Museu Sorolla – Madrid

Joaquín Sorolla y Bastida foi um dos mais prolíficos pintores espanhóis, com mais de 2200 obras catalogadas. Nasceu em Valencia em 1863 e faleceu na localidade de Cercedilla (Província de Madrid) em 1923. Considerado, por vezes, como um artista impressionista, na realidade seu estilo pessoal é conhecido como Luminista. Sua formação acadêmica foi realizada na Escola de Belas Artes e em 1889 mudou-se para Madrid. Um ano antes, se casou com Clotilde García del Castillo, com quem teve duas filhas e um filho. Em 1894 viaja a Paris, onde desenvolve seu peculiar estilo pictórico.

Começa a pintar ao ar livre, dominando com maestria a luz e combinando-a com cenas cotidianas e paisagens da vida mediterânea. Depois de muitas viagens pela Europa e América, onde realizou diversas exposições de destaque, foi reconhecido internacionalmente. Em 1911, assinou um contrato com a Hispanic Society of América de Nova York para a realização de um enorme painel mural, de 3.5m de altura por 70m de comprimento. Este projeto, ao qual se dedicou entre 1913/1919, tornou-se um grande monumento de celebração ao seu país natal, com representações características de diversas províncias espanholas.

Em 1920, enquanto pintava, sofreu um colapso que afetou drasticamente suas capacidades, vindo a falecer tres anos depois. Após sua morte, foi criado o Museu sediado na casa onde viveu a partir de 1911, graças ao esforço e desejo de sua mulher, que em seu testamento ditado em 1925, ofereceu ao Estado Espanhol todos os bens da família, incluído a coleção de quadros pintados pelo artista.

O museu foi inaugurado em 1931 e seu primeiro diretor foi o filho do casal, Joaquín Sorolla García, por vontade expressa de sua mãe, ocupando o cargo da instituição até sua morte. Nele encontramos a mais vasta coleção do pintor, formado por seus quadros e desenhos, além de inúmeros objetos que reuniu ao longo de sua vida e dos móveis que decoravam a casa. O acervo consiste das doações efetuadas por sua mulher e filho, e das demais obras adquiridas pelo estado, a partir de 1982.

A visita se inicia pelos jardins desenhados pelo próprio Sorolla, que também realizou sua ornamentação.

Inspirado na arte andaluza, tinha acesso direto aos 3 estúdios que possuía a casa, criando zonas de trabalho independentes das demais dependências da residência. Abaixo, vemos o característico Pátio Andaluz.

No interior, a grande sala representa a principal zona social da casa. Recebe abundante luz natural através de suas amplas janelas. O conjunto mobiliário é heterogêneo, composto por objetos de distintas épocas e procedências.

Na sala abaixo, o pintor realizava seus despachos e também a utilizava como local de exposição de seus últimos quadros para posterior venda. Atualmente, o espaço está dedicado às cenas de praia que realizou o artista, uma de sua facetas mais conhecidas e valorizadas a nível internacional.

Este aspecto do artista aparece em sua obra a partir de 1899, como uma derivação de seus costumes marinheiros, e a partir de 1904 se consolida como uma temática independente. A maioria destas obras foram realizadas entre 1904/1916, e retratam predominantemente paisagens mediterâneas.

Alguns exemplos pictóricos desta fase do pintor vemos abaixo, no quadro (à direita da foto) El niño de la barquita, pintado em 1904.

Na obra Paseo a orillas del mar, de 1909, aparecem como modelos sua mulher e filha.

Pescadoras Valencianas foi pintado em 1915.

Na foto a seguir, vemos outro conjunto do mesmo tema, com elementos infantis.

Neste amplo estúdio onde trabalhava, repleto de móveis e objetos decorativos, existem inúmeras entradas de luz, com destaque para sua clarabóia central. O ambiente conserva intacto seu aspecto original.

A escada que conduz às salas superiores do museu está composta por quadros em que Sorolla homenageia sua terra natal, Valencia. Nesta parte da casa, situavam-se os dormitórios, que foram totalmente reformados para acolher as obras do pintor.

Outro aspecto notável de sua carreira são os retratos, realizados desde sua época inicial, seguindo os modelos da pintura realista espanhola do séc. XVII, especialmente de Velázquez, mas que a partir de 1894 adquire um estilo mais pessoal. Abaixo, vemos um retrato de seus 3 filhos, claramente inspirada na obra do grande pintor sevilhano.

Sua família foi tema de muitos quadros realizados, porém a grande musa foi sua mulher Clotilde, retratada em numerosos retratos formais, mas também absorta em seus livros e pensamentos.

