Castelos Senhoriais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Senhoriais da Espanha veremos outros exemplos de palácios construídos como fortalezas para os nobres, que ainda hoje impressionam por sua esbelta silueta na paisagem espanhola. O Castelo de Almansa é um dos mais importantes da Província de Albacete (Comunidade de Castilla La Mancha), situado no alto de uma colina que domina a cidade, conhecida como “Cerro del Águila“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente foi uma fortaleza muçulmana e nos séculos posteriores passou a pertencer a nobreza. Seua aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, no século XV. Este castelo foi cenário de um conflito histórico, a Batalha de Almansa, que possibilitou o ascenso de Felipe de Anjou como Rei da Espanha, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, no início do século XVIII. Proclamado Rei com o nome de Felipe V, foi o primeiro monarca da dinastia bourbônica a ocupar o trono da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém localizado na Província de Albacete, e edificado sobre uma fortaleza árabe anterior, o Castelo de Chinchilla de Monte Aragón foi outra das fortalezas que pertenceram ao II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, que da mesma forma que o anterior, foi igualmente restaurado por ele no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está formado por um fosso de grandes proporções, como vemos abaixo. Como elemento decorativo destaca o escudo do proprietário, algo habitual nas Fortalezas e Castelos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bom aspecto que conserva atualmente se deve a que foi utilizado como prisão durante muito tempo. Um dos prisioneiros mais famosos foi César Borjia, filho de Rodrigo Borjia, eleito Papa em 1492 com o nome de Alexandre VI. O filho foi acusado de cometer um assassinato contra seu irmão, o I Duque de Gandía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos Castelos da Espanha estão localizados em lindos povoados que conservam sua arquitetura medieval, caso de Pedraza, localizado na Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León). Foi construído sobre os restos de fortalezas anteriores, sobretudo romana e muçulmana. No século XV passou a pertencer à família dos Herrera, época que data sua Torre de Homenaje. No século XVI, tornou-se propriedade de Fernández de Velasco, Duque de Frías e Condestable de Castilla, cuja reforma lhe proporcionou o aspecto que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, o pintor Ignacio de Zuloaga (1870/1945), um dos principais pintores espanhóis do final do século XIX e início do XX, adquiriu o castelo e o restaurou, instalando em seu interior um atelier. Parte de sua obra pode ser vista no interior do castelo, e ainda hoje permanece pertencendo aos herdeiros do pintor, que o utilizam como residência e museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XVI como um suntuoso palácio fortificado para o Conde de Albuquerque, o Castelo de Cuéllar é um dos grandes atrativos deste povoado castelhano, situado também na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeus hóspedes mais ilustres foram o Rei Juan I de Castilla e sua esposa Leonor, que faleceu no castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, funcionou como penitenciária para presos políticos. Depois, passou a ser usado como um sanatório para tuberculosos. Atualmente,  seu interior alberga um instituto de educação secundária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro povoado maravilhoso de Castilla y León que conserva seu imponente castelo é Peñaranda del Duero, situado na Província de Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XI com a finalidade de deter o avanço muçulmano, foi reconstruído no século XV pelo I Duque de Miranda. De forma alargada, o castelo adapta-se perfeitamente ao grande rochedo sobre o qual se assenta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma grande muralha serve de elemento protetor, e a Torre de Homenaje eleva-se no centro da fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Palácio de la Magdalena

Na parte mais elevada da Península de la Magdalena situa-se certamente o edifício mais emblemático de Santander, o Palácio de la Magdalena. Esta construção foi realizada por iniciativa popular para ser a residência de verão do rei Alfonso XIII e sua família.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio foi construído no estilo eclético, combinando elementos das arquiteturas francesa e inglesa e também da arquitetura regionalista da Cantábria. Em sua parte exterior destacam as duas torres octogonais de alturas diferentes, além de sua complexa cobertura rematada com pedra de ardósia (pizarra, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram em 1909 e três anos depois o palácio foi entregue à família real. Durante a estadia do monarca no mês de julho, Santander se convertia na capital política do reino, fato que ocorreu entre 1913 e 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a proclamação da Segunda República em 1931, a família real partiu para o exílio e o palácio acabou exercendo outras funções, como sede da Universidade Internacional de Verao, criada em 1932. Em 1977, a Prefeitura de Santander tornou-se a proprietária de toda a Península de la Magdalena e abriu o palácio para a visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o Palácio de la Magdalena foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Atualmente é utilizado como museu e local para a celebração de congressos, eventos, casamentos e também como sede principal da Universidade Internacional Menéndez Pelayo. Abaixo, vemos o busto do rei Alfonso XIII (1886/1941) colocado no interior do palácio, realizado pelo grande escultor valenciano Mariano Benlliure (1862/1947).