A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

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Escola de Artes e Ofícios de Toledo

O visitante que chega por primeira vez a Toledo observará que a cidade possui um certa homogeneidade arquitetônica, que se reflete em suas construções mais emblemáticas, como suas belas igrejas. Esta particularidade urbana se deve ao estilo mudéjar, abundante na cidade e seu estilo artístico por excelência. O Mudéjar é considerado a grande aportação espanhola à História da Arquitetura, e desenvolveu-se a partir do século XII, estendendo-se até o século XVI. Se caracteriza predominantemente pelo emprego do tijolo, não só como material construtivo, mas também como elemento decorativo. Outra de suas principais características é a utilização de elementos arquitetônicos associados à Arte Muçulmana, como o Arco de Ferradura, por exemplo. Abaixo, vemos a Igreja de Santiago Mayor, construída no estilo mudéjar.

DSC09136Em algumas construçoes mudéjares se utilizaram como elemento decorativo a cerâmica vidriada. A palavra Mudéjar está relacionada com a populaçao muçulmana que permaneceu na Espanha, mesmo depois da reconquista cristã. Um dos ofícios tradicionais da comunidade era justamente a construção, e os reis espanhóis admiravam sua arquitetura e arte. Desta forma, os mudéjares começaram a realizar edifícios para os reis espanhóis, incorporando elementos de sua própria arquitetura. Abaixo, vemos a Paróquia de Santa Leocádia de Toledo, erguida no estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XIX apareceu na arquitetura uma corrente que propunha a revalorização dos chamados estilos históricos europeus, como o românico, gótico, etc. Evidentemente, na Espanha começaram a surgir edifícios que de uma certa forma interpretavam a antiga tradiçao mudéjar, que foram denominados neomudéjares. Um exemplo deste tipo de arquitetura podemos apreciar em várias Praças de Touros espalhadas pelo país. Em Toledo, um exemplo desta atividade construtiva está representada pela Escola de Artes e Ofícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das amostras mais significativas da arquitetura toledana de finais do século XIX, a Escola de Artes e Ofícios foi projetada pelo arquiteto Arturo Mélida, sendo que sua construção iniciou-se em 1882, durante o reinado de Alfonso XII.

DSC09362O edifício somente foi concluído em 1931, quando no país reinava o monarca Alfonso XIII, filho do anterior. Esta bela construção situa-se em pleno Bairro da Judería, o antigo bairro da comunidade hebraica, que será o tema dos próximos posts que publicarei.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada do edifício principal vemos representado o Escudo dos Reis Católicos

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodos os elementos do estilo mudéjar podem ser vistos no edifício, como a abundância de tijolo, a cerâmica vidriada e as características da Arte Muçulmana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém observamos a presença de novos materiais que passaram a ser usados na arquitetura a partir do final do século XIX, como o ferro forjado, empregado em sua decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC09367Abaixo, vemos uma foto do teto na entrada da Escola de Artes e Ofícios

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído sobre terrenos antigamente ocupados pelo Monastério de San Juan de los Reyes, construído na época dos Reis Católicos e parcialmente destruído durante a invasão francesa de início do século XIX.

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Igreja de San Román – Toledo

Toledo é uma cidade com um patrimônio histórico-artístico riquíssimo, e muitos dos locais mais interessantes ainda permanecem desconhecidos pelos turistas. Um exemplo é a bela Igreja de San Román, situada na parte mais alta da cidade. Este templo é um dos mais curiosos da cidade, por conservar sua estrutura mudéjar do século XIII e por apresentar em seu interior um excepcional conjunto de Pinturas Românicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da escassez de dados, se pode afirmar que a origem desta igreja se remonta à época visigoda, graças a restos arqueológicos encontrados em seu interior em 1968, ano em que o processo de restauração da igreja finalizou-se. Com a chegada dos árabes no século VIII, o templo foi reutilizado como uma mesquita (foram encontrados no século XVI sepulcros muçulmanos em seu interior).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo paróquia do período cristão aparece documentada por primeira vez em 1125, ainda que sua estrutura atual pertence ao século XIII (1221). A Igreja de San Román apresenta uma clara influência construtiva islâmica, tanto em sua arquitetura exterior, quanto em seu formidável interior.  Na foto acima, vemos uma imagem da torre, um exemplo do Mudéjar Toledano, edificada no final do século XIII e começo do XIV. A visita ao templo permite subir ao alto da mesma…