Em 1895 realiza a tela comemorativa Madre, em que homenageia o nascimento de sua filha Elena.

Desenvolveu também obras de denúncia social, como no quadro Trata de Blancas (1894).

Sorolla retratou também a pessoas e suas típicas vestimentas, como neste quadro que representa a tipos segovianos.

O Museu Sorolla é de visita obrigatória a todos apreciadores da arte e interessados em aprofundar-se na obra deste  que é considerado como o Pintor da Luz.

Palácio Real – Madrid

O Palácio Real de Madrid é a residência oficial do rei de Espanha, embora seja utilizado somente para cerimônias oficiais, já que a família real reside no Palácio de La Zarzuela. É também conhecido com o nome de Palácio de Oriente, por estar situado ao lado da praça homônima, que foi matéria de um post publicado em 21/8/2012.

Considerado um dos maiores palácios de Europa, alberga um valioso patrimônio histórico-artístico, com obras pictóricas de mestres como Caravaggio, Goya, Velazquez, etc, esculturas e a maior coleção de stradivarius do mundo. Outra de suas destacadas coleções são a Armería Real, uma das mais prestigiadas em seu gênero, com armas e armaduras pertencentes a família real desde o séc. XIII, a coleção de porcelana, relógios, mobiliário e objetos de prata.

O palácio limita com a mencionada Praça do Oriente, com a Catedral de Almudena, e com os jardins do Campo de Moro e de Sabatini. Este último situa-se na parte norte do palácio, um espaço verde de estilo francês criado nos anos 30 do séc.XX. Seu nome homenageia a um dos arquitetos responsáveis pela construção do edifício. Ao redor de um lago, encontramos estátuas de reis espanhóis, que num princípio estavam destinadas a decorar o Palácio Real.

A origem do palácio remonta ao séc. IX, quando o reino muçulmano de Toledo construiu uma edificação defensiva, que posteriormente foi utilizado pelos reis de Castilla, até que se levantasse o Alcázar Real no séc. XVI, habitado pelos reis da dinastia austríaca dos Habsburgos. Apesar de não viver no Alcázar, o imperador Carlos I realizou reformas e melhorias em sua estrutura. Felipe II continuou o processo de revitalização do palácio, numa época em que Madrid acabava de converter-se na capital do reino. No seu interior, o pintor Diego de Velázquez possuía um estúdio onde trabalhava e que podemos apreciar no famoso quadro “As Meninas”.

No entanto um voraz incêndio destruiu o alcázar e o então rei Felipe V, o primeiro da dinastia borbônica, decidiu construir um novo palácio exatamente no mesmo local, porém com materiais não inflamáveis, como a pedra, o tijolo e o granito.

A construção iniciou-se em 1738, segundo o projeto do arquiteto italiano Juan Bautista Sachetti, e prolongou-se até 1764, quando o rei Carlos III tornou-se o primeiro monarca em habitar de forma contínua o novo palácio. O arquiteto real Francisco Sabatini se encarregou de concluir as obras.

No séc. XIX, o rei Fernando VII realizou a mais ampla remodelação do palácio, cujo objetivo era converter o então aspecto italianizante do edifício em uma moderna estrutura ao estilo francês.

Antes da reforma, porém, o palácio foi habitado por um rei estrangeiro, José I, irmão de Napoleão Bonaparte, e que foi nomeado pelo irmão Rei de Espanha, após a invasão das tropas francesas que desencadearam a denominada Guerra de Independência.

O último rei que viveu no palácio foi Alfonso XIII, até sua morte em 1931.

O interior é suntuoso e suas dependências estão decoradas ao estilo de distintas épocas, como a Sala do Trono, por ex., cujo aspecto se mantém intacto desde o reinado de Carlos III. Infelizmente, as fotos não estão permitidas…

Uma vez ao mês, podemos admirar a troca de Guarda que ocorre no pátio do palácio.

Abaixo, vemos na fachada da Praça do Oriente, o escudo real, e, a seu lado, duas estátuas representando a reis espanhóis de época visigoda.

 

 

 

Praça do Oriente – Madrid

A Praça do Oriente localiza-se no centro histórico de Madrid e possui um formato retangular, de caráter monumental. A praça está presidida por dois dos edifícios mais emblemáticos da capital. De um lado vemos o Palácio Real e, do outro, o Teatro Real. Além dos edifícios citados, alberga também o solar onde viveu o pintor Diego Velázquez.