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o busto de Victoria Eugenia (1887/1969), esposa do rei e rainha consorte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe realizam visitas guiadas pelo interior do palácio, que exibe salas em perfeito estado de conservação. Abaixo vemos o comedor de gala, utilizado pelos reis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Hall principal do palácio, decorado com o quadro intitulado “Retrato de Infantes“, obra de Manuel Benedito (1875/1963), outro artista valenciano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais frequentes na decoração do palácio é a flor de liz, símbolo da Dinastia dos Bourbones, que continua sendo a dinastia real na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos imagens de outras dependências do Palácio de la Magdalena

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro dos limites do palácio também se conserva o local onde se guardavam os cavalos, carruagens, etc (na Espanha denominada Caballerizas). Foi construída em 1915 no estilo inglês e atualmente é usada como residência para estudantes, professores e profissionais da imprensa durante os cursos realizados pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola (Parte 2)

Lázaro Galdiano formou uma pinacoteca que, além de seu enorme valor, servisse de referência para avaliar a importância artística da Espanha e de sua própria história. Como outros grandes colecionadores da época, mostrou especial predileção pelos retratos de homens e mulheres ilustres, cuja coleção presente no museu é representativa de vários períodos, como veremos a seguir. O pintor Alonso Sánchez Coelho (1531/1588), por exemplo, tornou-se famoso por sua capacidade como retratista. Pintor de câmara do rei Felipe II, suas obras enaltecem os detalhes e a penetração psicológica do personagem, como neste quadro de Ana de Áustria (1549/1580), quarta esposa do rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada uma das mais refinadas da pintura cortesana do reinado de Felipe II. Do período barroco, destacam os retratos de Sebastián Herrera Barnuevo (Madrid-1619/1671). Além de pintor de câmara do rei Carlos II, foi também escultor e arquiteto. Realizou o retrato do monarca quando menino, que vemos abaixo. Carlos II (Madrid-1661/1700) passaria a posteridade com o apelido de “El Hechizado” (O Enfeitiçado) por seus problemas de saúde, baixa estatura e esterilidade. Filho e herdeiro de Felipe IV e Mariana de Äustria, morreu sem descendência, fato que provocou a Guerra da Sucessão Espanhola e a chegada da Dinastia dos Bourbones ao trono espanhol, com o rei Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monarcas e rainhas de Espanha foram representados não só por pintores espanhóis, mas também por artistas estrangeiros, como Ticiano, por exemplo. Considerado um dos precursores do neoclassicismo, Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi um grande  pintor alemão, além de teórico da arte, tornando-se célebre pelos retratos que realizou da corte europeia. Foi convidado pelo rei Carlos III para residir em Madrid, e nomeado pintor real. Retratou o monarca nesta importante obra que vemos na sequência. Carlos III (Madrid-1716/1788) era filho de Felipe V e Isabel de Farnesio. Entre 1734 e 1759 tornou-se o Rei de Nápoles e Sicília. Em 1759 foi proclamado Rei de Espanha, cujo reinado caracterizou-se pelas amplas reformas urbanas realizadas na capital. Por este motivo, passou a ser conhecido como o Rei Alcalde, sendo considerado até hoje como um dos melhores administradores que a cidade já teve em sua história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estética neoclássica na Espanha foi enriquecida com a obra de Zacarías González Velázquez (Madrid-1763/1834). Formado pela Real Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid, tornou-se posteriormente diretor desta instituição fundamental na vida artística do país. Sua capacidade criativa pode ser apreciada no refinamento de suas obras, que pode ser vista no quadro em que representa a Manuela González Velázquez tocando o piano, um quadro de forte influência francesa pintado entre 1820 e 1821.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas espanhóis mais admirados por Lázaro Galdiano foi Francisco de Goya. Adquiriu várias obras do pintor aragonês, cujo conjunto representa uma das maiores atrações do museu. Abaixo, o Enterro de Cristo, realizado entre 1771 e 1772.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro La Era ou El Verano, de 1786…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período compreendido entre 1797 e 1799, o Museu Lázaro Galdiano conta com várias obras do pintor, como esta Madalena Penitente, de grande influência impressionista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos a Santa Isabel curando as chagas de um enferma (esquerda) e San Hermenegildo na prisão (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas das obras mais apreciadas do acervo pictórico do museu representam o mundo tenebroso de Goya, como o quadro El Conjuro o las Brujas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o Aquelarre, nome pelo qual se conhece as reuniões de bruxas para a realização de rituais e feitiços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença de artistas estrangeiros na coleção de Lázaro Galdiano ampliaria o conhecimento do povo espanhol em relação à arte que se desenvolvia no continente, contribuindo para sua educação cultural. No próximo post, veremos algumas das principais obras das escolas italiana, flamenca, alemã, etc, presentes no museu.