20160503_113012O interior, belíssimo, está formado por três naves separados por Arcos de Ferradura, típicos da arquitetura islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcos se encontram apoiados por colunas e capitéis de época romana e visigoda, que foram reutilizados quando o templo foi usado como mesquita. Até 1926, as paredes e os arcos estavam pintados de branco, quando foram descobertas as pinturas que decoram todo o interior da igreja. Especialistas foram capazes de remover a antiga pintura e mostrar as pinturas românicas originais do templo, realizadas no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto de pinturas está formado por 3 estilos distintos. Em primeiro lugar, aparecem as pinturas mudéjares, caracterizadas por motivos geométricos, vegetais e epigráficos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior dos arcos (em arquitetura denominado intradós), aparecem figuras de santos, profetas e bispos com um olhar frontal, que recordam as pinturas italianas de estilo bizantino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente aparecem as pinturas de composição narrativa, feitas com maior naturalismo e movimento. Podemos apreciar vários episódios e personagens bíblicos, como a Ressurreição dos Mortos, os Apóstolos Evangelistas, o Pecado Original e o Paraíso, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, uma família nobre de Toledo adquiriu o espaço pertencente à capela maior para que se transformasse em sua cripta particular. Para a realização da reforma, foi encarregado um dos melhores arquitetos do Renascimento Espanhol, Alonso de Covarrubias, que foi o responsável pelo intenso plano de revitalização da cidade durante o reinado de Carlos I, quando Toledo passou a ser a capital do Império. Abaixo, vemos uma imagem da capela maior, cujo retábulo foi executado por Diego Velasco, e da cúpula renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva uma Pia Batismal do século XV…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das capelas do templo podem ser vistos vários sepulcros antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma lauda sepulcral de 1400, composta por inscriçoes góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1968, a Igreja de San Román passou a acolher o Museu dos Concílios e da Cultura Visigoda. Em 1931, foi declarada de forma merecida Monumento Histórico-Artístico de caráter nacional.

Igrejas Românicas: Ávila (Parte 2)

Prosseguindo com a matéria sobre as Igrejas Românicas de Ávila, hoje veremos outros templos existentes na cidade que foram construídos neste estilo. A Igreja de Santiago é uma delas. Sua localização, fora das muralhas e num nível mais baixo em relação a elas, é perfeita para se tirar boas fotos do templo e do espaço que a circunda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ter sido construída durante o período românico, foi reformada nos séculos XIV e XVI, alterando seu aspecto original. Á primeira vista, destaca sua torre, de elevada altura e formato octogonal, caso único nas igrejas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADevido às reformas e ampliações realizadas, o estilo predominante é o gótico em sua fase final. Segundo a tradição, neste templo se reuniam os cavalheiros da Ordem de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa porta que vemos acima, observamos uma abundante decoração com o símbolo principal associado ao Apóstolo Santiago, as c0nchasOLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste outra porta de acesso à igreja, edificada segundo os ditames da Arquitetura Românica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central de uma das arquivoltas que compõem o arco, vemos um dos elementos mais comuns relacionados com a Arte Românica, o Crismón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Crismón é a representação ou monograma de Cristo no idioma grego, composto pelas duas primeiras letras do seu nome nesta língua, o X e o P. Em muitas ocasiões, aparece acompanhado das letras alfa e ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, relacionando Cristo como a origem e o fim de todas as coisas, caso do Crismón acima. Vemos ambas letras nas partes laterais. O românico é uma arte essencialmente simbólica, e o Crismón uma de suas representações mais comuns. A Igreja de Santiago foi declarada Bem de Interesse Cultural (BIC) em 1983. Também de origem românica é a Igreja de San Martín, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar das reformas realizadas nos séculos XVI e XVIII, conserva uma belíssima torre construída no estilo mudéjar, provavelmente do século XIV. Em sua parte inferior foi utilizado o granito, e no resto da estrutura o tijolo, o material construtivo predominante deste estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem próxima, se localiza a Igreja de Santa María de la Cabeza. Aparece documentada por primeira vez em 1258, sendo que sua construção data desta época, no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente dedicada a San Bartolomé, nesta igreja se encontrava o primeiro cemitério da cidade, do século XIX. Conserva sua cabeçeira com os três ábsides de estilo românico. Abaixo, vemos uma porta decorada com a imagem de Santa María de la Cabeza e um Crismón, situado abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs elementos mudéjares encontrados também neste templo se explicam porque, da mesma forma que a Igreja de San Martín, está situada num bairro onde antigamente vivia uma grande concentração de população mourisca. Em 1708 se colocou a Espadaña, que atualmente transformou-se na residência da fauna urbana…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa mesma época se construiu uma outra porta de acesso ao templo…

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Palácio do Arcebispo – Alcalá de Henares

