Arte Urbana em Ferrol

Neste último post sobre Ferrol veremos como a Arte Urbana (Street Art, em inglês) é capaz de revitalizar zonas degradadas. Foi precisamente isso que sucedeu numa zona da cidade, situada próximo ao centro de Ferrol, conhecida como Bairro de Canido. Um artista local chamado Eduardo Hermida decidiu, como forma de protesto contra a decadência do bairro, realizar pinturas murais nas fachadas das casas. Como grande admirador da obra do pintor espanhol Velázquez, a temática escolhida foi o famoso quadro “Las Meninas“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta feliz iniciativa deste artista morador do bairro iniciou-se em 2008 e desde então muitos outros pintores aderiram à idéia, realizando novas pinturas com o mesmo tema.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente existem centenas de pinturas no Bairro de Canido. Inclusive, existe um trajeto que possibilita ver algumas das pinturas mais famosas. Vários artistas internacionais contribuíram para o projeto e a notória transformação do bairro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA variedade de estilos impressionam a todos os turistas e visitantes, que por certo retornaram ao bairro, percorrendo suas ruas para admirar as pinturas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante minha estadia em Ferrol, aproveitei para visitar outras cidades próxima como Betanzos e La Coruña, cujas principais atraçoes vocês terão a oportunidade de conhecer nas seguintes publicações do blog.

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Sevilha: Metropol e I.San Pedro

Depois de deixar Cádiz, pude passar uma tarde em Sevilha, esta maravilhosa cidade da Andaluzia. Sevilha é um desses lugares em que é necessário visitar várias vezes, para conhecer seu enorme patrimônio histórico. Ainda me falta muito por conhecer. De qualquer forma, em algumas horas pude visitar locais imprescindíveis que não conhecia. Um deles situa-se na central Plaza de la Encarnación, o famoso Metropol Parasol, um tesouro da Arquitetura Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Metropol é uma imensa estrutura feita de madeira, com núcleo de concreto, que cobre todo o espaço da praça. Inaugurado em 2011, foi concebido pelo arquiteto alemão Jurgen Mayer como forma de reabilitação do lugar. Suas instalações incluem um mercado, estabelecimentos comerciais, locais para espetáculos e o Museu Aquarium, que exibe os restos arqueológicos encontrados durante as obras, de época romana. Também chamado de Setas de Sevilha (cogumelos), é considerada a maior estrutura de madeira de todo o mundo. Suas dimensões são de 150x70m, e 26m de altura. Sua forma proporciona uma grande sensação de movimento ondulatório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2013, o Metropol foi escolhido, entre outros 335 projetos apresentados, como um dos 5 finalistas do prestigiado prêmio de arquitetura contemporânea Mies Van Der Rohe, criado em homenagem a um dos mais influentes arquitetos do séc. XX. Na parte superior da estrutura existe um grande mirante, com belas vistas do centro antigo de Sevilha. Lamentavelmente, se encontrava fechado e não pude caminhar por suas passarelas, algo que me possibilitaria uma outra perspectiva desta surpreendente construção. Sevilha possui uma grande quantidade de lindas igrejas, a maioria de importância histórica e artística. A Igreja de San Pedro, situada na praça homônima, é uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi levantada sobre uma antiga mesquita em 1379, no estilo gótico-mudéjar. Durante os séculos XVI e XVII foi reformada. Entre 1613 e 1624, Diego de Quesada realizou a portada, decorada com uma escultura de São Pedro, obra de Martín Cardino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo corpo da torre podemos observar restos mudéjares, datados da época de sua fundação. A parte que acolhe o campanário foi construído no séc. XVI. Na Igreja de San Pedro foi batizado, em 6 de junho de 1599, o grande pintor sevilhano Diego Velázquez, como comprova uma placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O interior do templo possui diversas obras de interesse. O Retábulo Maior, por exemplo, está dedicado ao santo titular, executado pelos irmãos Felipe e Francisco Dionísio de Rivas, entre 1640 e 1662. Uma escultura de São Pedro preside o retábulo, realizado por Andrés de Ocampo. Cenas da vida do santo formam sua composição, que culmina no Calvário de Cristo. Em sua parte inferior, vemos uma imagem da Virgem da Assunção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas capelas mais importantes é a do Sagrário, um dos poucos restos da primitiva igreja erguida no séc. XIV. Seu retábulo, feito de azulejos, está presidido pelo Jesús de la Salud, obra do séc. XVII realizada por Felipe de Rivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos do interior da Igreja de San Pedro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar a igreja, eu e minha esposa fomos à Casa de Pilatos, um dos principais objetivos de nossa viagem a Sevilha. Nossa grande expectativa foi amplamente superada, pois seguramente este palácio é um dos mais belos que conheci em toda a Espanha. Vocês terão a oportunidade de conhecê-lo detalhadamente, nas próximas matérias…

