Museu de Cáceres

Para se conhecer as etapas históricas de Cáceres, bem como poder contemplar inúmeras peças artísticas, recomendo visitar o Museu da cidade, situado na Plaza de San Mateo. O museu encontra-se sediado no Palácio de los Veleta, um dos inúmeros palácios existentes no Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local onde atualmente se ergue o edifício, no século XIII se levantava o antigo Alcázar Árabe. Na segunda metade do século XV, o Rei Enrique IV concedeu a Diego Gómez de Torres a possibilidade de construir sobre a fortaleza um novo palácio, com a condição que não tivesse elementos defensivos. No entanto, o edifício que vemos atualmente se deve a Lorenzo de Ulloa y Torres. Na fachada, vemos os escudos de ambas as linhagens, dos Ulloa e da família Torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do museu é que se conserva o antigo Aljibe Árabe, um local utilizado como depósito de água. Excavado em parte na rocha, o espaço ocupado pelo Aljibe está formado por 5 naves separadas por arcos de ferradura. Suas colunas conservam elementos de épocas romana, que foram reutilizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu de Cáceres foi inaugurado em 1933, cuja origem se deve a sua importante coleção de peças arqueológicas, formada a partir do final do século XIX e que abrangem desde o Paleolítico até a Idade Média. Do período ibérico estão expostos vários Verracos, como se conhecem as esculturas zoomórficas feitas de granito, que representam touros, porcos ou javalis e utilizados como marcadores de territórios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras peças de grande interesse histórico constituem as Estelas, monumentos funerários onde guerreiros são representados de maneira heróica. O Museu de Cáceres possui uma das maiores coleções deste tipo de obras da Idade de Bronze. Os guerreiros aparecem junto às suas armas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém relacionado à cultura ibérica, o denominado Tesouro de Aliseda foi descoberto em 1920, estando considerado uma importante façanha da Arqueologia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da seção de arqueologia, o Museu de Cáceres está composto pelo acervo de Etnografía e Belas Artes, esta com várias peças de interesse, tanto na pintura quanto na escultura. Abaixo, vemos um Cristo Crucificado de marfim, feito por um artista anônimo das Filipinas, no século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste outro foi esculpido em madeira, no século XV, por um artista espanhol anônimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a representação da Santíssima Trindade, uma escultura feita de alabastro do século XVI (anônimo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Pintura, vários quadros despertaram meu interesse, entre os quais um de El Greco (1541/1614), com a representação de Jesus Salvador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um belíssimo tríptico flamenco da Paixão de Cristo, anônimo do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALuca Giordano (1632/1705), um pintor italiano que realizou diversas obras em solo espanhol, realizou este quadro de Santo André

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPintura Contemporânea Espanhola também faz parte do acervo pictórico do museu. Um exemplo é o pintor Darío Villalba (1939/2018), que realizou esta obra intitulada “Noche 81” em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra interessante, o quadro feito de acrílico intitulado “Agressión” em 1976 foi realizado pelo artista valenciano Juan Genovés, nascido em 1930.

