Fim de Semana – La Mancha

A Comunidade de Castilla La Mancha oferece uma excelente oportunidade para os turistas que se encontram em Toledo, ou mesmo em Madrid, de passar um fim de semana com muitos atrativos. Em um passeio de dois dias, podemos disfrutar de caminhadas ecológicas, da gastronomia manchega, através da visita a uma de suas inúmeras bodegas de vinho, e da parte cultural, conhecendo alguns de seus pueblos mais acolhedores. E tudo isso a poucas horas da capital.

Iniciando a excurçao sábado pela manha, nosso primeiro destino será o Parque Nacional de Los Cabañeros, situado entre as províncias de Toledo e Ciudad Real. O local integra a rede de 14 Parques nacionais de Espanha, e está catalogado também como Zona Especial de Proteção das Aves (ZEPA).

Com uma superfície aprox. de 41mil hectares, é um dos espaços naturais de maior relevância da Península Ibérica, já que protege os bosques mediterâneos, tão devastado no resto do país.

Dentre as várias rotas para conhecê-lo, visitamos o denominado “Sendero del Boqueron del Estena”, que parte do povoado de Navas de Estena. O caminho está apto para todos, já que apresenta baixa dificuldade nos seus 8km (ida/volta), ao longo da trilha que margeia o rio Estena. Apresenta uma típica vegetação mediterânea e também àquela associada às ribeiras fluviais da zona.

O Parque Nacional abriga uma grande biodiversidade, devido à variedade de ambientes que acolhe. Na sua fauna avícola destacam espécies em perigo de extinção, como a águia imperial ibérica e o buitre negro. Cabe ressaltar a grande quantidade de aves, 198, das quais 3% estão ameaçadas a nível mundial, como as duas espécies citadas acima.

Os mamíferos estão representados pelo javali, a lebre, o raro lince ibérico, a cabra montês e o cervo, animal encontrado nas regiões planas da reserva e que, junto as árvores dispersas, deram ao parque o apelido de “Serengueti Espanhol”.

Possui também uma importante e diversa população de anfíbios, répteis e peixes. Da mesma forma que a fauna, a flora também apresenta espécies ameaçadas.

Outro aspecto notável é a sua geologia. Os montes de Toledo, local onde se localiza o parque, formam a cadeia montanhosa mais antiga da Península Ibérica e o desgaste do relevo associado à erosão cria uma insólita paisagem. Além disso, na trilha que percorremos, podemos observar restos fósseis de 400 milhoes de anos, quando este território estava submergido pelas águas oceânicas. Recentemente, foi encontrado os restos fossilizados de atividade de um Gusano Gigante, o mais antigo descoberto até o momento.

Em 1982, o local passou a ser conhecido por todo o país, devido a intenção do Ministério da Defesa de transformar a área em um campo de tiro e de manobras do exército. Graças a pressão popular e política que foi gerada, e dada sua riquesa ambiental, o território foi declarado Parque Natural e em 1995 obteve o grau máximo de uma unidade de conservação, o de Parque Nacional.

As cabanas, utilizadas pelos pastoreiros e carvoeiros da região, eram tão características da comarca, que deram o nome à nova reserva criada. Eram construções temporárias, usadas durante a temporada de atividades no local.

Atualmente, existem 11 pueblos dentro dos limites da reserva e seu isolamento, ainda hoje, permitiu sua conservação. A escassa população utilizava técnicas tradicionais para a obtenção de seus recursos e a economia familiar se baseava principalmente na agricultura e pecuária de subsistência, assim como na elaboração de produtos para a venda. A aparição de novas tecnologias fez com que muitos destes ofícios, a maioria deles passado de pai para filho, estejam desaparecendo. Porém, graças a iniciativa de alguns e a tradição local, ainda sobrevivem.

Terminada a caminhada, fomos conhcer um dos belos pueblos da regiao. Antes, porém, fizemos uma parada para contemplar as vistas de um embalse (represa), elemento comum na paisagem espanhola.

Puerto Lápice é dos inúmeros pueblos que compõem a chamada “Ruta Del Quijote”, elaborada a partir da novela de Cervantes. A localidade possui belos exemplos de arquitetura tradicional, como sua pitoresca Praça Maior.

Não podia faltar, é claro, os famosos Moinhos, cujo episódio da obra cervantina é dos mais relembrados. No próximo post, seguiremos com o passeio…

Paisagens de Aragón

A Comunidade de Aragón, apesar de nao ser dos destinos preferenciais quanto ao turismo em Espanha, reserva inúmeras surpresas relativas ao extenso patrimônio Artístico-Cultural que possui, como também referente às suas paisagens. Se ao norte reina soberano os Pirineus, nas demais regiões a natureza é igualmente generosa. Visitaremos, pois, algumas delas, já que são muitas, e em uma só publicação sería impossível retratar toda sua riqueza.

O Parque Natural do Monastério de Piedra localiza-se na Província de Zaragoza, a cerca de 1h30min da capital.

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Oculto entre as abruptas serras do denominado Sistema Ibérico, situa-se no município de Nuévalos. O parque oferece caminhadas, cuja protagonista indiscutível é a água, que moldou cascatas e grutas de inegável encanto.

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A cachoeira mais impressionante é a Cola de Caballo, cuja queda de 50m pode ser apreciada dentro de uma gruta.

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Dentro de seus limites, observam-se ecossistemas de grande valor biológico, onde a fauna e a flora são abundantes, em um espaço relativamente reduzido.

O Lago do espelho é um dos locais onde a natureza mais transborda magia e esplendor.

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Não bastasse seu fabuloso entorno natural, no parque encontra-se um monastério Cistercense construído entre os séc. XII/XIII e que também pode e deve ser visitado. A região passou a ser mais conhecida pelos brasileiros depois da publicação do livro “Na margem do Rio Piedra, eu sentei e chorei”, de Paulo Coelho.

Um dos lugares mais misteriosos de toda a comunidade é o Monte Moncayo, devido às histórias e lendas de tempos passados, que lhe conferiram o status de mágico, quando na Idade média bruxas reuniam-se para seus rituais nas imediações da montanha. Situado entre as províncias de Zaragoza e Sória, esta já em território de Castilla-León, o Moncayo é o pico mais alto do denominado Sistema Ibérico, cordilheira que separa a meseta central do Vale do Rio Ebro, com 2.314m de altitude

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Sua ascensão não apresenta grandes dificuldades, com exceção do inverno, quando o acúmulo de neve pode representar dificuldade e perigo para os montanhistas.

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Desde 1978, sua área foi protegida sob a designação de Parque Natural De La Dehesa del Moncayo.

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A paisagem aragonesa está repleta de represas, aqui chamadas de embalses, cujas construções para o plantio e a agricultura tornaram-se fundamentais, num ambiente árido e seco como o de boa parte da comunidade. Um dos exemplos é o embalse de Maideuera, cujas imagens abaixo refletem sua singular beleza.

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Outra das reservas dignas de visitação é o Parque Cultural del Rio Martín. Uma das trilhas mais populares é a chamada rota de Peñarroyas, próxima ao município de Montalbán, situado a nordeste da Província de Teruel.

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Ao longo do rio, abundam as formações areníticas e em seus barrancos encontramos mais de 40 grutas, muitas delas com pinturas rupestres.

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Finalizamos o post numa das trilhas da denominada Selva de Oza, situada ao norte da comunidade, numa porção em que os Pirineus não ganham tanta altura como em sua parte central.

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De qualquer modo, a paisagem é maravilhosa, embelecida com cachoeiras e rios. Originária do degelo, um mergulho em suas águas requer muita, mais muita coragem…

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