O Museu de Antequera

No post de hoje conheceremos o interessantíssimo Museu de Antequera, uma das principais instituições culturais, não só da cidade, como de toda a Comunidade de Andalucía. Sua origem situa-se no antigo Museu Arqueológico Municipal, criado em 1908. Em 1966, o Museu Municipal foi levado ao Palácio de Nájera, sua atual localização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância do museu se comprova pela elevada qualidade artística das obras expostas, seu excelente estado de conservação e a variedade histórica  das peças arqueológicas, pinturas e esculturas de seu acervo permanente. Depois de uma ampla reforma realizada em 2009, o museu conta com 5 mil metros quadrados de área construída, e seu acervo está dividido em 20 salas expositivas, realizada de forma cronológica. Veremos, pois, algumas das obras mais relevantes do Museu de Antequera. O período romano está muito bem documentado, com algumas obras únicas a nível nacional. Um exemplo é o monumental mausoléu pertencente à família de Acilla Plecusa, uma das mais influentes da época. Datada do séc. II dC, esta tumba familiar é do tipo “columbário“, sendo que as urnas funerárias eram colocadas na parte lateral da estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do patrimônio romano espanhol encontra-se exposto no museu. Trata-se do Éfebo de Antequera, uma estátua de bronze do séc.I dC inspirada no original grego. Para muitos estudiosos, é considerada a escultura romana mais bela do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra de importância fundamental é a Vênus de Antequera (séc.II dC),  uma das representações mais belas da Deusa do Amor, esculpida em mármore grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Arte Sacra, o Museu de Antequera possui obras notáveis, como a escultura da madeira policromada de São Francisco de Assis, realizada pelo grande Pedro de Mena (1628/1688) em 1663. Originalmente, a peça foi talhada para a Catedral de Toledo, e descreve visão que o Papa Nicolás V teve ao contemplar a múmia do santo em sua visita à cripta de Assis: de pé, olhando ao céu, com as mãos ocultas nas mangas, descalço e com os estigmas nos pés e no costado. Por este motivo, a escultura possui um grande naturalismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de madeira é a escultura de Santa Eufemia, padroeira da cidade de Antequera, anônima do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma escultura de São José com o Menino Jesus, anônima do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInúmeras e de qualidade são as esculturas religiosas existentes no acervo do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais singulares é esta Pia Batismal do séc. XV, feita de barro e vidro de cor verde no estilo mudéjar renascentista, uma das poucas que se conservam em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte pictórica, destaca a presença de alguns pintores antequeranos de grande maestria, como José María Fernández (1881/1947), que doou a maior parte de suas obras ao museu. Abaixo, vemos uma das salas, dedicada à pintura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente curiosa é a obra do artista Cristóbal Toral, caracterizada por sua obsessão pelas malas de viagem, como podemos ver, tanto nas esculturas, como nos quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACristóbal Toral iniciou sua formação na Escola de Artes e Ofícios de Antequera e completou seus estudos na Real Academia de San Fernando de Madrid. Em 1975, participou na Bienal de São Paulo. Abaixo, vemos sua singular interpretação do famoso quadro de Velázquez, “Las Meninas“, em que os personagens foram substituídos pelas maletas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas dependências do museu constituem, por si só, verdadeiras obras de arte, como vemos na imagem abaixo.

