Um Passeio por Valencia

No post de hoje faremos um passeio pelo Centro Histórico de Valencia, descobrindo seus lugares mais representativos do ponto de vista histórico, e conhecendo também o legado relacionado com alguns de seus personagens principais. Um deles nos remonta à época romana, momento em que aparece a figura de San Vicente Mártir, que foi martirizado por defender a fé cristã no ano de 304 dc. É possível visitar a prisão onde recebeu o martírio, transformada numa capela. O local conserva a coluna que, segundo a tradição, o santo foi torturado. San Vicente Mártir tornou-se o padroeiro da cidade de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco mais de mil anos depois, nasce em Valencia outro Vicente de grande importância religiosa, San Vicente Ferrer (1350/1419). Pertencente à Ordem Dominicana, sua voz de predicador ressoou pelas ruas da cidade, sendo venerado pelos seus habitantes. Abaixo, vemos uma estátua em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém podemos ver sua representação na coleção pictórica do Museu Catedralício, num quadro realizado pelo pintor valenciano Joan Reixach entre 1455 e 1459. San Vicente Ferrer é representado de corpo inteiro em atitude de predicação, e vestido com o hábito branco e negro, próprio dos dominicanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o edifício construído sobre a casa natal do santo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO período gótico foi uma época de grande prosperidade para Valencia, como vimos em matérias anteriores. Em algumas mansões aristocráticas o estilo combinou-se com a corrente artística subsequente, o Renascimento, caso do Palácio de Benicarló, construído no final do século XV e princípio do XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtual sede das Cortes de Valencia, sua construção foi ordenada pelo Duque de Gandia, membro da conhecida família dos Borja (Borjia, em italiano), cujo personagem mais destacado foi Rodrigo de Borja, que se tornou papa entre  1492 e 1503, com o nome de Alejandro VI. Por este motivo, o edifício também é conhecido como Palácio dos Borja. No século XX, este palácio teve um papel significativo durante a Guerra Civil Espanhola, pois entre 1936 e 1937 Valencia tornou-se a capital do Governo Republicano, e o Palácio de Benicarló transformou-se na sede do governo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia adquiriu um grande protagonismo durante a etapa renascentista, pois foi a porta de entrada deste estilo artístico italiano na Espanha. O primeiro livro editado no país se imprimiu na cidade em 1474, e se encontra na Biblioteca da Antiga Universidade de Valencia. Esta instituição cultural fundamental, de grande prestígio atualmente, foi fundada em 1499. Seu edifício histórico situa-se na Plaza del Patriarca. Para sua construção, o conselho da cidade adquiriu várias casas localizadas nas proximidades, encarregando o arquiteto Pere Compte para que realizasse o projeto. É considerada uma das mais antigas e importantes do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada que dá para a praça foi colocada uma bela fonte em 1966, realizada por Javier Goerlich. No centro desta estrutura de aspecto clássico, foi colocada uma estátua  de mármore branco que representa uma figura feminina, símbolo da sabedoria. A ambos lados, 4 estátuas de bronze representam o Papa Alejandro VI, que expediu a bula fundacional da universidade em 1501, o reitor vitalício Vicente Blasco Ibáñez, e os Reis Católicos. Na parte superior da fonte, vemos a inscrição SPQ Valentinus, que significa “Em nome do Senado e do Povo de Valencia”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto atual desta universidade pública pertence ao período neoclássico, como podemos observar na fachada principal e no claustro maior. No centro do mesmo, vemos um monumento em homenagem ao filósofo, humanista e pedagogo valenciano Joan Lluís Vives (1493/1540), obra realizada por Josép Aixá em 1880.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas galerias do claustro foram colocadas lápides comemorativas de alguns fatos históricos de relevância do país, como a heróica resistência da cidade de Zaragoza durante o assédio das tropas de Napoleão no começo do século XIX (episódio conhecido como Os Sítios de Zaragoza).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de constituir a sede institucional e também da Reitoria, o Edifício da Antiga Universidade alberga um centro cultural, com um interesse programação cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm minha visita à cidade, tive a ocasião de ver uma maravilhosa exposição sobre a Guerra Civil Espanhola, com fotos que mostram diversas facetas do conflito. Por exemplo, na imagem abaixo vemos uma reunião de mulheres comunistas militantes que protestam para que os homens participassem nas frentes de batalha da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA população de Valencia observa atônita os ataques aéreos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor primeira vez se realizou uma exposição sobre um dos símbolos da República Espanhola, a Revista La Traca. Publicada em Valencia entre 1909 e o final da república, tornou-se a revista de maior tiragem do país, e também uma das mais polêmicas. Seu proprietário, Vicente Miguel Carceller, era o principal editor da Espanha na época. Devido à sua atitude antifacista, a circulação desta revista satírica e anticlerical foi proibida por Franco, e Vicente Miguel Carceller, fusilado em 1940. O recente atentado a uma editorial em Paris teve seu antecedente em Valencia, 77 anos atrás…

