Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés

 

 

Hostal dos Reis Católicos – S.Compostela

No post de hoje, comentarei sobre um dos edifícios emblemáticos da Plaza del Obradoiro, a mais famosa de Santiago de Compostela, conhecido como Hostal dos Reis Católicos. Esta formidável construção originou-se quando os Reis Católicos Fernando e Isabel visitaram a cidade em 1486 e constataram a deficiência no atendimento e cuidado de doentes e também dos peregrinos que chegavam à cidade. A instituição recebeu o nome de Hospital dos Reis Católicos, sendo que o projeto da obra foi realizado por Enrique Egas, iniciando-se a construçao em 1501 e finalizando-se dez anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEnrique Egas projetou o edifício na fase final do estilo gótico, num momento de transição para a arquitetura renascentista. Realizou uma fachada como se fosse um retábulo, com uma rica ornamentação que inclui escudos reais, do antigo Reino de Castilla, e personagens religiosos como Cristo, a Virgem Maria, santos e apóstolos. Esta corrente artística, que caracteriza-se por uma profunda decoração, é conhecida como Estilo Plateresco e desenvolveu-se na Espanha a partir do final do século XV, sobretudo na arquitetura. Abaixo, vemos os medalhões dos Reis Católicos, que enaltecem o poder monárquico e contrastam com o poder religioso da catedral e o palácio arcebispal, ambos situados na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO virtuosismo escultórico do projeto de Enrique Egas obrigou a utilização de uma pedra mais blanda, em vez do usual granito, que não suportou o clima instável da cidade, sendo novamente refeito no século XVI. Abaixo, vemos alguns detalhes da bela fachada do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior possui uma planta retangular com 4 pátios construídos a modo de claustros, sendo dois deles realizados no século XVI e os demais no XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs pátios receberam nomes relativos aos 4 apóstolos evangelistas (Marcos, João, Lucas e Mateus). Como elemento comum, a presença de fontes no centro de cada pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm um dos pátios vemos pequenas, mas curiosas esculturas, que representam de forma simbólica os vícios e pecados que os internos deveriam evitar, quando o hospital converteu-se numa hospedaria. Constituíam um verdadeiro código de conduta, cujo cumprimento era vigilado com grande severidade. Algumas delas representam o pecado da luxúria, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm homem atado a um grande tonel simboliza o perigo da embriaguez….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos pátios, é possível visitar a Capela do antigo Hospital, construída no estilo gótico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o portão que separa a capela (reja, em espanhol), uma belíssima obra do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, um detalhe do teto da capela….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1954, o lugar converteu-se num dos estabelecimentos que integram a Rede de Paradores Nacionais da Espanha, uma rede hoteleira que se caracteriza por sua presença em edifícios históricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo lembrança dos séculos de hospitalidade, ainda hoje se mantêm o costume de fornecer café da manhã, comida e jantar aos primeiros peregrinos que chegam ao local diariamente…

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Catedral de Alcalá de Henares

