Olmedo – Vila Mudéjar

Olmedo é conhecida principalmente por seu valioso patrimônio religioso, constituído por igrejas, conventos e ermitas históricas. Boa parte dos edifícios foram construídos no estilo mudéjar, um estilo artístico exclusivo da Espanha. A cidade contou com uma numerosa população muçulmana, que permaneceu na cidade após a reconquista de Alfonso VI no século XI, quando passaram a serem denominados mudéjares, contribuindo para o desenvolvimento do estilo.  Um bom exemplo é a Igreja de San Andrés, construída no século XIII no estilo românico, mas com características mudéjares, razão pela qual é classificada como românica-mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja, outrora em ruínas, foi alvo de um adequado processo de restauração, sendo utilizada atualmente como um auditório ao ar livre. Como destaque principal, citamos o ábside e a torre, ambos mudéjares, construídos em tijolo, o principal material utilizado nesta corrente arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO ábside, cuja imagem vemos acima, está composto por arcos cegos semicirculares (ou de meio ponto) dispostos em três níveis, sendo os superiores de maior tamanho. Ao estar em ruínas consolidadas, é possível observar a estrutura interna do ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de ser restaurada, a igreja passou por um longo período de abandono, sendo utilizada inclusive como armazém de madeiras. O templo possui nave única, como podemos ver na foto acima. Nos séculos XVI e XVIII a igreja foi reformada em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1931, a Igreja de San Andrés foi declarada Monumento Histórico-Artístico, título que colaborou para que fosse restaurada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo do estilo mudéjar é a Igreja de San Juan. Da mesma forma que a Igreja de San Andrés, este templo também se encontra fechado ao culto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no século XII, seu aspecto atual corresponde às reformas realizadas no século XVI, possivelmente devido ao mau estado da construção primitiva. Neste período se construiu o ábside poligonal, sobre cuja estrutura se levantou um corpo para as campanas. Uma pena que o templo estava fechado, e não pude admirar seu interior, que alberga uma capela funerária atribuída a Juan Guas, um importante arquiteto que trabalhou para os Reis Católicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAfastada do centro da cidade, e localizada no cemitério de Olmedo, encontramos a bela Ermita de Santa María de la Vega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no estilo românico-mudéjar no século XII, desta época se conserva alguns elementos, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta principal do templo também se conservou…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizada em pedra e formada por arquivoltas de meio ponto ou semicirculares, está sustentada por colunas rematadas por capitéis lisos. No século XVI, este pequeno e belo templo foi reformado, adquirindo um aspecto renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO alto da fachada foi o local escolhido pelas cegonhas como sua morada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGrande parte das residências da cidade foram construídas com tijolo, seguindo a tradiconal corrente mudéjar de Olmedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

As Muralhas de Olmedo

Por toda a Europa, as cidades de origem medieval estavam protegidas por uma sólida e robusta muralha que lhes protegia de ataques externos. No entanto, esta característica das urbes medievais já existia na antiguidade, sendo comuns em muitas cidades romanas, por exemplo. A grande maioria das muralhas que se construíram na Idade Média desapareceram com o passar dos séculos e devido a necessidade de ampliaçao urbana decorrente do aumento populacional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm número muito reduzido de cidades ainda conta com sua muralha intacta e completa, privilégio que ostenta a cidade de Ávila, situada na Comunidade de Castilla y León. O normal é que se conservem trechos da antiga muralha medieval, de forma linear ou de forma descontínua, como é o caso de Olmedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Olmedo foi construída a partir do século XI, quando foi reconquistada pelo Rei Alfonso VI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASe conservam apenas duas das sete ou oito portas que teve originalmente. Uma delas é o Arco de San Miguel, assim denominado por estar situado junto da igreja de mesmo nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída a partir do século XIII no estilo mudéjar, o estilo predominante na cidade, como vocês poderão observar nas próximas matérias. O outro acesso ao interior da cidade preservado é o Arco da Vila, também edificado a partir do século XIII no mesmo estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe de sua decoração mudéjar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitas das torres que constituem a muralha, novos moradores se estabeleceram como sua residência habitual…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos habitantes de Olmedo passeiam tranquilamente pelo caminho que beira as muralhas de sua cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo depois de 12 anos aqui na Espanha, ainda hoje me impressionam estas estruturas defensivas, da mesma forma que outro dos símbolos medievais, os castelos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs muralhas medievais pertencem atualmente ao patrimônio histórico das cidades espanholas, e merecem toda a atenção das autoridades para que se conservem para as gerações futuras.

Palácios de Córdoba

Muitos sao os palácios existentes no Centro Histórico de Córdoba que podem ser visitados, aumentando ainda mais as opções turísticas desta incrível cidade da Andaluzia. Um exemplo é o Palácio de los Luna (original em espanhol), que mantêm sua estrutura do século XVI. Foi construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo”, que colocou em sua parte superior um mirante para os moradores da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom uma estrutura bem parecida, o chamado Palácio del Orive foi projetado pelo filho de Hernán Ruiz “El Viejo”, Hernán Ruiz II (outra vez ele…). Também é conhecido como Palácio de los Villadones, sendo que o arquiteto reformou a antiga residência senhorial desta família no estilo renascentista em 1560.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal é um dos seus maiores destaques, estando composta por uma figura feminina e franqueada por dois leões, que representam a lealdade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dependências interiores foram dispostas em torno a dois pátios. O principal está composto por colunas de épocas romana e árabe que foram reutilizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO pátio principal possui dois níveis de altura. Acima, vemos o nível inferior, e abaixo, o superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo das denominadas Casas-Pátio de Córdoba é a Casa de las Cabezas (original em espanhol), situada numa ruela de época muçulmana, chamada Calle de las Cabezas. Conhecida também pelo nome de Casa dos Siete Infantes de Lara, a história e as lendas enriquecem o legado deste palácio, cuja visita interior recomendo, pois atualmente é um museu que vale a entrada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradição, este palácio pertenceu inicialmente ao grande general árabe Almanzor. A explicação de seu nome tem a ver com uma lenda que se considera uma das mais importantes da Literatura Castelhana do período medieval. Os Sete infantes de Lara eram os filhos de Gonzalo Gustioz. Um conflito com outra família rival fez com que fossem assassinados e suas cabeças foram entregues ao pai numa bandeja de prata no interior da casa. Depois foram colocadas sobre os sete arcos presentes na rua ao lado do palácio. Abaixo, vemos o pátio interior da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao palácio nos conduz a uma típica residência senhorial de tempos passados, com mobiliário de época em todas suas dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XV, as casas senhoriais adquiriram uma característica que se conserva até os dias atuais, o desdobramento das dependências que as constituem. O andar de baixo, ao ser mais fresco, será utilizado durante os meses de calor, enquanto o andar superior passará a ser usado nos meses de inverno. Da mesma forma que o andar inferior da casa, sua parte superior possui todas as estâncias necessárias para a vida, inclusive uma cozinha de inverno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto interessante da visita está relacionado a um costume originário de época muçulmana, o denominado estrado feminino, um espaço reservado exclusivamente às damas da casa, que se sentavam no solo para ler, conversar, etc. Segundo o poder econômico do proprietário, podiam estar revestidos de ricas sedas e requintadas almofadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo um autor espanhol do século XVII, Juan de Zabaleta, nas casas senhoriais chegaram a existir até três estrados distintos. Um deles se denominava “Estrado de Carinho“, situado no aposento que usavam as damas para dormir. Como viviam em dependências separadas, em determinadas ocasiões o senhor da casa podia aceder a esta dependência de uso feminino para oferecer seus carinhos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos palácios cordobeses o estilo mudéjar contribuiu para o adorno da residência, como vemos na porta de acesso ao subsolo, utilizado como local de depósito de queijos, vinhos, etc, devido a temperatura mais fresca do ambiente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próximo post estará dedicado a um palácio de visita obrigatória em Córdoba, o famoso Palácio de Viana.

As Igrejas Fernandinas de Córdoba

Depois da reconquista de Córdoba pelo Rei Fernando III em 1236, a cidade recuperou a tradição cristã dos romanos e visigodos. O monarca encontra uma cidade cuja estrutura está em decadência e em 1241 outorga um Foro a Córdoba. Organizou o espaço urbano em 14 bairros no interior do recinto de muralhas, que se mantêm com escassas modificações até os dias atuais. Diversas ordens religiosas se estabeleceram, com o objetivo de desempenhar tarefas assistenciais, espirituais e formativas. Em cada um destes bairros, se levantaram igrejas que se conservam até hoje. Apesar que nem todas foram edificadas durante o reinado de Fernando III, se conhecem em seu conjunto como Igrejas Fernandinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo mais antigo fundado por Fernando III é a Igreja de la Magdalena (original em espanhol). Do século XIII, foi clausurada em 1890 e atualmente é utilizada como espaço cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva portas de estilo mudéjar, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arco foi decorado com motivos denominados “dentes de serra“, estando emoldurado por um elemento arquitetônico chamado Alfiz, típico da arquitetura islâmica. Abaixo, vemos uma imagem geral do templo e um pequeno detalhe arquitetônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas destas igrejas foram erguidas no local onde anteriormente se situavam mesquitas. Um exemplo é a Igreja de San Lorenzo, cuja construção iniciou-se logo após a reconquista de Córdoba. Foi finalizada no século XIV no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre campanário é do século XVI, cujo projeto realizou o arquiteto Hernán Ruiz II, que também foi o construtor da torre campanário da Catedral. Aproveitou os restos do antigo minarete da mesquita, cujos restos ainda se podem ver na base da torre. Esta igreja é considerada uma das mais conservadas da cidade, em quanto a sua estética medieval. Muito bonito é a roseta que preside a fachada principal, do século XIV, combinando elementos góticos com mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma placa com inscrições referentes à construção da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal está formada por um pórtico composto por 3 arcos, um dos quais vemos a seguir, de estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Lorenzo é considerado um santo muito popular na Espanha, principalmente depois  que seu culto se estendeu graças a devoção do Rei Felipe II, a quem lhe atribuiu a vitória na Batalha de San Quintín contra os franceses, oferecendo-lhe a titularidade do Monastério de El Escorial. Abaixo, vemos fotos gerais do interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Maior foram descobertas pinturas góticas do século XIV. Por este motivo foi retirado o retábulo que adornava a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém edificada sobre uma mesquita é a Igreja de San Miguel, construída entre os séculos XIII e XIV. A torre é posterior, do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem conservada, uma de suas portas é do estilo gótico, que vemos acima (XIII). A outra é mudéjar, do século XIV. Está formada por um Arco de Ferradura de estilo califal e um alfiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs arcanjos constituem uma classe especial dentro da hierarquia celeste, pois não são anônimos como os demais anjos, e conhecemos seus nomes. O Arcanjo São Miguel é o príncipe das milícias celestes que dirige os combates contra os anjos rebeldes, sendo considerado protetor da igreja. Também é o santo condutor dos mortos, cujas almas serão pesadas no dia do juízo final. Por seu caráter defensor, é considerado o melhor guardião dos locais sagrados.

A Judería de Córdoba – Parte 2

Durante séculos Córdoba ficou conhecida como a capital de Sefarad, termo de origem bíblico que as fontes hebraicas designam a Península Ibérica. Do seu nome procede o termo Sefardíes, como se conhecem os descendentes da comunidade judaica originários de Portugal e Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo post de hoje faremos um “passeio” pela Judería de Córdoba, conhecendo algumas de suas construções mais importantes, como o denominado Patio del Zoco, um centro artesanal situado no coração do bairro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO termo “Zoco” é uma tradução do castelhano para uma palavra árabe que significa mercado (Suq). Inaugurado nos anos 50 do século passado com o objetivo de recuperar a antiga tradição artesanal da cidade, está situado  numa casa do século XVI com um interessante pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA idéia original da criação deste centro continua em vigor, a fabricação no local e  a comercialização de seus produtos diretamente para o público, sem intermediários. Podemos encontrar uma grande variedade de produtos em suas lojas, feitos de prata, madeira, cerâmica, couro, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACórdoba é uma cidade com grande tradição taurina, como as demais cidades andaluzas. Bem próximo ao Pátio del Zoco podemos conhecer o Museu Taurino, que aborda a histórica relação da cidade com o mundo dos Touros, bem como seus personagens mais conhecidos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém situado numa casa antiga, o museu possui um belo pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pátio está presidido pela bela escultura de um touro e o busto de um dos toureiros mais famosos de todos os tempos, Manuel Laureano Rodríguez Sánchez, mais conhecido como “Manolete“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAManolete nasceu em Córdoba no ano de 1917, membro de uma família de toureiros, como o pai, o avô e o tio. Seu estilo elegante influenciou a arte de torear, sendo considerado por muitos como o maior toureiro da história. Sua morte na Praça de Touros de Linares (município da Província de Jaén, Comunidade de Andaluzia) em 1947 causou uma grande comoção no país. Manolete recebeu uma corneada de um touro de quase 500 kg, que causou uma hemorragia incessante, vindo a falecer na madrugada do dia seguinte. Tive a sorte de encontrar na Judería de Córdoba uma cópia do cartaz original feito com azulejos, anunciando a fatídica corrida de touros…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua casa em Córdoba ainda permanece de pé, mas não tive a ocasião de conhecê-la. No entanto, pude contemplar um monumento em sua homenagem, situado fora da judería, mas que aproveito para compartir com vocês. Esta bela escultura foi realizada pelo artista Manuel Álvarez Laviada e inaugurada em 1956. A execução da obra foi paga com a realização de uma Corrida de Touros na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARetornando à Judería, em 1704 uma epidemia de peste assolou a cidade, e as autoridades locais se deram conta da escassez de centros assistenciais na cidade. Se promoveu então a construção do Hospital do Cardenal Salazar, cujo projeto barroco se deve ao arquiteto Francisco Hurtado Izquierdo. Atualmente o edifício é a sede da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande interesse histórico e artístico, a Capela de San Bartolomé, construída entre 1399 e 1410 no estilo mudéjar, fez parte do antigo hospital. Abaixo, vemos a porta de entrada da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior é belíssimo, decorado com cerâmicas dentro da tradição mudéjar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de San Bartolomé manteve suas funções religiosas até o século XVII, e em 1931 foi declarada Bem de Interesse Cultural na categoria de monumento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Catedral de Córdoba – Parte 3

Um dos elementos arquitetônicos mais emblemáticos da Mesquita-Catedral de Córdoba é a esbelta torre, que se eleva de forma imponente. Guarda em parte de sua estrutura, os vestígios de sua primitiva existência como Minarete, como são conhecidas as torres dos templos muçulmanos, cuja função principal é convocar os fiéis às cinco preces que devem ser realizadas diariamente pelo crente mulçumano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Minarete, também denominado Alminar, foi edificado em tempos do Califa Abderramán III (ano 951 dC), com 48 metros de altura. Parte de sua estrutura, de 22 metros, se encontra integrado na atual torre, construída pelo arquiteto Hernán Ruiz III como torre campanário. Inicialmente, projetou dois níveis para alojar as campanas e um relógio em 1593. Um pouco depois, em 1644, foi construído outro corpo, onde foi colocada uma estátua do protetor da cidade, o Arcanjo São Rafael. Em 1755, o Terremoto de Lisboa causou estragos em sua estrutura. É possível subir ao alto da torre para contemplar os sinos e também as maravilhosas vistas da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba, além de seu núcleo central formado pela Capela Maior, o Coro e o Trascoro, que vimos na matéria anterior, está formada por mais de 50 capelas, boa parte delas construídas junto ao muro da antiga mesquita. Vejamos algumas das mais importantes. A denominada Capela Real, de estilo mudéjar, foi fundada em tempos do Rei Enrique II de Castilla como local de sepultamento dos monarcas Fernando IV e Alfonso XI. Em 1736 os sepulcros de ambos reis foram levados para outra igreja de Córdoba, a de San Hipólito, e neste templo permanecem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra La Antigua está decorada com uma bela imagem da Virgem realizada em 1641 pelo artista Francisco Vargas, inspirada na tradição bizantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1565 é a Capela da Natividade de Nossa Senhora, cujas pinturas do retábulo foram realizadas por Gabriel Rosales. Representa a Árvore de Jessé, como tradicionalmente se conhece a Árvore Genealógica de Cristo, iniciada partir de Jessé, pai do Rei Davi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra do Rosário fundou-se em 1612. As coloridas colunas que compõem o retábulo simulam o mármore. Esta bela obra é atribuída ao pintor barroco, natural de Córdoba, Antonio del Castillo (1616/1668), considerado um dos grandes nomes do Século de Ouro Espanhol. No quadro vemos a Virgem do Rosário no centro, com São Sebastião no lado esquerdo e São Roque no direito. Na parte superior, aparece Cristo Crucificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra da Concepção é uma das mais belas da Catedral de Córdoba. Também conhecida como Capela do Santíssimo Sacramento, foi construída a partir de 1679, estando decorada por pinturas em sua cúpula que representam ao Espírito Santo e os 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela de grande beleza é a de Santa Teresa, fundada em 1697 pelo Cardeal Pedro de Salazar Gutiérrez de Toledo, grande admirador e devoto da santa de Ávila. De planta octogonal, está coberta por uma esplêndida cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se encontra o sepulcro do cardeal fundador, feito com mármore branco e negro, e com a estátua orante do cardeal, junto com querubins. A capela foi construída no começo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela acolhe a Câmara do Tesouro, que exibe algumas das peças artísticas mais valiosas da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA principal delas foi situada no centro da capela, uma custódia realizada por Enrique de Arfe no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte exterior da Mesquita-Catedral podemos admirar alguns altares, como o dedicado à Virgen de los Faroles (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrasões do século XVIII com os escudos episcopais decoram um dos muros da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo os posts dedicados a este templo sagrado universal, a Mesquita-Catedral de Córdoba. No entanto, as matérias sobre a cidade estão longe de finalizar-se devido a grande quantidade de locais de interesse histórico e artístico que podemos ver numa visita pela cidade. No próximo post, veremos outro lugar fundamental, o Alcázar dos Reis Cristianos

A Judería de Toledo: Parte 3

Depois que a cidade de Toledo foi reconquistada pelo monarca Alfonso VI em 1086, a boa convivência entre cristãos, árabes e judeus prosseguiu. Muitos dos muçulmanos mais ricos preferiram, no entanto, mudarem-se para a Andalucia, zona que ainda era governada por dirigentes árabes. Os que permaneceram na cidade passaram a ser denominados Mudéjares, que realizaram diversas construçoes para os reis castelhanos, contribuindo para o desenvolvimento do estilo mudéjar na cidade, uma de suas principais características e o estilo por excelência encontrado em Toledo. Abaixo, vemos um exemplo deste tipo de arquitetura encontrado na Judería de Toledo, a Igreja de Santo Tomé, famosa por acolher em seu interior o famoso quadro de El Greco, “O Enterro do Senhor de Orgaz”, tema de matérias publicadas em 28/1 e 29/1/2015. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica prosperou porque alguns de seus membros foram nomeados para cargos de relevância dentro da corte, como conselheiros, médicos, astrólogos, financiadores etc, concedendo importantes benefícios para a sociedade judaica. Uma das personalidades mais famosas da Judería de Toledo foi Samuel Leví, tesoureiro maior do Rei Pedro I de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASamuel Leví foi o responsável pela construção de uma das sinagogas mais importantes de Toledo no século XIV (1357), denominada Sinagoga do Trânsito. Em 1971 passou a ser sede do Museu Sefardí, e representa um exemplo vivo da passagem da comunidade judaica pela Espanha e outra amostra do Mudéjar Toledano. Abaixo, vemos uma foto exterior deste templo de visita obrigatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem do interior da Sinagoga do Trânsito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Judería de Toledo chegou a contar com 12 sinagogas e 5 centros de estudo, dados que refletem a importância da comunidade na cidade castelhana. A outra sinagoga que se conservou, construída no final do século XII e declarada Monumento Nacional, é a Sinagoga de Santa María La Blanca, considerada a Sinagoga Maior de Toledo (matéria publicada em 27/6/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sinagoga de Sofer constituiu outro dos templos judaicos de importância, segundo as fontes documentais. No entanto, desta sinagoga se conservam apenas ruínas, que podem ser vistas em frente à Escola de Artes e Ofícios (publicado recentemente, em 22/7/2017), junto com restos arqueológicos referentes ao sistema hidráulico de época romana. Um pequena fonte de água identifica os restos conservados e na parte subterrânea podemos ver as ruínas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das comunidades árabes e judia, a comunidade cristã se incrementou de forma notável depois da reconquista de Toledo. Num primeiro momento, os antigos mozárabes (católicos que viveram sob o poder muçulmano) conservaram suas tradições e continuaram utilizando o idioma árabe para a escritura de documentos. Numerosos grupos chegaram à cidade oriundos do norte da península, Portugal, França e da Europa Central. Este conjunto de culturas distintas estabeleceram laços de convivência, mas eram regidos por suas próprias leis. A sexta feira, por exemplo, era o dia sagrado para os muçulmanos, o sábado para os judeus e o domingo para os católicos. Seus rituais eram diferentes, e sua forma de vestir e de se alimentar também. Apesar disso, os membros das três culturas passeavam pelas mesmas ruas, compravam nos mesmos estabelecimentos comerciais, existindo relações de amizade e amor entre eles. É neste período em que se manifesta o auge cultural da cidade, culminando na fundação da famosa Escola de Tradutores de Toledo pelo Rei Alfonso X “El Sábio” (reinou entre 1241 e 1264), uma instituição na qual se reunia os grandes sábios das três comunidades. Foram eles que realizaram a tradução do árabe e do hebreu para o latim das grandes obras filosóficas e científicas da antiguidade clássica. Também nesta época se completa a configuração urbana herdada dos árabes, formada por um labirinto de ruas com construções mudéjares que propiciaram uma certa uniformidade à paisagem de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Porta del Cambrón, considerada a porta de acesso à Judería de Toledo. De origem muçulmana (séculos X e XI), seu nome se deve à presença no local de plantas espinhosas denominadas cambroneras, mas sempre foi conhecida como a Porta dos Judeus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de reformas realizadas entre 1572 e 1577 durante o reinado de Felipe II, quando foi rebatizada como Porta de Santa Leocádia, padroeira da cidade, cuja imagem preside a porta, debaixo do escudo de Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma foto da parte externa da Porta del Cambrón

OLYMPUS DIGITAL CAMERA