Plaza del Potro – Córdoba

Dentre todas as praças de Córdoba, a chamada Plaza del Potro (original em espanhol) é uma das mais representativas da cidade. A explicação de seu nome se deve ao fato que nela havia um local onde se comercializavam mulas e potros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, outros historiadores admitem que seu nome se refere à Fonte do Potro que preside a praça, de estilo renascentista e esculpida em 1577, com a finalidade de melhorar o abastecimento de água da zona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça possui diversos locais de interesse, como a Posada del Potro. Sua disposição interna é de uma corrala, isto é, uma espécie de bloco residencial característico de algumas cidades espanholas, formado por um corredor feito com uma armação de madeira, cujos balcões estão cercados por um pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente foi utilizada como uma pousada, função que exerceu até o século XIX, e também como prostíbulo. Com a decadência comercial da zona, converteu-se num local residencial. Abaixo, vemos uma foto antiga do lugar….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Posada del Potro foi citada por Miguel de Cervantes em sua famosa novela “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha”, que nela se hospedou. Um azulejo colocado num dos muros da praça celebra este acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO bairro onde se localiza a praça sempre foi considerado um centro comercial e econômico na cidade, concentrando grande parte dos grêmios artesanais e atraindo a comerciantes, feirantes, viajantes, propiciando a existência de um grande número de pousadas, restaurantes, etc. Atualmente, a Posada del Potro é sede de um centro cultural dedicado à história do Flamenco e a um de seus grandes personagens, o cantor cordobês Antonio Fernández, apelidado de “Fosforito“, nascido em 1932.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANum primeiro momento, a Plaza del Potro possuía uma forma quadrada e fechada e não retangular e aberta como nos dias atuais. A primeira reestruturação realizada na praça foi feita devido à construção do extinto Hospital da Caridade, criado pelos Reis Católicos no final do século XV e atendido pela Ordem Franciscana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, o antigo hospital alberga dois museus de grande interesse, o Museu de Belas Artes de Córdoba, que vemos abaixo, numa foto tirada no interior do pátio do edifício. Seu acervo está constituído por pintores espanhóis de grande relevância histórica, como Zurbarán, Valdés Leal, Rusiñol, Zuloaga, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado do pátio está situado um dos museus mais visitados de Córdoba, dedicado ao pintor nascido na cidade Julio Romero de Torres (1874/1930).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O pintor viveu nesta casa, com uma belíssima fachada policromada realizada em 1752.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma placa que comprova o local de residência do pintor cordobês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJulio Romero de Torres nasceu numa família de artistas, e sua temática gira em torno aos aspectos regionalistas, do mundo taurino e da cultura flamenca. No entanto, mais da metade de sua obra pictórica está composta por retratos (realizou mais de mil quadros), gênero que soube explorar com grande maestria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANenhum outro pintor soube representar com tamanha beleza a sensualidade da mulher andaluza em inúmeros quadros que podemos contemplar no museu, aberto ao público em 1931 com um acervo doado pelos familiares do pintor e de outros colecionadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pena que nao se fotografar o interior do museu e suas obras, mas selecionei um vídeo no Youtube onde vocês poderão apreciar a obra deste grande pintor espanhol:

Finalizando a matéria, em 1924 foi colocada no outro extremo da praça um monumento dedicado ao Triunfo de São Rafael, santo padroeiro de Córdoba.

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Plaza de la Soledad – Badajoz

Um dos lugares que mais gostei de passear por Badajoz foi a Plaza de la Soledad (Praça da Solidão, em português). Um de seus locais mais emblemáticos, está cercada por belos e interessantes edifícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O nome da praça se deve à Igreja de la Soledad, construída na década de 30 do século passado. Este templo substituiu uma antiga ermita de 1664, edificada para acolher a Virgem de la Soledad, Padroeira de Badajoz. Atualmente, esta imagem barroca realizada por um artista italiano se encontra dentro da igreja, e recebe muitos devotos (as) diariamente para venerá-la.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da igreja se encontra o Edifício das Três Campanas, construído em 1899 e reformado em 1917 pelos arquitetos Adel Pinna e Curro Franco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XIX e começo do XX , o Estilo Modernista começou a desenvolver-se na cidade, através da chegada de arquitetos vindos de Madrid e Barcelona. Como ocorreu na capital do país, o modernismo acabou se tornando uma opção decorativa de edifícios ecléticos,predominando a ornamentação sobre os planos arquitetônicos. Um belo exemplo podemos observar na Plaza de la Soledad, a denominada Casa Álvarez, nome de seu primeiro proprietário, Juan Álvarez. Foi construída em 1915 por Adel Pinna, um dos grandes arquitetos da cidade. Abaixo, vemos algumas fotos deste belo edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à Casa Álvarez, uma estátua homenageia a um dos personagens principais da música de Badajoz, chamado José Salazar Molina (Badajoz-1924/Madrid-1977). Este famoso cantor de flamenco ficou, no entanto, conhecido por seu nome artístico, Porrina de Badajoz. Sua voz excepcional o transformou num cantor único deste estilo tipicamente espanhol. Enquanto viveu, durante a Semana Santa cantava para a padroeira da cidade, e por este motivo, a estátua está virada em direção à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Depois de admirar a beleza de suas construções, entrei para conhecer uma taberna típica, algo que sempre me dá muita satisfação, pois se come e bebe muito bem nestes locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada da taberna foi decorada a base de azulejos, como normalmente ocorre nas tabernas tradicionais. O interior é simples e aconchegante, e abundantes são os quadros e objetos relacionados ao mundo dos touros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos quadros expostos relembram os toureiros mais famosos da história, como Pedro Romero (1754/1839), membro de uma família de grandes nomes ligados ao mundo dos touros, e considerado um dos grandes toureiros de Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMe causou uma grande impressão uma foto jornalística sobre a morte do toureiro Manolete (Manuel Laureano Rodríguez Sánchez: 1917/1947), ferido mortalmente por um touro na Plaza de Linares.

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Um Passeio por Cádiz

Cádiz é uma cidade que pode ser conhecida tranquilamente caminhando. O primeiro aspecto urbano que chama a atenção do visitante é o sistema defensivo de um lugar estratégico, e por isso mesmo, cobiçado ao longo dos séculos. O Baluarte de Puerta Tierra, que protegia Cádiz de seu único acesso por terra, é monumental e imponente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta grandiosa construção separa o centro antigo da Cádiz moderna. Foi construída no séc. XVIII pelo arquiteto Torcuato Cayón como uma ampliação de seu sistema de muralhas. O pórtico central de mármore preside a fachada, a modo de arco de triunfo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao pórtico, duas esbeltas estátuas de mármore branco com as esculturas barrocas dos santos padroeiros San Servando e San Germán. Em 1850 construiu-se a torre, cuja finalidade era servir como estrutura para a linha de telégrafo óptico de Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de seu tamanho, grande parte do baluarte foi derrubado no séc. XX para facilitar o tráfico de veículos na zona. É possível visitar sua parte interna e sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto da Puerta de Tierra uma vez passado o pórtico de entrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm  monumento que recorda o aspecto medieval de Cádiz é o Arco de la Rosa, pertencente à muralha reforçada pelo rei Alfonso X, depois da reconquista da cidade em 1262.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção relevante da defesa de Cádiz é o Castelo de Santa Catalina. Apesar do nome, na realidade é um forte, construído depois que a cidade foi saqueada em 1596.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta fortaleza possui uma planta em forma de estrela e sua construção foi influenciada pela arquitetura militar italiana. Durante uma época exerceu a função de prisão militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, sem a necessidade de exercer a função para o qual foi construído, o Castelo de Santa Catalina é utilizado para atos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando lá estive, haviam várias exposições interessantes. Uma delas estava dedicada a Mariana Cornejo (Cádiz – 1947/2013), uma cantora de flamenco considerada uma das mais importantes da escola gaditana. Ficou famosa com o apelido Mariana de Cádiz

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos as dependências interiores da fortificação, que conta inclusive com uma bela capela.

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Jerez de la Frontera – Província de Cádiz

Há alguns meses atrás estive por primeira vez na Província de Cádiz, uma das oito que compõem a Comunidade de Andaluzia. Além da capital, conheci algumas belas cidades e pueblos que gostaria de compartilhar com vocês. Minha primeira visita foi a cidade de Jerez de la Frontera. Com cerca de 212 mil habitantes é a maior cidade da província e a quinta de toda a comunidade andaluza. Devido ao seu tamanho e população, possui um dinamismo econômico que supera o da capital, Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas origens se remontam à cidade de Asta Regia, fundada pelos Tartesos. O nome Jerez se relaciona com Xera, termo com que os fenícios denominaram o assentamento. Os romanos a chamaram Seret e os visigodos, Xeritium. A época árabe foi uma das mais importantes, quando recebeu a denominação de Sherish. A cidade foi reconquistada em 1264 por Alfonso X, e a partir de então seu nome passa a ser Jerez. O sobrenome “de la Frontera” se explica porque no séc. XIV localizava-se justo na fronteira entre o Reino de Castilla e o de Granada, como aconteceu com outros povoados da região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido sua importância, o centro histórico foi foi declarado Conjunto Histórico-Artístico. Possui monumentos de grande relevância, como o Alcázar muçulmano do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi edificado, adquiriu tanto uma função de fortaleza, como palácio dos governadores árabes da cidade. A colina sobre a qual se assenta esteve habitada desde o terceiro milênio aC, fato que comprova a antiguidade desta região. De sua origem árabe, conserva as portas, mesquita, banhos árabes, sua torre octogonal e o pavilhão do pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA mesquita do Alcázar é a única que se conserva das 18 que a cidade chegou a ter durante o domínio islâmico. A partir de 1664, foi erguido dentro do recinto o Palácio de Villavicencio, no estilo barroco. Lorenzo Fernández Villavicencio foi um dos primeiros prefeitos da cidade, e seu palácio acabou servindo de residência para outros representantes públicos de Jerez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente não pude conhecer o interior do Alcázar, pois no dia em que lá estive se encontrava fechado. No interior da torre do palácio, está situada uma câmara escura, composta por um jogo de lentes e espelhos que permite ver em tempo real a cidade de cima, com todos seus monumentos, praças, ruas, etc. Minha curiosidade foi satisfeita quando conheci a câmara escura de Cádiz, que em breve veremos no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o Alcázar de Jerez de la Frontera funciona como um centro cultural com obras teatrais, concertos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha, também do séc. XII, se desenvolve a partir do conjunto militar do Alcázar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos símbolos mais emblemáticos da Espanha nasceram aqui, em Jerez de la Frontera. O Vinho Jerez é uma das grandes atrações da cidade, que tornou-se uma grande exportadora deste tipo de bebida, com algumas das marcas mais famosas do país, como o Tio Pepe, por exemplo, que também veremos num post especial. Os cavalos possuem fama mundial, e aqui se celebra uma feira equestre onde se pode admirar os cavalos mais belos da Andaluzia. Jerez é sede também da Real Escola Andaluza de Arte Equestre, uma das mais renomadas do país. Além do mais, a cidade é considerada como o berço do Flamenco, estilo musical que se expandiu por todo o país. Abaixo, vemos a Taberna Mister Pinkleton de Madrid, cujos tablados de flamenco recomendo pelo profissionalismo e técnica de seus músicos e bailarinos (as).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro símbolo da cidade é o motociclismo, pois o Grande Prêmio da Espanha é disputado em Jerez, um dos mais vistos em todo o mundo. A cidade, junto com Haro (Comunidade da Rioja), foi a primeira do país em ter luz elétrica. O fato de ambas serem grandes produtoras de vinho não é mera casualidade….

Estação Paco de Lucía – Madrid

Em março de 2015, o Metrô de Madrid inaugurou mais uma estação de sua extensa rede de transporte público, precisamente a de número 301. E não se trata de uma estação qualquer, pois homenageia um dos grandes músicos espanhóis do séc. XX, Francisco Sánchez Gómez (Algeciras-Espanha/1947 – Playa del Carmen-México/2014). Este verdadeiro mestre da Guitarra Flamenca tornou-se conhecido universalmente pelo seu nome artístico, Paco de Lucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA nova estação integra a linha 9, uma das mais extensas do Metrô de Madrid, com aproximadamente 40 km e composta por 30 estações, que cortam a cidade no sentido norte-sul. Conta com elevadores, escadas rolantes e outros itens básicos, como lixo reciclável.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais interessante da Estação Paco de Lucía é o enorme painel de 300m quadrados com o rosto do artista colocado na parte de cima da plataforma e da via do trem. A obra, realizada por Rosh333 e Okuda, com a colaboração do arquiteto Antonyo Marest, foi intitulada de “Entre dois Universos“, uma referência a uma canção do músico, chamada “Entre duas águas“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPela primeira vez, foi realizada no Metrô de Madrid uma intervenção artística de forma permanente, criada por artistas urbanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPaco de Lucía foi um dos maiores responsáveis pela internacionalização do estilo que dominava como poucos, o Flamenco. Graças ao seu virtuosismo com o instrumento, transformou-se num dos mais respeitados artistas da Músíca Espanhola do último século. Realizou uma criativa fusão com os demais estilos musicais, com resultados originais e sempre de muita qualidade. Gravou 38 discos, colaborando com outros grandes nomes, como Chick Corea, Al Di Meola, John Mclaughin, Toquinho, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO músico faleceu no município mexicano de Playa del Carmen em 2014, depois de sofrer um ataque cardíaco, e nos deixou a todos órfãos da boa música. No entanto, pra sempre sua memória será recordada, toda vez que escutemos suas belíssimas canções, como também quando sejamos transportados pelos trilhos da vida, na linha 9 do Metrô de Madrid

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Granada

A cidade de Granada situa-se ao sul da Comunidade de Andaluzia, aos pés da Serra Nevada, que abriga, além de lindos pueblos, o ponto culminante da península Ibérica, o Pico de Mulhacén, com 3482m. Além disso, existem estações de esqui, consideradas das melhores de Espanha.

Seu período de maior prosperidade ocorreu durante a dominação árabe, quando se transformou num reino independente em 1023, sob a dinastia dos Ziríes. Em 1492, os Reis Católicos conquistaram a cidade, colocando um ponto final aos quase 8 séculos de domínio muçulmano no país. Conta-se que seu último rei, Boabdil, ao partir para o exílio depois da reconquista crista, olhou por última vez à sua amada cidade e chorou. Sua mãe o reprovou incontinente, pronunciando uma célebre frase:

“Choras como uma mulher o que não soubeste defender como um homem.”

Além da Alhambra e do Generalife, o bairro de Albaicín também foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.

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Situado numa colina em frente à Alhambra, da Praça de San Nicolás se contempla uma das mais belas vistas do palácio. O Albaicín é considerado o bairro árabe mais bem preservado de todo o país, conservando a beleza de sua arquitetura, num itinerário composto por ruas irregulares repletas de casas brancas, formando um labirinto de ruelas e praças de um encanto inegável.

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No bairro, é possível assistir a shows de flamenco, outras de suas atrações.

DSC00510A Catedral de Granada foi construída logo após a conquista dos Reis Católicos. Iniciada em 1505, sob as ordens da rainha Isabel “la Católica”, foi erguida sobre a antiga mesquita maior da cidade. Inicialmente, foi concebida como um templo gótico inspirado na catedral de Toledo. Porém, quando assumiram as obras os arquitetos Enrique Egas em 1523 e seu substituto Diego de Siloé em 1529, se modificou o planejamento original, transformando-se numa das primeiras catedrais renascentistas de Espanha.

Granada21Em 1664, Alonso Cano realizou uma reforma da fachada principal, introduzindo elementos barrocos. Abaixo vemos algumas imagens da catedral e seus dois órgãos, de mediados do séc. XVIII.

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Um dos locais mais importantes do templo é a Capela Real, construída por petição dos Reis Católicos, para que acolhesse o sepulcro do rei, da rainha e de seus descendentes. Desta forma, no interior podemos ver o túmulo de Isabel de Castilla, Fernando de Aragón, e seus filhos Juana “La Loca” e Felipe “El hermoso”. A partir de 1574, os monarcas passariam a ser enterrados no Monastério do Escorial, por desejo expresso do rei Felipe II. A capela está encostada à catedral, sendo o segundo monumento em visitas da cidade, depois da Alhambra.

Granada16Infelizmente, nao se podem tirar fotos no interior…

Também construída por Diego de Siloé a partir de 1537, a mudéjar Igreja de Santa Ana situa-se nas proximidades do rio Darro, e passear por suas margens é descubrir uma cidade cheia de lugares interessantes.

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Bairro das Letras – Madrid (Parte 2)

Continuando nosso passeio pelo Bairro das Letras de Madrid, o escritor mais universalmente conhecido da Literatura Espanhola, Miguel de Cervantes, não só viveu, como também foi enterrado no bairro. Abaixo, vemos sua residência, da época em que viveu na cidade.

Na calle de Atocha, encontra-se a editora responsável pela primeira edição de sua obra máxima, O Fidalgo Don Quixote de La Mancha, em 1604.

O escritor está sepultado no Convento das Trinitárias Descalças, fundado pelo rei Felipe II em 1612. O atual edifício data de 1673 e foi declarado Monumento Nacional em 1921.

Nas ruas que compõem o bairro, foram travadas famosas disputas entre alguns de seus mais afamados literatos. Uma das mais célebres foi a de Francisco de Quevedo (1580-1645) e Luis de Góngora (1561-1627). Situada em frente ao Convento das Trinitárias, está a casa onde viveu Quevedo. A placa que alude ao fato, no entanto, não explica que havia sido anteriormente o lar de Góngora.

Os ilustres personagens tinham personalidades opostas. Enquanto Quevedo caracterizava-se por seu forte temperamento, assíduo dos prostíbulos e dos ambientes marginais da época, além de querido por sua proximidade às pessoas mais humildes, Góngora, por sua vez, gerava antipatia por sua forma de ser. A rivalidade entre ambos era tal que Quevedo decidiu comprar a casa que pertencia a seu inimigo, para depois botá-lo para fora, pobre e sem apoio. Outra fonte de conflitos foi entre Cervantes e Lope de Vega, e o fato curioso é que a rua onde morou Lope de Vega chama-se Calle Cervantes, enquanto que o Convento onde está sepultado Cervantes, se chama Calle Lope de Vega. É como se a rivalidade entre ambos perdurasse mesmo depois de suas mortes…

No século XIX, o bairro continuou sendo o centro intelectual da cidade, como comprova o Ateneo, instituição cultural privada inaugurada em 1835. Seu objetivo era a divulgação do saber, e para tanto possui uma das melhores bibliotecas do país, no que se refere aos séculos XIX e XX. Muitos dos maiores literatos do país pertenceram à instituiçao. Abaixo, vemos a foto da fachada e do teatro que alberga no interior.

Outro dos locais de convivência que se tornaram famosos no Bairro das Letras eram os denominados mentideros, onde poetas, dramaturgos, atores de teatro, etc, se reuniam para conversar, extender rumores ou compartilhar experiências. Um deles situava-se na Calle León, cujos relevos abaixo recordam o nome do lugar.

O Corral de Comédias de la Cruz, hoje desaparecido, tornou-se na época do século de ouro um local obrigatório para ver as  obras teatrais dos grandes dramaturgos, que nele estreavam suas peças. Uma placa e um mural pintado com cenas da época recordam sua localização exata.

Os palácios nobres também podem ser vistos, como o de abaixo, denominado Palácio de Santoña , cujo marquês foi um de seus proprietários. O edifício pertence ao séc. XVII, e em 1953 foi comprado pela Câmara de Comércio e Indústria de Madrid, sua proprietária atual. Como destaque exterior, a bela fachada, criada pelo arquiteto barroco Pedro de Ribera.

Outros edifícios chamam a atenção pela beleza de suas linhas e decoração escultórica.

A Basílica de Jesus de Medinaceli é uma das que provocam o maior fervor religioso de toda a capital. Isso porque é depositária da imagem mais venerada pelos madrilenhos.

Na primeira sexta feira de março, milhares de fiéis aguardam para beijar os pés do Cristo de Medinaceli e pedir 3 desejos, dos quais é concedido apenas um. O porquê, é realmente um mistério…A igreja, na época dourada do bairro, era assiduamente visitada por Lope de Vega, Calderón de la Barca e Tirso de Molina, escritores que haviam sido ordenados sacerdotes.

Hoje em dia, o Bairro das letras não é somente percorrido para melhor conhecer a história de Madrid, mas também para desfrute da noite, embalada por bares com música ao vivo e restaurantes para todos os bolsos. O Villa Rosa, por ex., é um clássico da noite da cidade. Inaugurado em 1915, desde sua fundação esteve ligado ao mundo taurino e ao flamenco. Sua época de maior esplendor foi nos anos 20, quando personagens como o novelista Ernest Hemingway e a aristocracia local se reuniam para conversar e ouvir uma boa música. O bar está decorado com cerâmicas que representam monumentos típicos de várias cidades espanholas.

Opções para curtir não faltam no bairro, e a oferta musical é ampla, para todos os gostos.

Bem, com estas fotos encerramos os posts pelo Bairro das Letras, este interessante local do centro de Madrid, que combina o agito noturno com a história e a cultura da cidade.