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Betanzos – Galícia

Durante minha estadia em Ferrol, além de visitar La Coruña, aproveitei para passar o dia e retornar a Betanzos, cidade que já havia estado em 2012, mas que nesta oportunidade pude conhecer com mais calma e profundidade. Na primeira vez que estive em Betanzos fiquei impressionado pela beleza e monumentalidade de seu centro histórico, considerado um dos mais importantes de toda a Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom aproximadamente 13 mil habitantes, Betanzos é conhecida por ser a capital do gótico na Galícia, devido às várias e preservadas igrejas que foram edificadas neste estilo artístico, que em breve poderão conhecer. Além do mais, desde 1970 a cidade foi declarada Conjunto Histórico-Artístico em virtude da conservação de seu patrimônio histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade faz parte da Província de La Coruña, estando situada numa colina cercada pelos Rios Mandeo e Mendo, que se unem em seu perímetro para formar a chamada Ría de Betanzos. Abaixo, vemos uma imagem aérea de Betanzos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lenda afirma que Betanzos foi fundada por um chefe militar de origem celta chamado Breogán. Sua existência já foi documentada numa época em que o território espanhol fazia parte do Império Romano, constituindo uma de suas principais províncias, denominada Hispania.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi somente em 1212 quando recebeu o título de vila, concedido pelo monarca Alfonso IX, Rei de León e Galícia. Em 1465, Enrique IV lhe outorga o título de cidade e dois anos depois permite a realização de uma feira anual. Durante o reinado dos Reis Católicos, no final do seculo XV, Betanzos se converte numa das sete capitais de província do antigo Reino de Galícia, quando alcança seu máximo esplendor. Nada mais chegar à cidade, fui “recebido” por um belo conjunto de Hórreos, este tipo de construção associado ao armazenamento de grãos, onipresentes por toda a comunidade galega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravessei uma das portas da antiga muralha medieval para conhecer suas principais atrações…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha de Betanzos possuía 5 portas de entrada, das quais se conservam 3. Abaixo, vemos a porta situada em frente a uma das pontes que cruzam o curso fluvial que atravessa a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chamada Ponte Velha de Betanzos possuía uma torre defensiva no centro, que foi incorporada ao escudo da cidade. Atualmente pode ser visto em vários lugares do espaço urbano, como nas luminárias e também num pequeno parque, junto com os escudos de outras importantes cidades da Galícia. O escudo mais antigo que se conserva na cidade data do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, publicarei várias matérias sobre a cidade, de forma que os leitores (as) do blog possam descobrir esta encantadora localidade do interior da Galícia.

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Ayuntamiento de Madrid

Finalizando esta série sobre os Ayuntamientos de España, no post de hoje vocês conhecerão o edifício histórico da Prefeitura de Madrid. Está situado na Plaza de la Villa, um dos locais mais bonitos do centro histórico da capital, junto à Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de la Villa ostenta esta denominaçao desde o século XV, quando Madrid recebeu o título de “Noble y Leal Villa“, outorgado pelo Rei Enrique IV. Antes, o local se chamava Plaza de San Salvador, em virtude da igreja homônima que se localizava em frente à praça. No átrio desta igreja se realizava o Conselho de Madrid desde o século XIV, função que exerceu até o final do século XVI, sendo que no século XIX foi derrubada. Atualmente, o espaço da igreja está ocupada por edifícios de finais do século XIX, e uma placa recorda a existência do templo religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo sendo Capital da Espanha desde 1561, Madrid demorou em ter um edifício próprio como sede do Ayuntamiento. A construção da denominada Casa de la Villa iniciou-se em 1645, segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora, um dos principais arquitetos da época, durante o reinado de Felipe IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo construtivo durou 48 anos, e o Edifício do Ayuntamiento foi inaugurado em 1693. Depois da morte de Juan Gómez de Mora, outros arquitetos de importância retomaram o curso das obras, como José de Villareal, Sebastián Hurtado, José de Olmo e Teodoro Ardemans, que realizou os últimos detalhes do edifício e sua decoração exterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi edificada sobre as residências que pertenceram a D.Juan de Acuña, que recebeu o título de Marqués del Valle. O edifício se caracteriza por seu desenvolvimento horizontal, com duas torres cobertas com uma estrutura de pizarra nas esquinas (pedra de ardósia, em português). Os materiais construtivos se restringem à pedra de granito e o tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi alvo de algumas reformas, como a sucedida em 1798, quando o famoso arquiteto Juan de Villanueva construiu um balcão na fachada que dá para a Calle Mayor, para que os monarcas pudessem assistir as procissões de Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua função principal como Casa Consistorial, na Casa de la Villa funcionou também a Prisão da cidade. No começo do século XX, o arquiteto Luis Bellido construiu uma passagem unindo o Ayuntamiento com o antigo Palácio de Cisneros (construído em 1537 por Benito Jiménez de Cisneros, sobrinho do famoso Cardeal Cisneros), que havia sido adquirido pela prefeitura em 1906 para ampliar suas instalações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada principal podemos ver no lado esquerdo o Escudo de Madrid, o “Urso e o Madroño“, e o Escudo Real no centro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto antiga da Plaza de la Villa e o Ayuntamiento de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ uma pena que atualmente a Casa de la Villa não esteja  aberta à visitação pública, pois seu interior está formado por belas dependências e conta com uma rica coleção de obras de arte. No entanto, estas sim podem ser admiradas, pois muitas delas se encontram expostas no Museu de História de Madrid, situado na Calle de Fuencarral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi a sede do Ayuntamiento de Madrid desde o final do século XVIII até 2007, quando foi transferido para outro belo edifício, o Palácio das Comunicações, situado na conhecida Plaza de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntiga sede dos Correios e Telégrafos da Espanha, o Palácio das Comunicações foi construído no início do século XX pelos arquitetos Antonio Palacios e Joaquín Otamendi. Atualmente, funciona como um centro cultural, e em sua parte traseira se instalou o Ayuntamiento de Madrid. Abaixo, vemos o edifício iluminado e a parte traseira com sua imponente cúpula de cristal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Casa de la Villa é utilizada apenas como local de eventos oficiais e recepções.