Um de seus maiores impulsores foi o rei José I, irmão de Napoleão Bonaparte, quem ordenou a demolição das casas medievais situada no local. Para a origem do nome existem várias teorias. A mais aceitada corresponde a sua situação geográfica, a oriente do Palácio Real. Outra hipótese é uma referência a José I e sua possível relação com a maçonaria e a obediência que tinha com a Grande Loja do Oriente da França.

A idéia de construir-se uma grande praça junto ao Palácio Real se remonta ao séc. XVIII, com um projeto de Juan Bautista Sachetti, um dos arquitetos responsáveis pela construçao de dito palácio. Após as demolições realizadas entre 1808/1813 durante o reinado de José I, efetuou-se o nivelamento do terreno, já durante o governo de Fernando VII. O projeto de González Velázquez, realizado em 1817, tinha como prioridade a construção de um teatro no lado oposto ao do Palácio Real. Em 1836, durante o reinado de Isabel II tomou-se a decisão de erguer o Teatro Real, finalizado somente em 1850.

O desenho definitivo da praça coube ao arquiteto Narciso Pascual y Colomer, realizado em 1844.

Os jardins da praça sofreram importantes variações com o passar do tempo. Até 1941, estavam dispostos de forma circular ao redor do Monumento a Felipe IV, que ocupa o centro da praça. Atualmente, os jardins foram remodelados na forma quadricular, segundo o modelo barroco de jardineria.

Em torno à estátua do monarca, estavam situadas 44 esculturas representativas dos reis espanhóis. Porém, em 1927 seu número foi reduzido a 20. Atualmente, as esculturas estão dispostas longitudinalmente, em duas fileiras de 10 estátuas cada, a ambos lados do monumento central. Representam a 5 reis da época visigoda e a 15 dos primeiros reis cristãos da reconquista. O grupo de estátuas forma parte de uma série dedicada a todos os reis espanhóis, que adornariam o Palácio Real, e foram executadas entre 1750/1753.

Num princípio, a idéia era de que as estátuas se situassem na cornisa superior do palácio, fato que jamais ocorreu. Temia-se que a estrutura não suportasse o peso. A tradição, porém, conta que a rainha Bárbara de Bragança teve um sonho apocalíptico, em que as estátuas caíam da parte superior do palácio. Finalmente, foram distribuídas em diferentes pontos da cidade. Além da Praça do Oriente, vemos grupos de estátuas no Parque do Retiro, nos Jardins de Sabatini, por ex. Outras, no entanto, foram levadas a Pamplona (estátuas referentes aos monarcas navarros) e a Burgos. As estátuas foram realizadas pelos escultores reais Juan Domingo Olivieri e Felipe de Castro.

Durante os anos da ditadura franquista, a praça converteu-se num símbolo político daqueles favoráveis ao Regime de Franco, que nela realizavam manifestações de exaltação ao general ditador.

A estátua eqüestre de Felipe IV que preside a praça foi realizada no séc. XVII pelo escultor italiano Pietro Tacca. Já as fontes situadas ao seu redor são do séc. XIX.

O conjunto foi inaugurado durante o reinado de Isabel II, dotando a escultura de um suporte monumental, realizado pelos escultores Francisco Elias Vallego e José Tomás. O primeiro realizou os 4 leoes de bronze situados em suas partes laterais, enquanto o segundo esculpiu os baixo-relevos que decoram o pedestal sobre o qual se ergue a estátua. Um deles representa o monarca Felipe IV colocando ao pintor Velázquez o hábito da Ordem de Santiago e o outro é uma alegoria da proteção que o monarca dava às artes e às letras.

A estátua propriamente dita é de bronze e está disposta olhando para o Teatro Real.

 Foi esculpida entre 1634/1640 pelo mencionado escultor Pietro Tacca. Seus modelos foram dois quadros do rei pintados por Velázquez, um eqüestre e outro de meio corpo. A estátua foi fundida em Florença e o escultor contou com o acessoramento de Galileu Galilei, para que o cavalo que monta o monarca pudesse manter-se exclusivamente sobre suas patas traseiras. A solução encontrada pelo genial cientista consistiu em fazer a parte traseira maciça e a dianteira oca. Trata-se da primeira estátua eqüestre do  mundo com esta disposição.

A obra foi colocada, num primeiro momento, no pátio do Palácio del Buen Retiro e, posteriormente, no frontispício do antigo Alcázar, antes de ser levada à Praça do Oriente.

A mediados dos anos 90 do século passado, a praça foi novamente remodelada, ganhando novos espaços para pedestres.