As Viagens do “Guernica”

Antes de abandonar Salamanca, tive a oportunidade de ver uma interessantíssima exposição sobre o quadro “Guernica“, a obra prima do mais influente artista do século XX, Pablo Ruiz Picasso (1881/1973). A exposição foi montada na Plaza de Anaya, situada ao lado das Catedrais de Salamanca, e foi organizada pelo Centro Cultural Caixa Forum, que está percorrendo várias cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O “Guernica” já foi o tema de um post publicado em 17/5/2012, junto com o museu onde se encontra exposto, o Museu Reina Sofía de Madrid, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos atrás, pude fotografar o “Guernica“, algo impensável atualmente, mesmo porque está proibido captar imagens do quadro.

DSC03525A exposição de Salamanca discorre sobre as viagens que o quadro realizou depois de ter sido pintado por Picasso, participando de diversas exposições internacionais antes de seu retorno a Espanha. Considerado uma das obras mais conhecidas, reproduzidas, admiradas e reinterpretadas da História da Arte, o “Guernica” transformou-se num verdadeiro ícone do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro foi realizado por Picasso entre maio e junho de 1937 e seu título é uma referência ao bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação alemã no dia 26 de abril deste ano, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Este ataque aéreo é considerado o primeiro realizado contra uma população civil da história das disputas bélicas. Na realidade, sua elaboração por parte de Picasso foi um encargo do governo republicano para ser exposto no Pavilhão Espanhol, montado durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, com a finalidade de atrair a atenção pública à causa republicana. Abaixo, vemos uma foto do pavilhão, cujo projeto construtivo se deve aos arquitetos Josep Lluís Sert e Luis La Casa, e o quadro exposto no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra Civil Espanhola em 1939 e o início do governo ditatorial do General Franco, Picasso manifestou o desejo que o quadro retornasse ao país somente depois que voltasse a ser uma nação democrática. Depois de sua exibição na Exposição Internacional de Paris, muitas outras foram realizadas no continente europeu, como a de 1938/1939 no Reino Unido, com grande êxito de público e organizada para arrecadar fundos para o Comitê de Ajuda aos Refugiados Espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, o quadro viajou por boa parte do mundo, antes de ser custodiado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) a partir de 1958, onde permaneceu exposto até 1981. Abaixo, vemos o itinerário do “Guernica“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de criação da obra foi plenamente documentado pelo pintor através de esboços preparatórios e também por fotografias realizadas por Dora Maar (1907/1997), uma artista plástica francesa que se tornou uma das mulheres da vida de Picasso. Este material constitui um dos melhores exemplos documentados do progresso de uma obra artística em toda a História da Arte Universal. Picasso realizou, num prazo de 6 meses, (antes, durante e depois da conclusão do quadro), uma série de 45 esboços que atualmente encontram-se expostos no Museu Reina Sofía de Madrid, junto com a famosa obra do artista de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Guernica“, um exemplo memorável da Arte Cubista, além de sua importância histórica e indiscutível qualidade artística, impressiona por seu tamanho (7.76m de comprimento x 3.49m de altura). Foi pintado utilizando-se somente as cores branca, negra e várias tonalidades de cor cinza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do título da obra e suas circunstâncias históricas, não existe no quadro nenhuma referência explícita ao bombardeio da cidade de Guernica, pois trata-se de uma composição simbólica, e não narrativa, retratando o horror à guerra e os sofrimentos que infringe a todos os seres humanos. Por este motivo, o quadro converteu-se num símbolo de protesto antibélico, utilizado contra os vários confrontos do século passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgo que desconhecia e que pude orgulhosamente constatar, é que durante as viagens do “Guernica” pelo mundo, o quadro esteve presente no Brasil em 1953, durante a realização da II Bienal de São Paulo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro serviu de motivo inspiratório a inúmeras obras em todo o mundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1981, o quadro retornou a Espanha, com uma ampla divulgação da imprensa, escrita e televisiva…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada do “Guernica” no Aeroporto de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o quadro permaneceu no Casón del Buen Retiro, uma das dependências que faziam parte do destruído Palácio del Buen Retiro, originalmente construído dentro do Parque do Retiro, de propriedade real na época de sua construção, que ainda podemos contemplar passeando pela cidade.

