Casa de las Conchas – Salamanca

Qualquer pessoa que caminhe pelo Centro Histórico de Salamanca se surpreenderá com a grande quantidade de palácios nobres existentes, que integram o patrimônio histórico da cidade declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Um dos que mais chamam a atenção do visitante é, sem dúvida nenhuma, a famosa Casa de las Conchas, assim denominada pela grande quantidade de conchas que aparecem como elemento decorador de sua fachada principal. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XV, com o final das lutas nobiliárias e a derrota definitiva dos muçulmanos com a conquista de Granada, sucedida durante o reinado dos Reis Católicos em 1492, as cidades tornam-se um espaço mais seguro. A nobreza abandona os castelos rurais e retornam ao mundo urbano, construindo palácios que se convertem no símbolo de seu poder. Neles se observan, no entanto, reminiscências das antigas fortalezas medievais, como as altas torres. Os muros, tanto exteriores, quanto interiores, se ornamentam com os brasões do proprietário, como ocorre com a Casa de las Conchas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm ano depois da descoberta do continente americano e da conquista de Granada, um alto funcionário do reino, Don Rodrigo Arias Maldonado, ordenou a construção deste original edifício, cujas obras finalizaram em 1517. Trata-se de um dos melhores exemplos da Aquitetura Gótica Civil da Espanha. No princípio, os Reis Católicos haviam ordenado a derrubada de vários palacetes nobres erguidos com torres, principalmente daquelas famílias que contestavam seu poder. Aqueles que apoiaram a monarquía foram favorecidos, como no caso de Don Rodrigo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem aproximadamente 300 conchas na fachada do palácio, e muito se especula sobre a presença deste elemento na decoração. Don Rodrigo, embaixador do rei em Paris e Lisboa, foi também catedrático na Universidade de Salamanca e membro da Ordem de Santiago, sendo que as conchas são consideradas um símbolo do Apóstolo Santiago. Sua presença demonstra o orgulho que sentia o proprietário por pertencer à ordem. Seu emblema, formado por 5 flores de lis, se combina com o de sua esposa Dona Juana, pertencente a família dos Pimentel, que também utilizava em sua heráldica as conchas como motivo principal. Sua presença na fachada seria, portanto, uma prova de amor. As conchas se destacam na fachada, junto com as janelas góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem várias lendas a respeito de tesouros ocultos que foram colocados debaixo das conchas pelos proprietários do palácio. No entanto, era comum na época colocar moedas de ouro na estrutura do edifício para atrair boa sorte. Outra lenda postula que a família escondeu umas jóias debaixo de uma das conchas, deixando documentada a quantidade escondida, mas não a concha escolhida. Aquele que tentasse desvendar o mistério e a localizaçao exata das jóias deveria aportar antecipadamente a quantidade estipulada como fiança. Se lograsse encontrar as jóias, ficaria com o tesouro descoberto e recuperaria a fiança. Do contrário, perderia a fiança…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do palácio se organiza em torno a um pátio, algo habitual nos edifícios nobres. Nele convivem vários estilos artísticos, cuja coexistência marcou o final do século XV, pois o gótico, em sua última fase, na Espanha denominado Gótico Isabelino, se mistura com o Estilo Mudéjar, tradicional no país, como podemos observar no artesanato que decora o teto do nível superior do pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes dois estilos artísticos se combinam com as novas formas renascentistas, enriquecidas por fantásticos personagens grotescos, abundantes no pátio sob o aspecto de gárgulas. Esta nova corrente importada da Itália foi trazida ao país pela nobreza e o clero, grande parte formada na Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o pátio foi decorado com o escudo dos proprietários, como vemos a seguir. Ao fundo, aparece o Ernesto, que me foi apresentado pelos meus amigos Marcelo e Cristina, e que tive o prazer de sua companhia em Ávila e Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível inferior do pátio está formado pelos denominados Arcos Mixtilíneos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível superior foi feito com mármore branco, possivelmente de Carrara. Abaixo, vemos a bela escada que conduz à parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de las Conchas também exerceu como função ser prisão da Universidade. Está situada em frente a Igreja de la Clerecía, cuja parte da fachada principal vemos desde o pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1929, a Casa de las Conchas de Salamanca foi declarada Monumento Nacional e atualmente alberga a Biblioteca Municipal, além de converter-se num espaço para exposições culturais.