Ampliação do Museu do Prado: Madrid

O Museu do Prado (post publicado em 17/5/2012) foi alvo de diversas obras de reformas ao longo de sua história. A mais importante delas finalizou em 2007, segundo um elogiado projeto do renomado arquiteto Rafael Moneo (1937). O plano levou em consideração os edifícios colidantes ao museu, como a Igreja de San Jerónimo La Real (matéria publicada em 7/7/2013). Dois edifícios emblemáticos de Madrid, um no plano artístico, e outro no religioso, foram integrados ao novo desenho de ampliação realizado.

DSC09098O edifício sede do Museu do Prado, um dos referentes da arquitetura neoclássica da Espanha, foi projetado pelo arquiteto Juan de Villanueva a partir de 1785, durante o reinado de Carlos III, com a função de acolher o Gabinete de História Natural. A Guerra da Independência contra os franceses no início do século XIX fez com que o edifício fosse duramente castigado em sua estrutura. Com o término da guerra, o edifício foi restaurado no reinado de Fernando VII e reinaugurado em 1819 como um Museu de Pinturas. Para tanto, contou com o esforço e dedicação da segunda esposa do rei, Maria Isabel de Bragança.

DSC03524DSC01970Já a Igreja de San Jerónimo La Real é uma das poucas construções de origem gótica existentes em Madrid. Formava parte do antigo Monastério de San Jerónimo, fundado pelo Rei Enrique IV no século XV. Originalmente, estava situado às margens do Rio Manzanares, mas as péssimas condições higiênicas do local fez com que os Reis Católicos ordenassem a construção de um novo edifício, situado em sua localização atual. Em 1502 se edificou a nova igreja no período final do gótico, que contava também com um quarto real situado junto ao presbitério, utilizado pelos reis durante sua estadia em Madrid. Dessa forma, os Reis Católicos podiam assistir a missa desde seu próprio aposento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, desde suas origens, sempre esteve ligada à monarquia, pois em seu interior se celebram casamentos reais e os juramentos dos Príncipes de Asturias. As várias reformas realizadas ao longo de sua secular história eliminaram a maior parte de sua fábrica gótica. Também danificada durante a Guerra da Independência, seu aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo arquiteto Enrique María Repullés em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério, que já não existe mais, chegou a ter dois claustros de épocas distintas. O primeiro, de estilo renascentista, foi destruído e substituido por um barroco, construído entre 1672 e 1681. Devido às guerras e sua própria antiguidade, o claustro permaneceu abandonado no século XX, e abaixo podemos observar seu estado numa foto do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais importantes da proposta de ampliação do Museu do Prado realizada por Rafael Moneo consistiu na recuperação do claustro e sua restauração. O claustro foi desmontado e recolocado dentro de um novo edifício, o chamado Cubo de Moneo.

DSC09095Feito de tijolo vermelho, o Cubo de Moneo acolhe hoje em dia o antigo claustro restaurado, e no novo espaço podemos contemplar uma série de esculturas históricas dos monarcas espanhóis, que será o tema do próximo post.

