emissão de touradas ao vivo em horários considerados de proteção para a infância (entre 17 e 20hs). No entanto, algumas cadeias autônomas permanecem realizando transmissões ao vivo de touradas de forma regular, como o canal de TV de Castilla La Mancha. A maior parte das transmissões, no entanto, é realizada pelo canal pago “canal + toros”. Atualmente proibida em muitos países, em 2004 a cidade de Barcelona declarou-se antitaurina, depois de uma petição popular  e em 2010 o Parlamento da Catalunha proibiu as corridas de touros em toda a comunidade. Numa pesquisa realizada no começo do século XXI, 31% dos espanhóis se mostraram interessados em relação às touradas, enquanto 69% eram indiferentes. O perfil das pessoas que acompanham as touradas na Espanha é predominantemente masculino, dentro de uma faixa etária superior aos 45 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInvariavelmente, as reações às touradas variam da repulsa à fascinação que provocam, e atualmente muitos são os estrangeiros que presenciam as touradas, utilizadas como propaganda turística. É verdade que quase todos os toureiros são corneados ao menos uma vez por temporada. O toureiro Juan Belmonte foi corneado mais de 50 vezes em sua carreira profissional. Desde 1700, 42 toureiros perderam sua vida na arena, sem contar picadores e banderilleros. Por outro lado, mais de 3 mil touros morrem anualmente nas temporadas taurinas. Um dos espetáculos taurinos que mais controvérsias suscitam atualmente é o chamado “Toro de la Vega“, realizado na cidade de Tordesillas (Tordesilhas, em português, a mesma do famoso tratado assinado por Portugal e Espanha em 1494). Esta festividade foi mencionada por primeira vez em 1534 e realiza-se anualmente no mês de setembro dentro das celebrações em honra à padroeira da localidade, N.Sra de la Peña. Abaixo, vemos uma foto da cidade de Tordesillas

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste tipo de espetáculo taurino, os touros partem da Plaza Mayor da cidade, sendo conduzido pelos habitantes locais atravessando a ponte sobre o Rio Duero (que vemos na foto acima) até os campos, onde se realiza uma caça e perseguição aos animais. Caso os touros consigam escapar das investidas, recebem o indulto, isto é, sua vida é perdoada, algo que normalmente não sucede. No século XXI, o “Toro de la Vega” adquiriu um grande protagonismo nos meios de comunicação e junto às associações de proteção aos animais, que denunciaram o cruel sofrimento a que sao submetidos. Em 2016, se proibiu a morte dos touros durante os festejos. Abaixo, vemos um monumento em homenagem ao “Toro de la Vega“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQual o futuro das touradas e dos espetáculos taurinos na Espanha ? As próximas gerações permanecerao fiéis à tradição ou a maioria de seus habitantes serão partidários em abolir este tradicional costume espanhol ?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é uma pergunta difícil de responder e somente o tempo dirá qual será o comportamento dos espanhóis e a futura realidade dos espetáculos taurinos. Se atualmente as touradas não gozam do mesmo prestígio que teve em épocas passadas, ainda podemos considerar a Espanha como o País dos Touros

20190312_140058

 

O Encierro de Pamplona

Um dos espetáculos taurinos mais conhecidos dentro e fora da Espanha, o Encierro de Pamplona é uma das festas mais populares do país, reconhecida como de Interesse Turístico Internacional. Os chamados Encierros constituem uma festa em que os touros correm pelas ruas das cidades e dos povoados do país, acompanhados por uma multidão de corajosos e, muitas vezes, inconsequentes cidadãos. Normalmente, finalizam o trajeto dentro da praça de touros da localidade. Abaixo, vemos uma foto antiga de um encierro realizado num povoado da Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Encierro de Pamplona, capital e maior cidade da Comunidade de Navarra, realiza-se dentro do conjunto de festividades em honra ao padroeiro de Navarra, San Fermín, motivo pelo qual são também denominados Sanfermines. As festas começam com o lançamento de um pequeno foguete chamado chupinazo, que se organiza desde o balcão do edifício sede da Prefeitura de Navarra, às 12:00hs do dia 6 de julho. A multidão que se concentra na praça situada em frente ao Ayuntamiento aguarda ansiosa e com muito ruído o começo da festa. Abaixo, vemos o belo edifício do Ayuntamiento de Pamplona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO encierro propriamente dito realiza-se pelas ruas do centro histórico da cidade, num trajeto de 849m, e os touros e os milhares de acompanhantes finalizam o percurso na Plaza de Toros de Pamplona, onde depois se organiza uma corrida de touros com os animais que participaram do encierro. Apesar de ser um espetáculo antigo, sua fama mundial é recente, divulgada ao mundo graças ao escritor americano Ernest Hemingway depois do lançamento de seu primeiro  livro de importância em 1926, intitulado “Fiesta” em espanhol e “The Sun Also Rises“, no original em inglês. Abaixo, vemos um monumento em Pamplona que homenageia o esperado acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem é medieval, estando relacionada com três fatos, os atos religiosos em honra a San Fermín, realizados antes do século XII, as feiras comerciais e as touradas, documentadas em Pamplona desde o século XIV. Na Idade Média, os pastores navarros traziam os touros dos campos até a Plaza Mayor de Pamplona, que servia de coso taurino, ao não existir então um local apropriado para as touradas. Na noite anterior à tourada, acampavam próximo à cidade e, ao amanhecer, os touros eram levados e acompanhados por gente que montados a cavalo ou à pé, ajudavam a que os animais fossem colocados nos currais (foto abaixo de Jim Hollander).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XIX, as pessoas começaram a correr dos touros pela parte dianteira, ao invés de atrás, como habitualmente se realizava antes, transformando-se num costume popular. Antigamente a tradição se chamava “Entrada” e em 1856 passou a denominar-se “Encierro“. Durante a festa, a população da cidade, de aproximadamente 200 mil habitantes, se multiplica por 5 com a chegada de turistas estrangeiros. Muitos deles, depois de criar coragem com uma boa quantidade de cerveja, decidem correr junto aos touros, e os acidentes são inevitáveis…(foto de Jim Hollander).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde que existem registros oficiais, a partir de 1924, se contabilizam o falecimento de 15 pessoas no Encierro de Pamplona. Os touros realizam o trajeto em cerca de 4 minutos aproximadamente, estando proibido maltratar o touro durante o percurso, como puxar o rabo, subir em cima dele, etc. Os 6 touros participantes são acompanhados por outros 6 animais mansos que servem de guias para os demais e também para tranquilizar os touros bravos (foto abaixo de Jim Hollander).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo filme “Dia e Noite“, de 2010, protagonizado por Tom Cruise e Cameron Díaz, aparecem cenas do Encierro de Pamplona, mas que foram filmados em Sevilha (???)….No dia 14 de julho, às 24:00hs, realiza-se o encerramento das festividades. No Youtube existe uma grande quantidade de vídeos das Festas de San Fermín de Pamplona. Escolhi um para que possam ver a inauguração da festa…