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Explorando a Universidade de Salamanca

Salamanca é conhecida mundialmente não só por seu centro histórico monumental, mas também por sua Universidade, uma das instituições de ensino de maior influência da Europa ao longo dos séculos, e que foi o tema de um post publicado em 25/4/2012. Desta vez tive a oportunidade de conhecer boa parte dos edifícios que compõem o campus universitário, complementando a matéria publicada naquele dia. Esta Universidade Pública é considerada  a mais antiga da Espanha e de todo o mundo hispano, e junto com as Universidades de Bolonha, Paris e Oxford, constitui uma das mais antigas de todo o continente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano passado completou 800 anos de existência, pois o germe de sua fundação foram os chamados “Estudios Generales“, instituído pelo Rei Alfonso IX de León no ano 1218.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem, como as demais universidades européias, foram as denominadas escolas catedralícias, cuja existência se remonta, ao menos, ao final do século XII. Em 1218, Alfonso IX outorgou a categoria de “Estudios Generales” a estas escolas, com o nome de”Studii Salamantini“. Este título manifesta a variedade de disciplinas existentes, seu caráter público (aberto a todos) e a validez de seu diploma. Nasceu como uma universidade eminentemente jurídica, em consonância com a de Bolonha, e em contraste com as de Oxford e Paris, mais voltadas às Belas Artes e a Teologia. Foi a primeira da Europa em contar com uma Biblioteca Pública, ainda hoje considerada uma das maiores da Espanha, e que pode ser visitada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início, a Universidade de Salamanca foi financiada pela igreja e seus fundos procediam dos dízimos eclesiásticos, um imposto sobre os produtos agrícolas. Desta forma, bispos ambiciosos permaneciam pouco tempo no cargo, solicitando que fossem transferidos para outras cidades. Por este motivo, muitos dos bispos de Salamanca foram pessoas de grande preparo intelectual e interessados no devenir da universidade sendo, com frequência, catedráticos e reitores. No entanto, a situação econômica da instituição esteve influenciada pelas crises agrárias que se produziam regularmente durante a Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste período inicial, as disciplinas acadêmicas eram Direito, Medicina, Lógica, Gramática e Música. Os professores de Direito gozavam de um maior salário, em relação às demais disciplinas. Um 1255, a bula papal de Alejandro IV outorgou à universidade a “Licentia Ubique Docendi“, reconhecendo a validez universal de seus títulos. Somente no final do século XIV iniciaram os estudos de Teologia. As aulas eram dadas todas em latim, facilitando a mobilidade internacional de professores e estudantes, embora neste período a maior parte dos alunos pertenciam à Península Ibérica. No final do século XIV estudavam na universidade entre 500 e 600 alunos. Durante o século XV, o crescimento da universidade fez com que o aumento do número de alunos  chegasse aos 3 mil no início do século seguinte. Todos eram homens, predominando os clérigos sobre os laicos. A instituição tardou séculos em obter edifícios próprios. Até o século XV, as aulas eram realizadas no claustro da Catedral Velha de Salamanca, em casas alugadas ou em outras fundações religiosas, caso da Igreja de San Benito, que se destaca por sua fábrica gótica, seus poderosos contrafortes e a portada principal, com um relevo da Anunciação

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro edifício universitário foi o chamado Colégio Mayor de San Bartolomé, cuja construção iniciou-se em 1401. Sua estrutura foi terrivelmente afetada pelo Terremoto de Lisboa de 1755. O cardeal aragonês Pedro de Luna, que posteriormente assumiu o cargo de pontífice com o nome de Benedito XIII, foi um grande protetor da universidade, impulsionando a compra dos primeiros edifícios. Na Constituição de 1411, ordenou a criação das chamadas Escolas Maiores, com os títulos de licenciatura e doutorado, e que atualmente constituem um dos principais edifícios históricos da universidade e sua imagem mais conhecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa praça onde se levanta o edifício do Colégio Mayor da Universidade de Salamanca, vemos um monumento em homenagem a Fray Luis de León (1528/1591), teólogo, humanista e religioso pertencente à Ordem de Santo Agostinho, e considerado um dos maiores poetas do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1413, o Rei Juan II ordenou a construção do Hospital del Estudio, situado na mesma praça, que era utilizado como local de hospedagem para estudantes com poucos recursos. Atualmente este edifício histórico alberga a Reitoria da Universidade de Salamanca. Abaixo, vemos a fachada de estilo gótico com a imagem de Santo Tomás de Aquino