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Plaza de Ramales – Madrid

Situada próximo ao Palácio Real e de frente para a Plaza del Oriente, a Plaza de Ramales é um tranquilo lugar para se tomar um bom copo de vinho e admirar sossegadamente a beleza de seu entorno. O local é cheio de história, e surgiu durante o governo de José Bonaparte, em 1810. Não foi por acaso que este monarca francês recebeu o apelido de “Rei Plazuelas“, pois uma de suas maiores preocupações consistia em derrubar edifícios e conventos ou igrejas antigas para a construção de espaços públicos, como praças.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente se chamava Plaza de San Juan, já que no lugar se erguia a Igreja de San Juan Bautista, uma das mais antigas de Madrid, erguida no início do séc. XIII. Em 1999, realizaram-se obras para um estacionamento subterrâneo na praça, e foram encontrados os restos arqueológicos da igreja, bem como objetos de cerâmica, provavelmente da época árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2005, foram colocados bancos na praça. O interessante é que estão colocados simulando o formato e a localização da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa entrada do local onde foram descobertos os achados arqueológicos, foi colocada uma placa com a planta original da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês podem ver na primeira foto publicada com o nome da praça, aparece como referência da mesma o universal pintor sevilhano Diego Velázquez. Na placa vemos que está  retratado com a Cruz de Santiago, pois antes de falecer foi nomeado cavalheiro desta ordem pelo rei Felipe IV graças aos serviços prestados durante seu reinado, pois Velázquez foi o pintor real do referido monarca. E que tem a ver o pintor com a praça ? O fato é que ele foi enterrado na desaparecida Igreja de San Juan Bautista. Com a sua demolição, seus restos se perderam. Incrível que na época ninguém alertou para que seu sepulcro fosse levado para outro lugar…Ou seja, os restos do artista podem estar situados em qualquer parte do subsolo da praça, mas ninguém sabe aonde !!!

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm memória ao genial pintor de “As Meninas” levantou-se uma coluna de pedra rematada com uma cruz. No pedestal, o nome do pintor com suas datas de nascimento e falecimento, e inscrições alusivas ao seu enterramento na igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de Ramales recebeu este nome em homenagem ao povoado de Ramales, situado na Cantábria. Nesta localidade foram travadas batalhas em 1839 entre os fiéis a rainha Isabel II e os adeptos de Carlos V, que almejava o trono. Este episódio relaciona-se com a denominada Primeira Guerra Carlista. Na praça, podemos contemplar algumas residências emblemáticas de algumas épocas históricas de Madrid. Do séc. XVIII, por exemplo, destaca a Casa Palácio de Domingo Trespalacios, construída por Andréz Diaz Carnicero em 1768, um exemplo da arquitetura residencial aristocrática do período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Casa Palácio de Ricardo Angustias foi construída na década de 20 do século passado. O imóvel foi projetado pelo arquiteto Cayo Redón y Tapiz, que reformou um edifício pré-existente, colocando dois novos andares e conferindo ao edifício um aspecto medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das esquinas da praça vemos algo raro atualmente em Madrid, embora comum em outros locais da Espanha. Trata-se de uma imagem da Virgem conhecida como Rinconeras, tradicionalmente colocadas nas esquinas das ruas como objeto de devoção ou como agradecimento aos pedidos atendidos. Neste caso em particular, esta virgem é chamada “La Dolorosa“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem nesta esquina, um atentado do ETA lamentavelmente custou a vida de 3 pessoas em 1994. A imagem da Virgem não sofreu nenhum dano, apenas os vidros que a protegem se racharam, mas prontamente foram substituídos pelos vizinhos da zona. Do lado da praça encontramos a Calle de Santiago, cuja igreja dedicada ao apóstolo também desapareceu na época de José Bonaparte, sendo substituída pela atual. Sua história será o tema do próximo post…

