Praça de San Sebastián – Antequera

Até o séc. XVI, Antequera viveu enclausurada dentro dos limites das muralhas que cercavam a parte alta da cidade. A partir de então, a explosão demográfica e sua consequente ampliação urbana fez com que surgissem novos espaços, originando a parte baixa de Antequera. Um dos mais importantes é a Praça de San Sebastián, um local que se destaca pela beleza das construções que a rodeiam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça está presidida pela Real Colegiata de San Sebastián, cuja construção iniciou-se a partir de 1530, obra do arquiteto Pedro López. Vindo de Salamanca, o arquiteto Diego de Vergara realizou a fachada plateresca em 1548. Nela vemos as esculturas de São Sebastião, São Pedro e São Paulo. Na parte superior, as armas do Imperador Carlos I e, no centro, a figura de Hércules menino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA imponente torre da igreja foi levantada no período barroco. No final do séc. XVII se construiu a base e no século seguinte se realizaram os 3 corpos superiores, feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte mais alta da torre foi colocada uma figura bastante popular em Antequera, o “Angelote“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. XVII, a titularidade de Colegiata, anteriormente pertencente a Santa María La Mayor, que vimos no último post, foi trazida para esta igreja, que foi ampliada. Esta mudança ocorreu pois queriam transformar a cidade em sede episcopal, e a Colegiata em Catedral, algo que não acabou sucedendo. No interior da igreja podemos ver lindas obras de arte, que abarcam o período que vai do séc. XV ao XIX. No presbitério, por exemplo, foi colocado um tabernáculo de madeira dourada realizado entre 1609 e 1616, construído inicialmente para a Colegiata de Santa María. Foi trazido desta igreja para decorar o presbitério de San Sebastián, depois da destruição do seu retábulo maior, devido a uma explosão ocorrida em 1690. No centro, vemos a imagem de Santa Maria da Assunção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos pés da nave central situa-se o coro barroco….

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto do coro, vemos um belíssimo órgão. A caixa que o envolve data de 1734, mas o instrumento foi substituído em 1802.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro (trascoro), o destaque fica por conta de algumas das imagens mais veneradas pela população antequerana, realmente comovedoras. De finais do séc. XVIII, foram realizadas por Andrés de Carvajal. A seguir, vemos as imagens de Madalena Penitente e a de Cristo pegando as vestimentas, logo após sua flagelação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à Colegiata de San Sebastián, uma fonte renascentista realizada em 1545 decora a praça. É considerada uma das mais belas fontes deste estilo de toda a Andalucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtrás da fonte, podemos ver o Arco dos Nazaríes, construído em 1671. No começo dos anos 60 do século passado, seu estado ruinoso ameaçava derrubá-lo, quando foi desmontado e novamente reconstruído pelo arquiteto Francisco Pons-Sorolla, neto do famoso pintor Joaquín Sorolla.OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, ao lado da igreja, um belo edifício inspirado no ecleticismo francês, a Casa Bouderé. Construída em 1910, destaca-se por sua pedra calcária vermelha, proveniente da Serra del Torcal, que circunda a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês puderam observar, na Praça de San Sebastián convivem vários estilos arquitetônicos que, ao invés de torná-la um espaço sem unidade, colaboram para sua riqueza artística, contribuindo para a monumentalidade dessa maravilhosa cidade da Província de Málaga.

Real Colegiata de Santa María – Antequera

Depois da conquista de Antequera em 1410, a cidade se transformou num próspero centro urbano da Andalucía. No século XVI, uma grande expansão urbana e demográfica se produziu, e muitos monumentos foram construídos, com especial destaque para a Real Colegiata de Santa María La Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção do templo foi ordenada pelo então Bispo de Málaga Diego Ramírez de Villaescusa. Para tanto, solicitou uma permissão ao Papa Julio II, que a concedeu mediante uma bula em 1503. A importância desta igreja reside no fato de que foi a primeira edificação  de estilo renascentista de toda a Comunidade de Andalucía, num momento em que ainda era vigente o gosto pela arquitetura gótica no país. Por este motivo, foram colocados os pináculos que vemos na fachada principal, um elemento característico do estilo gótico. Em frente à Real Colegiata, vemos a escultura do poeta Pedro Espinosa, uma referência à catedra de gramática que existiu no local, transformando a igreja num importante foco do humanismo na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAImportantes e consagrados arquitetos participaram de sua construção. As obras se iniciaram somente em 1530, sob a direção do arquiteto Pedro López, que deixou concluída toda a cimentação do templo. Depois, o famoso arquiteto da Catedral de Granada (entre outras obras), Diego de Siloé, outorgou o aspecto renascentista que possui.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre, realizada com tijolo, foi edificada somente no séc. XVII, e não constava do projeto original. O acesso ao templo se dá depois de passar pelo Arco dos Gigantes, que vimos no post anterior. Abaixo, vemos imagens da torre, tiradas dos jardins da Alcazaba de Antequera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está formado por um grande salão basilical, e constituído por 3 naves separadas por colunas de Ordem Jônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto da igreja, feito de madeira, é mudéjar do séc. XVI. Em 1692, a Real Colegiata foi levada à Igreja de San Sebastián, situada na parte baixa da cidade. Atualmente, o templo se encontra carente de elementos decorativos, pois não se dedica ao culto, sendo que seu espaço é utilizado para concertos e exposições. A Capela Maior foi realizada por Diego de Vergara entre 1545 e 1550, e sua bôveda é de crucería gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO elegante baldaquino que preside a Capela Maior foi construído em 2002, uma réplica fidedigna do original de 1578. Na época barroca, as procissões de Corpus Christi se realizavam com grande teatralidade, utilizando elementos profanos junto com as imagens religiosas. Um exemplo que podemos ver no interior da Real Colegiata é a Tarasca, uma representação de um monstro com forma de serpente ou dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASobre o monstro, vemos uma mulher, que normalmente simboliza a fé e o triunfo de Cristo sobre o pecado, representado pelo dragão, neste caso. A Tarasca da foto foi realizada em 1760, e está formada por 7 cabeças, uma referência aos sete pecados capitais. Em algumas cidades da Andalucía, ainda podemos observar as Tarascas pelas ruas, durante a semana de Corpus Christi…

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