Igreja de San Marcos – Madrid

A Igreja de San Marcos é uma das belas igrejas desconhecidas de Madrid. Situada bem próxima a Praça de Espanha, seu nome se originou com a vitória das tropas de Felipe V na Batalha de Almansa em 1707,  travada no dia de São Marcos, que acabaria levando ao trono espanhol o primeiro monarca da Dinastia dos Bourbones. Alguns estudiosos alegam que no local já existia uma anterior ermita dedicada ao santo, razão pela qual negam a explicação do nome dada acima. Depois de derrubada a ermita, construiu-se um oratório dedicado a São Bernardo, que permaneceu em pé desde 1632 até que este templo também foi derrubado para a construção da Igreja de San Marcos. As obras iniciaram-se em 1749 e o templo foi concluído em 1753.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi projetada e construída pelo arquiteto Ventura Rodríguez, que realizou uma de suas melhores obras. Sua fachada é simples, como vemos na imagem acima. Apesar disso, sua forma é inusual para a Madrid da época. Ventura Rodríguez começa a introduzir no barroco madrilenho linhas retas.. Composta basicamente por um estrutura triangular na parte superior e outra semicircular no centro. Mas o que realmente impressiona da Igreja de San Marcos é o interior, com uma distribuição espacial extremamente complexa. Está composto por naves entrelaçadas geometricamente, formando 5 elipses sucessivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA elipse central é a maior, coincidindo com a localização da cúpula. Também elíptica,  a cúpula oferece uma magistral perspectiva vertical. Dependendo da posição onde nos encontremos, adquire um formato oval ou circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPintada por Luis González Velázquez, as cenas retratam episódios da vida de São Marcos, combinando a escultura com a pintura. Abaixo, vemos o Retábulo Maior, realizado no séc. XVIII, ainda que reformado depois que a igreja sofreu um incêndio em 1925. No centro, vemos uma imagem de São Marcos apoiado em seu animal símbolo, o leão, para escrever o evangelho. A escultura foi feita por Juan Pascual de Mena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo somente tornou-se paróquia em 1820, pois era utilizado como uma filial do Convento Beneditino de San Martín. A Igreja de San Marcos foi uma das poucas que não sofreu nenhum tipo de vandalismo durante a Guerra Civil. Por sua importância arquitetônica, foi declarada Monumento Nacional em 1944.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral do espaço central vemos belos retábulos, como o dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, considerada a imagem mais antiga de Madrid desta titulação. Feito de madeira imitando mármore, foi reconstruído depois do incêndio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, o retábulo dedicado a São Bento (480/547), fundador da Ordem Beneditina. O livro que segura em sua mão direita é uma referência à regra monástica que escreveu, base para todas as demais existentes. Juan Pascual de Mena (1707/1784) foi o autor da escultura, daquele que é considerado Padroeiro da Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Escolástica (480/543), irmã gêmea de São Bento, também foi representada pelo mesmo artista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA singular planta desta igreja, apesar de rara em Madrid, são comuns na Itália. Estive um bom tempo admirando sua curiosa estrutura, e creio que as fotos não são capazes de mostra sua complexidade construtiva e o jogo de perspectivas do espaço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Palácio Real de Madrid – Parte 2

O Palácio Real de Madrid já foi tema de um post publicado em 5/10/2012. No entanto, este que é um dos principais monumentos da cidade, por ter sido a residência oficial dos Reis da Espanha, necessita de algumas informações complementares, que não foram abordadas na publicação inicial.  