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O Palácio del Buen Retiro – Madrid

No post de hoje, conheceremos a história do Palácio del Buen Retiro, um complexo arquitetônico de enormes dimensoes, intimamente relacionado com o Parque do Retiro que atualmente contemplamos. O palácio foi construído pelo arquiteto Alonso Carbonel (1590/1660) como uma segunda residência e lugar de recreio do rei Felipe IV, que normalmente residia no antigo Alcázar, situado onde hoje vemos o Palácio Real de Madrid. Antes de sua construçao, Felipe IV tinha o costume de hospedar-se também nos aposentos anexos do denominado Convento de San Jeronimo, chamado de Quarto Real. Além do mais, aproveitava para passear pelos terrenos situados ao lado do convento, propriedade do seu válido (uma espécie de primeiro ministro, que realmente governava o país), o Conde Duque de Olivares. Com a intençao  de agradar ao monarca, Olivares inicia, a partir de 1630, uma série de gabinetes e pavilhoes que originaram o Palácio del Buen Retiro. Finalizado em 1640, contava com mais de 20 edifícios, que eram principalmente utilizados para a celebraçoes de festas, apresentaçoes teatrais, e inclusive recriaçoes de batalhas navais no lago do Retiro. Além do complexo arquitetônico, estava formado por inúmeros jardins e lagos, dado o caráter lúdico do local. Abaixo, vemos os retratos do rei Felipe IV e outro equestre do Conde Duque de Olivares, pintados pelo pintor real do monarca, Diego Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível artístico empregado no palácio rivalizava com a residência habitual do rei, o Alcázar. Grande parte das coleçoes adquiridas por Felipe IV  que hoje decoram as paredes do Museu do Prado, embelezavam em sua origem o Palácio del Buen Retiro. O palácio foi praticamente destruído durante a Guerra da Independência, quando as tropas de Napoleao utilizaram o lugar como quartel de artilharia. Finalizada a guerra, a rainha Isabel II tentou acometer sua restauraçao, mas o grau de ruinas era tal que decidiu-se por sua quase total demoliçao. Na foto a seguir, vemos uma imagem antiga do Palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do próprio Parque do Retiro, sao remanescentes do antigo palácio duas construçoes, atualmente situadas fora dos limites do parque (hoje em dia, o parque possui somente a metade de sua extensao original). O Casón del Buen Retiro é uma delas. Antigo Salao de Bailes do palácio, transformou-se numa dependência pertencente ao Museu do Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém projetado por Alonso Carbonel, seu aspecto neoclássico atual se deve às reformas realizadas pelo arquiteto Ricardo Velázquez Bosco no final do séc. XIX. A partir dos anos 70 do séc. XX, albergou a coleçao do Prado relativa ao séc. XIX, funçao que exerceu até 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a ampliaçao do Museu do Prado realizada por Rafael Moneo, o Casón del Buen Retiro foi reformado e adaptado como Centro de Estudos do museu. Abaixo, vemos a parte detrás do Casón.

DSC08622Um detalhe escultórico dos capitéis que decoram as colunas.

DSC08624 Outro edifício sobrevivente do Palácio del Buen Retiro é o denominado Salao de Reinos, a estância principal para as recepçoes e celebraçoes do monarca. O salao possuía  as melhores obras de arte do acervo real e seu nome se deve aos 24 escudos dos reinos que constituiam a Monarquia Espanhola na época de Felipe IV.

DSC08628Inicialmente, foi concebido como palco, onde os reis pudessem assistir os espetáculos e obras teatrais que se realizavam. Depois, foi agregado o caráter cerimonial, como Salao de Trono do rei. Com esta nova funçao, cumpria a missao de impressionar as embaixadas e demais membros das cortes européias. Por isso, sua decoraçao era a mais suntuosa de todo o palácio.

DSC08634DSC08636Depois que deixou de ser parte integrante do palácio, foi a sede do Museu do Exército, até que em 2010 foi trasladado ao Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido às constantes reformas realizadas após a Guerra da Independência, o Salao dos Reinos apresenta um aspecto bastante alterado. No entanto, estas duas edificaçoes nos dao uma idéia da magnificência e grandiosidade deste palácio que chegou a ser a “inveja da Europa”, e base do local que hoje conhecemos como o Parque do Retiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salao de Reinos encontra-se novamente em reformas, e sua nova funçao ainda é um mistério….

Fontes Históricas de Madrid – Parte 4

Além de seu inegável valor artístico e cultural, o conhecimento e a contemplaçao das Fontes Históricas nos possibilita desvendar fatos relevantes do passado, que marcaram uma determinada época nao só da cidade onde se localiza, mas do próprio país. Hoje, conheceremos 3 fontes, todas elas construídas no séc. XIX. A primeira delas é a Fonte de Felipe IV, situada na emblemática Praça do Oriente, entre o Palácio Real e o Teatro Real. A fonte adorna o monumento dedicado ao monarca Felipe IV, obra prima da estatuária por sua qualidade artística e dificuldade técnica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se da primeira estátua equestre, realizada no mundo, de um monarca sentado sobre um cavalo e suspenso sobre suas patas traseiras. O conjunto se encontra perfeitamente equilibrado graças a um calculado estudo dos pontos de apoio e da distribuiçao de seu peso que, segundo a lenda, foi realizado pelo científico Galileu Galilei. A estátua foi construída pelo escultor italiano Pietro Tacca em 1642 e a fonte foi colocada e inaugurada em 1843, durante o reinado de Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída em granito e pedra branca de Colmenar (uma cidade próxima a Madrid), a fonte foi esculpida pelos artistas Elías Vallego e José Tomás. Em suas laterais, vemos relevos, um dos quais é uma alegoria da proteçao exercida por Felipe IV às artes e letras. A outra representaçao homenageia o pintor Diego Velázquez, já que o desenho da escultura baseou-se num de seus famosos quadros equestres, atualmente exposto no Museu do Prado. Neste relevo, vemos a imposiçao do hábito da Ordem de Santiago ao pintor, por parte do monarca que foi seu admirador e mecenas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo conjunto escultórico da fonte, observamos os leoes, símbolo da monarquia espanhola, e seres humanos, uma representaçao dos rios Manzanares e Jarama (desde a época grega, os rios sao simbolizados, na escultura, de forma antropomórfica).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1888, Madrid contava com 285 fontes distribuídas ao longo de seu espaço urbano. A que apresentava o maior volume de água é a denominada Fonte de Diana, devido ao gigantesco depósito de agua que se encontra debaixo do jardim do antigo Convento do Sacramento, situado atrás dos muros da fonte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fonte de Diana foi construída com uma combinaçao de tijolo e pedra, estando dividida em três partes, das quais a central é a mais alta e onde se representa o escudo de Madrid, o nome do prefeito que impulsou sua construçao e a data em que foi realizada (1850). A Deusa Diana foi esculpida em mármore, bem como os golfinhos situados aos seus pés. Na mitologia, Diana é a transcriçao romana da grega Ártemis, Deusa da Caça e dos Bosques. Filha de Júpiter e Leto, é a irma gêmea de Apolo. Os golfinhos sao uma representaçao do equilíbrio das forças naturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte também é conhecida pela denominaçao de Cruz Verde, o nome da praça onde se localiza. Este nome é uma referência a uma antiga cruz feita de madeira e com esta cor que existia na praça, e sinalizava os locais onde eram realizadas as execuçoes públicas do Tribunal da Inquisisçao, durante o reinado de Felipe II.