Toureiros famosos da Espanha

No post de hoje, e no próximo, veremos alguns dos toureiros mais famosos da Espanha. Muitos deles fizeram parte de famílias que constituíram verdadeiras dinastias taurinas, caso de Pedro Romero (1754/1839), membro de uma ilustre família de toureiros, iniciada com seu avô Francisco Romero (1700/1763). Nascidos em Ronda, cidade considerada o berço da moderna arte de torear, suas inovações, como o uso do estoque para matar o animal inaugurada por Francisco, foram fundamentais para a história da tauromaquia. Em 1795, Pedro Romero inaugurou a Plaza de Toros de Ronda, uma das praças históricas do país. Para muitos estudiosos trata-se do toureiro mais completo de todos. É provável que em sua vida tenha matado a mais de 5 mil touros, e nunca foi ferido numa tourada. Faleceu em 1839, com a idade de 84 anos. Abaixo, vemos um quadro de Pedro Romero exposto no Museu Taurino da Plaza de Toros de Ronda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos espetáculos taurinos mais vistosos que ainda existem são as chamadas “Corridas Goyescas“, em que os participantes utilizam trajes que foram retratados nos gravados do grande pintor Francisco de Goya. Este tipo de vestimenta surgiu em Madrid no século XVIII e foi utilizado pela burguesia até o século XIX, quando então seu uso se propagou ao resto da Espanha. A primeira “Corrida Goyesca” celebrou-se na Plaza de Toros de Murcia em 1929, para comemorar o centenário da morte do genial artista aragonês. Especialmente famosa é a realizada em Ronda, sendo que a primeira foi organizada em 1954, para comemorar o segundo centenário de nascimento de Pedro Romero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos toureiros mais famosos da Espanha tiveram um trágico destino em plena praça de touros, fato que colaborou para perpetuar a fama conquistada na arena. Este é o caso de José Gómez Ortega (1895/1920), mais conhecido como “Joselito“. Também representante de uma família dedicada ao mundo dos touros, é considerado um dos maiores toureiros da Espanha. Travou junto com o toureiro Juan Belmonte (1892/1962) uma rivalidade histórica no começo do século XX, a época dourada das touradas. Abaixo vemos a “Joselito” toureando na Plaza de Toros de Madrid (imagem tirada pelo fotógrafo Alfonso Sánchez Portela em 1914).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo auge de sua trepidante carreira, e com apenas 25 anos,  “Joselito” foi morto na Plaza de Toros de Talavera de la Reina pelo touro “Bailaor” em 1920. A cada 16 de maio, dia de sua morte, ainda hoje se guarda um minuto de silêncio nas praças de touros de todo o país. Abaixo, vemos a “Joselito” na Praça de Touros de Sevilha (foto de Serrano).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX destaca, entre outros, a figura de Manuel Rodríguez Sánchez (1917/1947), conhecido como “Manolete“. Nasceu em Córdoba em 1917, sendo considerado um dos mais legendários e elegantes toureiros do país. Contribuiu de forma decisiva para o embelezamento das touradas ao incluir movimentos em que era capaz de manter-se praticamente imóvel quando o touro passava perto de seu corpo, realizando uma série de passos consecutivos. Abaixo, vemos uma estátua dedicada ao toureiro no Museu Taurino de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAManolete faleceu na Plaza de Toros de Linares (município situado na Província de Jaén, Andalucía) em 1947, numa corrida de touros que contou com a participação de outro grande matador, Luis Miguel “Dominguín”, quando sofreu uma grave lesão na artéria femural provocada pelo touro “Islero“. Apesar das várias transfusões de sangue recebida, o toureiro não resistiu. Atualmente, uma das teorias a respeito de sua morte diz que o toureiro faleceu devido à aplicação de uma transfusão incompatível com seu organismo. Em 1956, se inaugurou em Córdoba um monumento em sua homenagem, esculpido pelo artista Manuel Álvarez Laviada. Para  financiar sua execução, se realizou uma tourada, que arrecadou 800 mil pesetas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua morte provocou uma intensa comoção em todo o país. O General Franco decretou luto oficial de três dias, e Manolete  transformou-se num grande símbolo do pós guerra na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAManolete se apresentou em inúmeras Praças de Touros da Espanha, mas foi na Praça Monumental da Cidade do México onde obteve seus maiores êxitos. Abaixo, vemos o cartaz da fatídica corrida de toros na Plaza de Toros de Linares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Plazas de Toros de Madrid