DSC08622OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o “Guernica” passou a ser exposto permanentemente no Museu Reina Sofía, considerado um dos centros de Arte Contemporânea de maior prestígio de todo o mundo, cuja visita, evidentemente, recomendo !!!!!

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Explorando a Universidade de Salamanca: Parte 3

No final do século XVI chegavam à Universidade de Salamanca 6500 alunos novos cada ano, cifra que demonstra o prestígio que a instituição alcançou nesta época. No século XVII o caráter humanista foi abandonado, produzindo-se uma relativa decadência, pois os filhos da nobreza começaram a dominar os Colégios Maiores, menosprezando sua função original de ensino aos jovens, independente de sua condição social. Neste período estudou na Universidade de Salamanca um dos maiores expoentes literários do Século de Ouro Espanhol, o poeta e dramaturgo Luis de Góngora (1561/1627), que chamou a atenção por seu talento poético. A cidade de Salamanca homenageou a Góngora com um monumento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVII, 65% dos salários da universidade estavam destinados aos professores de direito e teologia. As disciplinas piores remuneradas eram Matemática, Astrología e Música. No século XVIII, a Universidade de Salamanca transformou-se num dos principais focos da Ilustração Espanhola, momento em que desenvolveram-se as ciências científicas, além das letras clássicas. Muitos dos intelectuais da universidade desempenharam um papel preponderante na elaboração da Constituição de 1812, a primeira em ser promulgada em Espanha e uma das mais liberais da época, além de incentivar o pensamento progressista. Abaixo, vemos o Palácio de Anaya, um dos poucos edifícios neoclássicos da cidade, que se destaca por seu belo pórtico com 4 grandes colunas rematadas por uma estrutura triangular (em espanhol, frontón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício começou a construir-se em 1760, substituindo o Colégio Maior de San Bartolomé, cuja estrutura foi severamente prejudicada pelo Terremoto de Lisboa de 1755. Atualmente é a sede da Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XIX, a universidade adotou um planejamento centrado mais nas disciplinas naturais e sociais, em detrimento do direito canônico e da teologia. Durante a Invasão Francesa, muitos edifícios universitários foram destruídos. Em 1852, perde sua condição de Instituição Pontifícia, suprimindo as disciplinas de direito canônico e teologia pelos governos liberais da época. Em 1940, o Papa Pio XII cria a Universidade Pontifícia, uma universidade católica de caráter privado, com a finalidade de restaurar estas disciplinas na cidade em outro edifício e dar prosseguimento às antigas carreiras eclesiásticas, que tiveram um grande papel nos séculos XVI e XVII. Como sede, foi escolhido o Real Colégio do Espírito Santo, mais conhecido como La Clerecía. Historicamente pertencente aos jesuítas, o edifício foi construído no estilo barroco entre os séculos XVII e XVIII pelo arquiteto Juan Gómez de Mora. Atualmente conta também com cursos nas áreas filosóficas, Ciências Políticas, Psicologia, Enfermagem, Informática etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, o prestígio da Universidade de Salamanca se recupera. O escritor e filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864/1936) foi reitor da instituição três vezes, a primeira com apenas 36 anos. Considerado um dos maiores expoentes da chamada Geração de 98, em sua obra cultivou uma grande variedade de gêneros literários, entre ensaios, teatro, novela e poesia. Abaixo, vemos um monumento em sua homenagem erguido no Centro Histórico de Salamanca, realizado pelo escultor Pablo Serrano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém é possível visitar a Casa de Unamuno, onde viveu o escritor, um dos edifícios utilizados como museu pela Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1955 e 1970, a Universidade de Salamanca aumentou seu prestígio internacional, somente equiparado na Espanha pelas Universidades de Madrid e Barcelona. Abaixo, vemos o Colégio Maior Fray Luís de León, criado em 1954 para proporcionar alojamentos e estadias curtas para alunos e professores, além de fomentar atividades formativas e de orientação profissional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Universidade de Salamanca conta com 16 faculdades nas áreas de exatas, humanas e biológicas, além de vários centros de investigação. É considerada a melhor universidade pública espanhola em relação ao corpo docente e grande referência mundial no ensino do idioma espanhol, concentrando 80% da oferta existente na Comunidade de Castilla y León para seu aprendizado. Finalizamos a matéria com uma foto da Faculdade de Tradução e Documentação