DSC09089O trabalho de Rafael Moneo incluiu também um novo vestíbulo situado na parte traseira do edifício histórico de Juan de Villanueva, que serve de entrada ao museu, denominado Puerta de los Jerónimos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestíbulo compreende vários espaços complementares ao museu, como cafeteria, loja, o acesso ao claustro e também salas onde se organizam exposições temporais de grande qualidade artística. Na parte superior do vestíbulo, Moneo projetou um belo jardim de formato geométrico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do Cubo de Moneo, a belíssima porta de acesso foi realizada pela artista Cristina Iglesias (1956). Realizada em bronze, possui 6m de altura e 22 toneladas de peso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto do Cubo de Moneo e, ao lado, a Igreja de San Jerónimo

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Catedral de Burgos – Parte 3

Na segunda metade do séc. XV, chegaram a Burgos uma grande quantidade de artistas procedentes do norte da Europa, especialmente de Flandes, Alemanha e França. Muitos deles colaboraram com sua genialidade para a beleza da Catedral de Burgos, ao construírem muitas de suas partes mais famosas. Um desses artistas foi Simon de Colonia (falecido em 1511), filho de Juan de Colonia (falecido em 1481), que também deixou um legado importante na construção da catedral. Simon de Colonia foi o responsável pela maravilhosa Capela do Condestable, denominada também da Purificação. Abaixo, vemos seu aspecto exterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela funerária foi finalizada por Simon de Colonia em 1494, a ele encarregada  por D.Pedro Fernández de Velasco (1425/1492), que possuía os títulos nobiliários de Conde de Haro, Senhor de Burgos e Condestable de Castilla, e por sua esposa, Doña Mencia de Mendoza (1422/1500), membro da poderosa linhagem dos Mendoza e irmã do Duque de Infantado. A Capela do Condestable é considerada uma das melhores obras construídas em Castilla neste período.

IMG_2851Simon de Colonia combina o estilo germânico com formas espanholas, criando nesta capela um grandioso espaço inspirado na arquitetura gótica alemã. A capela foi levantada sobre a antiga capela de São Pedro, situada na cabeceira do templo. Além dela, foram destruídas várias casas que se encontravam nas imediações da catedral. A capacidade deste artista pode ser comprovada na esbelta cúpula octogonal que realizou para esta capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos muros da Capela do Condestable podemos ver os escudos dos patrocinadores, a ambos lados do retábulo central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA capella possui 3 retábulos, sendo que o central representa a Purificação, concebido no estilo renascentista, provavelmente projetado pelo francês Felipe Vigarny e pelo burgalês Diego de Siloé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da capela vemos o Sepulcro do Condestable de Castilla e de sua esposa, realizado por Felipe de Vigarny em 1525, com mármore genovês. Representa a ambos de forma idealizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO título de Condestable foi criado pelo rei Juan I de Castilla para substituir o de Alferez Maior do reino. Aos nobres com tal denominação recaiam o comando supremo do exército, sendo considerados o maior representante do rei durante sua ausência. O monarca Enrique IV nomeou a Pedro Fernández de Velasco como Condestable de Castilla, a partir do qual o título se torna hereditário. Outra capela funerária de renome na Catedral de Burgos é a Capela da Concepção ou de Santa Ana, realizada por Juan de Colonia e seu filho, e terminada em 1483. Nela situa-se o magistral Retábulo Maior de Gil de Siloé, executado entre 1486 e 1492, que narra o mistério da Concepção Imaculada de Maria.

IMG_2848No centro do retábulo vemos o abraço de São Joaquim e Santa Ana diante da porta dourada de Jerusalém. Abaixo, o patriarca José aparece deitado e de seu peito nasce uma árvore que representa a descendência humana de Cristo. Gil de Siloé (nascido em Antuérpia, na Bélgica) é considerado o escultor mais importante da escola burgalesa do séc. XV e responsável por algumas das mais belas obras da arte hispano-flamenca, com um domínio técnico excepcional. Na Capela da Consolação ou de Sao José, vemos outra obra maravilhosa, uma bôveda octogonal e estrelada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos filhos de Gil de Siloé, conhecido como Diego de Siloé, nasceu em Burgos em 1495. Ficou tão famoso quanto o pai, e dele é uma das construções mais famosas de toda a catedral, a Escalera Dourada. Inicialmente trabalhou como escultor, e a Escalera Dourada foi sua primeira obra arquitetônica. Possui um caráter mais próprio das construções civis que religiosas, e para sua realização inspirou-se em modelos italianos, que conheceu pessoalmente durante uma viagem a Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sacristia da Catedral de Burgos apresenta uma bela cúpula oval repleta de uma decoração rococó, composta por cenas com motivos marianos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos outra imagem da Sacristia, com os retábulos nela existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos nossa visita a Catedral de Burgos com uma foto do Retábulo Maior (infelizmente um pouco desfocada…), executado pelos irmãos Rodrigo e Bartolomeu da Haya. As cenas que o compõem foram dedicadas à Virgem Maria, e sua representação foi feita para exaltar sua figura, através de episódios e personagens relacionados a sua vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero ter contribuído satisfatoriamente para mostrar um pouco desta belíssima catedral, e só por conhecê-la, uma visita a Burgos se torna amplamente recomendável.