Madrid é a capital mundial das touradas, e a Plaza de Toros de Las Ventas é considerada a mais importante do mundo (matéria publicada em 21/5/2012). Esta foi a terceira Plaza de Toros permanente que teve Madrid, e no post de hoje veremos as antigas Plazas de Toros que existiram na capital espanhola, além de imagens da atual Plaza de Toros de Las Ventas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente, as Plazas de Toros foram construídas em madeira e eram desmontáveis. Não se sabe com certeza onde esteve localizada a primeira Praça de Touros de Madrid. Segundo alguns autores, foi projetada pelo renomado arquiteto espanhol Pedro de Ribera em 1737, cuja enorme contribuição para o urbanismo da capital espanhola foi o tema de dois posts publicados em 23 e 24/6/2015. Esta primeira Praça de Touros tinha um caráter provisório e estava situada junto ao Rio Manzanares. Possuía uma capacidade para receber 11 mil espectadores e foi a base construtiva para as demais Praças de Touros de formato circular. Foi utilizada apenas durante 12 anos, já que em 1749, com o apoio do Rei Fernando VI, se construiu a primeira praça estável de Madrid,  situada junto à emblemática Porta de Alcalá, como vemos abaixo na imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça carecia de qualquer interesse arquitetônico, pois sua construção foi puramente funcional. Se manteve em atividade até 1874, quando as corridas de touros foram levadas a uma nova Praça de Touros. Foi derrubada dentro do processo de ampliação urbana da cidade e da construção do novo Bairro de Salamanca. A seguir vemos uma maquete da Praça de Touros da Porta de Alcalá, que podemos ver no Museu de História de Madrid, e uma placa comemorativa em sua localização original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA segunda Plaza de Toros permanente de Madrid chamava-se “Plaza de Toros de la Fuente del Berro“, e se encontrava no espaço atualmente ocupado pelo Palácio de Deportes da Comunidade de Madrid, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta nova praça tinha capacidade para acolher a 13 mil espectadores e inaugurou o estilo neomudéjar para as Praças de Touros. O denominado estilo mudéjar desenvolveu-se entre os séculos XII e XVI, e se considera um estilo artístico autóctono e exclusivo do país. Foi utilizado nos edifícios religiosos (igrejas), na arquitetura civil (palácios) e também militar (muralhas). Suas construções utilizavam o tijolo como elemento construtivo e decorativo, incorporando características da arquitetura muçulmana, como o denominado Arco de Ferradura. A partir do século XIX, dentro do processo histórico da arquitetura, se realizou uma interpretação deste estilo (neomudéjar), originando diversas construções que ainda podemos admirar pela Espanha, como em muitas das praças de touros ainda existentes. Abaixo, vemos uma foto desta segunda praça permanente que teve Madrid, construída em 1874.

DSC07969A última tourada realizada nesta praça ocorreu em 1934. Com o grande aumento populacional verificado na primeira metade do século XX, surgiu a necessidade de se construir uma nova e maior Plaza de Toros, a atual Plaza de Toros de Las Ventas.

20190130_084854Esta praça, a mais importante e de maior prestígio do mundo, recebeu este nome por estar situada no Bairro de “Las Ventas del Espíritu Santo“. Com capacidade para acolher a 23 mil espectadores, é a maior de toda a Espanha, e nela atuaram e continuam apresentando-se os toureiros mais famosos do país. Apesar disso, a maior de todo o mundo é a Plaza de Toros Monumental da Cidade do México, com capacidade para 41 mil espectadores, construída em 1946. Abaixo, vemos uma foto do interior da Plaza de Las Ventas, com destaque para o Palco Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi projetada no estilo neomudéjar pelo arquiteto José Espeliú e finalizada por Manuel Muñoz Monasterio, depois do falecimento do primeiro arquiteto em 1928. Abaixo, vemos uma foto antiga tirada logo depois de finalizadas as obras, em 1929.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido à falta de infraestrutura urbana desta parte da cidade, a primeira corrida de touros foi realizada em 1931, mas a praça somente foi oficialmente inaugurada em 1934.

