As Torres de Valencia

Antes da reconquista de Valencia no século XIII por Jaime I, a cidade contou com dois recintos de muralhas, um construída durante a época romana e outro no período da dominação árabe. No século XIV se ergueu um novo sistema defensivo durante o reinado de Pedro IV de Aragón, construído entre 1356 e 1370. Esta muralha medieval possuía 4 km de perímetro e estava composta por 13 portas, das quais 4 monumentais e 9 portas pequenas. A muralha foi derrubada em 1865 para que a cidade pudesse ser ampliada além de seus limites, mas se conservam duas das grandes torres de acesso ao seu interior. O acesso principal à cidade se dava pela denominada Torre dos Serranos, uma imponente construção que ainda é um dos referentes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre foi construída entre 1392 e 1398 pelo mestre de obras Pere Balaguer, que se inspirou nos modelos da arquitetura militar gótica de Gênova, na Itália. Além de sua função defensiva, era usada como entrada para cerimônias oficiais, como a vinda de embaixadores e monarcas de outros países. Seu nome se originou porque este era o caminho de entrada da cidade desde a Comarca dos Serranos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta pentagonal, a Torre dos Serranos encontra-se num excelente estado de conservaçao. Em 1586 transformou-se em prisão militar para nobres e cavalheiros. Durante a Guerra Civil Espanhola, travada entre 1936 e 1939, converteu-se num depósito previamente adaptado para proteger as obras de arte do Museu do Prado de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Torre dos Serranos foi declarada Monumento Histórico-Artístico. A parte interna da torre desempenhou outras funções, além de proteger a cidade, como a celebração de festas e atos públicos. As festividades mais famosas de Valencia, conhecidas como Fallas, se inauguram justamente na Torre dos Serranos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra torre pertencente à Muralha Medieval de Valencia que se conserva é a robusta Torre de Quart. Foi edificada entre 1441 e 1460 pelos mestres Pere Compte e Francesc Baldomar, que se inspiraram nos sistemas defensivos de Nápoles. Sua denominação se explica porque ela conduzia à cidade de Quart de Poblet, desde onde seguia o caminho ao antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém característica da arquitetura militar gótica, a Torre de Quart está composta por duas torres gêmeas. Desde o século XVII até 1952, foi utilizada como prisão militar e armazém de pólvora. Durante muito tempo foi chamada de Torre da Cal, já que por ela entrava este material na cidade. Esta magnífica construção suportou diversos ataques durante sua história, como os efetuados durante a Guerra da Sucessão Espanhola (século XVIII), a Guerra da Independência (XIX) e a Guerra Civil do século XX. Podemos observar na torre as marcas que deixaram os canhões de Napoleão durante os ataques efetuados à cidade durante a Guerra de Independência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas da cidade fechavam à noite, e muitos viajantes, quando chegavam a Valencia, tinham que dormir à esmo fora do recinto de muralhas. Em 1931, a Torre de Quart também recebeu o título de Monumento Nacional por sua importância histórica. A torre pode ser visitada e do alto de sua estrutura almenada as vistas do centro da cidade impressionam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de construção da muralha ocorreu em virtude da denominada Guerra entre os 2 Pedros, um conflito entre os Reinos de Castilla e  Aragón, que envolveu os monarcas Pedro I de Castilla e Pedro IV de Aragón (1356 e 1369). O rei aragonês tinha como objetivo principal incorporar o Reino de Murcia à Coroa de Aragón, além de dominar o Mediterrâneo, em disputa com o Reino de Castilla e sua aliada, a cidade de Gênova. Por outro lado, o reino castelhano encontrava-se num período de intensa crise social, devido ao conflito entre Pedro I e seu irmão bastardo Enrique de Trastámara, também pretendente ao trono castelhano. A guerra iniciou-se com o ataque aragonês a barcos genoveses. Ao final da batalha, não houve nenhum vencedor claro, pois as aspirações de Pedro IV não se concretizaram e Pedro I de Castilla acabou sendo assassinado e destronado por Enrique de Trastámara.

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