Como dito em outras matérias, desde que Alcalá de Henares foi reconquistada no século XII, passou a pertencer ao Arcebispado de Toledo, condição que manteve até o século XIX. Transformou.se, portanto, numa cidade eclesiástica, e como símbolo e riqueza do poder dos bispos de Toledo se construiu um enorme palácio como residência do senhor da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto que vemos atualmente desta construção é fruto de várias intervenções e reformas, consequência das várias destruições e incêndios que assolaram o palácio ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o Palácio do Arcebispo era uma fortaleza edificada no estilo mudéjar, cuja construção foi ordenada pelo Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada, em 1209. Alguns detalhes deste estilo ainda podem ser contemplados na decoração do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIV, o bispo Pedro Tenorio reconstruiu o palácio, fortificando-o. Construiu um grande pátio de armas retangular e o conjunto foi cercado por uma muralha, que vimos no primeiro post sobre a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe conservam algumas torres que lhe proporcionam seu caráter histórico de fortaleza. A Torre da Fonte é uma delas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Torre de Tenorio

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada lateral do palácio dá para a Plaza de las Bernardas, presidida pelo Monastério de San Bernardo, que vimos na matéria anterior. Acima, vemos uma parte da praça com a Torre de Tenório. Esta parte do palácio nos mostra sua arquitetura gótico -mudéjar, principalmente nas janelas e elementos decorativos. Abaixo, vemos outras imagens da praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVários fatos de grande importância histórica ocorreram no palácio, como o nascimento da filha menor dos reis católicos, Catalina de Aragón (1485/1536), Infanta de Castilla e depois Rainha Consorte de Inglaterra, graças ao seu casamento com Henrique VIII. Na praça podemos ver uma escultura em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro acontecimento de grande transcendência histórica sucedido no palácio é que foi o cenário da primeira entrevista de Cristóvão Colombo com a rainha Isabel La Católica, personagem fundamental e patrocinadora das viagens do navegante genovês que resultou na descoberta do continente americano. Em frente a fachada do palácio foi colocada uma estátua de Isabel La Católica (1451/1504) como comemoração do V centenário de sua morte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal foi realizada pelo arquiteto Alonso de Covarrubias em 1524 no estilo renascentista. No centro da fachada vemos o brasão barroco do Cardeal Infante Luis, filho do primeiro rei da Dinastia dos Bourbons na Espanha, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1939, o Palácio do Arcebispo de Alcalá de Henares sofreu um terrível incêndio durante a Guerra Civil Espanhola, destruindo boa parte de sua estrutura. Sua reconstrução finalizou-se somente em 1996. Atualmente é a sede da Diocese de Alcalá e continua sendo a residência do bispo da cidade.

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Praça de Cervantes – Alcalá de Henares

Alcalá de Henares conserva um dos maiores conjuntos históricos de toda Espanha, razão pela qual foi incluída na lista dos lugares Patrimônios da Humanidade da Unesco. Um dos locais mais representativos do centro histórico é a Praça de Cervantes, ponto de encontro dos habitantes da cidade, e núcleo central ao redor do qual se localizam as principais atrações da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta belíssima praça possui uma origem medieval, já que nela se realizavam as feiras anuais da vila, privilégio concedido pelo rei Alfonso VII em 1184. Por este motivo, recebeu inicialmente o nome de Praça do Mercado e durante muito tempo esta foi sua denominação. Originalmente situada fora das muralhas da cidade, nos séculos XV e XVI a praça passou a integrar-se plenamente no seu urbanismo, com a ampliação do recinto de muralhas e com o desenvolvimento ocorrido com a fundação da Universidade. A partir de então, transforma-se no espaço público central da cidade, servindo de limite entre a jurisdição municipal e a universitária. No século XVI nela se instalou a sede do conselho, como antigamente se chamavam as prefeituras ou Casas Consistoriais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlcalá de Henares recebeu o título de cidade em 1687 durante o reinado de Carlos II e a Praça de Cervantes passou a acolher a sede da Prefeitura (Ayuntamiento) desde 1609. Num primeiro momento, a sede da prefeitura esteve no num antigo convento do século XVIII, chamado dos Agonizantes. Com a deterioração do edifício, se construiu um novo no final do século XIX (1870), atual sede do Palácio Consistorial de Alcalá de Henares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção de relevância que encontramos no perímetro da praça é o Corral de Comédias, inaugurado em 1602 e considerado o mais antigo da Espanha. Este tipo de espaços culturais foram os precursores do Teatro Moderno, e sua estrutura estavam feitas de madeira. Em 1769, o Corral de Comédias foi reformado adquirindo um aspecto neoclássico e durante o século XX se transformou num cinema, atividade que durou até 1970. Depois de quase ser derrubado por seu péssimo estado, foi restaurado e atualmente se realizam excelentes visitas guiadas que mostram a beleza de seu interior e a importância de seu legado, que ainda perdura hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos extremos da praça observamos as ruínas da desaparecida Igreja de Santa María, lamentavelmente incendiada e destruída durante a Guerra Civil Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo local existiu na Idade Média uma Ermita, dedicada a São João Batista. Em 1449, o arcebispo de Toledo Alfonso Carrillo decidiu trazer a Paróquia de Santa María La Mayor a este lugar e se construiu uma nova igreja em 1553, obra de Rodrigo Gil de Hontañón. Dez anos depois se levanta uma torre. No século XIX, esta torre primitiva foi derrubada e se ergueu uma nova, que acabou sendo uma das poucas partes que sobreviveu do antigo templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas interessadas podem subir no alto da torre, com um dos melhores mirantes da cidade. Abaixo, vemos uma panorâmica da Praça de Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre pude apreciar uma foto da antiga Paroquia de Santa María, quando ainda se encontrava de pé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro resquício da antiga igreja que se conservou é a Capilla del Oidor (Capela do Ouvidor), cuja construção foi ordenada por Pedro Díaz de Toledo, que ocupava o cargo de Oidor do rei Juan II de Castilla, como panteão familiar.  Como Oidor se denominavam os juízes membros dos tribunais castelhanos, que tinham como obrigação ouvir as partes num processo judicial. Atualmente é utilizada como sala de exposição. Na Paroquia de Santa María foi batizado Miguel de Cervantes em 1547, e atualmente podemos ver a Pia Batismal onde a cerimônia foi realizada, além do belo espaço decorado no estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Cervantes recebeu seu nome atual no século XIX, período em que foi embelezada com uma estátua em homenagem ao grande escritor nascido na cidade, inaugurada em 1879 e esculpida pelo italiano Pedro Nicoli. Está situada sob um pedestal em que aparecem cenas da grande novela de Cervantes, El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, feitas pelo artista Pepe Noja. Em 2009 a estátua foi restaurada e se colocou uma pluma na mão do escritor…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XIX se construiu um belíssimo coreto, colocado no centro da praça…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje a Praça de Cervantes continua sendo palco para as festividades da cidade, como seu interessante mercado medieval, celebrado anualmente, com a tradicional exibição de aves de rapina e brinquedos para a criançada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo outro extremo, a Praça de Cervantes desemboca na Calle Mayor, lugar de visita obrigatória num passeio pela cidade. Mas este é um local que veremos no próximo post…

As Muralhas de Alcalá de Henares

A cidade de Alcalá de Henares que vemos atualmente possui uma origem medieval. Inicialmente Complutum, passou a ser um enclave árabe e no ano de 1118 o arcebispo de Toledo Bernardo de Sedirac reconquistou a cidade para os cristãos, retornando ao local onde a tradição dizia que haviam sido martirizados os Santos Justo e Pastor. Em 1129 o monarca Alfonso VII de Castilla doa Alcalá e suas terras ao Arcebispado de Toledo, tornando-se desta forma uma cidade eclesiástica. Alcalá de Henares conhece um período de prosperidade graças ao privilégio real na realização de feiras de gado. As necessidades defensivas próprias do período, além da inseguridade política, fazem com que o Arcebispo de Toledo Rodrigo Ximénez de Rada ordene a construção de uma muralha no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha estava composta por 7 portas de acesso, e durante a etapa governada pelo Arcebispo Pedro Tenorio se reedificaram amplas zonas do recinto defensivo, que passa a contar com 22 torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIV, o recinto amuralhado é novamente ampliado e em 1565 contabiliza 39 torres, das quais se conservam hoje em dia 16.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs torres estão separadas entre si por um muro, e ambos possuem almenas, que são os  espaços retangulares necessários para o contra-ataque no caso de uma invasão inimiga. Tanto as torres quanto o muro foram edificados no estilo mudéjar. A maior parte das torres possuem um formato retangular, mas também existem as de planta circular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua evidente função defensiva, as muralhas também exerciam uma função de fiscalização de impostos. Atualmente, o perímetro preservado das muralhas de Alcalá de Henares é de 700m, rodeando o Palácio do Arcebispo, que em breve veremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior do recinto se encontra a Horta do Bispo, originalmente um local de recreio para os habitantes do Palácio do Arcebispo, hoje em dia transformado num espaço para eventos culturais, como concertos, teatro, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Arco de San Bernardo

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe em Madrid existe a Porta de Alcalá, antiga saída para aqueles que se dirigiam ao caminho para Alcalá de Henares (atual Calle de Alcalá), na cidade vizinha vemos a Porta de Madrid, que foi reconstruída em 1778 durante o reinado de Carlos III. Possui um aspecto de arco triunfal e foi erigida no estilo neoclássico, estando composta por 3 corpos, sendo o central mais elevado.

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