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1428 iniciou-se a construção das chamadas Escolas Menores, que serviam de preparação ao ingresso na universidade, na qual se obtinha o título de bacharelato, situada ao lado do Edifício da Reitoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo e acima, vemos a entrada às Escolas Menores

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE seu belo pátio com aspecto de claustro monacal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo fundo da imagem, ergue-se a torre da Catedral Nova de Salamanca

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA matéria sobre a história da Universidade de Salamanca continuará no próximo post…

Na Torre da Catedral de Ávila

A Catedral de Ávila é outra das atrações históricas da cidade, e foi tema de uma série de 3 posts, publicados nos dias 21, 22 e 23/01/2017. Considerada a primeira catedral de estilo gótico na Espanha, foi edificada como templo e como fortaleza, já que o ábside da construção constitui um dos cubos da própria muralha de Ávila, algo inédito nos edifícios catedralícios, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe com precisão quando começou a ser levantada. A teoria mais aceita diz que data de mediados do século XII, cujo projeto foi realizado por um mestre francês chamado Fruchel, coincidindo com o processo de repovoamento de terras castelhanas por Raimundo de Borgoña, genro do Rei Alfonso VI. A parte construída por Fruchel, correspondente ao altar maior da catedral, se insere no estilo românico de transiçao ao gótico. Posteriormente, outros mestres finalizaram as obras da catedral (naves, capelas e o remate das torres) já no estilo gótico. Abaixo, vemos a fachada principal da Catedral de Ávila e seu impressionante aspecto de fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vemos na imagem acima, se construiu apenas uma torre, a outra permaneceu inacabada. O primeiro corpo da torre campanário data do século XIII, assim como as naves da igreja. As bôvedas (teto) e o segundo corpo da torre campanário datam do século XIV. No século XV, finalmente se finaliza todas as obras da catedral. Abaixo, vemos uma foto de seu interior, destacando sua bôveda de crucería, característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta última vez que estive em Ávila com o Marcelo, a Cristina e o Ernesto, tivemos a oportunidade de subir no alto da torre campanário, um passeio imperdível que proporciona visitar lugares de uma catedral que normalmente estão fechados ao público. Antes de chegar na parte mais elevada da torre, pudemos contemplar umas excelentes vistas da nave central da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário possui 7 sinos (campanas, em espanhol), cada qual com seu nome de batismo, como “Maria Teresa”, “Platera”, devido à presença de prata em sua fabricação, ou “San Segundo”, em homenagem ao Santo Padroeiro de Ávila. Abaixo, vemos algumas delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, uma foto da torre inacabada, que foi fechada com tijolos, mas que deixa à vista uma parte da construção de pedra…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui um elemento que normalmente os visitantes não têm acesso, a estrutura de madeira construída como sustentação do telhado ou cobertura da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto curioso foi observar as diversas marcas de canteiros ao longo da construção. Estas marcas talhadas na pedra constituem uma espécie de assinatura dos trabalhadores que colaboraram na edificação da catedral. Cada um deles possuía uma marca diferente e, desta forma, podiam cobrar pelo trabalho realizado. As marcas de canteiros são habituais nas catedrais românicas e góticas. Abaixo, vemos algumas das que descobrimos no passeio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto que me surpreendeu está relacionado com o antigo ofício dos campaneiros. Na realidade, este termo se refere a dois ofícios tradicionais, designando aqueles responsáveis pela fabricação dos sinos (elaboração do molde e posterior fundição do metal) e também às pessoas que realizavam os toques das campanas. Sempre pensei de como seria a vida destes trabalhadores que executavam este trabalho de tocar os sinos e, na visita à torre, muitas perguntas foram respondidas. A primeira questionava onde viviam e o mais curioso, é que residiam na própria torre, ao nível dos próprios sinos. A torre da Catedral de Ávila conserva maravilhosamente a casa do campaneiro. De estilo castelhano humilde, parece incrível que se manteve intacta. Os campaneiros nela viveram até os anos 50 do século XX. A residência possuía sala, alcobas, cozinha com chaminé, banheiro, etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa dos campaneiros foi construída aos pés da catedral, sobre a bôveda gótica. Para visitá-la, subimos os 113 degraus de uma escada em espiral, que salva a diferença entre o solo da catedral e sua cobertura. Nela se desenvolvia  a vida familiar dos campaneiros, sendo praticamente tarefa de todos seus membros realizar o toque das campanas, durante todo o dia. Frequentemente, o ofício passava de pai para filho, e as condições de vida eram extremamente duras, como nos explicou o guia que conduziu a visita. Em primeiro lugar, tinham que suportar um frio aterrador, numa cidade na qual as temperaturas normalmente atingem mínimas negativas, e muitos padeciam de doenças respiratórias. Além do mais, muitos campaneiros, depois de uma longa vida dedicada ao ofício, ficavam surdos com o forte som decorrente dos sinos. Em seus momentos de ócio, construíram pequenos jogos talhados nas pedras da torre (algo parecido com o atual jogo de damas), como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dificuldades de acesso a esta peculiar residência fizeram com que fossem criados mecanismos de abastecimento e comunicação com o mundo exterior. O sistema implantado na Catedral de Ávila se resume a uma corda atada a uma polea que se utilizava para para subir alimentos e água, além de outros objetos essenciais à vida, e para baixar tudo aquilo que já não servia. Abaixo, vemos o sistema desde o solo da catedral e em sua parte superior, junto à casa dos campaneiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante séculos as campanas funcionaram como uma forma de comunicação social, anunciando festas, falecimentos e os atos litúrgicos, entre outros. O ofício de campaneiros data do período medieval em sua concepção atual. Atualmente, está em perigo de extinção com o desenvolvimento de métodos eletromecânicos para os toques de sinos e muitos aspiram que o toque manual seja declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. As campanas e seus variados sons constituem um maravilhoso universo, e seu estudo denomina-se Campanologia. Para saber mais sobre elas, ver as matérias publicadas em 6 e 7/3/2018, cujo tema foi o Museu das Campanas da belíssima cidade de Urueña, também situada na Comunidade de Castilla y León.

