Ampliação do Museu Reina Sofia

O Museu Reina Sofia de Madrid é considerado um dos museus de Arte Contemporânea mais importantes de todo o mundo. Sua exposição permanente exibe obras dos artistas mais influentes dos séculos XIX e XX, como Picasso, Dalí, Miró, etc. Entre todas as pinturas deste museu imprescindível destaca-se o famoso quadro de Picasso “Guernica“, possivelmente o quadro mais importante do século XX (ver post publicado em 17/5/2012). Realizei também, entre 29/6 e 4/7/2016, uma série de publicações sobre as obras primas do museu, que servem de referência a uma visita ao Reina Sofia. O museu encontra-se sediado no edifício do antigo Hospital de San Carlos, entidade fundada no século XVI pelo Rei Felipe II com a finalidade de centralizar todos os serviços de atendimento hospitalar que se encontravam dispersos pela capital da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, o monarca Carlos III decidiu construir um novo edifício para o hospital, já que as instalações do edifício anterior ficaram insuficientes com o crescimento populacional da cidade. O projeto foi encarregado aos arquitetos José de Hermosilla e, principalmente, a Francisco Sabatini. Ainda hoje, a sede principal do museu é conhecida como Edifício Sabatini. O hospital foi clausurado em 1965, e o edifício sobreviveu apesar dos rumores sobre sua demolição, principalmente depois que foi catalogado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, garantindo sua continuidade. Em 1980 inicia-se sua restauração e em 1986 se inaugura o Centro de Arte Reina Sofia, utilizando os primeiros andares do edifício como salas de exposições temporárias. No final de 1988 se construíram as torres de aço e vidro para servir de elevadores. A coleção permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, seu nome completo, foi inaugurada em 1992, com a presença do Rei Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Sofia, com os fundos artísticos provenientes do antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2001 e 2005, o museu foi alvo de uma grande ampliação, a cargo do arquiteto francês Jean Nouvel, cujo resultado contribuiu para transformar o aspecto do museu e da própria paisagem urbana de Madrid.

20190202_125010O custo da obra foi de 92 milhões de euros e possibilitou um aumento de 60% da superfície do museu. Uma praça, decorada com uma escultura de Roy Lichtenstein, conecta o Edifício Sabatini com as estruturas de ampliação realizadas por Jean Nouvel.

20190202_132209Jean Nouvel (França – 1945) é considerado atualmente um dos arquitetos de maior prestígio internacional e recebeu em 2008 o Prêmio Pritzker de arquitetura. Para ele, a arquitetura constitui uma arte visual, uma produção de imagens que provocam emoções e sensações, algo que podemos comprovar numa visita ao museu.

20190202_13222920190202_133023A ampliação do museu possibiltou a construção de uma excelente biblioteca, duas novas salas para exposições temporais, dois auditórios, uma loja e um restaurante, cujas imagens vemos abaixo…

20190202_13014720190202_131525Qualquer pessoa pode conhecer esta parte do museu, sem a necessidade de pagar entrada para ver o acervo permanente, visita que evidentemente recomendo. A seguir vemos o contraste entre os dois edifícios, o histórico de Sabatini e a obra realizada por Jean Nouvel.

20190202_13365220190202_133630Vale a pena subir na parte mais alta do edifício e contemplar as vistas que oferece, principalmente da Estação Ferroviária de Atocha, situada nas proximidades do museu.

20190202_133239Finalizo o post com outras fotos do Museu Reina Sofia

20190202_13342620190202_13345420190202_131815

 