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Explorando a Universidade de Salamanca: Parte 2

Entre os séculos XV e XVI, a Universidade de Salamanca converteu-se numa instituição de referência nacional e até o século XVII foi considerada como a de maior prestígio e influência da Espanha, devido a grande variedade de disciplinas existentes, a melhor infraestrutura física e humana e o corpo de alunos mais internacional. Seu auge se explica sobretudo graças a conquista da América por Cristóvão Colombo, cujo projeto de navegação foi patrocinado por Isabel La Católica. Abaixo, vemos um monumento em homenagem ao navegante genovês situado numa praça de Salamanca , inaugurado em 1893 (com um ano de atraso) para celebrar o quarto centenário do descobrimento, e realizado pelo escultor Eduardo Barrón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, o estado centralizado criado pelos Reis Católicos necessitava de burocratas, juristas e funcionários para a administração do  reino. No claustro da Universidade se discutiu sobre a viabilidade do projeto de Cristóvão Colombo. Uma vez descoberto o continente americano, foram abordado os direitos indígenas, algo revolucionário para a época. Abaixo, vemos o escudo dos Reis Católicos na fachada do Colégio Maior da Univ. Salamanca

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de seu caráter jurídico, desde o final do século XV a Universidade de Salamanca se incorporou ao movimento humanista, ainda que neste terreno fosse superada pela recém criada Universidade de Alcalá de Henares. Neste período conviveram alguns dos membros mais brilhantes de sua história, renovando a Teologia e participando de forma ativa no Concílio de Trento (1545/1563). Outros personagens de renome criaram as bases do direito civil e internacional, além da ciência econômica moderna. Por encargo do Papa Gregório XIII, matemáticos da Universidade estudaram a reforma do calendário, e propuseram soluções que foram implantadas posteriormente. A seguir, vemos uma foto da Faculdade de História e Geografia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XV, o historiador, humanista e pedagogo Antonio de Nebrija (1441/1522) escreveu a primeira gramática do idioma espanhol. Sua célebre obra “Grammatica“, escrita em 1492, é considerada o primeiro estudo de um idioma europeu com exceção do latim, marcando, para muitos, o início do chamado Século de Ouro da Espanha, que se prolongou nos dois séculos seguintes com os grandes nomes das letras e das artes na história do país. Nebrija foi responsável também de um dicionário latim-espanhol, igualmente realizado em 1492 e dois anos depois um outro dicionário espanhol-latim. É considerado o primeiro escritor em reclamar os denominados direitos de autor. A seguir vemos um monumento em sua homenagem, situado em frente de uma das faculdades da Universidade de Salamanca, inaugurado em 1983 e realizado pelo famoso escultor Pablo Serrano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o período governado pelos Reis Católicos, pela Universidade de Salamanca passaram personalidades femininas de grande relevância na história do país, caso de Beatriz Galindo, conhecida como “La Latina“, pelo domínio que tinha do idioma latino. Foi professora dos filhos dos Reis Católicos, e grande impulsora de serviços sociais num bairro de Madrid que a homenageou com o nome de Bairro de La Latina. Outra personagem destacada foi Lucía de Medrano, considerada a primeira mulher catedrática de uma universidade, responsável pelas aulas de latim durante um período de sua vida. Abaixo, vemos o chamado Aulário de San Isidoro, situado na antiga Igreja de San Isidoro, uma construção do século XVI que conserva apenas a fachada. O edifício foi adquirido pela universidade como um espaço para aulas dentro do contexto de ampliação da Faculdade de Direito, situado nas proximidades.

