Convento de San José: Ávila

O Convento de San José foi fundado por Santa Teresa em 1562, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças em toda a Espanha. Nele, estabeleceu a regra primitiva do Carmelo (século XIII), materializando a reforma carmelita, baseada na austeridade, contemplação, oração e penitência.Sua fundação é narrada pela própria santa no “Livro de la Vida“, sendo também o local onde escreveu grande parte de sua obra mística e literária. No início, o convento foi constituído por um conjunto de casas que foram sendo adquiridas mediante doações, e a igreja situava-se num pequeno dormitório, dada as pequenas dimensões do convento. Com o tempo, foi sendo ampliado, chegando a haver 4 igrejas anteriores à atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída por Francisco de Mora no século XVII, sua arquitetura tornou-se o modelo do que se conhece como Igreja Carmelitana, um retângulo vertical formado por 3 espaços distintos, rematado por um Frontón (estrutura triangular) em sua parte superior. Na parte inferior, vemos uma arcada composta por 3 arcos. No nível intermediário se colocou uma imagem do santo titular da igreja, San José. No terceiro nível, uma janela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo de Santa Teresa era construir uma clausura em que se pudesse viver a regra primitiva da Ordem das Carmelitas como se fosse uma grande família, dentro dos preceitos da pobreza, obediência e penitência. Por este motivo, em Ávila é conhecido como “Convento de las Madres“. Apesar da precaução com que a santa organizou sua construção no mais absoluto sigilo, não pôde fazer nada com que as pessoas tomassem consciência do fato, sendo duramente perseguida até que recebeu a autorização do Papa Pio IV para sua fundação. Teresa estipulou o número máximo de religiosas do convento em 13, 1 priora e 12 freiras. Com o tempo, a própria santa aumentou para 20. Depois de sua morte, se fixa em 21 o número de religiosas do convento, pois o desejo das freiras era que Santa Teresa ocupasse esta vaga, de forma simbólica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da regra primitiva da Ordem do Carmelo ter sido aprovada em 1247, Santa Teresa se inspirava numa época anterior, quando os eremitas que viviam no Monte Carmelo desenvolveram um modelo de vida austero e dedicado à oração. As freiras começaram a tratar-se como irmãs e mães, e Teresa passou a ser chamada Teresa de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa viveu 5 anos no Convento de San José, berço de sua reforma e que serviu de plataforma para a fundaçao de outros conventos pelo país. Ainda hoje o convento conserva o espírito de sua fundadora. Uma pena as fotos estarem proibidas em seu interior, pois conserva muitas lembranças de sua vida na clausura. Junto à igreja, situa-se o Museu Teresiano, fundado em 1970 com uma coleção de obras de arte e relíquias da santa, objetos pessoais, etc.

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A Catedral de Ávila: Parte 2

Nesta segunda parte sobre a Catedral de Ávila veremos o interior do espaço sagrado, e algumas de suas obras mais importantes. A Capela Maior, por exemplo, acolhe um maravilhoso retábulo realizado no último período construtivo da catedral, no final do século XV e começo do XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior do retábulo foi executada por Pedro Berruguete, que combina a tradiçao hispano-flamenca com o novo estilo renascentista proveniente da Itália. O artista buscou a individualização dos personagens representados e um grande realismo, conseguidos através de um intenso naturalismo. Com sua morte, a execução do retábulo foi realizada, entre outros, por Juan de Borgoña, que retratou as cenas da Anunciação, Nascimento de Cristo, Transfiguração e Apresentação ao Templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à Capela Maior, foram colocadas duas esculturas dedicadas a Santa Catalina e San Segundo, ambas realizadas em alabastro por Vasco de la Zarza na primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a Santa Catalina…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA tradição diz que San Segundo foi um dos sete enviados por São Pedro e São Paulo com a missão de evangelizar Espanha. Foi o primeiro Bispo de Ávila, sendo considerado o padroeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da nave principal foi colocado o Coro, algo característico das Catedrais Espanholas. Inicialmente ele se encontrava junto a Capela Maior, ao modo das catedrais francesas. Durante o período renascentista, acabou sendo deslocado para o centro da nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído na primeira metade do século XVI por Cornelis de Holanda, que contou com a participação de Lucas Giraldo e Juan Rodríguez, entre outros. Elaborado com madeira de nogal, destaca-se por sua rica iconografía, onde foram representados uma grande quantidade de santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais do coro, dois belíssimos órgãos, um barroco e outro de data posterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro da catedral foi inicialmente construído no século XIV no estilo gótico e apenas finalizado no XVI, já dentro da estética renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formado por 3 capelas, e constituiu sempre um local de enterramento, acolhendo os restos de personagens ilustres da História da Espanha, como Adolfo Suárez (1932/2014), o primeiro presidente do período democrático do país, iniciado depois da morte do General Franco. Abaixo, vemos uma lista que comprova a milenar tradiçao episcopal de Ávila, onde podemos ver todos os bispos da cidade, começando por San Segundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA San Segundo foi dedicado também uma das principais capelas das muitas existentes na catedral. O acesso a ela se dá tanto pelo interior, quanto pelo exterior do templo, cuja fachada austera vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída para acolher os restos de San Segundo para sua conservação, que foram trazidos da igreja românica a ele dedicado, prova da grande devoção de seus habitantes ao primeiro bispo de Ávila. Para que pudesse ser construída, tiveram que derrubar um cubo da muralha, prévia permissão concedida pelo rei Felipe II, pois a fachada da capela está adossada à mesma, como vemos acima. Abaixo, vemos o interior da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção da Capela de San Segundo foi iniciada por Francisco de Mora em 1602, e finalizada por seu sobrinho Juan Gómez de Mora em 1615. O retábulo em forma de baldaquino acolhe uma urna com as relíquias do santo, e foi realizado em 1715 por José Benito de Churriguera.

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Lerma – Província de Burgos

A cidade de Lerma, situada na Província de Burgos (Comunidade de Castilla y León), é a capital administrativa da Comarca do Rio Arlanza, que inclui os povoados de Covarrubias e Santo Domingo de Silos, que vimos recentemente. Abaixo, vemos a antiga ponte medieval da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ conhecida também pelo nome de Vila Ducal de Lerma, pois sua história e engrandecimento estão intimamente relacionada a Francisco de Sandoval y Rojas, I Duque de Lerma, válido e favorito do rei Felipe III. Abaixo, o retrato do duque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarada Conjunto Histórico-Artístico em 1965, a cidade é considerada como o principal conjunto arquitetônico relacionada à Arquitetura Herreriana de toda Espanha (nome originário de um dos principais arquitetos renascentistas do país, Juan de Herrera, que criou um estilo próprio, e foi o projetista mais importante do Monastério de El Escorial).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto monumental de Lerma é uma projeção em pedra da ambição do duque, representando o poder econômico e político de um dos homens mais ricos e poderosos do séc. XVII. Um exemplo é o Palácio Ducal levantado para ser sua residência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio do Duque de Lerma foi construído por Francisco de Mora, um dos discípulos de Juan de Herrera. Durante a Guerra Civil, foi utilizado como prisão e atualmente alberga um Parador Nacional, um dos 10 melhores do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio preside a Praça Maior de Lerma, uma das maiores de Espanha, com cerca de 7 mil metros quadrados. Ao longo de sua história, foi usada como Praça do Mercado, Coral de Comédias e Praça de Touros. Antigamente, os touros eram acossados pelos nobres e incitados a entrar por uma rua que conduzia diretamente ao precipício. O palácio e a Praça Maior representavam o centro do poder do Duque de Lerma, além de ponto de encontro para as atividades festivas. Hoje em dia, lamentavelmente é usada como estacionamento, algo que impede a contemplação de sua grandeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravés do Arco de la Cárcel entramos ao centro histórico da cidade. É a única das quatro portas da antiga muralha que se conserva. Franqueada por 2 torres cilíndricas, apesar de ter sido edificada em pedra, em sua parte superior vemos um complemento feito com tijolos, fruto de uma remodelação realizada em 1610, para transformá-la numa prisão. Atualmente, sedia a Denominação de Origem Arlanza, que controla a produção dos bons vinhos fabricados na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A cidade também representa o reflexo da sociedade da época do rei Felipe III, onde o sagrado e o profano formavam parte da vida cotidiana. Por isso, acabou transformando-se numa cidade conventual, repleta de conventos e monastérios.Um deles é o Convento de San Blás, situado numa praça anexa ao Palácio Ducal. Sua construção foi iniciada em 1613 para acolher uma comunidade de freiras dominicanas, sendo projetado pelo arquiteto Fray Alberto de la Madre de Dios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal templo de Lerma é a Colegiata de San Pedro, cuja reforma e ampliação foi concebida pelo Arcebispo de Sevilha, tio do Duque de Lerma, a partir de 1613.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Colegiata foi consagrada em 1613, com festas que duraram 13 dias. Na sua fachada herreriana, vemos a monumental portada principal, com o escudo ducal e a imagem de Sao Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAGraças a uma solicitação do Duque de Lerma, a antiga paróquia transformou-se em Colegiata em 1606, quando foi concedida uma bula do Papa Paulo V. O interior conserva sua cobertura original gótica, além de dois órgãos barrocos, construídos em 1615 e 1616, considerados dos mais antigos do país para a realização de concertos barrocos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior também é barroco, composto por imagens realizadas pelo escultor Juan de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início do séc. XVII, Lerma possuía uma estrutura de arcos que possibilitava a união do Palácio Ducal com as construções religiosas da cidade, sem que o duque tivesse a necessidade de sair na rua. Na sequência, vemos um plano deste sistema construtivo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO único fragmento conservado nos dias de hoje encontramos na Praça de Santa Clara, no denominado Mirante dos Arcos, que ainda une os Monastérios de Santa Teresa com o de Santa Clara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Duque de Lerma, graças ao tráfico de influências, venda de cargos públicos e abundantes casos de corrupção, tornou-se imensamente rico. Boa parte de sua fortuna utilizou para engrandecer e embelezar a Vila Ducal de Lerma, contratando os melhores arquitetos do seu tempo e transformando a cidade num exemplo das correntes artísticas que se estavam desenvolvendo na Espanha no início do séc. XVII.

Palácio de El Pardo – Madrid

As origens do Palácio de El Pardo se remontam ao ano 1405, quando o rei Enrique III ordenou a construçao de uma casa real no monte de El Pardo. Por sua vez, Enrique IV edificou sobre a mesma um pequeno castelo, que logo se transformou num palácio durante o reinado de Carlos I, a partir do projeto de Luis de Vega. As obras iniciaram-se em 1547 e foram concluídas em 1558, já durante o governo de Felipe II.

Em 1604 um incêndio destruiu boa parte do palácio, apesar de ser salvo o quadro de Ticiano, chamado Vênus de El Pardo, atualmente exposto no Louvre. Felipe II ordena, pois, a reconstrução do palácio, sob a direção de Francisco de Mora, o mesmo arquiteto que sucedeu a Juan de Herrera na execução do Monastério do Escorial.

Em 1722, Carlos III promoveu obras de melhorias e ampliações a um dos arquitetos autores do Palácio real de Madrid, Francesco Sabatini.

Foi no El Pardo onde faleceu o rei Alfonso XII em 1885. Uma vez terminada a Guerra Civil Espanhola, o edifício foi mais uma vez objeto de reformas, desta vez para habilitar-lo como residência do Gen. Franco. Durante seu governo (1939/1975), o palácio foi o centro da maioria das grandes decisões políticas do país.

Atualmente, o Palácio de El Pardo é utilizado para hospedar chefes de estado estrangeiros em visita oficial a Espanha. A celebração de atos oficiais e sociais, por parte da Família Real Espanhola, é outra de suas funções.

Em torno ao palácio, foi crescendo um pequeno núcleo urbano que deu lugar ao pueblo de El Pardo, hoje em dia integrado ao município de Madrid.

Além de seu valor histórico e arquitetônico, o palácio destaca-se por sua decoração interna, representativa de diversas épocas históricas. Infelizmente, as fotos não são permitidas durante a visita guiada que se realiza diariamente.

O denominado Pátio dos Austrias, de estilo renascentista, está coberto por uma bôveda acristalada, permitindo que o lugar seja usado para atos oficiais.

Próximo ao palácio, a “casinha dos Príncipes” foi concebida como um palácio de recreio da casa real no séc. XVIII. Seu autor foi o arquiteto Juan de Villanueva, que iniciou as obras em 1784.

O Real Palácio de El Pardo encontra-se situado numa região de alto valor paisagístico e meio ambiental, pois o Monte de El Pardo é considerado como um dos bosques mediterâneos mais bem preservados da Europa. Se encontra protegido através de sua inclusão no Parque Regional De La Cuenca Alta Del Manzanares.