IMG_3450No exterior da Plaza de Las Ventas vemos diversas esculturas que homenageiam toureiros famosos, como o toureiro francês de origem espanhol José Cubero Sánchez (1964/1985), conhecido como “El Yiyo“. Com apenas 21 anos, e no auge de sua carreira e popularidade, foi morto por um touro na Plaza de Toros de Colmenar Viejo, um município da Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Plazas de Toros de España

Neste novo post sobre o mundo dos touros, veremos algumas das Plazas de Toros mais importantes do país, além de outras existentes nos povoados espanhóis, que caracterizam-se pelo tamanho reduzido e simplicidade construtiva, além de algumas de suas plazas históricas. Esta matéria será dividida em vários posts, devido a quantidade de locais que gostaria de publicar. As Plazas de Toros (original em espanhol) foram construídas a partir do século XVIII para acolher festividades taurinas como as corridas de touros ou touradas. Apesar disso, atualmente servem também como local para eventos diversos, como concertos musicais, como vemos na foto abaixo, em que aparece a Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid como o local escolhido para a realização de uma feira.

20160611_164219Em 1961, a Plaza de Toros de Toledo foi palco para uma apresentação dos Harlem Globetrotters

20190117_122335Segundo informaçao que obtive na internet, existem 1727 plazas de toros espalhadas pelo país. Mesmo nos pequenos povoados vemos praças nas quais os habitantes podem presenciar festejos taurinos, como a Plaza de Toros de Fuentidueña del Tajo (conhecida como “La Ribereña“), um povoado situado na Comunidade de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs plazas de toros estão classificadas em diversas categorias, dependendo do tamanho, antiguidade, tradição taurina e o número de festividades anuais que acolhe. As mais importantes do país receberam a distinção de plazas de primeira categoria. Abaixo, vemos a Plaza de Toros de Navalcarnero (Comunidade de Madrid), inaugurada em 2006. Possui capacidade para 7500 espectadores e é considerada de terceira categoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMorella, um belíssimo povoado da Comunidade Valenciana, possui uma praça de mais de 100 anos. Integra o patrimônio histórico do povoado, mas sua arena é pequena e  não preenche o requisito básico de ter, como mínimo, 30 m de diâmetro.

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas praças de touros são verdadeiramente curiosas, como a de Brihuega, um povoado de Castilla La-Mancha, conhecida como “La Muralha“, pois foi construída com materiais construtivos similares ao da muralha medieval que a rodeia. Edificada em apenas 200 dias, é considerada a maior da Província de Guadalajara, com capacidade para receber 7 mil espectadores. Inaugurada em 1965, é uma praça de terceira categoria.

DSC08111DSC08271Para a construção de algumas praças foram utilizados materiais originários provenientes de edifícios históricos, caso da Plaza de Toros de Medina de Rioseco  (Castilla y León), na qual se utilizou pedras do antigo castelo da localidade. De formato poligonal com 10 lados, foi inaugurada em 1858 (capacidade para 5500 espectadores, de terceira categoria).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecida como “La Chata“, a Plaza de Toros de Albacete, cidade castelhana com grande tradição taurina, se destaca pela grande quantidade de touradas anuais que acolhe, mais que muitas praças de primeira categoria. Foi inaugurada em 1917 e sua construção segue o estilo neomudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Toledo (Castilla La-Mancha), famosa por seu impressionante patrimônio histórico-artístico, organizou uma tourada em 1566 para celebrar o nascimento da Infanta Clara Eugênia, filha do monarca Felipe II. Até 1865, as touradas eram realizadas na Plaza del Zocodover, a principal praça da cidade. Em 1866, se construiu a Plaza de Toros de Toledo, com capacidade para 8530 espectadores, sendo considerada de segunda categoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XIX, a Plaza de Toros de Valencia é um exemplo de praça de primeira categoria. Inaugurada em 1859, possui capacidade para 17 mil espectadores, sendo considerada uma das maiores da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo neoclássico e formato poligonal, sua construção foi inspirada na arquitetura civil romana, como os anfiteatros. Possui 384 arcos feitos de tijolo, o principal material construtivo do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça é visitável e possui um excelente Museu Taurino, inaugurado em 1929 e considerado um dos pioneiros no país, contando com um acervo de mais de 3 mil peças.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior da praça vemos um monumento em homenagem ao banderillero valenciano Manolo Montoliu, personagem muito querido pelos valencianos e que faleceu na Praça de Touros de Sevilha em 1992.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