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Palace Hotel – Madrid

A finais do séc. XIX,  os avances técnicos e a qualidade do transporte ferroviário espanhol estimularam uma maior quantidade de turistas a Madrid. Para acomodar os turistas de alto poder aquisitivo, era necessária a construção de um hotel que estivesse a altura da capital espanhola. Por este motivo, nasceu um dos hotéis mais exclusivos e de maior história da cidade, o Palace.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO novo estabelecimento foi, na verdade, um pedido pessoal do rei Alfonso XIII ao empresário de origem belga George Marquet, para que fosse o responsável de sua construção. Este confiou as obras à empresa Leon Monnoyer et Fils que conseguiu, num prazo de apenas 15 meses, levantar toda a estrutura do edifício. Para alcançar este logro, foi empregado um material que representava toda uma novidade na época, o concreto armado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA localização do hotel não podia ser mais favorável, entre as Praças de Canovas del Castillo e a Praça das Cortes, situadas em frente ao Paseo do Prado. O Hotel Palace inaugurou-se em 1912 e com 400 quartos foi considerado o maior do continente, na época. O local escolhido esteve ocupado anteriormente pelo Palácio dos Duques de Medinaceli, derrubado em 1895.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1914 foi premiado como o melhor edifício realizado na cidade. O hotel inovava com a presença de telefones em cada uma de seus quartos. Logo depois, George Marquet adquiriu o Hotel Ritz (cuja imagem vemos abaixo), situado do outro lado do Paseo del Prado, e seu maior concorrente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ritz foi construído poucos anos antes que o Palace, e nele hospedavam-se personalidades famosas que reservavam quartos durante prolongadas estadias na cidade. Um deles é um velho conhecido dos brasileiros, Alberto de Santos Dumont. Durante os dois conflitos mundiais que devastaram o continente,a neutralidade espanhola favoreceu a vinda da realeza e da alta burguesia à capital, fazendo com que ambos hotéis estivessem sempre repletos. Esta situação fez com que o Palace fosse denominado como “O último reduto da civilização”. Na foto a seguir, vemos a entrada do hotel, e detalhes de sua decoração externa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo hall de entrada, uma placa comemora a rapidez de sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArquitetonicamente, a fachada pertence à corrente denominada ecleticismo, e foi inspirada nos hotéis parisienses da época. Em sua famosa cervejería, era habitual a presença de políticos, graças a proximidade com o Congresso de Deputados, e de artistas, entre os quais Garcia Lorca, Salvador Dali e Luis Buñuel. Durante o período compreendido pela Guerra Civil (1936/1939), a clientela diminuiu bruscamente, e uma parte do edifício acolheu a Embaixada da União Soviética na cidade. O resto do edifício foi transformado em Hospital de Sangue para os milhares de feridos que se produziam diariamente na capital. Ao final da contenda, George Marquet recuperou sua função original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante os anos 40, o Palace foi um dos centros mais populares do país para a aprendizagem do ofício de Barman. Neste período, uma lista interminável de toureiros famosos, artistas e personalidades do cinema americano começam a aparecer habitualmente nas listas de hóspedes do hotel (entre outros, Nijinsky, Picasso, Orson Wells, Rita Rayworth, Ava Gardner, etc). Nos anos 50, o hotel alcançava enorme popularidade, graças ao centralismo administrativo da ditadura de Franco, que obrigava a pessoas com negócios e títulos que viajassem a Madrid para o cumprimento de qualquer trâmite que necessitassem. No interior, podemos conhecer um espaço circular denominado Jardim de Inverno, construído no estilo Art Noveau.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local está coberto por uma maravilhosa cúpula de cristal, permitindo a entrada de luz natural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm torno a ele, estão situados os salões e restaurantes do hotel. Pelo menos uma vez na vida, vale a pena tomar uma cerveja no jardim (por certo, bem cara…), e admirar sua beleza. O auge econômico dos anos 60 e 70 devido ao incremento do turismo, além da abertura do país ao exterior, provocou uma nova onda de turistas. Se introduz uma novidade em suas dependências, o Ar Condicionado. Com a construção de novos grupos hoteleiros, a concorrência aumentou e o hotel passou de propriedade da família Marquet ao grupo Starwood, que adquiriu o imóvel pela quantia de 385 milhões de euros.