Foi dito que o atual Palácio Real foi construído no mesmo local do antigo Alcázar, que foi destruído sem misericórdia por um incêndio em 1734, durante o reinado do primeiro rei da Dinastia Burbônica do país, Felipe V. O Alcázar transformou-se na residência real depois que a cidade foi reconquistada em 1086, ocupando o local da antiga fortaleza árabe. Não se sabe ao  certo o início de sua construção, e o primeiro documento que a ele se faz referência data das reformas realizadas durante o reinado de Pedro I, a mediados do séc. XIV. A partir de Juan II, o Alcázar passou a ser a residência preferida dos reis da Dinastia dos Trastámaras. O edifício passou  a seu um palácio com as reformas e ampliações realizadas pelo rei Carlos I, que encarregou os arquitetos Luis de Vega e Alonso de Covarrubias para as obras. Com a chegada da corte em 1561 durante o reinado de Felipe II, o Alcázar se converteu na primeira residência real permanente do país. Não existem gravados nem planos do Alcázar anterior às reformas realizadas a partir do séc. XVI. Porém, abaixo vemos uma imagem do aspecto que possuía o Alcázar na primeira metade do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe II prosseguiu com as reformas, acrescentando um novo pátio chamado Pátio de la Reina (Pátio da Rainha), já que o antigo Alcázar possuía apenas um. Dessa forma, a construção ficou dividida em duas: a ala oeste para o rei e a leste para a rainha. A seguir, vemos uma maquete do Alcázar, que mostra também o seu aspecto no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmpliações e novas remodelações foram realizadas pelos demais reis da Dinastia dos Habsburgos. O incêndio que destruiu o Alcázar durou 3 dias, e lamentavelmente muitas obras de arte que o decoravam foram perdidas. O monarca Felipe V não gostava do antigo Alcázar (apesar de repleto de obras de arte, não possuía o mesmo conforto do Palácio de Versalhes, local onde viveu o rei ante de chegar ao trono espanhol), e este fato levantou suspeitas com respeito ao seu suposto vínculo com o incêndio. Atualmente, esta suposição parece infundada. Felipe V ordenou a construção do novo palácio ao melhor arquiteto da época, o italiano Filippo Juvara, que realizou um projeto de dimensões gigantescas que não contou com a aprovação real, já que Felipe V desejava que o novo palácio fosse construído no mesmo local que o alcázar destruído pelo fogo. Juvara, que chegou em Madrid em 1735, veio a falecer no ano seguinte. Felipe V contrata, então, seu discípulo Juan Bautista Sachetti, que modifica o projeto de seu mestre, adaptando-o ao gosto do monarca e à sua atual localização. Abaixo, vemos a fachada principal (sul), que dá de frente para a Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira pedra foi colocada em 1738 , e o Palácio Real finalizou-se em 1764 durante o reinado de Carlos III, que tornou-se o primeiro rei em habitá-lo. Abaixo, vemos a estátua do rei colocada logo na entrada do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um busto do rei que ordenou sua construção, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Real de Madrid possui uma planta quase quadrada, com 120m de comprimento e 28 de altura. Possui três níveis principais e dois subterrâneos, e se distribui em torno a um grande pátio. A fachada oeste oferece estupendas vistas do Campo del Moro e suas belas fontes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada norte tem como referência outra das áreas verdes que o circundam, os Jardins de Sabatini.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, a fachada leste dá para a Praça do Oriente e o Teatro Real, de onde foi tirada a foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção combina o cinza do granito com o branco da pedra calcárea de Colmenar. Na sequência, vemos uma imagem do Palácio Real de Madrid visto desde as margens do Rio Manzanares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a impressionante escada principal do palácio, que permite o acesso às dependências visitáveis do mesmo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Quartel do Conde Duque – Madrid

Os guardas da monarquia espanhola tiveram que esperar até princípios do séc. XVIII para ter um local que lhes acolhessem no centro da cidade de Madrid. Como vocês viram no post anterior, depois que Madrid tornou-se capital da Espanha em 1561, os soldados inicialmente se hospedaram nas próprias casas dos moradores da cidade, desde que a residência tivesse mais de um andar, segundo ditava a lei da Regalía do Aposento instituída por Felipe II. Somente a partir de 1717, durante o reinado de Felipe V, o primeiro monarca da Dinastia dos Bourbones, se construiu um quartel para albergar a Real Guardia de Corps, um corpo militar de elite criado para a custódia pessoal do rei em 1704.