Na matéria de hoje conheceremos um pouco da Catedral de Alcalá de Henares, sua longa história e sua importância para a cidade. Sede da Diocese de Alcalá, o templo foi objeto de várias reformas, destruições e reconstruções no decorrer dos séculos. O templo que hoje observamos data do século XVI e sua construção foi impulsionada por um dos personagens mais importantes associados, não só à cidade, mas a toda Espanha no final do século XV e princípio do XVI, Francisco Jiménez de Cisneros, mais conhecido como Cardeal Cisneros (1436-Torrelaguna/1517-Roa).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua existência está relacionada com dois fatos históricos proeminentes da cidade, o martírio dos santos meninos Justo e Pastor, padroeiros da cidade, e a fundação da famosa Universidade de Alcalá de Henares, a principal obra do Cardeal Cisneros, a qual historicamente a catedral esteve vinculada (em breve realizarei um a matéria sobre esta instituição fundamental).  Somente assim podemos compreender o significado de seu nome, Catedral Magistral dos Santos Justo e Pastor. O termo magistral implicava que todos os seus membros deveriam obter o título de “Magistri”, mestres em teologia graduados pela universidade. Junto com a Igreja de São Pedro de Lovaina (Bélgica), é a única catedral do mundo que recebeu este título, concedido em 1519 durante a época de Cisneros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Sua história se remonta à época da Hispania Romana pois, segundo a tradição, o templo foi construído no local onde foram sepultados os meninos Justo e Pastor, decapitados durante a perseguição religiosa a que os cristãos foram submetidos no período de Diocleciano. Abaixo, vemos a reprodução dos mártires numa pintura mural que se encontra na Igreja de San Justo y Pastor de Segóvia, provavelmente a representação mais antiga que se conhece destes santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA arqueologia comprova a antiguidade deste local sagrado, pois achados pertencentes ao período romano tardio, contemporâneos ao martírio, foram encontrados no interior da catedral. Uma pequena capela foi construída no ano 414 para acolher os restos dos santos. Durante o período visigodo, este templo inicial foi ampliado, recebendo o título de catedral. Depois que Alcalá de Henares foi reconquistada no século XII, na época sob domínio árabe, se ergueu uma nova igreja a partir de 1122.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra reforma importante foi realizada durante o governo do Arcebispo de Toledo Alfonso Carrillo de Acuna a partir de 1479. Dois anos antes, a igreja recebeu o título de Colegiata, através de uma bula papal. Quando o Cardeal Cisneros tornou-se Arcebispo de Toledo, a colegiata encontrava-se num péssimo estado, e ordenou reconstruí-la, processo que durou de 1497 a 1516. Ambos personagens se encontram sepultados na catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto do novo templo foi realizado inicialmente por Anton Egas e depois por seu irmão Enrique Egas, sob a supervisão do mestres de obras reais do Cardeal Cisneros, Pedro Gumiel. De estilo gótico flamígero, seu exterior se apresenta simples e austero, como podemos ver nas fotos acima. No entanto, na porta principal se combinam os estilos gótico, renascentista e mudéjar. No relevo central desgastado, se representa a imposição da vestimenta religiosa a San Ildefonso, e a ambos os lados, o escudo de armas do Cardeal Cisneros. Observamos também a presença do cordão franciscano, já que Cisneros pertencia à Ordem Franciscana, e os nós representam os votos de obediência, castidade e pobreza, próprios desta ordem religiosa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA imponente torre, de estilo renascentista, foi erguida segundo o projeto de Rodrigo Gil de Hontañón a partir de 1528, e somente foi concluída nas primeiras décadas do século XVII. O corpo dos sinos da torre se converteu num importante ninho de cegonhas brancas, algo habitual em todas as torres da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos imagens do interior da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgão acima substituiu os anteriores medievais, e atualmente se realizam concertos de música sacra no interior da catedral. A seguir vemos as belas rejas (portões que separam altar maior, coro e capelas nas catedrais espanholas) que se conservam, como a que fechava o coro, lamentavelmente desaparecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reja de abaixo situa-se atrás do altar maior, e guarda restos do antigo coro, originalmente situado no centro da nave maior. Um bonito vitral com a representação da Ascensão da Virgem Maria completa o espaço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos a segunda parte da matéria sobre a Catedral de Alcalá de Henares

 

Último Passeio por Antequera

Definitivamente, Antequera merece o adjetivo de monumental, graças ao seu imenso patrimônio histórico e artístico, como pudemos ver nesta série de posts. Muitos outros lugares da cidade não tive a oportunidade de conhecer, por falta de tempo. Mas no último passeio que realizei pela cidade, pude visitar  outros locais interessantes, como sua bela Praça de Touros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espetáculo taurino mais antigo celebrado na cidade de que se tem notícia ocorreu em 1509, na Praça de San Sebastián. A antiga Praça de Touros, chamada de San Francisco, acolheu as corridas realizadas até mediados do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO atual coso taurino, como muitas vezes se designa a Praça de Touros, foi inaugurado em 1848. Em 1984, uma ampla reforma que durou duas décadas, fez com que adquirisse o aspecto de uma praça andaluza de finais do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Touros de Antequera possui um interessante Museu Taurino inaugurado em 1986 e um curioso restaurante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO calendário festivo da cidade é intenso, destacando a Semana Santa, com várias procissões onde o fervor religioso da cidade pode ser observado. Um monumento às festas realizadas neste período embeleza uma de suas ruas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntequera possui um patrimônio religioso invejável, com igrejas e conventos de uma beleza inigualável. Muitos ainda são frequentados por freiras de clausura, enquanto outros foram transformados em centros culturais. O antigo Convento de Santa Clara, fundado por monjas Clarissas pertencentes à Ordem Franciscana em 1603 é um exemplo. Desde 2009, é utilizado como local em que se pode ver exposições e varias atividades culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Real Monastério de San Zoilo, declarado Bem de Interesse Cultural, sedia atualmente a Biblioteca Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado um dos monumentos mais antigos preservados da cidade, sua construção foi ordenada pela rainha Isabel La Católica em 1500. Em 1515 finalizaram-se as obras, cujo projeto foi realizado pelo arquiteto toledano Enrique Egas. Do que foi o extenso convento franciscano, se conserva a igreja e o importante claustro gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro se compõe por dois níveis de galerias. Originalmente as colunas, feitas de arenito, estavam decoradas com capitéis historiados. No começo do séc. XVIII foram substituídas pelas que se conservam hoje em dia, de Ordem Toscano e talhadas em pedra calcária vermelha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a escada de acesso ao nível superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro do Real Monastério de San Zoilo pode ser visitado a partir da bela Praça de Plácido Fernández Viagas, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara recuperar do esforço de caminhar durante vários dias, nada melhor que um bom vinho e uma saborosa comida local. Num dos restaurantes em que estive, vi uma enorme maquete da cidade, totalmente feita à mão. Com 24 metros quadrados e 15 anos de trabalho, é considerada a maior da Espanha, representando uma cidade no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVoltei a Madrid com a esperança de retornar a esta encantadora cidade da Província de Málaga algum dia, porque Antequera merece ser visitada várias vezes. Motivos não faltam…