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Paseo da Castelhana – Madrid

O Paseo da Castelhana (Paseo de la Castellana, em espanhol) é uma das artérias viárias mais importantes, largas e de maior extensão de toda a cidade de Madrid. Prolongação natural do Paseo de Recoletos, forma junto com o Paseo do Prado o eixo que une as partes sul e norte da capital. Seu intenso tráfico é distribuído por 6 faixas centrais e 4 laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu trajeto corresponde ao curso de uma antigo riacho que atravessava a zona. Inicia-se na Praça de Colón e termina na Praça Castilla. A continuação do eixo Prado-Recoletos já se previa na época da regência de Maria Cristina de Borbón, viúva do rei Fernando VII. No princípio, denominava-se Paseo Novo das Delícias da Princesa, em homenagem à futura rainha Isabel II, filha de Maria Cristina. Finalizada em 1834, logo sucederam-se as reformas de ampliação, como as realizadas em 1846 e principalmente em 1857, quando um novo plano de alargamento da via a converteu na principal avenida do eixo.norte-sul.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, uma comissão técnica aprovou um projeto que incluísse 6 novas praças, que colaborou para embelezar a região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, o Paseo da Castelhana deteriorou-se com o conflito da Guerra Civil. Em 1941, Franco elaborou um Plano Geral de Ordenação Urbana da cidade, propondo uma  nova prolongação, denominada agora de Avenida del Generalísimo, utilizada sobretudo para os grandes desfiles militares, nome que ostentou de 1952 a 1981. Abaixo, vemos uma foto da avenida, tirada em 1958.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte dos palácios construídos como residência da nobreza madrilenha foram derrubados até os anos 70 do século passado. Abaixo, um dos escassos exemplos sobreviventes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o Paseo da Castelhana tornou-se um centro financeiro, político e cultural de primeira grandeza. Nele encontra-se a sede do Museu de Ciências Naturais e da Escola Técnica Superior de Engenheiros Industriais, cujo edifício foi construído entre 1881/1887, como um palácio para a Exposição Nacional de Arte e Indústria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo hall de entrada do edifício da escola técnica, vemos uma máquina à vapor de finais do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos jardins situados em frente da escola-museu, observamos um monumento em homenagem à rainha Isabel “La Católica“. Inaugurado em 1883, foi realizado pelo escultor catalão Manuel Oms y Canet.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa coluna  que sustenta a escultura, vemos uma inscrição que diz:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da rainha, vemos duas figuras fundamentais de seu reinado. A primeira representa um personagem militar, no caso, Gonzalo Fernández de Córdoba, denominado de “El Gran Capitán”, pois é reconhecido como o militar de maior prestígio na Europa do séc. XV. Participou da Guerra Civil que levou Isabel ao trono de Castilla, bem como nas conquistas de Granada e Nápoles, que passaram a fazer parte do território espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro personagem é o Cardeal Pedro González de Mendoza, arcebispo de Sevilha e Toledo, cuja enorme influência fez com que fosse chamado de “Terceiro Rei de Espanha”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo jardim, uma outra escultura, desta vez moderna, constitui uma homenagem do povo de Madrid à Constituição de 1978, realizada pelo arquiteto Miguel Ángel Ruiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, seguiremos conhecendo o Paseo da Castelhana

O Alcázar e o Eslava – Madrid

Hoje veremos mais dois teatros emblemáticos da cidade de Madrid, tao importantes como os vistos nos posts anteriores. Situado na Calle Arenal, que une a Porta do Sol com a Praça de Isabel II, o Teatro Eslava foi inaugurado em 1871. Sua construçao foi promovida pelo empresário Bonifácio Eslava, irmao do músico Hilarión Eslava,  que encarregou o projeto do edifício ao arquiteto Bruno Fernández de los Ronderos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom capacidade para 1.200 espectadores, no início foi destinado para sala de concertos. Dois anos depois, porém, sua parte inferior transformou-se num café, enquanto em suas plantas superiores eram apresentadas obras de caráter mais “atrevido”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, o entao proprietário do local, José Leyva, decidiu mudar a imagem do teatro, que passou a incentivar estréias de Zarzuelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1923, ocorreu um fato trágico no teatro, quando o dramaturgo Luis Antón de Olmet foi assassinado pelo escritor Alfonso Vidal y Planas, durante uma de suas representaçoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local sofreu reformas em 1950 e 1979, que nao impediram seu fechamento em 1981. Atualmente, o edifício foi transformado na Discoteca Joy Eslava, uma das mais badaladas da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém castigado por uma tragédia, o Teatro Alcázar situa-se na Calle de Alcalá, e foi construído segundo o projeto de Eduardo Sánchez Eznarriaga, que nao chegou a ver finalizada sua obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 1925, o Teatro Alcázar foi assim chamado até 1940, quando o regime de Franco proibiu locais públicos com nomes de origem estrageiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo começo da década de 30, funcionou também como cinema, sendo uma das primeiras salas a incorporar projetores sonoros. No entanto, grande parte de sua história está ligada ao Teatro de Revista, no qual teve papel preponderante a atriz Celia Gámez (1901/1992).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mencionado e trágico incidente ocorreu em 1983, quando funcionava na parte inferior do edifício uma sala de festas denominada Discoteca Alcalá 20. Um terrível incêndio assolou suas dependências, que estava lotada. O saldo de 82 pessoas falecidas provocou um escândalo nacional, que promoveu um debate a respeito das regras de segurança em locais públicos, tao deficientes no momento do ocorrido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2013, o teatro sofreu outro incêndio que afetou sua estrutura superior. Felizmente, desta vez, nao houve vítimas. Abaixo, vemos umas imagens do hall de entrada do Alcázar.

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Portas Monumentais de Madrid – Parte 5

Neste último post dedicado às Portas Monumentais de Madrid, veremos a Porta de Toledo e o Arco da Vitória.

A Porta de Toledo foi a última construída no antigo centro da cidade. A que vemos atualmente é a terceira com este nome, sendo que as duas anteriores localizavam-se nas proximidades da atual. A primeira foi erguida no séc. XV e a segunda no séc. XVII, quando foi construída a denominada cerca de Felipe IV. Porém, destas portas anteriores pouco se sabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA atual data do primeiro terço do séc. XIX, de estilo neoclássico e sua construção foi ordenada por Napoleão, como um arco triunfal que celebrou a tomada de Madrid pelo exército francês, colocando no poder espanhol a José I, irmão de Napoleão, que permaneceu no trono de 1808 a 1813. Quando afinal os franceses foram expulsos do país, a porta converteu-se num símbolo da independência, cujo resultado imediato foi o retorno do rei Fernando VII. A Porta de Toledo assemelha-se com a de Alcalá, e foi construída com pedra granítica e está formada por 3 vaos.