As Corridas de Touros – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre as Corridas de Touros, veremos as partes que constituem o espetáculo taurino. Para tanto, contarei com fotos antigas que foram consideradas pioneiras do fotojornalismo na Espanha e que retratam um período de glória das touradas no país, além de outras fotos coloridas, realizadas por Jim Hollander.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de touros se dividem em três partes denominadas “Tercios“. Depois que o presidente da tourada mostra o lenço branco, ocorre o desfile dos participantes do espetáculo, como vimos no post anterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira parte denomina-se “Tercio de Varas“, e nela os “Picadores” entram no ruedo montados à cavalo, protegidos com roupas especiais que evitam episódios mortais com estes animais, algo que frequentemente ocorria no passado. Este costume passou a ser obrigatório a partir de 1928. Durante muito tempo, os “Picadores” eram considerados personagens de grande relevância numa tourada (foto abaixo de Hauser y Menet – 1900).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta primeira parte da tourada, os “Picadores” com uma vara longa debilitam a fortaleza física dos touros, sem causar-lhe um dano excessivo. (foto abaixo de Jean Laurent – 1880).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs “Picadores” iniciam sua retirada da arena depois que o presidente considera que o castigo recebido pelo touro foi suficiente. Começa, então, o segundo tercio com a entrada dos “Banderilleros“, portando umas lanças menores feitas de madeira chamadas “Banderillas” (foto abaixo de Ruiz Vernacci – 1910).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta parte é tão antiga quanto as próprias touradas, e já no final do século XVII se utilizavam as banderillas para castigar o touro. Nos dois primeiros tercios, os picadores e banderilleros recebem o veredito do público sobre suas atuações em forma de palmas, vaias ou o silêncio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última parte da tourada é formada pelo “Tercio de Muletas“, com a entrada do toureiro matador. Antes de sua estocada, o golpe mortal efetuado com sua espada, o toureiro realiza uma série de passes, como vemos na foto acima e abaixo (foto de Alfonso, na qual parece o famoso toureiro Juan Belmonte na Plaza de Toros de Madrid).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA qualidade de uma estocada é valorizada de acordo com alguns critérios: o local exato de inserção da espada, o ângulo que forma a espada com a coluna vertebral do animal e o grau em que a espada penetra na pele do touro. Se considera a “estocada perfeita” quando a espada forma um ângulo de 45 graus, e a morte do animal deve ser instantânea. Este momento crucial exige muita precisão por parte do toureiro. Abaixo vemos novamente a Juan Belmonte realizando uma estocada na Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid em 1934 (foto de Baldomero).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando o touro finalmente é arrastado da arena, chega o momento em que o público se manifesta sobre a atuação do toureiro, que pode variar muito, mas é sempre ruidosa. Caso a opinião geral seja unânime, o público lhe dedica uma grande ovação. Caso seja suficientemente intensa, o toureiro dá uma volta inteira na arena. Se o público considera uma atuação extraordinária, solicitará uma orelha ao toureiro e, em raras oportunidades, ambas orelhas. Abaixo, vemos um cartaz feito de azulejo na Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid, no qual aparecem o nome dos toureiros que foram congratulados com as duas orelhas desde a inauguração da praça em 1931, algo difícil de suceder.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando o touro demonstra uma bravura extraordinária, por uma petiçao do público ou do próprio toureiro, o animal recebe um indulto, isto é, sua vida é perdoada e o touro passa a ser utilizado como reprodutor. Este fato propicia um grande prestígio para a ganaderia na qual o touro foi criado. Finalizado o espetáculo, os grande triunfadores aguardam o prêmio mais cobiçado, saindo carregado pela multidão pela “Porta Grande” da Plaza de Toros (foto abaixo: Juan Belmonte na Plaza de Toros de Toledo em 1918, imagem de Baldomero).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A Praça de Touros

