Colégio do Arcebispo Fonseca

Finalizando a matéria sobre a Universidade de Salamanca, no post de hoje veremos outro de seus edifícios históricos, o Colégio do Arcebispo Fonseca, também conhecido como o Colégio Maior de Santiago Zebedeo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste colégio foi um dos quatro colégios maiores pertencentes à Universidade de Salamanca, destinado em sua origem a jovens talentosos com poucos recursos econômicos. Foi fundado pelo Arcebispo de Santiago de Compostela Alonso de Fonseca em 1519, para os estudantes galegos que se matriculavam na instituição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seus projeto construtivo participaram arquitetos fundamentais do Renascimento Espanhol, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. De estilo plateresco, o edifício foi construído segundo os princípios dos conjuntos conventuais, cuja estrutura se organiza em torno a um claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a reforma universitária realizada pelo Rei Carlos III em 1780, o colégio foi fechado e um pouco depois, com a abolição dos Colégios Maiores, transformou-se num hospital em 1801. Abaixo, um detalhe decorativo do claustro, e uma das portas que se destaca por seu belo trabalho escultórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste pátio é considerado um dos mais belos da Espanha do estilo renascentista. Abaixo, vemos a escada de acesso ao nível superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o restabelecimento de suas funções originais durante o reinado de Fernando VII, o edifício reabriu em 1817 mas voltou a fechar de forma definitiva em 1837. Acabou sendo ocupado pela comunidade de irlandeses que se estabeleceu em Salamanca, devido à perseguição inglesa aos católicos da Irlanda. Durante a Guerra da Independência, os franceses destruíram o antigo Colégio dos Irlandeses, e o antigo Colégio do Arcebispo Fonseca foi cedido a eles. Além do claustro, é possível visitar a antiga capela do colégio, uma verdadeira maravilha, com uma excepcional bôveda  de planta quadrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior da Capela foi realizado pelo escultor, pintor e arquiteto Alonso  de Berruguete (1490/1560), considerado um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe conserva também a antiga hospedaria construída no período barroco

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarado Bem de Interesse Cultural em 1931, o antigo Colégio do Arcebispo Fonseca é utilizado hoje em dia como local de eventos culturais, bem como hospedagem para estudantes que realizam cursos de mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca.

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O Toureiro

Depois de publicar uma matéria sobre os touros de lidia, chegou a hora do outro participante imprescindível de uma tourada, o Toureiro. Para aprender o ofício de torear, os aspirantes devem ingressar numa Escola de Tauromaquia, local onde se obtém o diploma e também o grau de doutorado (também existente no mundo dos touros). Este título se consegue com muito esforço e dedicação, sendo que o toureiro deve ser capaz de combinar a técnica com a arte, algo que nao se aprende, pois o talento é inato e fundamental para que o toureiro se destaque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem destas escolas é antiga, estando relacionada com os matadouros municipais, como o velho matadouro de San Bernardo de Sevilha, que se converteu num local de aprendizagem para os futuros toureiros. Foi também em Sevilha que o Rei Fernando VII criou a primeira Escola de Tauromaquia, com o curioso nome de “Gimnasio de Tauromaquia“, em 1830. Esta primitiva escola teve uma vida efêmera, pois foi clausurada depois do falecimento do monarca, em 1834. A escola de Madrid “Marcial Lalanda“, situada na Casa de Campo, favoreceu a criação de outras escolas pela Espanha e no exterior, contribuindo para a elaboração dos regulamentos que regem a festa taurina. Outra escola de importância é a Escola de Tauromaquia de Ronda, belíssima cidade da Andaluzia e considerada o “Berço do Toreo Moderno“. Abaixo, vemos uma foto da Plaza de Toros de Ronda

