Tarragona Moderna e Contemporânea

A partir do século XVI, se constroem em Tarragona novas fortificações para defender a cidade das constantes guerras e ataques de piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs epidemias continuavam assolando a cidade, provocando uma alta taxa de mortalidade, além do êxodo populacional. O porto sofreu graves prejuízos e acabou ficando abandonado, de forma que a atividade comercial foi desviada ao Porto de Salou. A economia entrou num período crítico, do qual se recuperou somente no século XVIII, quando se autorizou a reconstrução do porto, concedendo-lhe a permissão para comercializar livremente com o continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano cultural, a partir do século XVI os arcebispos da cidade desempenharam um importante papel em sua renovação. Muitos deles ocuparam cargos políticos, e dotaram a cidade de uma Universidade Literária. Por outro lado, as ordens religiosas realizaram abundantes atividades benéficas e educacionais. A chegada da água à cidade, impulsionada pelos religiosos, contribuiu de forma evidente para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, a Guerra da Independência, travada contra o exército de Napoleão, foi devastadora para Tarragona. Ocupada em 1811, o rastro de fome e miséria deixado após o conflito foi enorme.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa metade do século XIX, o crescimento econômico possibilitou reformas urbanas que acabaram transformando sua fisionomia. Em 1868, Tarragona deixou de ser uma praça forte, fato que permitiu a construção de novos edifícios situados fora do recinto de Muralha de San Juan, erguida no século XVI, que havia se convertido numa barreira entre a tradicional parte alta da cidade e o florescente bairro da marina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, em 1854, se começou a derrubar uma parte da muralha medieval para que a cidade pudesse expandir-se. Neste ano, iniciou-se o projeto da Rambla Nova, que acabou convertendo-se no eixo comercial da cidade. Atualmente, a Rambla Nova é uma das mais importantes avenidas de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras no porto e no ensanche (processo de expansão urbana) provocaram a descoberta de vários restos arqueológicos de época romana, base da coleção do importante Museu Arqueológico de Tarragona. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, a cidade mais uma vez sofreu danos, desta vez devido aos bombardeios, e sua infraestrutura teve que ser novamente reconstruída. Na segunda metade do século XX, Tarragona transformou-se numa cidade industrial especializada no campo petroquímico, considerado o mais importante de toda a Espanha. Seu renovado porto torna-se o segundo do país em quantidade de toneladas anuais. A população aumenta graças à imigração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período, a partir do século XVI, podemos conhecer vários outros pontos de interesse na cidade, como a Casa Museu Castellarnau, um excepcional exemplo de residência nobre em Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no começo do século XV, nesta casa esteve hospedado o Rei Carlos I, durante uma visita à cidade em 1542. Conserva um interessante pátio gótico, e no século XVIII foi adquirida por um nobre chamado Carles de Castellarnau, que reformou o edifício. A casa hoje em dia é um museu e na visita contemplamos um estilo decorativo pertencente aos séculos XVIII e XIX.

DSC02057DSC02064Ao final da Rambla Nova, situa-se um maravilhoso mirante da cidade, com vistas ao porto, praias e monumentos relacionados com Tarraco, como o Anfiteatro Romano. Ficou conhecido como o Balcão do Mediterrâneo, nome escolhido por Emilio Castelar (1832/1899), político, escritor e jornalista espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado num acantilado ao borde do mar, uma zona ajardinada de forma elíptica evoca a fisionomia do Anfiteatro Romano, localizado junto ao mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim foi plantado com várias espécies vegetais, entre as quais mencionamos a denominada “Trilogia do Mediterrâneo“, que constituía a base agrícola do mundo romano, o trigo, a uva e a oliva.

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Mariano Benlliure – Madrid

Durante a história da evolução urbana, as esculturas públicas sempre foram uma excelente forma de embelezamento das cidades, mantendo viva a lembrança dos personagens que fizeram parte de sua vida cultural, artística, política, etc. Neste quesito, Madrid é uma cidade privilegiada, pois o seu catálogo de esculturas supera as duzentas obras (sem contar as inúmeras esculturas realizadas para o Palácio Real e as de caráter mitológico, igualmente abundantes na capital). Muitas das peças escultóricas mais conhecidas de Madrid foram realizadas pelo mesmo artista, Mariano Benlliure, considerado um dos maiores escultores do século XX na Espanha. Um belo exemplo é o monumento que preside a medieval Plaza de la Villa, uma homenagem a Álvaro de Bazán (1526/1588), nomeado capitão geral das galeras espanholas pelo rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta escultura foi realizada por Mariano Benlliure em 1891, e nela podemos observar uma das principais características de sua ampla obra, o trabalho minucioso e o rigor histórico nos detalhes, presentes na roupa do homenageado e no retrato facial do mesmo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMariano Benlliure nasceu na cidade de Valência em 1862. Veio ao mundo no seio de uma família de artistas, e sua formação inicial como escultor foi autodidata. Posteriormente, complementou seus estudos em Madrid e em 1881 mudou-se para Roma, onde abriu um estúdio, permanecendo na cidade eterna durante quase 20 anos. Neste período, ganhou diversos prêmios, mas o reconhecimento internacional chegou em 1900, quando ganhou a medalha de ouro na Exposição Internacional de Paris. Em seguida retornou a Madrid, onde produziu boa parte de sua variada obra. O primeiro monumento realizado pelo artista na capital espanhola podemos ver na chamada Plaza de Paris, situada em frente ao Tribunal Supremo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estátua de mármore representa a rainha Bárbara de Bragança (1711/1758), e foi realizada em 1887. Esposa do monarca Fernando VI, promoveu a construção do Monastério das Salesas Reales, que se encontra nas proximidades da praça, como Panteão Real para ela e seu marido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANesta estátua, Benlliure não teve liberdade para o desenho, pois tinha que adequar-se ao monumento a Fernando VI feito no séc. XVIII e situado na mesma praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Entre 1889 e 1893, o artista realiza outra estátua de um personagem real, Maria Cristina de Borbón (1807/1878), um monumento situado ao lado do Museu do Prado, na parte traseira do chamado Casón del Buen Retiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaria Cristina de Borbón foi a quarta esposa do monarca Fernando VII e mãe de Isabel II, que reinou depois da morte do pai.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMariano Benlliure dominou com perfeição todos os materiais (gesso, mármore, bronze, etc), gêneros e técnicas da escultura. Além de seu maravilhoso trabalho artístico, desempenhou diversos cargos públicos de importância, como Diretor da Academia Espanhola em Roma, Diretor Geral de Belas Artes e do Museu de Arte Moderna de Madrid. Um dos edifícios mais belos da capital espanhola é o Metrópolis, localizado na intersecção da Calle Alcalá com a Gran Vía. Nele, Benlliure deixou sua contribuição nas esculturas centrais realizadas em sua parte superior, bem embaixo da cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO escultor homenageou, além de reis e rainhas, a personagens públicos relevantes da história da cidade. No Paseo de la Castellana encontra-se o monumento ao político, historiador e acadêmico Emílio Castelar (183271899), realizado em 1908.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estátua foi realizada em bronze, ma o conjunto inclui o emprego de outros materiais, razão pela qual a obra apresenta uma grande complexidade técnica. Emílio Castelar é representado em seus famosos discursos como grande orador que foi, e o monumento está rematado com três Graças e várias alegorias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos a segunda parte da obra deste excepcional escultor, que transformou a paisagem de Madrid com seu legado artístico.