Plaza de San Mateo – Cáceres

Prosseguindo com as matérias sobre a belíssima cidade de Cáceres, o post de hoje está dedicado a outros de seus espaços icônicos, a Plaza de San Mateo. Nela podemos visitar uma das igrejas mais importantes da cidade, um palácio e o Museu de Cáceres. A praça está presidida pela Igreja de San Mateo, cuja construção finalizou-se em 1602 sobre uma antiga mesquita islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da estrutura ter sido concluída no início do século XVII, sua torre campanário é do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do templo possui apenas uma nave, e seu retábulo maior constitui uma verdadeira obra prima. Foi realizado com madeira de pino sem policromar pelo artista Vicente Barbadillo no estilo rococó, em 1765.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo ocorre com outras igrejas da cidade, na Igreja de San Mateo também apreciamos túmulos pertencentes às famílias nobres de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um dos belos vitrais da igreja, com a representação do Batismo de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo também acolhe um interessante conjunto de pinturas religiosas, como a que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, esta igreja foi declarada Monumento Histórico-Artístico. Ao seu lado situa-se outra das residências nobres de Cáceres, o chamado Palácio de las Cigueñas (cegonha, em português), assim denominado por esta espécie de ave que costuma construir seus ninhos no alto de sua esbelta torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste imponente palácio foi construído no final do século XV no estilo gótico pelo capitão Diego de Cáceres Ovando, com a permissão dos Reis Católicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio possui um pátio interior, como normalmente ocorre nas residências nobres antigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, realizam-se exposições temporárias no interior do palácio. Tive a oportunidade de visitar uma delas, sobre a história militar do país e admirar alguns detalhes decorativos do seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Palácio de las Cigueñas vemos o Convento de San Pablo, fundado em 1492. Sua fachada destaca-se pela austeridade, mas apresenta uma bonita espadaña, como se conhece na arquitetura uma estrutura levantada com a função de campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, o convento acolhe uma comunidade de freiras de clausura pertencente a Ordem de Santa Clara. No próximo post, veremos o Museu de Cáceres, também situado na Plaza de San Mateo

Igreja de Santa María – Trujillo

Caminhando por Trujillo sobressai em sua paisagem a belíssima Igreja de Santa María “La Mayor”, considerada o templo religioso de maior importância da cidade. Se acredita que foi levantada sobre uma das mesquitas de Trujillo, no século XIII dentro da estética românica.

