Castelo da Alameda – Madrid

Depois de 8 anos vivendo em Madrid, descobri que a cidade possui um castelo pouco conhecido até mesmo pelos próprios madrilenhos, o Castelo da Alameda, assim denominado por estar situado no Bairro de Alameda de Osuna, na zona nordeste da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALamentavelmente, o que sobreviveu da fortaleza constitui apenas uma pequena parte do castelo original construído em torno ao ano 1400 por uma das famílias mais poderosas da época, a dos Mendoza. O castelo foi edificado por Diego Hurtado de Mendoza, pai de Iñigo López de Mendoza, que recebeu o título de Marquês de Santillana. Com a chegada da Dinastia dos Trastâmara ao poder com o monarca Enrique II em 1369, iniciou-se um processo de “senhorização”, no qual os nobres partidários dos reis receberam, graças ao apoio oferecido, direitos jurídicos e econômicos sobre os territórios da coroa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra fortificação pertencente ao Senhorio dos Mendoza na Comunidade de Madrid é o Castelo de Manzanares El Real, um dos mais belos de toda a comunidade (post publicado em 23/3/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da Alameda tinha suas dependências organizadas em torno a um pátio, com torres nas esquinas e um grande fosso defensivo ao redor do conjunto (com 12 m de largura por 6 m de profundidade). Sua função era evitar que o inimigo pudesse escapar dos projéteis lançados e também para aumentar o tamanho de seus muros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara atravessar o fosso havia uma ponte, formada por uma parte maciça e outra de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estância principal do castelo estava formada pela Torre da Homenagem, que infelizmente não se conservou. Nela, o senhor recebia a homenagem de seus vassalos, um ato protocolário em que ambos realizavam um pacto de fidelidade: em troca da proteção do senhor, além de terras e direitos, os vassalos se comprometiam a entregar-lhes suas rendas e servir-lhes com suas armas. Podemos imaginar como era a Torre de Homenagem graças à torre da mesma época que se conserva na cidade de Pinto, situada a pouca distância de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1555 e 1580, o castelo sofreu uma profunda reforma, transformando a antiga residência fortificada num Palácio Rural de estilo renascentista, com jardins, fontes e um fosso ainda mais amplo. A velha nobreza guerreira medieval se havia convertido numa classe aristocrática que tinha preferência pela vida urbana, mas que também apreciava cômodas residências no âmbito rural para seu descanso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta reforma foi realizada pela família dos Zapata que, por motivos matrimoniais, adquiririu a propriedade destas terras e também do castelo. Seu membro mais importante foi Francisco Zapata de Cisneros, que alcançou um posto relevante na corte de Felipe II, recebendo o título de Conde de Barajas. O fosso, que originalmente possuía uma função defensiva, acolheu um exuberante jardim com várias espécies vegetais, e também uma horta, onde se cultivavam legumes e hortaliças. Em cada uma das esquinas do fosso se construíram fontes e um sistema de canalização de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs dependências interiores também foram renovadas, e a construçao passou a ter três andares, em vez dos dois andares do castelo original. Na parte superior se abriram janelas com vistas ao jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Zapata, sempre fiéis à monarquia, emprestaram sua residência para que fosse utilizada pela justiça real como prisão de vários personagens, entre os quais Don Fernando Álvarez de Toledo, o III Duque de Alba, famoso e temível governador de Flandres. Em 1599 serviu de aposento para a Rainha Margarita de Austria, antes de realizar sua entrada em Madrid depois de casarse com Felipe III, em Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo do século XVII, a situação social dos Zapata sofreu um grande declínio e em 1697 um incêndio destruiu o castelo, que não voltou a ser ocupado. Em 1785, com autorização municipal, a Duquesa de Osuna ordenou a extração dos materiais construtivos do castelo para edificar um palacete situado no belíssimo Parque do Capricho, a pouca distância da fortaleza (ver matérias publicas nos dias 13/2 e 15/2/2014). O resultado foi a demolição de boa parte da estrutura, com a Torre de Homenagem incluída. A partir dos anos 60 do século XX, com a crescente imigração que Madrid sofreu, antigas aldeias foram incorporadas ao município, transformando-se em bairros residenciais, caso da Alameda. Entre 1986 e 1990 foram realizadas as primeiras investigações arqueológicas no recinto do castelo. Abaixo, vemos uma imagem aérea da época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA recuperação arquitetônica do Castelo da Alameda finalizou em 2010, e atualmente podemos visitá-lo. A seguir, uma imagem realizada após a reabilitação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo interessante curiosidade, ao lado do castelo se conserva uma casamata utilizada durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFeita de concreto armado, a estrutura encontra-se semienterrada, oferecendo uma menor superfície aos impactos da artilharia, protegendo seus atiradores. Por incrível que pareça, as escavações realizadas permitem afirmar que foi utilizada como residência após o término da Guerra Civil. As ruínas do castelo também foram usadas como fortaleza improvisada. Sob o castelo escavou-se um túnel para servir de refúgio e talvez como depósito de armas.

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Pontes de Valencia

Valencia é atravessada pelo Rio Turia, que desemboca na cidade depois de um percurso de 280 km desde a Província de Teruel (Comunidade de Aragón), onde nasce. Tornou-se famoso graças às inúmeras enchentes que causou na cidade, alguma delas de grande repercussão por seus efeitos devastadores. Somente para citar algumas delas, a de 1519 foi terrível. Muitas das pontes que cruzavam seu leito foram destruídas ao longo dos séculos. Em meu passeio pela cidade, dei uma volta ao redor de suas pontes históricas e outras mais recentes, e percebi de imediato que o Rio Turia não se encontrava onde deveria estar, ou seja, por debaixo das mesmas. Intrigado, procurei alguma informação que esclarecesse o enigma, e finalmente me contaram que o rio foi desviado de seu curso normal, devido à trágica enchente ocorrida em 1957, que inundou a cidade , provocando a morte de mais de 100 pessoas. O projeto possibilitou a criação de um extenso parque urbano, denominado Jardim de Turia. De qualquer forma, as pontes foram conservadas para o tráfico de veículos e de pedestres. Atualmente, Valencia conta com 18 pontes, além de passarelas. Neste post e no próximo, veremos muitas delas. A mais antiga de todas é a Ponte de la Trinidad (Trindade, em português), cujo nome se deve à proximidade com o monastério de mesmo nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte foi construída entre 1401 e 1407, substituindo uma anterior de madeira. Depois da enchente de 1517, foi reedificada. Está adornada com duas estátuas de santos espanhóis, realizadas pelo escultor italiano Jacobo Antonio Ponzanelli. Na foto acima, vemos no lado direito e também na foto abaixo, a San Luis Beltrán, pertencente à Ordem dos Dominicanos. Este santo nasceu em Valencia em 1526, e goza de uma grande devoção, sendo canonizado em 1691.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, aparece a estátua de Santo Tomás de Villanueva (1486/1555), que foi Arcebispo de Valencia. Canonizado em 1658, ficou famoso por sua austeridade e pelo exercício contínuo da caridade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbas estátuas foram realizadas no final do século XVII. A Ponte de la Trinidad possui 158m de comprimento, e está formada por 10 arcos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva uma das escadas originais do século XV. Uma placa ao lado alerta os cidadãos de sua grande inclinação e dos degraus desgastados, recomendando o uso da barra instalada nas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo século XVI, se conservam três pontes. A Ponte de los Serranos foi construída entre 1518 e 1550, a segunda mais antiga existente. Seu nome se explica porque faz parte do caminho à Torre de los Serranos, que vimos recentemente, uma das portas monumentais preservadas da antiga muralha da cidade. Composta por 9 arcos, desde 2012 seu uso é exclusivo para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui uma estátua em homenagem às festas mais populares de Valencia, as Fallas, que vemos acima no lado esquerdo. A Ponte Real, também chamada de los Viveros, foi construída entre 1595 e 1598.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção coincidiu com o casamento celebrado na cidade do Rei Felipe III Mariana de Áustria. Também substituiu uma anterior ponte de madeira, e permitia o acesso ao Jardim de Viveros, onde antigamente se situava o Palácio Real, destruído durante a invasão de Napoleão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá adornada pelas estátuas de San Vicente Ferrer e San Vicente Mártir. As estátuas originais foram realizadas em 1602 por Vicent Leonart Esteve, mas foram destruídas na Guerra Civil Espanhola de 1936, sendo substituídas pelas atuais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA última ponte pertencente ao século XVI é conhecida como Ponte del Mar, por fazer parte do caminho natural ao porto da cidade. Edificada entre 1592 e 1596, possui 10 arcos e desde 1935 é utilizada somente pelos pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo elemento decorativo, vemos a imagem da Virgem dos Desamparados, padroeira da cidade, e de San Pascual Bailón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Pascual Bailón foi um frade franciscano, canonizado em 1690, e declarado padroeiro das obras, associações e congressos eucarísticos, além de ser também padroeiro das cozinheiras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com uma vista geral da Ponte del Mar

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Valencia Gótica

A Arte Gótica adquiriu um grande protagonismo em Valencia nos séculos XIV e XV, fruto do grande desenvolvimento alcançado pela cidade nesta época como centro mercantil. Num passeio por seu centro histórico, muitos foram os edifícios construídos neste estilo, tanto no plano religioso, quanto civil, como vimos na matéria anterior sobre a Lonja de Valencia. Outro exemplo da arquitetura gótica adaptada ao uso civil constitui o Edifício da Generalitat Valenciana, isto é, a sede do governo regional da Comunidade Valenciana. A Generalitat teve como origem a necessidade da Coroa para recadar impostos e logo o edifício passou a sediar o organismo representativo do Reino antes às cortes. Sua construção iniciou-se em 1421, e no século seguinte se colocou uma torre, já no estilo renascentista. Na foto vemos o edifício iluminado, pois estive na cidade em plena época natalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém pertencente ao Estilo Gótico Valenciano, o Almudín foi construído no princípio do século XV como um local de armazenamento e venda de trigo. Seu nome provém da palavra árabe Almud, uma medida relacionada aos graos. Considerado monumento histórico-artístico, desde 1996 funciona como um centro cultural. Vemos o edifício na foto abaixo, à esquerda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia conta com inúmeras igrejas góticas, apesar que as reformas subsequentes alteraram a fisionomia de muitas delas. A primeira que visitei foi a Igreja de San Agustín, que fazia parte do antigo Convento dos Frades da Ordem de Santo Agostinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi gravemente afetado, tanto na Guerra da Independência contra os franceses, quanto na Guerra Civil Espanhola do século XX. Por este motivo, a igreja teve que ser restaurada em 1940. Abaixo, vemos algumas fotos de seu belo interior, com destaque para um ícono bizantino situado no altar maior, denominado Nossa Senhora de Grácia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro da Catedral situa-se a Igreja de Santa Catalina, edificada a partir do ano 1300, num momento em que se começaram a construir templos católicos sobre as antigas mesquitas árabes. Recebeu este nome por um desejo expresso do Rei Jaime I, em honra a sua filha a Infanta Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1548, a igreja sofreu um grande incêndio, e foi parcialmente reconstruída. Entre 1688 e 1705, se construiu a torre campanário, obra de Juan Bautista Viñes, considerada uma das obras primas do Barroco Valenciano, e um dos símbolos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1936, a igreja foi assaltada e incendiada. Na década de 50 foi restaurada, devolvendo-lhe seu aspecto gótico original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à Lonja de Valencia, na Praça do Mercado, se localiza a Real Paróquia de los Santos Juanes (São João Batista e São João Evangelista). Erguida sobre uma mesquita árabe, sofreu diversas remodelações ao longo de sua história. Erguida originalmente no século XIII, foi reconstruída nos séculos XIV e XV devido aos vários incêndios que foi vítima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII e começo do XVIII, adquiriu seu aspecto barroco atual, sendo que sua parte exterior apresenta uma fachada a modo de retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central vemos uma escultura da Virgem do Rosário, realizada por Jacopo Bertesi. Sobre ela, a torre do relógio (imagem acima).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe intitula Real depois da visita que a Rainha Isabel II realizou ao templo em 1858. Em 1947, recebeu o título de monumento histórico-artístico. Uma pena que permaneceu fechada durante minha estadia, esta que é considerada uma das igrejas mais belas de Valencia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com o Real Convento de Santo Domingo, construído durante o reinado de Jaime I. Ampliado nos séculos XIV, XV e XVI, foi sede das Cortes do Reino de Valencia e nele se realizou o casamento de Felipe III com Mariana de Áustria. Lamentavelmente, também não pude visitá-lo e contemplar seu claustro gótico…

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Casa de Campo – Madrid

Nos finais de semana, milhares de pessoas em Madrid aproveitam o tempo livre para passear, praticar esportes e curtir a natureza na Casa de Campo, o maior parque público da cidade. Localizado na zona oeste de Madrid, sua superfície é 5 vezes maior que o Central Park de Nova York.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMas nem sempre a Casa de Campo foi uma das mais populares zonas de ócio dos madrilenhos, pois durante séculos foi propriedade histórica dos reis espanhóis. O parque tornou-se público somente com a proclamação da Segunda República Espanhola, em 1931. No início, esta área pertencia a família dos Vargas, conhecida como sua casa de campo. Diego de Vargas foi um funcionário dos Reis Católicos e os terrenos foram herdados por seu filho Francisco de Vargas, que ordenou a construção de um palacete em 1519. Em 1562, o monarca Felipe II comprou a casa e os terrenos circundantes, transformando-o num local para a caça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de então, a Casa de Campo passou a integrar os denominados Reales Sítios da Coroa Espanhola, como o Monastério do Escorial, o Parque do Retiro, a Vila de Aranjuez, etc. O palacete, embora não muito grande, estava ricamente decorado. Em frente a uma de suas fachadas, se construiu um jardim concebido geometricamente, com várias fontes e esculturas, além de grutas artificiais que ainda existem, mas que não estão abertas ao público devido ao seu péssimo estado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rei Felipe II tinha o costume de colecionar animais selvagens, convertendo o local numa verdadeira “Casa de Feras”, como disseram vários viajantes que visitaram a cidade na época. Em 1563, foram construídos lagos de diversas dimensões para acolher aves aquáticas. Além de um lugar para o entretenimento dos reis, serviam também como depósito de água para regar os jardins. O maior deles acabou transformando-se, no séc. XIX, no atual lago da Casa de Campo, e os demais foram secados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Felipe III, o aspecto lúdico deixa de ser a única finalidade da Casa de Campo. Além de local de recreio e caça, parte dos terrenos são dedicados ao cultivo e à criação de gado, aves e peixes, passando a ter independência econômica como resultado destas atividades. Neste período se instala a famosa estátua equestre do rei Felipe III, realizada pelo escultor italiano Pietro Tacca, esculpida em Florença e trazida a Madrid em 1616.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1848, durante o reinado de Isabel II, a estátua foi removida da Casa de Campo e levada para a Praça Maior de Madrid, onde até hoje permanece.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá durante o reinado dos reis da Dinastia dos Bourbones, Fernando VI amplia os limites da Casa do Campo, unindo-a com o também Real Sítio do Pardo, situado em sua proximidade. Desta forma, a Casa de Campo se transformou numa das maiores áreas de caça de todo o continente europeu. Com Carlos III, se constrói a Ponte de la Culebra, talvez o elemento arquitetônico mais importante que se conserva no atual parque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta histórica ponte de Madrid foi construída pelo arquiteto real de Carlos III, Francisco Sabatini, em 1782. O nome da estrutura está relacionado com seu serpenteante formato,como podemos ver. Sua pequena largura impedia a passagem de carruagens, sendo usada somente para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta época, se deu o auge produtivo da Casa de Campo. No séc. XIX, foi utilizado pelos franceses como local de acampamento durante a Guerra da Independência, causando prejuízos para os edifícios, bosques e jardins existentes. Em seus limites, haviam várias igrejas e ermitas que foram destruídas com o tempo, e poucas se conservam atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século passado, a Casa de Campo mais uma vez tornou-se vítima de conflitos bélicos, desta vez com a Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Durante todo o período, foi frente de batalha, sendo ainda hoje visível os restos de trincheiras utilizados na contenda. A vegetação original do parque consistia de uma espécie de árvore denominada Encinar. Desde o momento em que se tornou propriedade real, foi enriquecido com outras espécies vegetais, como Álamos, Chopos, Robles e Ciprestes. Podemos, inclusive, admirar um exemplar do Madroño, árvore símbolo da cidade e que aparece no Escudo de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuanto à fauna, a Casa de Campo está habitada por 133 espécies de vertebrados, das quais 17 são de aves, 20 de mamíferos e 14 de répteis. Entre os mamíferos, podemos ver coelhos, lebres, etc.

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Lerma – Província de Burgos

A cidade de Lerma, situada na Província de Burgos (Comunidade de Castilla y León), é a capital administrativa da Comarca do Rio Arlanza, que inclui os povoados de Covarrubias e Santo Domingo de Silos, que vimos recentemente. Abaixo, vemos a antiga ponte medieval da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ conhecida também pelo nome de Vila Ducal de Lerma, pois sua história e engrandecimento estão intimamente relacionada a Francisco de Sandoval y Rojas, I Duque de Lerma, válido e favorito do rei Felipe III. Abaixo, o retrato do duque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarada Conjunto Histórico-Artístico em 1965, a cidade é considerada como o principal conjunto arquitetônico relacionada à Arquitetura Herreriana de toda Espanha (nome originário de um dos principais arquitetos renascentistas do país, Juan de Herrera, que criou um estilo próprio, e foi o projetista mais importante do Monastério de El Escorial).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto monumental de Lerma é uma projeção em pedra da ambição do duque, representando o poder econômico e político de um dos homens mais ricos e poderosos do séc. XVII. Um exemplo é o Palácio Ducal levantado para ser sua residência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio do Duque de Lerma foi construído por Francisco de Mora, um dos discípulos de Juan de Herrera. Durante a Guerra Civil, foi utilizado como prisão e atualmente alberga um Parador Nacional, um dos 10 melhores do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio preside a Praça Maior de Lerma, uma das maiores de Espanha, com cerca de 7 mil metros quadrados. Ao longo de sua história, foi usada como Praça do Mercado, Coral de Comédias e Praça de Touros. Antigamente, os touros eram acossados pelos nobres e incitados a entrar por uma rua que conduzia diretamente ao precipício. O palácio e a Praça Maior representavam o centro do poder do Duque de Lerma, além de ponto de encontro para as atividades festivas. Hoje em dia, lamentavelmente é usada como estacionamento, algo que impede a contemplação de sua grandeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés do Arco de la Cárcel entramos ao centro histórico da cidade. É a única das quatro portas da antiga muralha que se conserva. Franqueada por 2 torres cilíndricas, apesar de ter sido edificada em pedra, em sua parte superior vemos um complemento feito com tijolos, fruto de uma remodelação realizada em 1610, para transformá-la numa prisão. Atualmente, sedia a Denominação de Origem Arlanza, que controla a produção dos bons vinhos fabricados na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A cidade também representa o reflexo da sociedade da época do rei Felipe III, onde o sagrado e o profano formavam parte da vida cotidiana. Por isso, acabou transformando-se numa cidade conventual, repleta de conventos e monastérios.Um deles é o Convento de San Blás, situado numa praça anexa ao Palácio Ducal. Sua construção foi iniciada em 1613 para acolher uma comunidade de freiras dominicanas, sendo projetado pelo arquiteto Fray Alberto de la Madre de Dios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal templo de Lerma é a Colegiata de San Pedro, cuja reforma e ampliação foi concebida pelo Arcebispo de Sevilha, tio do Duque de Lerma, a partir de 1613.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Colegiata foi consagrada em 1613, com festas que duraram 13 dias. Na sua fachada herreriana, vemos a monumental portada principal, com o escudo ducal e a imagem de Sao Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças a uma solicitação do Duque de Lerma, a antiga paróquia transformou-se em Colegiata em 1606, quando foi concedida uma bula do Papa Paulo V. O interior conserva sua cobertura original gótica, além de dois órgãos barrocos, construídos em 1615 e 1616, considerados dos mais antigos do país para a realização de concertos barrocos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior também é barroco, composto por imagens realizadas pelo escultor Juan de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do séc. XVII, Lerma possuía uma estrutura de arcos que possibilitava a união do Palácio Ducal com as construções religiosas da cidade, sem que o duque tivesse a necessidade de sair na rua. Na sequência, vemos um plano deste sistema construtivo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO único fragmento conservado nos dias de hoje encontramos na Praça de Santa Clara, no denominado Mirante dos Arcos, que ainda une os Monastérios de Santa Teresa com o de Santa Clara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Duque de Lerma, graças ao tráfico de influências, venda de cargos públicos e abundantes casos de corrupção, tornou-se imensamente rico. Boa parte de sua fortuna utilizou para engrandecer e embelezar a Vila Ducal de Lerma, contratando os melhores arquitetos do seu tempo e transformando a cidade num exemplo das correntes artísticas que se estavam desenvolvendo na Espanha no início do séc. XVII.

Patrimônio Histórico de Lavapiés

No post de hoje veremos algumas das construçoes históricas do Bairro de Lavapiés, regiao de Madrid que lamentavelmente perdeu muito de seu patrimônio depois da Guerra Civil do séc. XX. Um exemplo desta destruiçao encontramos nas ruínas das antigas Escolas Pías de San Fernando.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja desta instituiçao de caráter benéfico foi construída em 1734 pelo arquiteto Francisco Ruiz, contando com o patrocínio dos monarcas Carlos III e Carlos IV. O colégio tinha como missao a educaçao de crianças pobres, chegando a ter 2 mil alunos. A eficácia educativa dos escolápios através de seu inovador sistema pedagógico tornou-se famosa, e a instituiçao passou a receber apoio da nobreza, como o Duque de Alba, por exemplo. Em suas dependências foram incluídas as primeiras classes para surdo e mudo do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1936, no começo da Guerra Civil, um grupo de fanáticos incendiou a igreja e assassinou os religiosos. O templo ficou em ruínas e abandonado a sua própria sorte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, em 1999, as ruínas foram adaptadas a um novo uso, como espaço para a Biblioteca da Universidade de Ensino à Distância (UNED), e onde haviam imagens religiosas, retábulos e obras artísticas, atualmente vemos uma grande coleçao de livros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a grande cúpula do templo, reformada para o fim educativo que permanece atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto arquitetônico incorporou novos espaços à biblioteca, outorgando um aspecto contemporâneo ao conjunto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra instituiçao de renome que desapareceu da paisagem urbana de Lavapiés foi o antigo Convento de la Trinidad. Fundado por Felipe II em 1562, era um dos mais importantes de Madrid. A Ordem Trinitária foi criada no séc. XII para promover a liberaçao de cativos cristaos no norte da África, entre os quais o mais famoso foi Miguel de Cervantes. O Convento era uma construçao renascentista com um magnífico claustro, mas foi fechado depois da Desamortizaçao de Mendizábal em 1836.  Em 1847 foi destinado como Museu Nacional de Pintura e Escultura, sendo conhecido entao como Museu de la Trinidad. Acolheu uma grande quantidade de obras religiosas depois que passou a ser propriedade estatal. Em 1897, foi infelizmente derrubado, mas seu acervo se salvou, fazendo parte atualmente do Museu do Prado. Em seu lugar foi erguido em 1915 o Teatro Calderón, um dos mais conhecidos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à parte lateral do teatro, que vemos acima, situa-se uma pequena capela, único resto sobrevivente do antigo Convento de la Trinidad.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecida como Capela de Ave Maria, esta bela e singela construçao barroca foi erguida em 1728. A Real Congregaçao de Ave Maria foi fundada em 1611 por Simón de Rojas, confessor e conselheiro do rei Felipe III e da rainha Mariana de Áustria, que ofereceu todo o apoio para sua construçao. Na parte superior da fachada, vemos suas iniciais (MA) e a cruz vermelha e azul da Ordem dos Trinitários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituiçao permanece ainda hoje com seu trabalho de beneficência social, oferecendo diariamente 350 cafés da manha para os necessitados, além assistência jurídica e psicológica.

Real Monastério de la Encarnación – Madrid

O Real Monastério de la Encarnación é outro dos “sobreviventes” da cidade conventual que havia se transformado Madrid depois de tornar-se capital do Reino Espanhol e também um exemplo do costume tradicional da monarquia e da nobreza em patrocinar construçoes religiosas. Localiza-se no centro histórico de Madrid, na denominada Plaza de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério foi fundado por Margarita de Áustria, esposa do rei Felipe III, no começo do séc. XVII e construído pelo arquiteto Fray Alberto de la Madre de Dios entre 1611 e 1616.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada, inspirada no modelo do estilo Herreriano (de Juan de Herrera, arquiteto construtor do Monastério de El Escorial), caracteriza-se pela austeridade decorativa e criou escola, sendo muito imitada ao longo dos séculos. Apresenta o escudo de Margarita de Áustria e um relevo da Anunciaçao, feito em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste monastério foi criado para as religiosas da Ordem de Agostinas Recoletas e acolheu, ao longo de sua história, muitas damas da alta nobreza espanhola, sendo fundado para celebrar a Expulsao dos Mouros em 1609. Devido a sua proximidade com o Real Alcázar, a família real podia entrar diretamente à igreja, através de uma construçao que ligava o antigo palácio real com o monastério, infelizmente desaparecida. Em 1611, a Rainha Margarita faleceu, sem que pudesse apreciar a obra finalizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como o Monastério de las Descalzas Reales, o Monastério de la Encarnación possui uma rica coleçao artística, com obras do pintor Luca Jordán, dos escultores Gregório Fernández e Pedro de Mena, etc. Abaixo, vemos duas imagens do interior da igreja, reformada pelo arquiteto real Ventura Rodríguez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Real Monastério de la Encarnación foi aberto ao público somente em 1965, e atualmente é considerado um dos melhores e mais importantes exemplos do Barroco em Madrid.

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