Monastério de San Antonio El Real – Segovia

Outro lugar que tive a oportunidade de visitar em minhas viagens a Segovia foi o Monastério de San Antonio El Real, um local realmente surpreendente.Como já foi dito em outra ocasião, o séc. XV representou uma época de prosperidade para Segovia, cujo esplendor podemos observar neste monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta instituição religiosa foi fundada em 1455 pelo rei Enrique IV, que manteve uma estreita ligação com a cidade de Segovia desde que nela passou a viver, sendo um de seus lugares favoritos, junto com Madrid. Em 1440, Juan II cedeu o senhorio de Segovia a seu filho Enrique IV, que contribuiu com várias obras para a cidade. O monastério foi construído numa zona de recreio que o rei possuía fora do recinto amuralhado da cidade, chamado El Campillo. O local foi cedido à Ordem dos Franciscanos para a construção de um convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO documento fundacional de 1455 parece indicar a existência de uma construção prévia ao monastério, provavelmente a conhecida Casa do Príncipe, mandada construir por Juan II para seu filho. Com a construção do monastério, esta edificação passou a funcionar como enfermaria. Abaixo, vemos a porta principal do convento, atribuída aos arquitetos Juan Guas e Enrique Egas, onde podemos apreciar dois escudos de armas de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1488, Isabel la Católica, irmã de Enrique IV, cedeu o conjunto à Ordem das Clarissas, que realizou várias reformas para adaptar o espaço às suas necessidades conventuais. Uma outra porta foi erguida no séc. XVIII, e nela estão representados Enrique IV junto a San Antonio de Pádua e sua irmã Isabel, com Santa Clara. Ambos monarcas aparecem em atitude orante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO estado de conservação do monastério é excelente, e podemos conhecê-lo da mesma forma em que foi concebido originalmente. A seguir vemos o Claustro dos Franciscanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. XV, se construiu um monastério independente, organizado em torno a outro claustro, que dividia com o Monastério das Clarissas a Capela Maior. No entanto, esta parte do conjunto foi abandonada e transformada num armazém, e em 2007 se converteu numa hospedaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do Monastério de San Antonio possui um aspecto sóbrio, em contraste com a Capela Maior, ricamente decorada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior  foi  realizado em 1730, em madeira dourada. Um dos grandes tesouros do monastério é a grande quantidade de tetos decorados com artesanato mudéjar. Um deles decora Capela Maior, bem em cima do retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO artesanato mudéjar está composto por estrelas de 5 e 10 pontas e policromado em azul, vermelho e ouro. Sua conotação simbólica está relacionado com a vitória do rei Enrique IV sobre os muçulmanos na Batalha de Jimena, além de ser também uma representação celestial. Na nave encontramos uma obra de arte excepcional, o Retábulo da Paixão. Realizado por um artista flamenco no séc. XV em madeira talhada e policromada, consta de 135 figuras que se caracterizam pela expressividade e individualização dos gestos e rostos, dotando o conjunto de um grande caráter teatral. Este retábulo foi inspirado nas obras dos geniais artistas flamencos Jan Van Eyck e Roger Van Der Weiden. Uma estrutura de vidro o protege e as fotos não saíram boas. mesmo assim, vale a pena reproduzi-las aqui, para que tenham uma ideia de sua beleza.