DSC02236Deste período inicial, destaca a Torre Campanário, cuja beleza pode ser admirada desde vários pontos do centro histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns autores afirmam, equivocadamente, que antes havia no local um templo dedicado ao Imperador Romano Júlio César, motivo pelo qual passou a ser conhecida como “Torre Júlia“. Duramente castigada ao longo do tempo, a torre campanário sofreu graves danos durante os terremotos de Lisboa de 1521 e 1755, qua causaram estragos por toda a Extremadura. Em 1871, a torre teve que ser demolida, mas foi fielmente reconstruída segundo os gravados da época. Ao seu lado, ergue-se a chamada “Torre Nova“, construída a partir do século XVI e rematada somente no XVIII.

20181209_120929É possível subir a parte mais elevada de ambas torres. Preferi subir à “Torre Júlia“, cujas vistas compensam o esforço. Abaixo, vemos a “Torre Nova” e o Castelo de Trujillo

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte mais alta da “Torre Júlia“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando a igreja foi edificada no século XIII, depois da reconquista da cidade, o templo foi consagrado a Virgem Maria da Assunção. No século XVI, a estrutura foi reformada em sua maior parte no estilo gótico com elementos renascentistas, como podemos apreciar em sua fachada.

20181209_120939A roseta que preside a fachada (rosetón, em espanhol) pertence ao gótico e foi construída em 1550, durante a reforma da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos interiores que chamam mais a atenção é o coro, de estilo plateresco, também construído em 1550.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, a Igreja de Santa María de Trujillo é conhecida por seu espetacular Retábulo Mayor, obra do pintor gótico espanhol Fernando Gallego (1440/1507), que o realizou em torno a 1480.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFernando Gallego insere-se dentro do estilo hispano-flamenco, e foi influenciado pelo pintor Rogier Van der Weiden. Atualmente, contemplamos a obra em todo seu esplendor, depois que foi restaurado no século XX. O retábulo combina elementos da pintura flamenca, alemã e da escola castelhana e suas cenas giram em torno a episódios da vida da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja existe uma grande quantidade de sepulcros pertencentes à nobreza local, além de magníficas obras de arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1943, a Igreja de Santa María de Trujillo foi declarada Monumento Nacional, devido a sua importância histórica e artística. Antes de finalizar a matéria, desejo a todos os (as) leitores (as) um maravilhoso Natal e um ano de 2019 repleto de alegrias e momentos inesquecíveis. Um grande abraço a todos (as)…

 

Igreja de San Nicolás – Valência

Em pleno Centro Histórico de Valência situa-se um dos templos mais belos da cidade, a Igreja de San Nicolás e de San Pedro Mártir. Recentemente, quando estive na cidade, tive a oportunidade de conhecê-la por primeira vez e admirá-la tanto sua parte exterior, quanto seu magnífico espaço interno.

20181004_144531O local onde a igreja se situa sempre foi, ao longo dos séculos, um espaço sagrado. Já em época romana, havia um templo, que foi substituído por uma mesquita durante a dominação muçulmana. Com a reconquista efetuada pelo Rei Jaime I no século XIII, a mesquita foi consagrada como uma paróquia cristã e entregue a Ordem Dominicana, que batizou o templo em homenagem a San Nicolás de Bari. Anos depois, a ordem decidiu incorporar a titularidade da igreja a San Pedro Mártir, considerado o primeiro santo mártir dos dominicanos.

20181004_144658No século XV, chamado de Século de Ouro Valenciano, a igreja foi reconstruída e ampliada, adquirindo o aspecto gótico que possui atualmente. Desta época, se conserva a portada exterior, que vemos nas imagens acima. Esta reforma ocorreu durante o governo eclesiástico do Bispo Alfonso de Borja, que se tornaria cardeal e posteriormente Papa com o nome de Calixto II.

20181004_144603Durante o período da Contrarreforma, no final do século XVII (entre 1697 e 1700), a igreja foi reformada no estilo barroco.

20181004_143337Todo o interior do templo foi coberto por um excepcional conjunto de pinturas (quase 2 mil metros quadrados), realizado pelo pintor Dionís Vidal, discípulo do grande Antonio Palomino (1653/1726), considerado um dos maiores teóricos da arte na Espanha, além de ter sido nomeado pintor de câmara do Rei Carlos II.

20181004_143349As pinturas foram realizadas na própria estrutura gótica do templo, e representam episódios das vidas dos santos titulares, San Nicolás e San Pedro Mártir. Conhecida como a Capela Sixtina Valenciana, a Igreja de San Nicolás é considerada um dos melhores exemplos da combinação do estilo gótico com a decoração barroca.

20181004_14383520181004_144022O interior da igreja possui nave única e 6 capelas de cada lado…

20181004_14430620181004_143555San Nicolás viveu no século IV, e foi Bispo de Mira, na atual Turquia. Devido às invasões otomanas, seus restos foram levados à cidade italiana de Bari, onde se encontra seu sepulcro. Protetor da infância e da família, também é invocado em momentos de dificuldades financeiras. Abaixo, vemos seu busto, situado junto ao altar maior da igreja.

20181004_143733San Pedro Mártir viveu no século XIII. Pertencente à Ordem Dominicana, nasceu em Verona, Itália, e faleceu em 1252. Abaixo, vemos o órgão da igreja…

20181004_143720A igreja conserva importantes obras artísticas, como este retábulo que representa o Calvário de Cristo, realizado pelo pintor Rodrigo de Osona em 1476, um exemplo da transição do gótico ao renascimento.

20181004_144211No século XIX, foram realizadas algumas reformas na parte exterior da igreja, no estilo neogótico

20181004_144612Finalmente, em 1981, a Igreja de San Nicolás de Valência recebeu, merecidamente, o título de Monumento Histórico-Artístico.

Poza de la Sal – Província de Burgos

A Província de Burgos está repleta de pueblos de grande beleza e relevância histórica. O primeiro que visitamos foi Poza de la Sal, situado a 43 km ao norte da capital da província, a cidade de Burgos. Com apenas 340 habitantes, situa-se na Comarca de de la Bureba e sua localização na ladeira de uma serra lhe valeu o apelido de “Balcão de la Bureba“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido à conservação de seu núcleo urbano, foi declarado Conjunto Histórico-Artístico em 1982. Conhecida já em época romana devido à exploração de sal (no próximo post comentarei sobre a importância deste produto no desenrolar de sua história), foi na Idade Média que adquiriu novamente importância, graças ao foro real e o privilégio de realizar um mercado semanalmente e duas feiras anuais, concedido por Enrique II em 1371. Uma boa forma de conhecer o povoado é dirigindo-se à Oficina de Turismo, situada ao lado do Edifício do Ayuntamiento, construído no final do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua planificação e distribuição urbana reflete seu passado medieval, com inúmeras casas  construídas com vigas de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA vila encontra-se rodeada por uma muralha medieval que se conserva em sua maior parte. Abaixo, vemos a chamada Plaza Nueva, construída no século XVII, e o Arco de la Concepción, a principal porta da muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Cosme y San Damián ergue-se no centro do pueblo….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída a partir do final do século XIV no estilo gótico. No entanto, sua fachada foi reformada no estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, a igreja foi catalogada como Monumento Nacional. Abaixo, vemos imagens de sua esbelta torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACaminhar tranquilamente pelas ruas de Poza de la Sal é um verdadeiro prazer para os sentidos, nos remetendo a um passado que sobrevive em seu urbanismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara a grande maioria dos espanhóis, a vila é conhecida como a cidade natal de um dos mais influentes naturalistas do mundo, Félix Rodríguez de la Fuente (1928/1980). Este médico e divulgador ambientalista contribuiu em grande medida ao desenvolvimento da consciência ecológica no país, numa época em que ainda não existiam movimentos dedicados à conservação da natureza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizou vários documentais ambientalistas para a Rádio e a Televisão Espanhola, como a série “El Hombre y la Tierra“, de grande êxito no país e vista por incontáveis espectadores entre os anos de 1974 a 1980. Entre os muitos estudos que realizou junto à natureza, destacou-se pela convivência com os lobos da região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua merecida fama extrapolou os limites do país. Em 1980, sofreu um acidente aéreo no Alasca, quando realizava filmagens para um novo documentário, fato que lhe custou a vida. Durante minha visita ao povoado, conheci vários turistas espanhóis que se lembravam de terem assistido suas séries na TV quando crianças, e do quanto aprenderam com ele…