A última fonte de hoje é uma das mais populares de Madrid, situada na Calle de Toledo. Denominada de Fuentecilla, sua construçao se deve ao prefeito Conde de Monteczuma, que em 1814 decidiu erguer um monumento em homenagem ao rei Fernando VII, apelidado de “El Deseado”, pois durante a Guerra da Independência foi deposto por Napoleao, que colocou no trono espanhol seu irmao, José I. A fonte celebra o retorno do exílio do esperado monarca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealmente, a Fuentecilla mais parece um monumento que propriamente uma fonte. Inaugurada em 1815, foi construída pelo arquiteto real de Fernando VII, Alfonso Rodríguez. É considerada uma das fontes públicas mais famosas de Madrid, pela qualidade de sua águas. A fonte possuía 11 aguadores, pessoas autorizadas  que se dedicavam a levar e vender água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior da estrutura vemos o leao, símbolo da monaquia como já foi dito, erguido sobre 2 globos terrestres, uma referência aos antigos domínios do Império Espanhol. O felino foi esculpido pelo artista Manuel Álvarez. Numa de suas laterais, vemos o escudo da cidade de Madrid, com o Urso e o Madroño, as 7 estrelas e a Coroa.

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As Igrejas Mais Antigas de Madrid

Com o fim das guerras entre muçulmanos e árabes pelo controle de Madrid, a cidade começou a regularizar seu funcionamento urbano. Um fator primordial para que isso pudesse ocorrer foi o Foro da Vila, concedido pelo rei Alfonso VIII em 1202 (o foro é a carta de uma vila, pueblo ou cidade, na qual são regidos o conjunto de leis, normas e privilégios que ostentam). Nesta época, a cidade pouco tinha crescido, desde sua reconquista. Por isso, um dos meios utilizados para seu repovoamento foi a fundação de conventos e monastérios, situados fora do conjunto de muralhas. O primeiro deles foi o Monastério de San Martin, criado como um priorato dependente do influente Monastério de Santo Domingo de Silos. Inicialmente, sua vida transcorreu de forma independente da vila de Madrid, e seu abade detinha a jurisdição civil, criminal e eclesiástica sobre os habitantes e as terras que pertenciam ao monastério. O primeiro documento que o menciona data de 1126, quando o então rei Alfonso VII concede ao priorato o direito de repovoar o arrabal (bairro) de San Martin. Somente no séc. XV o monastério foi integrado ao Conselho de Madrid, convertendo-se numa das paróquias da cidade. Tanto a igreja, quanto o convento, desapareceram completamente com a eclosão da Guerra da Independência, entre o exército espanhol e as tropas de Napoleão no início do séc. XIX. Abaixo, vemos um gravado com o monastério situado no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo monastério construído em Madrid foi o de São Francisco que, segundo a tradição, foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis em 1217. No séc. XVIII, foi derrubado para a edificação da Basílica de São Francisco El Grande (matéria publicada em 12 e 13/2/2013), cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém desaparecido, o Monastério de Santo Domingo foi o terceiro em ser construído. Além destas instituições religiosas, no Foro de Madrid se menciona a existência de 10 paróquias, algumas das quais sobreviveram até hoje, embora com um aspecto diferente do original. Uma delas é a Paróquia de San Andrés (post de 23/4/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, acredita-se que o templo pôde ter sido edificado sobre uma primitiva igreja católica da Madrid árabe. Este templo adquiriu importância, porque nele encontrou sepulcro o padroeiro da cidade, San Isidro. A igreja foi muito danificada pelos destroços produzidos durante a Guerra Civil Espanhola, e teve que ser praticamente reconstruída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma dos templos mais antigos de Madrid foi a Igreja de San Juan Bautista, situada na atual Praça de Ramales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, foi derrubada por José I (irmão de Napoleão) entre 1810 e 1811 para a ampliação da praça onde se situava, deixando uma via livre de comunicação entre o Palácio Real e a Porta do Sol. Na foto acima, observamos uns bancos feitos de granito que à primeira vista não parecem outra coisa. Na realidade, os bancos simulam o formato que possuía a antiga igreja e sua exata localização. No subsolo da praça, foram encontrados os restos arqueológicos da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja aparecia no foro de 1202, e um dos aspectos mais interessantes de sua história é que nela foi sepultado o pintor Diego Velázquez, cujos restos se perderam quando a igreja foi derrubada.