20150923_115451Outro aspecto fundamental do mundo dos touros é a roupa tradicional utilizada pelos toureiros. Feita de seda, caracterizam-se pelos adornos de ouro e prata que a embelezam. O conjunto da vestimenta do toureiro denomina-se “Vestido de Torear“, também chamado de “Traje de Luzes“, pelo colorido e brilho de seus elementos decorativos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das partes que compoem o vestido: a “Taleguilla” constitui uma peça fundamental, uma calça muito ajustada que vai da cintura até a metade da panturrilha. As camisas são sempre brancas e as meias, de cor rosa, invariavelmente. O “Chaleco” é a peça que vai sobre a camisa, curto e com muitos bordados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs “Zapatillas” ou o sapato de toureiro, devem ser negros com sola antideslizante. O tradicional chapéu negro utilizado pelos toureiros denomina-se “Montera“, possuindo um grande significado na comunicação do toureiro com o público e as autoridades presentes no espetáculo taurino. A peça mais luxuosa é o denominado “Capote de Paseo“, normalmente bordado com seda e ouro e geralmente decorado com motivos religiosos de devoção do toureiro matador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Vestido de Torear” deve ser, em seu conjunto, cômodo, funcional e elegante. A espada, ligeiramente curva, utilizada pelo toureiro  para matar o touro denomina-se “Estoque“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm meio tradicional para a divulgação das touradas, os chamados “Cartazes Publicitários” constituem, muitas vezes, verdadeiras obras de arte, realizados por artistas famosos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes cartazes possuem uma função essencialmente informativa, com o local onde a tourada será realizada, a data e hora, além do nome dos toureiros participantes. Um “Bom Cartaz” indica que os toureiros participantes gozam de um grande prestígio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs cartazes antigos também são uma interessante fonte histórica, pois muitas vezes podemos observar as mudanças históricas ocorridas numa determinada cidade. Abaixo, vemos o cartaz da inauguração da Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid, em 1931.

IMG_3458Finalizo a matéria com outros cartazes que se exibem no Museu Taurino de Ronda….

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Distrito de Barajas – Madrid

O crescimento populacional da cidade de Madrid no século XX foi enorme. Um dos principais motivos para tanto foi a incorporação de 13 municípios situados nas proximidades da capital, que hoje em dia integram um dos 21 distritos que formam a divisão administrativa da cidade. Este processo ocorreu entre 1948 e 1954, e uma das cidades anexionadas foi a antiga Vila de Barajas, integrada a Madrid em 1949.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm apenas 6 anos, a cidade cresceu de forma exponencial, passando de aproximadamente 70 quilômetros quadrados a uma superfície de 540 quilômetros quadrados, e uma população de 1 milhão e duzentos mil habitantes a um milhão quinhentos e trinta mil habitantes. O Distrito de Barajas também experimentou um grande crescimento demográfico em virtude de sua proximidade com o Aeroporto de Madrid (a foto acima, que  nos mostra uma imagem da antiga cidade, foi tirada do Aeroporto). O núcleo central do distrito corresponde ao Centro Histórico da antiga Vila de Barajas, que vale a pena ser conhecido. Está presidido por sua Plaza Mayor, que começou a configurar-se no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça possui uma planta retangular, e três de seus lados estão formados por galerias sustentadas por colunas feitas de pedra, muitas delas originais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça é o principal ponto de encontro de seus habitantes, com bares e restaurantes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs postes de iluminação foram construídos em 1832, durante o reinado de Fernando VII, como podemos observar no detalhe abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa Plaza Mayor temos uma bela vista do principal templo da zona, a Igreja de San Pedro Apóstol, originária do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual e a torre construída com tijolo pertence ao século XVII, apesar das reformas realizadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de tijolo é o Centro Sócio Cultural Vila de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande importância é a Ermita de N.Sra de la Soledad, que alberga a imagem da padroeira da vila, de grande devoção popular, a Virgen de la Soledad (Virgem da Solidão, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARestaurada em 2013, esta emblemática construção foi iniciada no século XVI. Como aspecto curioso, parece que é a única ermita de todo o mundo situada numa rotatória…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Devido a sua proximidade com o Aeroporto de Barajas, possui uma grande rede hoteleira. Uma das principais queixas de seus habitantes é o ruído ocasionado pelo intenso tráfego aéreo da zona…

Museu de Belas Artes – Última Parte

Nesta última matéria sobre o Museu de Belas Artes de Valencia, veremos algumas das obras de seu acervo permanente relacionadas com a Pintura Neoclássica e outros artistas fundamentais do panorama espanhol dos séculos XIX e XX. O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes, quando o racionalismo exerceu o princípio básico nas manifestações humanas. Como reação aos excessos barrocos, surge o movimento neoclássico, que se desenvolve em todos os campos artísticos. Surgido na França na primeira metade do século XVIII, transforma-se na estética da Ilustração, recuperando os valores da cultura greco-romana, especialmente nos aspectos relacionados à simplicidade, simetria e elegância. Na pintura, o neoclassicismo exalta a claridade compositiva e o predomínio do desenho sobre a cor. Devido a que os restos pictóricos da antiguidade não estavam disponíveis, a Pintura Neoclássica se inspira na escultura. Os principais temas abordados incluem os retratos, fatos históricos e a mitologia. Da mesma forma que sucedeu na arquitetura, os monarcas espanhóis da Dinastia dos Bourbons trouxeram artistas estrangeiros para que realizassem a decoração do Palácio Real. Um deles, o pintor de origem alemã Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi o responsável pela difusão do neoclassicismo na Pintura Espanhola, principalmente depois que ocupou a direção da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando de Madrid, instituição acadêmica que impôs as regras do novo estilo, exercendo uma grande influência na formação de muitos artistas, entre os quais o pintor valenciano Mariano Salvador Maella (1739/1819). Abaixo, vemos o quadro de Maella intitulado “Sueño de San José“, que podemos contemplar no Museu de Belas Artes de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Mariano Salvador Maella tornou-se pintor de câmara durante o reinado de Carlos III, que reconheceu seu grande talento como retratista. Em 1799, alcançou o apogeu como pintor real, junto com Goya. Com a queda do Rei Carlos IV e a chegada ao trono do francês José I, irmão de Napoleão Bonaparte, o pintor prestou seus serviços ao monarca francês, fato que lhe acabou causando sua decadência, pois foi considerado afrancesado. Abaixo, vemos a obra”Exequias do Beato Gaspar Bono“, uma das quatro obras que realizou para a capela do beato, situada no Convento de San Sebastián de Valencia. Gaspar de Bono (1530/1604) foi um beato pertencente à Ordem dos Mínimos que destacou-se por sua caridade, sendo beatificado em 1786.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra da Independência e o retorno do rei espanhol Fernando VII ao trono, Mariano Salvador Maella foi afastado do cargo, sendo substituído pelo também valenciano Vicente López Portaña (1772/1850) como pintor de câmara a partir de 1815. Este pintor é considerado um dos maiores retratistas da pintura espanhola. Seu pessoal sentido realista dos personagens retratados foi herdado da tradição naturalista da escola valenciana, principalmente de Francisco Ribalta e José de Ribera. Além do mais, possuía uma excepcional capacidade para a reprodução dos tecidos e objetos de adorno. Durante uma visita do Rei Carlos IV à Valencia em 1802, Vicente López realizou um belo retrato do monarca, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes mestres da História da Pintura, Francisco de Goya y Lucientes (1746/1828) também cultivou a pintura neoclássica, apesar de que o grande pintor aragonês não pode ser classificado dentro de um estilo determinado, devido a sua variedade e personalidade artística. Com ele se inicia a pintura contemporânea, sendo considerado o precursor das vanguardas artísticas do século XX. Como retratista foi excepcional, recebendo inúmeros encargos reais e da aristocracia espanhola. Um exemplo é o “Retrato de Mariano Ferrer y Aulet“, datado entre 1780 e 1783. Este personagem foi secretário da prestigiosa Real Academia de San Carlos de Valencia, origem do atual Museu de Belas Artes. O fundo negro do quadro ressalta seu rosto, que se mostra sereno e relaxado diante do pintor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro quadro de Goya que representa sua enorme qualidade como retratista é o “Retrato de Joaquina Candado Ricarte“, pintado durante uma visita do pintor aragonês à Valencia. Realizado com grande desenvoltura técnica, existem controvérsias a respeito da verdadeira identidade desta personagem. Alguns afirmam que se trata da modelo utilizada por Goya nos famosos quadros “Maja Desnuda” e “Maja Vestida“, que podem ser vistos no Museu do Prado. Nesta obra, a retratada aparece de corpo inteiro e ricamente vestida, denotando sua elevada posição social. O retrato foi ambientado num espaço aberto, campestre. A dourada luz que inunda a personagem provoca um efeito de luz que anuncia o Impressionismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, algumas salas do Museu de Belas Artes de Valencia foram dedicadas exclusivamente a artistas valencianos de grande prestígio no final do século XIX e na primeira metade do XX. O primeiro deles é o pintor Joaquín Sorolla (1863/1923), a quem foi organizada uma excepcional exposição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArtista prolífico, Joaquín Sorolla deixou mais de 2200 obras catalogadas. Desde jovem mostrou interesse pela pintura ao ar livre, captando a luminosidade mediterrânea e o ambiente costeiro. Durante a fase final de sua vida, viveu em Madrid e sua casa foi transformado num museu cuja visita recomendo (ver post publicado em 8/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com Mariano Benlliure Gil (1862/1947), notável escultor valenciano, que possui um excepcional conjunto de obras no Museu de Belas Artes. Sua formação com o pintor Francisco Domingo Marqués lhe permitiu adaptar o realismo pictórico à escultura. Sua projeção internacional como escultor se consolidou com a Exposição Universal de Paris de 1900, quando obteve o Prêmio de Honra, a mesma distinção outorgada a Joaquín Sorolla. A grande coleçao de obras de Mariano Benlliure no museu se deve à generosidade do próprio artista, pois a maior parte das obras expostas foram doadas pelo escultor em 1940. Abaixo, vemos um “Autorretrato”, realizado em bronze para a Academia de Belas Artes de San Lucas, de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas mais influentes de sua época, Mariano Benlliure dedicou-se aos temas populares, monumentos comemorativos e retratos, tanto de personagens da sociedade quanto da família real, como o “Busto de Alfonso XIII“, um encargo do monarca para o casamento com Victoria Eugenia de Battenberg, que também foi representado numa escultura equestre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMariano Benlliure foi o tema de duas matérias realizadas em 19/11 e 20/11/2015, pois muitas das esculturas mais famosas de Madrid foram esculpidas por ele. Existe inclusive um trajeto pela cidade em que é possível admirar muitas de suas obras mais conhecidas.

Ampliação do Museu do Prado: Madrid

O Museu do Prado (post publicado em 17/5/2012) foi alvo de diversas obras de reformas ao longo de sua história. A mais importante delas finalizou em 2007, segundo um elogiado projeto do renomado arquiteto Rafael Moneo (1937). O plano levou em consideração os edifícios colidantes ao museu, como a Igreja de San Jerónimo La Real (matéria publicada em 7/7/2013). Dois edifícios emblemáticos de Madrid, um no plano artístico, e outro no religioso, foram integrados ao novo desenho de ampliação realizado.

DSC09098O edifício sede do Museu do Prado, um dos referentes da arquitetura neoclássica da Espanha, foi projetado pelo arquiteto Juan de Villanueva a partir de 1785, durante o reinado de Carlos III, com a função de acolher o Gabinete de História Natural. A Guerra da Independência contra os franceses no início do século XIX fez com que o edifício fosse duramente castigado em sua estrutura. Com o término da guerra, o edifício foi restaurado no reinado de Fernando VII e reinaugurado em 1819 como um Museu de Pinturas. Para tanto, contou com o esforço e dedicação da segunda esposa do rei, Maria Isabel de Bragança.

DSC03524DSC01970Já a Igreja de San Jerónimo La Real é uma das poucas construções de origem gótica existentes em Madrid. Formava parte do antigo Monastério de San Jerónimo, fundado pelo Rei Enrique IV no século XV. Originalmente, estava situado às margens do Rio Manzanares, mas as péssimas condições higiênicas do local fez com que os Reis Católicos ordenassem a construção de um novo edifício, situado em sua localização atual. Em 1502 se edificou a nova igreja no período final do gótico, que contava também com um quarto real situado junto ao presbitério, utilizado pelos reis durante sua estadia em Madrid. Dessa forma, os Reis Católicos podiam assistir a missa desde seu próprio aposento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, desde suas origens, sempre esteve ligada à monarquia, pois em seu interior se celebram casamentos reais e os juramentos dos Príncipes de Asturias. As várias reformas realizadas ao longo de sua secular história eliminaram a maior parte de sua fábrica gótica. Também danificada durante a Guerra da Independência, seu aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo arquiteto Enrique María Repullés em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério, que já não existe mais, chegou a ter dois claustros de épocas distintas. O primeiro, de estilo renascentista, foi destruído e substituido por um barroco, construído entre 1672 e 1681. Devido às guerras e sua própria antiguidade, o claustro permaneceu abandonado no século XX, e abaixo podemos observar seu estado numa foto do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais importantes da proposta de ampliação do Museu do Prado realizada por Rafael Moneo consistiu na recuperação do claustro e sua restauração. O claustro foi desmontado e recolocado dentro de um novo edifício, o chamado Cubo de Moneo.

DSC09095Feito de tijolo vermelho, o Cubo de Moneo acolhe hoje em dia o antigo claustro restaurado, e no novo espaço podemos contemplar uma série de esculturas históricas dos monarcas espanhóis, que será o tema do próximo post.

DSC09089O trabalho de Rafael Moneo incluiu também um novo vestíbulo situado na parte traseira do edifício histórico de Juan de Villanueva, que serve de entrada ao museu, denominado Puerta de los Jerónimos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestíbulo compreende vários espaços complementares ao museu, como cafeteria, loja, o acesso ao claustro e também salas onde se organizam exposições temporais de grande qualidade artística. Na parte superior do vestíbulo, Moneo projetou um belo jardim de formato geométrico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do Cubo de Moneo, a belíssima porta de acesso foi realizada pela artista Cristina Iglesias (1956). Realizada em bronze, possui 6m de altura e 22 toneladas de peso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto do Cubo de Moneo e, ao lado, a Igreja de San Jerónimo

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Interior do Congresso Nacional: Parte 2

O espaço mais famoso e conhecido do Congresso Nacional constitui a Sala de Sessões, também denominado Hemiciclo, por seu peculiar formato. Nele se celebram as sessões plenárias do Congresso, e sua decoração é impressionante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO salão está presidido por um tapete com o Escudo da Espanha. A cada lado, duas estátuas de mármore de Carrara que representam os Reis Católicos, Fernando de Aragón e Isabel de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA incrível bôveda da sala foi realizada por Carlos Luis de Rivera, estando ornamentada por quadros  relacionados à história da legislação espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras pinturas simbolizam a alegoria das virtudes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERABelos vitrais compõem  a ornamentação da bôveda, como este abaixo, que representam as 4 virtudes cardenais: justiça, fortaleza, prudência e templanza (moderação, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos a tribuna…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor das tribunas foram colocados os escudos das Províncias Espanholas. A seguir, vemos o Escudo de Segóvia, representado por seu maravilhoso Aqueduto Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor do perímetro da sala vemos os nomes de grandes heróis da história do país, como os principais protagonistas da resistência espanhola durante a Guerra da Independência no início do século XIX, travada contra as tropas de Napoleao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sala de Sessões constantemente aparece na televisão, e foi palco de um dos acontecimentos mais dramáticos da história recente do país, quando em 23 de fevereiro de 1981 uma facção do exército realizou uma tentativa de golpe de estado, felizmente fracassado. As marcas dos disparos ainda podem ser vistas no teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra dependência importante do Congresso Nacional é a Sala Mariana Pineda, assim chamada em homenagem à liberal espanhola do século XIX, executada durante a restauração monárquica promovida pelo rei Fernando VII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala está presidida por um quadro de 1862, pintado por Juan Antonio Calvo, em que Mariana Pineda (1804/1831) aparece momentos antes da execução.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a galeria de retratos dos Presidentes da Câmara ao longo de sua história, realizados pelos melhores pintores dos séculos XIX e XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita prossegue na Sala Constitucional, uma das maiores salas de trabalhos do Congresso, utilizada nas visitas oficiais dos chefes de estado estrangeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria coma a Sala Ernest Lluch, onde se celebram atividades de grupos parlamentares e outros atos. O nome da sala homenageia o político espanhol que tornou-se ministro entre 1982 e 1986, e que foi assassinado pelo grupo terrorista ETA em 2000, quando já estava retirado da vida política. Ernest Lluch faleceu quando tinha 63 anos.

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Antigas Farmácias de Madrid

De todos os ramos comerciais existentes, o farmacêutico é o que apresenta a maior quantidade de estabelecimentos antigos em Madrid, compondo um rico mostruário dos Comércios Históricos da cidade. Ignoro o porque desta exclusividade, o fato é que encontro cada vez mais farmácias cuja existência se prolonga no tempo. Veremos, pois, algumas delas, como a Farmácia Lavapiés, cujo nome se deve à rua onde se situa, no bairro homônimo. Fundada em 1852, sua fachada comprova sua antiguidade, ao contrário do interior, bastante reformado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Farmácia Arenal, cujo nome também se deve à rua onde se localiza, antigamente se denominava Farmácia Gayaso, o sobrenome do fundador, que inaugurou o estabelecimento em 1855. O negócio foi herdado por seu filho no final do século XIX, adquirindo fama por suas fórmulas exclusivas(na Espanha, as fórmulas preparadas possuem a curiosa denominação de Fórmulas Magistrales). O local serviu também como ponto de reunião de personagens ilustres, como o escritor Benito Pérez Galdós, Menéndez Pelayo, etc. A farmácia está aberta 24 horas por dia, durante todos os dias do ano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra farmácia que elabora fórmulas magistrales é a Farmácia Central de la Victoria, situada próxima à Porta do Sol, na Calle de la Victória.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO negócio ocupa o local do Antigo Convento de N.Sra de la Victoria, que foi demolido depois da Desamortização de 1836. Fundada em torno ao ano 1860, conserva além de sua fachada de madeira, boa parte do espaço interior, como os azulejos do solo, o lustre, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a placa que homenageia o negócio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPerto da Gran Vía (Calle de la Luna) encontramos a Farmácia Cardona, inaugurada em 1833.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA farmácia pertenceu originalmente a Pedro Herranz Árias, boticário do rei Fernando VII. Os cristais originais que decoravam a fachada foram colocados no interior, como vemos a seguir. Como podemos observar, haviam somente 5 dígitos no número do telefone…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das funcionárias do estabelecimento me atendeu com grande amabilidade, contando histórias do local e me permitindo tirar quantas fotos quisesse de seu armário original, e de todo o interior da farmácia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente os detalhes decorativos eram realizados com esmero e bom gosto, como vemos no tratamento dado ao armário de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local conserva a antiga lâmpada à gás….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFixado na parte central do armário, vemos uma placa que concede ao local o título de Comércio Tradicional de Madrid, outorgado pela Câmara de Comércio e Indústria da cidade.

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