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo começo do séc. XVIII, o exército espanhol passava pelos piores momentos de sua história, devido a uma série de derrotas sofridas no continente europeu naquele período. Por isso, no início de seu reinado, Felipe V construiu vários quartéis na cidade, dos quais o chamado Quartel do Conde Duque tornou-se o mais famoso. Durante muito tempo foi considerada a maior construçao da capital, com 224m de comprimento por 82m de largura. O quartel foi edificado sobre o solar do antigo Palácio do Conde de Lemos e III Duque de Berwick y Líria, que se casou com a filha do Duque de Alba, família proprietária dos terrenos da regiao. Daí vem a explicaçao de seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grandiosidade da construçao se explica porque foi concebida para acolher 600 sodados da Guardia de Corps, além de 400 cavalos. Felipe V ordenou ao prefeito de Madrid na época, o Marquês de Vadillo, a construçao deste magnífico edifício. Este, por sua vez, encarregou o arquiteto Pedro de Ribera, que projetou a última amostra do Barroco Madrilenho, visível principalmente na fachada feita de pedra pelo grande arquiteto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO escudo de Felipe V preside a maravilhosa fachada do edifício, que vemos na parte superior. Exemplo da arquitetura militar francesa, o Quartel do Conde Duque possui 3 enormes pátios, sendo o central maior que os demais, e utilizado para os exercícios de cavalaria da Real Guardia de Corps.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem visitas guiadas que possibilitam conhecer zonas que normalmente nao estao permitidas nos dias normais, como a parte superior da construçao, com amplas vistas da cidade. Em 1869, um incêndio devastador provocou a decadência do Quartel do Conde Duque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 50 do século passado, foi quase derrubado, mas em 1969 foi adquirido pela prefeitura que o converteu num centro cultural, depois de uma reforma de reabilitaçao para tal fim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1976, foi declarado Monumento Nacional. Suas antigas funçoes militares deram lugar a um centro cultural repleto de atividades, como conferências, exposiçoes, além de sediar a Biblioteca Pública Municipal e o Arquivo Histórico da Vila de Madrid, entre outras entidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Parque da Fonte do Berro – Madrid

Uma das áreas verdes mais agradáveis de Madrid, o Parque da Fonte do Berro é um ilustre desconhecido, até mesmo para os madrilenhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente uma chácara, suas origens se remontam ao séc. XVII, quando seu terreno foi adquirido pelo rei Felipe IV. Sua existência está intimamente relacionada a Fonte do Berro, uma das fontes históricas de Madrid. Suas águas terapêuticas sempre foram apreciadas pelos madrilenhos, especialmente os membros da Família Real. Já durante a Dinastia Austríaca dos Habsburgos, a água  da fonte era consumida pelos poderosos monarcas espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento da Dinastia dos Bourbones, a tradiçao em consumir a agua da Fonte do Berro prosseguiu, pois Felipe V gostava das denominadas águas gordas, que jorravam da fonte. Durante um bom tempo, era conhecida também como a Fonte do Rei. A famosa água procedia do denominado Arroyo Abrónigal, um riacho que foi sepultado depois da construçao da rodovia de circunvalaçao M30, que passa ao lado do parque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte em si é simples, com o escudo da cidade de Madrid em uma de suas laterais. Infelizmente, encontra-se um pouco esquecida e abandonada. O referido monarca Felipe V cedeu o terreno do parque aos frades beneditinos do Monastério de Montserrat (situado na Comunidade da Catalunha). A doaçao incluía o desfrute do lugar, mas nao a utilizaçao da água, que permanecia sob controle real. Quando se construiu a Igreja de Montserrat em Madrid, o parque voltou a ser propriedade real. Depois, passou por outros proprietários, até que em 1948 foi adquirido pela Prefeitura de Madrid, que o transformou num parque público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque da Fonte do Berro foi declarado Jardim Histórico, e o palacete que formava parte da antiga chácara foi transformado num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o parque está repleto de estátuas de  personalidades do mundo das artes e da literatura, tanto nacionais, quanto estrangeiros. Um dos homenageados é o poeta russo Alexander Pushkin (1799/1837).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Entre os espanhóis, mencionamos a Gustavo Adolfo Bécquer (1836/1870), poeta romântico, um dos mais conhecidos do idioma castelhano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu entao, o músico Enrique Iniesta (1906/1969).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor seu legado histórico e as belas paisagens que oferece, o Parque da Fonte do Berro merece ser mais conhecido e valorizado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA