Cidade Universitária de Madrid: Parte 3

Como foi dito na matéria anterior, a maior parte dos edifícios que compunham a Cidade Universitária de Madrid estavam terminados na década de 30 do século XX. No entanto, em 1936 eclode a Guerra Civil Espanhola. Madrid, como enclave republicano que era, sofreu intensos bombardeos pelas tropas nacionalistas durante o conflito que se estendeu durante três anos mais. Por estar situada numa frente de batalha, a Cidade Universitária foi uma das zonas mais castigadas. Abaixo, vemos uma foto tirada durante a guerra, e podemos observar o estado que ficou a Escola de Engenheiros Agrônomos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje podemos ver algumas estruturas situadas no Parque do Oeste, localizado ao lado da Cidade Universitária, que funcionaram como ninhos de metralhadoras durante o conflito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil, o campus universitário se converteu num campo de batalha no qual a maior parte dos edifícios foram destruídos. Tornou-se famosa a guerra travada na Faculdade de Filosofia e Letras, em que os combatentes dos bandos republicano e nacionalista lutaram corpo a corpo. Trincheiras e muros foram “construídos” com os livros de sua importante biblioteca. Abaixo, vemos uma foto atual da faculdade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada exterior não apresenta elementos destacáveis, mas em seu interior se reconstruiu um magnífico painel de vitrais de estilo Art Decô, uma recriação do vitral destruído durante a guerra. Foi realizado pela Casa Maumejeán, especializada em vitrais artísticos e fundada em 1860.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo jardim da faculdade vemos uma escultura do grande filósofo espanhol José Ortega y Gasset (Madrid: 1883/1955), realizada por Juan de Ávalos e inaugurada em 2002.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo final da contenda, o panorama na Cidade Universitária era desolador, e se perdeu quase a metade dos edifícios construídos antes da guerra. Mais de 40 mil árvores foram derrubadas. Com a vitória nacionalista, Franco reconstruiu o campus, feito que foi utilizado pelo próprio ditador como um grande êxito do novo regime. O próprio Franco reinaugurou a Cidade Universitária em 1943. Abaixo, vemos o Colégio Maior José Antonio, cujo nome foi uma homenagem a José Antonio Primo de Rivera (1903/1936), filho primogênito do ditador Miguel Primo de Rivera. Considerado o principal líder do fascismo espanhol, foi ele o fundador da Falange Espanhola. Acusado de conspiração e rebelião militar, foi executado nos primeiros meses da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetado em 1948, durante boa parte do século XX foi um reduto franquista formado por estudantes que apoiavam o regime. Depois de uma profunda reforma realizada em 1981, passou a ser o edifício sede da Reitoria da Universidade Complutense, função que persiste até os dias de hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído dentro dos parâmetros do estilo herreriano, referência a Juan de Herrera, construtor do Monastério de El Escorial (século XVI). Esta estética arquitetônica acabou sendo adotada pelo Franquismo e muitas construções desta época podem ser vistas na região que integra a Cidade Universitária. Dessa reconstrução foram encarregados os arquitetos Pedro Muguruza e o próprio Modesto López Otero, responsável pelos projetos dos edifícios originais do campus. Em grande parte, os novos edifícios seguiram os planos originais de 1928, ainda que introduzindo modificações relacionadas com o novo regime, como  introduzir capelas em todas as faculdades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XX, a Cidade Universitária experimentou um grande desenvolvimento, principalmente depois que a Universidade Complutense foi instalada, incorporando novas faculdades ao conjunto. Atualmente, a Complutense, universidade pública mais antiga de Madrid, é considerada uma das mais prestigiosas da Espanha e de todo o mundo hispânico. Dos 8 Prêmios Nobel do país, 7 estudaram ou foram professores na Universidade.

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Universidade de Alcalá de Henares – Parte 2

O Colégio Maior de San Ildefonso se organizou em torno a três pátios, e todos eles podem ser vistos na excelente visita guiada que se realiza pelas dependências da Universidade de Alcalá de Henares. O primeiro é o Pátio Maior, edificado entre 1657 e 1652. De estilo herreriano, foi construído inteiramente em granito, estando composto por 3 níveis de arcos, os dois primeiros semicirculares (Arco de meio ponto), e o terceiro denominado Arcos Carpaneles (simétricos e um pouco mais rebaixado, proporcionando-lhe uma forma arredondada). Este espaço foi dedicado a Santo Tomás de Villanueva, em memória ao primeiro aluno da universidade que alcançou a santidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior das galerias de arcos, vemos o escudo de armas do Cardeal Cisneros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Pátio dos Filósofos ou dos Contínuos representava uma espécie de distribuidor central dos edifícios universitários, abrigando várias oficinas de serviços e da reitoria, além  de residência para os estudantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seu perímetro foi construído dois espaços para as cátedras de Filosofia Moral e Natural, daí o seu nome. Restaurado na segunda metade do século XX, nele encontramos a chamada Porta dos Burros, por onde entravam ou saiam os alunos reprovados nos exames da universidade, entre as cruéis piadas de seus companheiros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADo Pátio dos Filósofos existe um acesso ao último e mais antigo de todos, o denominado Pátio Trilíngue. Construído entre 1557 e 1570 no estilo renascentista, se conserva praticamente igual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém é conhecido como Pátio do Teatro ou do Paraninfo, graças à antiga porta que permitia a entrada principal ao teatro da universidade, que veremos no próximo post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele esteve situado o Colégio Menor de San Jerónimo, fundado por uma disposição testamentária do Cardeal Cisneros em 1528, oferecendo cursos de retórica, grego e hebraico para uma comunidade formada por 30 jovens pobres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do recinto do Colégio Maior de San Ildefonso podemos observar outro símbolo associado ao Cardeal Cisneros, poços com a representação de cisnes, uma referência ao sobrenome do fundador da universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante os séculos XVI e XVII, a Universidade Cisneriana se transformou num grande centro de excelência acadêmica. O prestígio de seus cursos, além da fama de seus mestres, logo se tornaram um modelo sobre a qual se constituíram as universidades na América Espanhola. Além do mais, representou o principal foco do Humanismo em toda a Espanha. Em suas classes se formaram missionários e santos como São Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus (ou dos Jesuítas), San Juan de la Cruz, poeta místico e reformador da Ordem dos Carmelitas, junto com Santa Teresa de Ávila, etc. Entre os grandes nomes da literatura, destacam Lope de Vega, Quevedo, somente para citar alguns. Um dos pilares sobre o qual se desenvolveu foi a invenção da imprensa em 1450, fato que possibilitou a publicação da denominada Bíblia Poliglota Complutense. Financiada pelo próprio Cardeal Cisneros, trata-se da primeira edição poliglota de uma bíblia completa da história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara sua realização, Cisneros contratou os melhores teólogos da época, que iniciaram os trabalhos em 1502, sendo finalizada 15 anos mais tarde. Contava com as melhores traduções da bíblia em grego, hebraico e latim, incluídas algumas partes em aramaico. Publicada em 6 volumes, os quatro primeiros estão relacionados ao Antigo Testamento. Cada página está dividida em 3 colunas paralelas, com a Bíblia Hebraica no exterior, a Bíblia Grega no interior, e a Vulgata Latina no meio. O quinto volume apresenta as escrituras gregas do Novo Testamento, dispostas em duas colunas, uma em grego e a outra em latim, além de um dicionário destes dois idiomas. Se considera a primeira publicação do Novo Testamento impresso da história. O sexto volume inclui elementos para o estudo da bíblia, como um dicionário dos idiomas hebraico e aramaico, além de uma gramática hebraica. A Bíblia Poliglota Complutense é considerada um dos testemunhos mais relevantes do Humanismo Cristão do Renascimento. Se publicaram cerca de 600 cópias, das quais se conhece atualmente 123.