Estaçao de Atocha – Segunda Parte

A Estação de Atocha tinha um tamanho insuficiente para acolher a chegada dos trens de alta velocidade (AVE), que seria inaugurada com a linha entre Madrid-Sevilha, em 1992. Por isso, foi realizada a ampliação da mesma, a partir de 1985, a cargo do arquiteto Rafael Moneo. Enquanto a antiga estação foi convertida num vestíbulo de acesso às novas instalações, como vimos no post anterior, foram construídos dois novos terminais, que possibilitaram um incremento tanto do número de passageiros, quanto de viagens realizadas, transformando a estação na maior de toda a Espanha. A denominada Estação de Porta de Atocha recebe os trens de alta velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste novo terminal foi construído na parte detrás da estação original, e seu nome se deve à antiga Porta de Atocha, uma das entradas que compunham a cerca erguida durante o reinado de Felipe IV, hoje desaparecida, e que se localizava próxima à Estação de Atocha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos imagens exteriores da nova estação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto arquitetônico incluiu duas novas zonas de estacionamento, de distintos formatos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro ramal construído passou a chamar-se Estação Atocha- Cercanías, que recebe os trens que conectam a capital com outras cidades da comunidade, além de linhas de média distância e algumas de larga distância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos fotos do interior da construção, que chama a atenção por sua forma circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma panorâmica geral de ambas estações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma incluiu também um novo ramal ligando a Estação de Cercanías com a rede de metrô, cuja parada nas estações se denomina Atocha-Renfe. Lamentavelmente, a Estação de Atocha passou a ser uma referência, não só por suas inovações arquitetônicas, mas pelo infame incidente provocado pelo atentado terrorista de 2004. Ao lado da estação, foi erguido um monumento em memória das 191 pessoas falecidas. A parte exterior do monumento está formado por um feio monolito cilíndrico, composto por 15 mil plaquetas de vidro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso ao monumento se efetua pelo interior da estação, sendo muito mais impactante que a parte externa. Depois de passar por uma sala com os nomes das vítimas do atentado, as portas são automaticamente fechadas, para manter a seguinte sala pressurizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada bem embaixo do monolito, no centro de uma imensa e silenciosa sala azul, apreciamos uma membrana que se mantém suspensa dentro do monolito graças à pressurização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASobre a membrana, lemos milhares de mensagens de condolências nos mais variados idiomas, escritas por todos aqueles que se revoltaram com o fatídico e criminoso ato, e que foram deixados na entrada e no vestíbulo da estação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizando o post, presto também minha sincera e humilde homenagem, repleta de incredulidade e indignação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estaçao de Atocha – Madrid

O complexo ferroviário da Estação de Atocha-Renfe, situado em Madrid, é um dos mais conhecidos e utilizados de todo o país, com aproximadamente 90 milhões de passageiros ao ano. Inclui os serviços de metrô, trem de alta velocidade (AVE) e os trens de Cercanías, que conectam a capital com os pueblos e cidades da comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estação surgiu como um simples embarcadeiro, expressão usada na época para definir as estações ferroviárias. Inaugurada em 1851, foi ampliada até converter-se na Estação do Meiodia em 1892, propriedade da Cia de Ferrocarriles de Madrid a Zaragoza e Alicante (conhecida por sua sigla MZA). Na parte superior da estação, ainda podemos ver sua antiga denominação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADenominada oficialmente de Estação Central no séc. XIX, com a construção de outros terminais pela cidade, paulatinamente perdeu esta característica. Ainda hoje, contemplar sua magnitude e beleza causa uma profunda impressão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo do séc. XX, a demanda de passageiros fez com que a estação incorporasse edifícios e instalações adjacentes. A mediados do século, foi nacionalizada, fazendo parte da Rede Nacional de Ferrocarriles Españoles (RENFE).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 60, a ligação da Estação de Atocha com a Estaçao de Chamartín, através do túnel que cruza o Paseo da Castellana, aumentou ainda mais seu movimento, contribuindo e facilitando a comunicação ferroviária entre a parte norte e sul da cidade. No entanto, essa situação vantajosa para ambas estações, provocou o desaparecimento de outras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2005, a Renfe foi dividida em várias companhias, e a Adif ficou encarregada da gestão das estações. Em 1992,a estação foi ampliada, com dois terminais diferenciados, um que recebe os trens de alta velocidade e de longa distância (Estação de Puerta de Atocha), e outro que liga a capital com as cidades próximas (Estação de Atocha-Cercanías). A antiga estação foi reabilitada como um vestíbulo-jardim, que propicia o acesso ao resto dos terminais que compõem o complexo ferroviário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O jardim tropical, que ocupa o interior da construção original que foi conservada, possui mais de 7 mil plantas, de 260 espécies diferentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço inclui também um pequeno lago, cujos ilustres habitantes captam a atenção de todos os frequentadores da estação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestíbulo conta com uma ampla estrutura de serviços para o viajante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOnde antes haviam vias e plataformas, atualmente admiramos um bem cuidado espaço verde. Esta reabilitação do espaço foi realizada entre 1985/1992, e seus pormenores serão conhecidos na matéria do próximo post.