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Palácio de Jabalquinto – Baeza

Baeza conserva dentro de seu centro histórico inúmeros palácios que pertenceram à nobreza, alguns dos quais podemos visitar, pois foram transformados em sede de instituiçoes públicas, comerciais ou culturais. No post de hoje conheceremos alguns deles. O Palácio de Sánchez Valenzuela, por exemplo, foi construído no final do séc. XV para Lope Sánchez de Valenzuela, cavalheiro da Ordem de Santiago e governador das Ilhas Canárias. Sua fachada impressiona por seu aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio dos Salcedo, construído para esta família no séc. XVI, é um exemplo do estilo de transiçao do gótico para o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco tempo atrás, o palácio foi transformado num hotel, como podemos observar no grande pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais belo de todos os palácios que conheci em Baeza foi o Palácio de Jabalquinto, de finais do séc. XV, e edificado como residência para Juan Alfonso de Benavides Manrique, primo do rei Fernando Católico e Senhor de Jabalquinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado uma verdadeira jóia do Estilo Gótico-Isabelino (também conhecido como Estilo Reis Católicos), sua maravilhosa fachada foi construída pelo arquiteto Juan Guas, o arquiteto predileto dos Reis Católicos ou entao por Enrique Egas, que construiu a Catedral de Granada. Uma das características principais deste estilo é a exuberância decorativa, como podemos ver nesta magnífica construçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do palácio possui um belo pátio, construído quase um século depois da fachada, inserindo-se dentro da estética renascentista (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComposto por dois níveis, alcançamos o nível superior através de uma espetacular escada barroca, profusamente decorada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe decorativo dos muros da escada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente restaurado, atualmente o Palácio de Jabalquinto pertence à Universidade Internacional de Andalucía, como uma ampliaçao do antigo Seminário Conciliar que vimos há poucos dias, que foi transformado em sua sede. O Palácio possui também um agradável jardim, onde os estudantes podem tomar um café e conversar depois das aulas.

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Granada

A cidade de Granada situa-se ao sul da Comunidade de Andaluzia, aos pés da Serra Nevada, que abriga, além de lindos pueblos, o ponto culminante da península Ibérica, o Pico de Mulhacén, com 3482m. Além disso, existem estações de esqui, consideradas das melhores de Espanha.

Seu período de maior prosperidade ocorreu durante a dominação árabe, quando se transformou num reino independente em 1023, sob a dinastia dos Ziríes. Em 1492, os Reis Católicos conquistaram a cidade, colocando um ponto final aos quase 8 séculos de domínio muçulmano no país. Conta-se que seu último rei, Boabdil, ao partir para o exílio depois da reconquista crista, olhou por última vez à sua amada cidade e chorou. Sua mãe o reprovou incontinente, pronunciando uma célebre frase:

“Choras como uma mulher o que não soubeste defender como um homem.”

Além da Alhambra e do Generalife, o bairro de Albaicín também foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.

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Situado numa colina em frente à Alhambra, da Praça de San Nicolás se contempla uma das mais belas vistas do palácio. O Albaicín é considerado o bairro árabe mais bem preservado de todo o país, conservando a beleza de sua arquitetura, num itinerário composto por ruas irregulares repletas de casas brancas, formando um labirinto de ruelas e praças de um encanto inegável.

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No bairro, é possível assistir a shows de flamenco, outras de suas atrações.

DSC00510A Catedral de Granada foi construída logo após a conquista dos Reis Católicos. Iniciada em 1505, sob as ordens da rainha Isabel “la Católica”, foi erguida sobre a antiga mesquita maior da cidade. Inicialmente, foi concebida como um templo gótico inspirado na catedral de Toledo. Porém, quando assumiram as obras os arquitetos Enrique Egas em 1523 e seu substituto Diego de Siloé em 1529, se modificou o planejamento original, transformando-se numa das primeiras catedrais renascentistas de Espanha.

Granada21Em 1664, Alonso Cano realizou uma reforma da fachada principal, introduzindo elementos barrocos. Abaixo vemos algumas imagens da catedral e seus dois órgãos, de mediados do séc. XVIII.

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Um dos locais mais importantes do templo é a Capela Real, construída por petição dos Reis Católicos, para que acolhesse o sepulcro do rei, da rainha e de seus descendentes. Desta forma, no interior podemos ver o túmulo de Isabel de Castilla, Fernando de Aragón, e seus filhos Juana “La Loca” e Felipe “El hermoso”. A partir de 1574, os monarcas passariam a ser enterrados no Monastério do Escorial, por desejo expresso do rei Felipe II. A capela está encostada à catedral, sendo o segundo monumento em visitas da cidade, depois da Alhambra.

Granada16Infelizmente, nao se podem tirar fotos no interior…

Também construída por Diego de Siloé a partir de 1537, a mudéjar Igreja de Santa Ana situa-se nas proximidades do rio Darro, e passear por suas margens é descubrir uma cidade cheia de lugares interessantes.

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