As Cercas de Madrid

Em 6/5/2013, publiquei uma matéria sobre as Muralhas de Madrid. Na ocasião, vimos que Madrid teve, ao longo de sua história, duas muralhas. Na época de sua fundação, no séc. IX, foi erguida a muralha árabe. Depois de reconquistada no séc. XI, levantou-se a muralha crista, uma ampliação do primitivo recinto muçulmano. Além destas construções de caráter militar e defensivo, Madrid contou também com várias Cercas, verdadeiros muros que rodeavam a cidade. Ao contrário das muralhas feitas de pedra, as cercas foram construídas com tijolos. Como o território já estava consolidado ante a ameaça árabe, as cercas possuíam uma função de controle urbano e tributário, ou seja, exerciam a vigilância das pessoas que entravam e saiam da cidade, bem como o pago de imposto, sempre e quando as pessoas entravam com alguma mercadoria. As cercas tinham também um controle sanitário, no caso da ocorrência de alguma epidemia ou peste. A primeira cerca construída foi no séc. XV, durante o reinado de Enrique IV, provavelmente em torno ao ano 1438. A denominada Cerca del Arrabal, foi edificada para controlar uma peste que assolou a cidade, quando também se construiu o Hospital del Buen Suceso, ao lado da Puerta del Sol, nela permanecendo até que foi derrubado em 1854. A cerca tinha 70 hectares e contava com 8 portas de acesso, entre as quais a chamada Puerta del Sol, que acabou dando o nome à praça, desaparecida em 1570. Outra porta de importância foi a Puerta de la Latina, situada na Calle Toledo. Seu nome era uma referência ao antigo Hospital de la Latina, localizado ao lado da porta, e que foi fundado por Beatriz Galindo. Essa mulher, uma das mais cultas da época, ficou conhecida como La Latina, por seu amplo domínio do Latim. Professora dos filhos dos Reis Católicos, seu trabalho assistencial em prol dos habitantes do bairro onde viveu fez com que atualmente o famoso Bairro de La Latina seja uma homenagem ao seu apelido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Felipe II, foi levantada uma nova cerca em 1566. Também possuía 8 portas, algumas das quais foram aproveitadas da anterior Cerca del Arrabal. Abaixo, vemos a escultura em bronze do monarca, realizado em 1564 pelos irmãos Pompeo e Leone Leoni, que pode ser visto no Museu do Prado.