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Explorando a Universidade de Salamanca

Salamanca é conhecida mundialmente não só por seu centro histórico monumental, mas também por sua Universidade, uma das instituições de ensino de maior influência da Europa ao longo dos séculos, e que foi o tema de um post publicado em 25/4/2012. Desta vez tive a oportunidade de conhecer boa parte dos edifícios que compõem o campus universitário, complementando a matéria publicada naquele dia. Esta Universidade Pública é considerada  a mais antiga da Espanha e de todo o mundo hispano, e junto com as Universidades de Bolonha, Paris e Oxford, constitui uma das mais antigas de todo o continente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano passado completou 800 anos de existência, pois o germe de sua fundação foram os chamados “Estudios Generales“, instituído pelo Rei Alfonso IX de León no ano 1218.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem, como as demais universidades européias, foram as denominadas escolas catedralícias, cuja existência se remonta, ao menos, ao final do século XII. Em 1218, Alfonso IX outorgou a categoria de “Estudios Generales” a estas escolas, com o nome de”Studii Salamantini“. Este título manifesta a variedade de disciplinas existentes, seu caráter público (aberto a todos) e a validez de seu diploma. Nasceu como uma universidade eminentemente jurídica, em consonância com a de Bolonha, e em contraste com as de Oxford e Paris, mais voltadas às Belas Artes e a Teologia. Foi a primeira da Europa em contar com uma Biblioteca Pública, ainda hoje considerada uma das maiores da Espanha, e que pode ser visitada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início, a Universidade de Salamanca foi financiada pela igreja e seus fundos procediam dos dízimos eclesiásticos, um imposto sobre os produtos agrícolas. Desta forma, bispos ambiciosos permaneciam pouco tempo no cargo, solicitando que fossem transferidos para outras cidades. Por este motivo, muitos dos bispos de Salamanca foram pessoas de grande preparo intelectual e interessados no devenir da universidade sendo, com frequência, catedráticos e reitores. No entanto, a situação econômica da instituição esteve influenciada pelas crises agrárias que se produziam regularmente durante a Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste período inicial, as disciplinas acadêmicas eram Direito, Medicina, Lógica, Gramática e Música. Os professores de Direito gozavam de um maior salário, em relação às demais disciplinas. Um 1255, a bula papal de Alejandro IV outorgou à universidade a “Licentia Ubique Docendi“, reconhecendo a validez universal de seus títulos. Somente no final do século XIV iniciaram os estudos de Teologia. As aulas eram dadas todas em latim, facilitando a mobilidade internacional de professores e estudantes, embora neste período a maior parte dos alunos pertenciam à Península Ibérica. No final do século XIV estudavam na universidade entre 500 e 600 alunos. Durante o século XV, o crescimento da universidade fez com que o aumento do número de alunos  chegasse aos 3 mil no início do século seguinte. Todos eram homens, predominando os clérigos sobre os laicos. A instituição tardou séculos em obter edifícios próprios. Até o século XV, as aulas eram realizadas no claustro da Catedral Velha de Salamanca, em casas alugadas ou em outras fundações religiosas, caso da Igreja de San Benito, que se destaca por sua fábrica gótica, seus poderosos contrafortes e a portada principal, com um relevo da Anunciação

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro edifício universitário foi o chamado Colégio Mayor de San Bartolomé, cuja construção iniciou-se em 1401. Sua estrutura foi terrivelmente afetada pelo Terremoto de Lisboa de 1755. O cardeal aragonês Pedro de Luna, que posteriormente assumiu o cargo de pontífice com o nome de Benedito XIII, foi um grande protetor da universidade, impulsionando a compra dos primeiros edifícios. Na Constituição de 1411, ordenou a criação das chamadas Escolas Maiores, com os títulos de licenciatura e doutorado, e que atualmente constituem um dos principais edifícios históricos da universidade e sua imagem mais conhecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa praça onde se levanta o edifício do Colégio Mayor da Universidade de Salamanca, vemos um monumento em homenagem a Fray Luis de León (1528/1591), teólogo, humanista e religioso pertencente à Ordem de Santo Agostinho, e considerado um dos maiores poetas do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1413, o Rei Juan II ordenou a construção do Hospital del Estudio, situado na mesma praça, que era utilizado como local de hospedagem para estudantes com poucos recursos. Atualmente este edifício histórico alberga a Reitoria da Universidade de Salamanca. Abaixo, vemos a fachada de estilo gótico com a imagem de Santo Tomás de Aquino

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1428 iniciou-se a construção das chamadas Escolas Menores, que serviam de preparação ao ingresso na universidade, na qual se obtinha o título de bacharelato, situada ao lado do Edifício da Reitoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo e acima, vemos a entrada às Escolas Menores

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE seu belo pátio com aspecto de claustro monacal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo fundo da imagem, ergue-se a torre da Catedral Nova de Salamanca

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA matéria sobre a história da Universidade de Salamanca continuará no próximo post…

Na Torre da Catedral de Ávila

A Catedral de Ávila é outra das atrações históricas da cidade, e foi tema de uma série de 3 posts, publicados nos dias 21, 22 e 23/01/2017. Considerada a primeira catedral de estilo gótico na Espanha, foi edificada como templo e como fortaleza, já que o ábside da construção constitui um dos cubos da própria muralha de Ávila, algo inédito nos edifícios catedralícios, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe com precisão quando começou a ser levantada. A teoria mais aceita diz que data de mediados do século XII, cujo projeto foi realizado por um mestre francês chamado Fruchel, coincidindo com o processo de repovoamento de terras castelhanas por Raimundo de Borgoña, genro do Rei Alfonso VI. A parte construída por Fruchel, correspondente ao altar maior da catedral, se insere no estilo românico de transiçao ao gótico. Posteriormente, outros mestres finalizaram as obras da catedral (naves, capelas e o remate das torres) já no estilo gótico. Abaixo, vemos a fachada principal da Catedral de Ávila e seu impressionante aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos na imagem acima, se construiu apenas uma torre, a outra permaneceu inacabada. O primeiro corpo da torre campanário data do século XIII, assim como as naves da igreja. As bôvedas (teto) e o segundo corpo da torre campanário datam do século XIV. No século XV, finalmente se finaliza todas as obras da catedral. Abaixo, vemos uma foto de seu interior, destacando sua bôveda de crucería, característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta última vez que estive em Ávila com o Marcelo, a Cristina e o Ernesto, tivemos a oportunidade de subir no alto da torre campanário, um passeio imperdível que proporciona visitar lugares de uma catedral que normalmente estão fechados ao público. Antes de chegar na parte mais elevada da torre, pudemos contemplar umas excelentes vistas da nave central da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário possui 7 sinos (campanas, em espanhol), cada qual com seu nome de batismo, como “Maria Teresa”, “Platera”, devido à presença de prata em sua fabricação, ou “San Segundo”, em homenagem ao Santo Padroeiro de Ávila. Abaixo, vemos algumas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, uma foto da torre inacabada, que foi fechada com tijolos, mas que deixa à vista uma parte da construção de pedra…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui um elemento que normalmente os visitantes não têm acesso, a estrutura de madeira construída como sustentação do telhado ou cobertura da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto curioso foi observar as diversas marcas de canteiros ao longo da construção. Estas marcas talhadas na pedra constituem uma espécie de assinatura dos trabalhadores que colaboraram na edificação da catedral. Cada um deles possuía uma marca diferente e, desta forma, podiam cobrar pelo trabalho realizado. As marcas de canteiros são habituais nas catedrais românicas e góticas. Abaixo, vemos algumas das que descobrimos no passeio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto que me surpreendeu está relacionado com o antigo ofício dos campaneiros. Na realidade, este termo se refere a dois ofícios tradicionais, designando aqueles responsáveis pela fabricação dos sinos (elaboração do molde e posterior fundição do metal) e também às pessoas que realizavam os toques das campanas. Sempre pensei de como seria a vida destes trabalhadores que executavam este trabalho de tocar os sinos e, na visita à torre, muitas perguntas foram respondidas. A primeira questionava onde viviam e o mais curioso, é que residiam na própria torre, ao nível dos próprios sinos. A torre da Catedral de Ávila conserva maravilhosamente a casa do campaneiro. De estilo castelhano humilde, parece incrível que se manteve intacta. Os campaneiros nela viveram até os anos 50 do século XX. A residência possuía sala, alcobas, cozinha com chaminé, banheiro, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa dos campaneiros foi construída aos pés da catedral, sobre a bôveda gótica. Para visitá-la, subimos os 113 degraus de uma escada em espiral, que salva a diferença entre o solo da catedral e sua cobertura. Nela se desenvolvia  a vida familiar dos campaneiros, sendo praticamente tarefa de todos seus membros realizar o toque das campanas, durante todo o dia. Frequentemente, o ofício passava de pai para filho, e as condições de vida eram extremamente duras, como nos explicou o guia que conduziu a visita. Em primeiro lugar, tinham que suportar um frio aterrador, numa cidade na qual as temperaturas normalmente atingem mínimas negativas, e muitos padeciam de doenças respiratórias. Além do mais, muitos campaneiros, depois de uma longa vida dedicada ao ofício, ficavam surdos com o forte som decorrente dos sinos. Em seus momentos de ócio, construíram pequenos jogos talhados nas pedras da torre (algo parecido com o atual jogo de damas), como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades de acesso a esta peculiar residência fizeram com que fossem criados mecanismos de abastecimento e comunicação com o mundo exterior. O sistema implantado na Catedral de Ávila se resume a uma corda atada a uma polea que se utilizava para para subir alimentos e água, além de outros objetos essenciais à vida, e para baixar tudo aquilo que já não servia. Abaixo, vemos o sistema desde o solo da catedral e em sua parte superior, junto à casa dos campaneiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante séculos as campanas funcionaram como uma forma de comunicação social, anunciando festas, falecimentos e os atos litúrgicos, entre outros. O ofício de campaneiros data do período medieval em sua concepção atual. Atualmente, está em perigo de extinção com o desenvolvimento de métodos eletromecânicos para os toques de sinos e muitos aspiram que o toque manual seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. As campanas e seus variados sons constituem um maravilhoso universo, e seu estudo denomina-se Campanologia. Para saber mais sobre elas, ver as matérias publicadas em 6 e 7/3/2018, cujo tema foi o Museu das Campanas da belíssima cidade de Urueña, também situada na Comunidade de Castilla y León.