Hoje em dia, as touradas são realizadas normalmente nas Praças de Touros, um estádio especialmente construído para esta finalidade. Antigamente, porém, as touradas eram realizadas nas Plazas Mayores de cada cidade, como aconteceu com a Plaza Mayor de Madrid, que foi o placo de diversas corridas de touros ao longo de sua história.

DSC02000Abaixo, vemos um quadro realizado por um artista anônimo em 1679, que nos mostra uma tourada realizada na Plaza Mayor de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra Plaza Mayor famosa onde se celebravam touradas ( e em determinadas ocasiões continuam celebrando-se) é a Plaza Mayor de Chinchón, um pintoresco povoado da Comunidade de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAP5310018.JPGAs primeiras Praças de Touros da Espanha foram construídas a partir do século XVIII. Algumas ainda se conservam, como as de Ronda, Sevilha e Aranjuez, sendo notáveis as diferenças entre estas praças históricas e as modernas, que possuem cobertura retráteis e aperfeiçoadas tecnologias. Abaixo, vemos uma foto da Plaza de Toros de Ronda, uma das mais importantes do país.

20150923_114119Do ponto de vista normativo, os espetáculos taurinos podem ser realizados em Praças de Touros permanentes, portáteis (podem ser desmontadas e montadas em outros locais), além de outros recintos adequados, como as mencionadas Praças Maiores de cada povoado ou cidade. As praças permanentes se classificam tradicionalmente em três categorias, de acordo com o número de espetáculos que se realizam anualmente. As mais importantes, as de primeira categoria, constituem as praças situadas nas capitais das províncias espanholas que recebem mais de 15 espetáculos anuais. Abaixo, vemos a Praça de Touros de Málaga

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma Praça de Touros possui vários espaços indispensávies para que uma tourada possa ser realizada. O enfrentamento entre o touro e o toureiro é realizado numa arena circular denominado ruedo, cujo diâmetro deve oscilar entre 30 e 45 metros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Chiquero” é o local onde permanecem os touros antes de sua entrada na arena…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma Praça de Touros possui várias portas com funções específicas. A chamada “Porta  de Torriles” é aquela pela qual o touro entra na arena…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA “Porta de Arrastre” é aquela pela qual sai o touro morto da arena. A denominada “Porta Grande” é a porta principal da praça, pela qual em certas ocasiões sai o toureiro triunfante carregado pela multidão. Abaixo, vemos a “Porta Grande ” da Plaza de Toros de Las Ventas, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodas as praças possuem um local chamado “Burladeros“, feitos de madeira e situados em vários pontos da arena, cuja função é servir de refúgio. Suas reduzidas dimensões tornam impossível a entrada dos touros neste lugar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs praças mais importantes do país possuem um local exclusivo para a Família Real, o denominado “Palco Real“, como vemos a seguir, situado na Plaza de Toros de Las Ventas

DSC00288Outro lugar importante de uma praça de touros é a capela, onde os toureiros pedem proteção divina antes de entrar no ruedo…

20150923_113943Pela legislação atual, as praças de touros devem obrigatoriamente possuir uma enfermaria, com equipamentos adequados para salvar a vida de um toureiro, no caso de ferimentos graves. Historicamente, nem sempre o regulamento foi cumprido, e muitos foram os toureiros que faleceram porque a enfermaria não preenchia os requisitos necessários. A seguir, uma foto externa da enfermaria da Plaza de Toros de Valencia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs principais praças de touros do país possuem também um Museu Taurino, onde são expostos objetos, retratos de toureiros famosos que participaram em touradas no local, sua história, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA