Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés

 

 

Igreja de San Antonio de los Alemanes – Madrid

A Igreja de San Antonio de los Alemanes surpreende a todos aqueles que tem o privilégio de visitá-la, constituindo-se num dos templos mais notáveis de Madrid. Erguida inicialmente como Igreja de San Antonio dos Portugueses, complementava o antigo hospital dedicada à comunidade lusa de Madrid, criado por Felipe III em 1606. Convém recordar, que nesta época, Portugal pertencia aos reinos hispanos. Iniciada em 1624, sua construção prolongou-se até 1633, e foi projetada por um arquiteto jesuíta, chamado Pedro Sánchez. Quando Portugal tornou-se novamente independente, a rainha Mariana de Áustria, segunda esposa de Felipe IV, cedeu o templo à comunidade de alemães católicos em 1668, numerosa na corte desde a chegada da rainha consorte Mariana de Neoburgo. Dessa forma, tanto o nome do hospital, quanto da igreja foram mudados, embora se conservasse a titularidade do templo a um santo português. A austera fachada principal está coroada por uma estátua do santo, realizada pelo artista português Manuel Pereira em 1647.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui uma inusual planta elíptica, algo raro em Espanha. Na época, tanto Bernini, quanto Borromini, lançaram uma moda em Roma relativa às formas elípticas das construções, que logo depois expandiu-se pela Europa. Mas o que realmente assombra o visitante é que o templo está totalmente decorado com pinturas ao fresco, tanto nas paredes, quanto na cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é um perfeito exemplo do ilusionismo barroco, em que as pinturas se unem à arquitetura e à escultura dos retábulos, criando um colorido efeito teatral, de movimento. Neste período artístico, havia uma estreita relação entre Liturgia e Teatro, que propiciava um ambiente religioso que envolvia os fiéis, ajudando-os a desenvolver sua espiritualidade, com pinturas que refletiam as histórias dos mártires e dos santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas da cúpula, por ex., retratam a Apoteose de San Antonio, que ascende aos céus rodeados de anjos. Esta parte da cúpula foi pintada por Juan Carreño de Miranda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARodeando a cena principal, uma série de elementos arquitetônicos, como colunas, dão um “suporte” à representação, e foi pintada por Francisco Rizi. Os muros curvos da igreja foram pintados por Luca Giordano, que retratou vários milagres de San Antonio. O Altar Maior está presidido, no centro, por uma excelente escultura de San Antonio com o menino Jesus, obra prima de Manuel Pereira (1631), cercado por um grupo de seres angelicais, realizado por Francisco Gutiérrez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO tema dos anjos foi um dos preferidos pelos artistas do séc. XVII, que neles expressavam sentimentos de alegria e força, em contraponto às dramáticas cenas da paixão ou dos martírios dos santos. Ao redor do altar maior, foram colocados 6 altares realizados por vários artistas, entre os quais o próprio Luca Giordano, dedicado ao calvário. Sem dúvida, é o melhor de todos, pelo dramatismo da cena. Na parte inferior, vemos uma talha com a Virgem de la Soledad (solidão).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pintor italiano realizou também, em 1694, um quadro de Santa Ana com a Virgem ainda menina, e San Joaquim, que olha para o céu agradecendo pela escolha de sua filha como mãe de Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro de seus quadros representa a San Carlos Borromeo curando os enfermos. Na parte superior, vemos um retrato de Carlos II e, sobre o altar, uma imagem do arcanjo San Rafael.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior de todos os retábulos, foram pintados retratos de reis e rainhas de Espanha, obra de Francisco Ruiz de la Iglesia. Abaixo, vemos a imagem de Felipe IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1701, a igreja e o hospital passaram a ser propriedades da Hermandade do Refúgio, instituição que prestava auxílio aos necessitados de Madrid. Os reis espanhóis sempre pertenceram à instituição, como o atual rei Juan Carlos e sua esposa, D. Sofia, que nela ingressaram em 1990. A Igreja de San Antonio de los Alemanes foi declarada Monumento Nacional em 1972.

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Catedral Nova de Plasencia

A Catedral Nova de Plasencia está dedicada a Asunçao de Nossa Senhora. Conforma, junto com a Catedral Antiga, a silueta arquitetônica mais conhecida da cidade.

De estilo renascentista, no exterior o templo possui duas portadas de interesse. A Portada Norte corresponde à porta principal da catedral.

O desenho e a execução de sua parte inferior pertencem ao mestre Juan de Ávila, que realizou a obra no estilo plateresco, variedade do Renascimento Espanhol. Ávila se encontrou com um espaço gótico de tendência vertical, ao qual era complicado esculpir estruturas ornamentais renascentistas de caráter horizontal. O problema foi solucionado colocando, entre os contrafortes, quatro corpos clássicos com suas correspondentes colunas. A bela decoração que adornam os muros e seu rico conteúdo iconográfico convertem esta estrutura em uma jóia do patrimônio artístico espanhol.

Em sua parte superior, interveniram grandes mestres da época, como Diego de Siloé e Rodrigo Gil de Hontañón. Na parte alta da porta, os canteiros deixaram gravada a data de sua finalização: “Em 1558 se terminou esta portada”.

A portada Sul forma um magistral conjunto com a Torre da Catedral Antiga e a Torre do Melão, que coroa a sala capitular, também da catedral velha. Denominada Porta do Enlosado, possui uma estrutura clássica e a combinação com as demais elementos proporciona um “livro aberto”, um manual de estudos de arquitetura.

O interior do templo está inundado de dourado, cor que na cultura crista está relacionada à Luz Celeste e à divindade.

O Retábulo Maior é barroco e está composto por 3 partes. Nele se fundem arquitetura, escultura e pintura, com o objetivo de atrair o olhar dos fiéis à sua contemplação. A parte escultórica é obra do mestre Gregório Fernández. O conjunto desenvolve temas próprios da Contra-reforma.

Em sua parte inferior, vemos a Paixão de Cristo. Sua parte central está representada pelo momento em que a Virgem, padroeira da catedral, é elevada ao céu em meio de um coro de anjos.

O calvário compõem as imagens da parte superior. Em quanto às pinturas, destacam os quadros de Francisco Rizzi, Anunciação e Adoração dos Pastores.

No presbitério, vemos o sepulcro de Ponce de León, bispo desta diocese no séc. XVI.

Em frente ao sepulcro, situa-se a Porta da Sacristia, realizada por Francisco de Colônia e Juan de Ávila em estilo plateresco.

Nas naves laterais, encontramos dois retábulos de estilo churrigueresco, típicos do barroco espanhol.

O Coro é outro dos tesouros da catedral. Feito de madeira de nogal por Rodrigo Alemán a finais do séc. XV, foi realizado para a Catedral Antiga e adaptado posteriormente ao local que ocupa atualmente.

O maravilhoso órgão está classificado dentro do grupo de instrumentos românticos de princípio do séc. XX. A caixa do órgão, porém, é barroca do séc. XVII e contém figuras de pedra ricas em expressão e movimento. Representam os símbolos da música. À esquerda, vemos a estátua de Jubal, pai dos tocadores de cítara e flauta e, à direita, a estátua de Orfeu com a Lira.

Abaixo, outras fotos da catedral.

Com estas fotos, concluímos a série de post dedicadoa à cidade de Plasencia. Espero que tenham gostado, e nao deixem de conhecê-la, quando venham à Espanha. Vocês, como eu, se surpreenderao…