Centenário do Metrô de Madrid – Parte 3

Outra das interessantes iniciativas realizadas para se comemorar o Centenário do Metrô de Madrid foram os ensaios fotográficos nos quais vemos várias personalidades do mundo cultural e esportivo da Espanha e também do exterior. Um exemplo foi o cantor e compositor Joaquin Sabina, que mencionou o Metrô de Madrid em uma de suas canções, intitulada “De caballo de cartón“, na qual diz: “Tirso de Molina, Sol, Gran Vía, Tribunal, dónde queda tu oficina para irte a buscar ?”

20190416_110217O jogador de futebol Koke, do Atlético de Madrid, também participou das sessões fotográficas, salientando a importância do metrô para os torcedores que utilizam o transporte público para chegar ao Wanda Metropolitano, o novo estádio do clube.

20190416_110255A atleta paraolímpica de esgrima e primeira deportista a alcançar uma montanha com mais de 3 mil metros com uma cadeira de rodas, Gema Hassen-Bay, foi outra personalidade participante…

20190416_110334Como comentei no post anterior, o Metrô de Madrid é considerado um dos mais acessíveis do mundo. As primeiras escadas rolantes foram instaladas no começo da década de 60, e atualmente 63 % de toda a rede metroviária possuem elevadores e escadas rolantes (com quase 1700 escadas rolantes em suas linhas), cifra superada somente pelo Metrô de Shangai, na China. Abaixo vemos uma delas na Estação de Chamartín, que foi devidamente decorada para a comemoração do centenário.

20190416_11374920190416_113831 Até 1931, os trens do metrô possuíam um escudo com símbolos monárquicos, devido à participação do Rei Alfonso XIII como acionista da Companhia Metropolitana Alfonso XIII. O escudo foi inspirado no Escudo da cidade de Madrid da época, com o “Urso e o Madroño” no lado direito e um “dragão” no lado esquerdo. Atualmente o escudo da cidade está composto apenas pelo urso e a árvore, denominada Madroño

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, com a implantação da Segunda República, os símbolos monárquicos foram proibidos e, durante algum tempo, os trens deixaram de ter o escudo. A partir de 1942 se adotou outro escudo, formado por uma letra C com 2 letras M, iniciais da Cia Metropolitana de Madrid, a nova denominação da empresa…

20190416_112957Já o logotipo da empresa foi criado pelo arquiteto Antonio Palacios, responsável pelas primeiras estações e sua decoração, inspirando-se no “Underground” de Londres, com as mesmas cores, vermelho e azul, mas com um formato diferente. Abaixo, vemos a evolução dos logotipos do Metrô de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma séries de logotipos representando várias estações do Metrô de Madrid

20190416_110139Na década de 60, devido ao incremento do número de passageiros, o Metrô de Madrid decidiu ampliar o comprimento das plataformas de 60 a 90 m, com a finalidade de colocar trens com maior capacidade, de até 6 vagões. A Estação de Chamberí, que integrava a linha original de 1919 e também projetada por Antonio Palacios, foi fechada em 1966 pela impossibilidade de se realizar a reforma, pois encontrava-se numa curva. Durante anos esteve abandonada, mas foi restaurada e hoje em dia é um museu que se pode visitar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Hoje em dia, o Metrô de Madrid alcança 294 km, formado por 12 linhas principais e chegando a 12 municípios situados próximo à cidade. Abaixo, vemos uma plataforma atual da linha 1, com fotos antigas que pertencem ao arquivo histórico do Metrô de Madrid, colocadas para a comemoração do centenário, muitas das quais estou publicando nesta série…

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Centenário do Metrô de Madrid – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos outros aspectos históricos de interesse deste popular sistema de transporte público da capital espanhola, através de fotos antigas pertencentes ao arquivo do Metrô e de fotos realizadas por mim. Como comentei no primeiro post, a linha inaugural ligava a Puerta del Sol, no centro da cidade, com o bairro de Cuatro Caminos, uma zona industrial importante na época, cuja imagem vemos abaixo, uma foto tirada no início do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se construíram as oficinas mecânicas da companhia metroviária, que foram utilizadas durante um bom tempo no século XX, como podemos ver a seguir…

20190416_11214620190416_111453Abaixo, vemos o local em construção…

20190416_112223O Metrô de Madrid foi pioneiro na inserção da mulher no mercado de trabalho. Aquelas que conseguiram um posto de trabalho nas bilheterias foram as primeiras, junto com as telefonistas empregadas na empresa Telefônica, cuja sede se encontra também em Madrid. Somente podiam ocupar o emprego se estivessem solteiras. No momento em que se casavam, eram obrigadas a abandonar o trabalho, segundo o costume da época. Esta norma esteve vigente até 1984 ! A primeira mulher maquinista apareceu somente em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o corpo de funcionários do Metrô de Madrid está formado por mais de 7 mil funcionários. Abaixo, vemos outra foto antiga de empregados da empresa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o metrô serviu como local de refúgio para a população, como aconteceu com muitas outras cidades européias durante a Segunda Guerra Mundial.

20190220_085904Muitos trens do metrô passaram a ser utilizados como ambulância durante o conflito…

20190416_111333Em 1924 se inaugurou a central elétrica que abasteceu de energia o sistema metroviário da cidade. Composta por 3 motores Diesel, foi a estação elétrica de maior potência da Espanha na época, sendo desativada nos anos 50. Durante a Guerra Civil foi a responsável do abastecimento de energia elétrica da cidade, Atualmente forma parte do patrimônio industrial de Madrid e pode ser visitada, pois foi transformada num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das primeiras estações construídas na linha inaugural contavam com elevadores manejados por ascensoristas, sendo que o primeiro elevador foi instalado em 1920. Abaixo, vemos a entrada da Estação de Gran Vía, projetada pelo arquiteto Antonio Palácios. Feita de granito, ferro e vidro, funcionou até 1970, quando foi desmontada e levada até o povoado de Porriño, situado na Galícia, local de nascimento do famoso arquiteto espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté 1960, a profundidade médias das estações do Metrô de Madrid era de 9m. Em 1962, chegou aos 18m, quando as escadas rolantes começaram a funcionar. No final do século passado, a profundidade média chegou aos 25m. Atualmente, o Metrô de Madrid é considerado um dos sistemas de transporte de maior acessibilidade do mundo. Abaixo, vemos a Estaçao de Chamartín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos cartazes comemorativos foram colocados nas estações da linha 1 com a celebração do centenário do Metrô. Neles podemos observar as diferenças na evolução  tecnológica dos trens ao longo dos anos, além da inclusão de novos “passageiros”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a segunda parte desta série com uma foto atual da Estação Sol, a primeira em ser construída em 1919…

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