Catedral de Acalá de Henares – Parte 2

No post de hoje continuaremos nossa visita pelo interior da Catedral de Alcalá de Henares e os momentos mais dramáticos por que passou em sua história. No século XIX, a Universidade de Alcalá de Henares foi suprimida e o templo ficou isolado de seu secular vínculo com a instituição, tornando-se uma igreja com funções paroquiais. Em 1851, apesar disso, se conservou o título de colegiata e alguns anos mais tarde deixou sua histórica relação com o Arcebispado de Toledo, integrando-se na nova Diocese de Madrid-Alcalá. Em 1902, devido ao seu lamentável estado, foi fechada. Com a declaração de Monumento Nacional logo depois, foram realizadas obras de restauração em toda sua estrutura. A seguir, vemos algumas das capelas que atualmente encontramos em seu interior, como a que acolhe a imagem da Padroeira de Alcalá de Henares, a Virgen del Val, com destaque para sua reja de estilo plateresco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de San Diego de Alcalá, um santo franciscano que nasceu na Província de Sevilha, conserva seu corpo incorrupto, isto é, permaneceu intacto como em vida, apesar da passagem do tempo, pois faleceu no século XV. Uma urna de prata doada por Felipe II completa o espaço dedicado ao santo, canonizado em 1588.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa reforma realizada no início do século XX, algumas capelas foram eliminadas devido ao seu péssimo estado e no seu lugar receberam pinturas, que atualmente decoram os muros da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Guerra Civil Espanhola afetou de maneira particular este templo catedralício. Em 1936, sua torre foi utilizada como centro de observação e tiro e a igreja foi incendiada. A cobertura desabou, provocando estragos em obras de arte de grande importância, como o Sepulcro do Cardeal Alfonso Carrillo de Acuna (Arcebispo de Toledo desde 1446 a 1482), uma obra prima gótica realizada em alabastro no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto da época, quando as Capelas da Virgem Padroeira da cidade e a de San Diego de Alcalá passaram a acolher famílias refugiadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante os três anos da Guerra Civil, a igreja ficou abandonada e exposta às inclemências meteorológicas, e mais uma vez as ruínas se propagaram rapidamente. Felizmente, uma das partes mais importantes do templo, a cripta com os restos dos Santos Mártires Justo e Pastor, sobreviveu. Na sequência, vemos a entrada à cripta, com um relevo em sua parte superior representando o martírio dos santos meninos no estilo renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto atual da cripta se remonta ao século XVI, e guarda uma arca de prata de 1702 com os restos dos santos, e a pedra na qual foram decapitados, segundo conta a tradição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita à Catedral de Alcalá de Henares inclui também o claustro, finalizado em 1614. De estilo herreriano, nome associado ao arquiteto Juan de Herrera, responsável da construção do Monastério de El Escorial, nele podemos conhecer a história da catedral em didáticos painéis colocados em seus muros. Também acolhe uma exposição de lápides funerárias antigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo claustro se encontra o Museu da Catedral, com alguns dos tesouros sobreviventes de sua complicada, mas bela, história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais peças exposta é a arca do século XVI, feita de prata e ébano com relíquias dos Santos Justo e Pastor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque é este tríptico flamenco, datado de 1520.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da torre, vista do claustro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizada a Guerra Civil, a catedral passou por outro longo processo de restauração, e atualmente constitui um local de visita obrigatória, fundamental para se conhecer a história desta apaixonante cidade.

 

Real Monastério de la Encarnación – Madrid

O Real Monastério de la Encarnación é outro dos “sobreviventes” da cidade conventual que havia se transformado Madrid depois de tornar-se capital do Reino Espanhol e também um exemplo do costume tradicional da monarquia e da nobreza em patrocinar construçoes religiosas. Localiza-se no centro histórico de Madrid, na denominada Plaza de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério foi fundado por Margarita de Áustria, esposa do rei Felipe III, no começo do séc. XVII e construído pelo arquiteto Fray Alberto de la Madre de Dios entre 1611 e 1616.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada, inspirada no modelo do estilo Herreriano (de Juan de Herrera, arquiteto construtor do Monastério de El Escorial), caracteriza-se pela austeridade decorativa e criou escola, sendo muito imitada ao longo dos séculos. Apresenta o escudo de Margarita de Áustria e um relevo da Anunciaçao, feito em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste monastério foi criado para as religiosas da Ordem de Agostinas Recoletas e acolheu, ao longo de sua história, muitas damas da alta nobreza espanhola, sendo fundado para celebrar a Expulsao dos Mouros em 1609. Devido a sua proximidade com o Real Alcázar, a família real podia entrar diretamente à igreja, através de uma construçao que ligava o antigo palácio real com o monastério, infelizmente desaparecida. Em 1611, a Rainha Margarita faleceu, sem que pudesse apreciar a obra finalizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como o Monastério de las Descalzas Reales, o Monastério de la Encarnación possui uma rica coleçao artística, com obras do pintor Luca Jordán, dos escultores Gregório Fernández e Pedro de Mena, etc. Abaixo, vemos duas imagens do interior da igreja, reformada pelo arquiteto real Ventura Rodríguez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Real Monastério de la Encarnación foi aberto ao público somente em 1965, e atualmente é considerado um dos melhores e mais importantes exemplos do Barroco em Madrid.

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Ocaña – Segunda Parte

A cidade de Ocaña possui dois monumentos que a tornaram conhecida além de sua fronteira. Um deles é a magnífica Praça Maior (caso eu tivesse conhecido a cidade antes, certamente teria incluído a praça nas matérias recentes sobre as Belas Praças de Espanha…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo neoclássico, foi edificada no séc. XVIII, durante o reinado de Carlos III. Apresenta uma estrutura fechada e retangular, a modo de claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça chama a atençao pela organizaçao simétrica da fachada, característica do estilo neoclássico. Por sua importância, foi declarada Bem de Interesse Cultural (B.I.C.).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça, se levanta a Casa Consistorial ou Prefeitura, com o relevo do escudo de armas da vila (imagem acima). Abaixo, vemos um cartaz advertindo sobre práticas desporivas, passíveis de puniçao no interior da praça….

 OLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro monumento representativo da cidade é uma obra prima da engenharia hidráulica, a Fonte Nova. Trata-se de um colossal projeto arquitetônico de conduçao e captaçao de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta enorme fonte foi construída no séc. XVI, devido ao grande aumento populacional verificado nesta época, na cidade. Formada por mais de 500m de galerias, a água é conduzida por uma rede de canais. O projeto foi relizado segundo as características do denominado estilo Herreriano, nome pelo qual se conhecem as obras realizadas por Juan de Herrera, arquiteto real de Felipe II e principal construtor do Monastério do Escorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fonte Grande adquiriu importância histórica nao só pelo arrojo arquitetônico, mas também porque no seu raio de açao desenvolveu-se um verdadeiro polígono industrial, base da economia local. No final do séc. XVI, Ocaña contava com mais de uma centena de moinhos para a fabricaçao de aceite, muitos dos quais se alimentavam com as águas da fonte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte situa-se na periferia da cidade, e para levar  água ao povoado, até o séc. XIX existiam os aguadores, pessoas autorizada que realizavam esta funçao. Declarada Monumento Nacional em 1976, a fonte está composta por 20 pilastras realizadas em Ordem Toscano. Atualmente, o complexo é conhecido, merecidamente, como o “Monumento à Agua”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes que a Fonte Nova fosse construída, a populaçao de Ocaña utilizava outra situada em suas imediaçoes. De fábrica muito mais simples, é conhecida como a Fonte Velha. Construída no séc. XV, é uma das construçoes mais antigas da cidade (imagem abaixo).

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A Igreja de San Nicolás – Madrid

A Igreja de San Nicolás de Bari situa-se na praça homônima, em pleno centro histórico de Madrid. O templo já era mencionado no Foro de Madrid de 1202 como uma das dez paróquias existentes na época. Com o derrubamento da antiga Igreja de Santa Maria de Almudena, esta igreja passou a ser considerada como a mais antiga da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns historiadores sustentam que a igreja pôde ter sido uma primitiva mesquita na época muçulmana. O grandioso arco de clara inspiração árabe que vemos no interior  poderia ser uma prova que respaldasse esta teoria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais provável, porém, é que sua construção date do séc. XII, pois sua torre, declarada Monumento Nacional em 1931, apresenta todas as características de um campanário mudéjar daquele período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, a torre foi levantada em tijolo e decorada com os denominados Arcos Cegos. No séc. XVII, foi rematada por uma estrutura barroca. Do mesmo estilo é a portada, esculpida pelo famoso escultor Luis Salvador Carmona, com uma imagem de San Nicolás em sua parte superior (séc. XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre é a única parte que  se conserva da igreja original, já que o templo foi transformado nos séculos posteriores. O interior da igreja foi reformado no séc. XV e no XVII. Nele, vemos um retábulo com a imagem do santo titular, de constituição moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento destacável é uma escultura do Ecce Homo. De acordo com o Evangelho, estas foram as palavras pronunciadas em latim por Pôncio Pilatos, ao apresentar Jesus Cristo à multidão hostil. Traduzidas por “Eis o Homem”, esta imagem foi muito difundida pela iconografia católica ao longo da história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa cripta da Igreja de San Nicolás está enterrado o arquiteto real de Felipe II, e  responsável pela construção do Monastério do Escorial, Juan de Herrera. As características monumentalidade e sobriedade decorativa de suas obras tornaram-se uma referência do Renascimento Espanhol, e formam a base de um estilo próprio, o Herreriano. Abaixo, vemos uma placa comemorativa no exterior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Igreja de San Nicolás é a Paróquia da Comunidade de Italianos de Madrid, e templo da denominada Confraria dos Servos de Cristo, razão pela qual é chamada também dos Servitas. No portal da igreja, vemos o símbolo da instituição talhado em madeira.

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