DSC09073Com aproximadamente 125 hectares de extensão, os poucos restos conservados da Cerca de Felipe II foram descobertos em 1991 na Calle Bailén, durante umas obras de reforma e ampliação do edifício do Senado, situado ao lado. Exerciam um controle fiscal e sanitário, como a anterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀ medida que a população ia aumentando, a Cerca de Felipe II tornou-se pequena, sendo necessária a construção de uma outra maior, que finalmente foi erguida durante o reinado de seu neto, Felipe IV, em 1625. Sua superfície já era de 500 hectares, o que demonstra o grande crescimento verificado na cidade a partir do momento em que Madrid tornou-se capital da Espanha com Felipe II, e que prosseguiu durante os governos de Felipe III e Felipe IV. Abaixo, vemos o retrato deste último, realizado entre 1630/1635 por discípulos do pintor Diego Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, a população de Madrid havia aumentado 200% no período entre os governos de Felipe II e Felipe IV. A construção da nova cerca foi paga mediante um imposto sobre os produtos alimentícios, principalmente o vinho. O único resto conservado da Cerca de Felipe IV encontra-se na Ronda de Segóvia, no centro da capital espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPossuía 5 portas principais, das quais a mais conhecida é a famosa Puerta del Alcalá, construída para celebrar a chegada do rei Carlos III e projetada pelo arquiteto real Francisco Sabatini em 1778. Abaixo, vemos a porta e a estátua equestre de Carlos III, localizada na Puerta del Sol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs portas permaneciam abertas até as 22hs no inverno e uma hora mais no verão. Além dos acessos principais , a Cerca de Felipe IV contava também com pequenas portas secundárias denominadas Postigos. Do ponto de vista monumental, careciam de importância, exceção feita ao Postigo de San Vicente, construído em 1726 com uma imagem de San Vicente Ferrer em sua parte superior. Devido à sua deterioração, Carlos III ordenou que fosse derrubado em 1775, encarregando a Francisco Sabatini uma nova porta. Esta, por sua vez, foi demolida em 1890 e em 1995 se construiu uma réplica exata, baseada nos planos conservados e fotos antigas. No entanto, foi levantada ao contrário….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Postigos fechavam quando o sol se punha e voltavam a abrir somente ao amanhecer. O maior inconveniente da Cerca de Felipe IV foi que impediu o crescimento da cidade, e seus habitantes ficaram nela enclausurados cerca de 200 anos, apesar do crescimento populacional verificado no período, com todas as consequências nefastas que podemos imaginar. Finalmente, a última cerca que teve Madrid foi derrubada em 1868. A partir de então, iniciou-se o planejamento de seu Ensanche (ampliação ordenada da cidade), algo que já havia ocorrido em Paris e em Barcelona. Mas esta será a matéria do próximo post….

Monastério de San Antonio El Real – Parte 2

Neste segundo post sobre o Monastério de San Antonio El Real de Segóvia, veremos as principais dependências que o compõem, todas elas belíssimas e caracterizadas por uma esbelta decoração. Desde a igreja, que vimos na matéria anterior, passamos à Sacristia, um espaço coberto por um teto feito de madeira policromada e decorado com motivos vegetais e o escudo de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADa Sacristia chegamos ao Claustro Principal, também chamado dos Franciscanos. Como se fosse um verdadeiro museu, nele encontramos diversas obras de arte. Além do mais, também está coberto por um incrível teto decorado com artesanato mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre todos os objetos expostos no claustro, destacam os denominados Trípticos Flamencos de Utrech, nos quais observamos uma feliz combinação de pintura e escultura, realizados por artistas flamencos. Em um deles, vemos uma cena central realizada em alto-relevo e feita de barro policromado com o tema do Calvário. Em outro, se representa o Santo Enterro. Nas laterais vemos pinturas de santos da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas obras são uma referência ao período em que Segóvia manteve um estreito contato com Flandres, quando exportava tecidos aos Países Baixos (séc. XV). Desde o claustro se abrem alguns dos recintos mais belos do conjunto conventual. O refeitório, por exemplo, está formado por uma grande sala retangular, com um banco que a rodeia e utilizado pelas freiras na hora das refeições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas paredes estão repletas de pinturas murais, com a representação de santos e motivos florais. Entre todas as pinturas, destacam a de Cristo com Santa Clara e a Imaculada Conceição, situada no centro do refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO púlpito, do séc. XV e profusamente decorado, está situado no centro da sala, e era utilizado durante as refeições para a leitura da bíblia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a chamada Sala dos Frailes, com uma grande quantidade de objetos religiosos de interesse. Está coberta por um teto decorado, similar ao da Sacristia. Nela foram encontrados recentemente dois registros de água que conectavam diretamente com um canal procedente do famoso Aqueduto de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs detalhes decorativos tornam a visita ao Monastério de San Antonio El Real uma experiência inesquecível…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE finalmente chegamos à Sala Capitular, um maravilhoso espaço formado por um teto de formato octogonal, também mudéjar. Sua vista impressiona ainda mais pela baixa altura em que se encontra. Estrelas de 12 pontas decoram o teto, com os símbolos da Ordem Franciscana e as armas do rei Enrique IV e sua esposa Joana. No centro da sala, vemos um retábulo do séc. XVIII, com as imagens de São Francisco e Santa Clara.

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