Centenário do Metrô de Madrid – Parte 3

Outra das interessantes iniciativas realizadas para se comemorar o Centenário do Metrô de Madrid foram os ensaios fotográficos nos quais vemos várias personalidades do mundo cultural e esportivo da Espanha e também do exterior. Um exemplo foi o cantor e compositor Joaquin Sabina, que mencionou o Metrô de Madrid em uma de suas canções, intitulada “De caballo de cartón“, na qual diz: “Tirso de Molina, Sol, Gran Vía, Tribunal, dónde queda tu oficina para irte a buscar ?”

20190416_110217O jogador de futebol Koke, do Atlético de Madrid, também participou das sessões fotográficas, salientando a importância do metrô para os torcedores que utilizam o transporte público para chegar ao Wanda Metropolitano, o novo estádio do clube.

20190416_110255A atleta paraolímpica de esgrima e primeira deportista a alcançar uma montanha com mais de 3 mil metros com uma cadeira de rodas, Gema Hassen-Bay, foi outra personalidade participante…

20190416_110334Como comentei no post anterior, o Metrô de Madrid é considerado um dos mais acessíveis do mundo. As primeiras escadas rolantes foram instaladas no começo da década de 60, e atualmente 63 % de toda a rede metroviária possuem elevadores e escadas rolantes (com quase 1700 escadas rolantes em suas linhas), cifra superada somente pelo Metrô de Shangai, na China. Abaixo vemos uma delas na Estação de Chamartín, que foi devidamente decorada para a comemoração do centenário.

20190416_11374920190416_113831 Até 1931, os trens do metrô possuíam um escudo com símbolos monárquicos, devido à participação do Rei Alfonso XIII como acionista da Companhia Metropolitana Alfonso XIII. O escudo foi inspirado no Escudo da cidade de Madrid da época, com o “Urso e o Madroño” no lado direito e um “dragão” no lado esquerdo. Atualmente o escudo da cidade está composto apenas pelo urso e a árvore, denominada Madroño

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, com a implantação da Segunda República, os símbolos monárquicos foram proibidos e, durante algum tempo, os trens deixaram de ter o escudo. A partir de 1942 se adotou outro escudo, formado por uma letra C com 2 letras M, iniciais da Cia Metropolitana de Madrid, a nova denominação da empresa…

20190416_112957Já o logotipo da empresa foi criado pelo arquiteto Antonio Palacios, responsável pelas primeiras estações e sua decoração, inspirando-se no “Underground” de Londres, com as mesmas cores, vermelho e azul, mas com um formato diferente. Abaixo, vemos a evolução dos logotipos do Metrô de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma séries de logotipos representando várias estações do Metrô de Madrid

20190416_110139Na década de 60, devido ao incremento do número de passageiros, o Metrô de Madrid decidiu ampliar o comprimento das plataformas de 60 a 90 m, com a finalidade de colocar trens com maior capacidade, de até 6 vagões. A Estação de Chamberí, que integrava a linha original de 1919 e também projetada por Antonio Palacios, foi fechada em 1966 pela impossibilidade de se realizar a reforma, pois encontrava-se numa curva. Durante anos esteve abandonada, mas foi restaurada e hoje em dia é um museu que se pode visitar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Hoje em dia, o Metrô de Madrid alcança 294 km, formado por 12 linhas principais e chegando a 12 municípios situados próximo à cidade. Abaixo, vemos uma plataforma atual da linha 1, com fotos antigas que pertencem ao arquivo histórico do Metrô de Madrid, colocadas para a comemoração do centenário, muitas das quais estou publicando nesta série…

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Metrô de Madrid – Parte 2

Recentemente, a prefeitura e o metrô de Madrid criaram um projeto denominado de Andén Cero (plataforma zero, em português), cujo objetivo é transmitir um pouco da história do transporte metropolitano da cidade ao público em geral. Para tanto, foram restauradas suas duas sedes existentes, permitindo sua visitação e possibilitando a valorização do patrimônio industrial e tecnológico através do conhecimento de lugares emblemáticos, indicativos da evolução do metrô no seu contexto social e histórico.

Uma das sedes é a antiga estação de Chamberí, conhecida por ser uma das estações “fantasmas” da cidade e pertencente à primeira linha criada em 1919.

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Na década de 60, devido ao incremento do tráfico de passageiros, o      metrô decidiu ampliar as estações da linha 1 para colocar em serviço novos trens de maior capacidade, constituído por 6 vagoes.

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Diante da impossibilidade técnica de ampliação nesta estação, por sua situação em curva, e pela proximidade com outras estações, o Ministério de Obras Públicas decidiu fechá-la em 1966. A partir de então, ficou abandonada. Os trens da linha 1 continuavam passando pela estação, mas sem realizar paradas. A escuridão não permitia que as pessoas visualizassem esta jóia da arquitetura e do desenho, e muitos nem sequer sabiam de sua existência.

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Em 2006, iniciou-se sua reforma, baseada na recuperação das estruturas originais e na restauração do interior (solos, muros, tetos, cartéis publicitários, etc). Finalizada em 2008, a estaçao de Chamberí  é uma das grandes atrações do projeto, pois podemos admirar o aspecto original que possuía na época de sua construção.

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Seu desenho incorporou os critérios de funcionalidade, simplicidade e economia impostos pelo arquiteto Antonio Palacios.

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Os cartéis publicitários são um dos seus maiores atrativos, já que se conservam tal e como foram criados na década de 20.

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A outra sede que compõem o projeto é a Nave de Motores. Construída em 1923, ano em que foi finalizada a primeira linha, sua função era a produção de energia para a rede metroviária.

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Esta central elétrica, projetada pelos engenheiros José Maria e Manuel Otamendi e pelo arquiteto Antonio Palácios, estava composta por 3 motores a diesel, adquiridos na Alemanha. Com capacidade de 1500cv cada uma, chegou a produzir 5000kw de potência, e se transformou na época na central de maior potência instalada do país. Além disso, proporcionou energia para as demais subestações do metrô e à própria cidade de Madrid, durante a Guerra Civil.

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Para a decoração do edifício, Antonio Palácios utilizou azulejos que logo foram incorporados nas demais estações, convertendo-se num símbolo da imagem da companhia.

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Porém, a crescente e regular produção das companhias elétricas motivou a paralizaçao da produção energética da nave de motores na década de 50, ficando definitivamente fora de serviço em 1972.

Os trabalhos de restauração consistiram na recuperação de seu aspecto original, na limpeza das máquinas e na criação de um espaço adequado para receber o público visitante. Abaixo, vemos imagens dos transformadores e da sala de controle.

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Na época de produção, o ruído provocado pelos motores era tal, que as eventuais incidências eram comunicadas aos trabalhadores mediante a utilização de cartéis luminosos. Atualmente, o edifício é também a sede do Sindicato Metroviário de Madrid. Abaixo, outras fotos da nave de motores.

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