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Sobre o arco central, vemos uma escultura que representa uma alegoria de Espanha, portando o escudo de Madrid e, a seu lado, uma personificação das artes, que simbolizam as províncias do estado espanhol. Lemos em uma de suas inscrições:

“A Fernando VII o desejado, pai da pátria, restituído a seu povo, finalizada a usurpação francesa, a Prefeitura de Madrid consagrou este monumento de fidelidade, triunfo e alegria. Ano de 1827.”

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta serviu como uma entrada monumental à cidade e formava um eixo com a Ponte de Toledo, levantada pelo arquiteto barroco Pedro de Ribera, e ainda conservada (para saber mais sobre as pontes de madrid, vejam o post publicado em 18 de Abril de 2012).

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A porta foi construída pelo arquiteto Antonio Aguado e debaixo dela foram colocados um cofre de moedas, calendários e a constituição da época de José I. Anos depois de sua saída de Espanha, a prefeitura da cidade desenterrou seu conteúdo e, em seu lugar, colocou a constituição de 1812, além de algumas medalhas de Fernando VII. Quando o rei aboliu o texto constitucional, mandou que fosse desenterrado.

No séc. XIX, foi proibido o acesso de animais ao recinto da cidade, que não fosse realizado pela Porta de Toledo. Assim, a região transformou-se com o enorme tráfico de gado que circulava pelas proximidades da porta.

A obra foi restaurada por última vez em 1995 e como atualmente está situada no meio de uma giratória, não existe mais o passo de pessoas nem de veículos por ela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de não constituir uma porta monumental como as demais, resolvi incluir o Arco da Vitória pela semelhança estrutural que apresenta. Também chamada Porta de Moncloa, ou simplesmente Arco do Triunfo, foi construída entre 1950/1956, como uma obra comemorativa relacionada à vitória do exército nacionalista durante a batalha da Cidade Universitária, sucedida em plena Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom 40m de altura, o arco foi projetado pelos arquitetos Modesto López Otero e Pascual Bravo Sanfeliú e sua esculturas foram realizadas por Moisés de Huerta (frisos alegóricos) e os irmaos Ramón Arregui e José Ortells (quadriga de Minerva). O arco foi levantado no próprio local da batalha, que durou de novembro de 1936 a março de 1939.

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O arco está um pouco abandonado e pouca gente o valoriza, por seu significado político. De fato, é um dos poucos monumentos remanescentes da época franquista. Possivelmente, seu próprio tamanho é o motivo pelo qual permanece ainda de pé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto de abaixo, vemos ao fundo o Farol de Mancloa, o nome como é conhecida a torre de iluminação e comunicação da Prefeitura de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post comentando que para que a série de Portas Monumentais ficasse realmente completa, seria necessária a visualização da Porta de Hierro (ferro). Porém, a  localização impede sua contemplação e tirar fotos é uma tarefa impossível, pois está situada no meio da estrada, sem possibilidades de chegar a ela caminhando ou mesmo de carro, já que não há locais para estacionamento.

Edifícios de Madrid

Com este post, iniciamos uma série dedicada aos edifícios mais representativos de Madrid. Hoje, veremos dois deles. Ainda que ambos foram construídos no séc. XX, apresentam estilos completamente distintos.

Situado na esquina entre as calles de Alcalá e Gran Via, o Metrópolis é seguramente um dos edifícios mais fotografados da capital espanhola.

Para sua construção, foi realizado um concurso internacional, cujos vencedores foram os arquitetos franceses Jules e Raymond Février, embora a obra fosse concluída pelo espanhol Luis Estéve.

Iniciado em 1907 e inaugurado em 1911, sua arquitetura foi inspirada nos modelos franceses, tão em voga na época, e foi realizado para a companhia de seguros La Unión y El Fênix.

As plantas superiores foram construídas no estilo neorenascentista, e estão adornadas com colunas coríntias e estátuas alegóricas representando o comércio, agricultura, indústria e metalurgia, criadas pelos escultores Saint Marceaux e L.Lambert.

A torre circular está composta por uma cúpula com incrustações douradas. Originalmente, suportava o símbolo da empresa, uma estátua de bronze que representava a ave Fênix, sobre a qual havia uma figura humana com o braço alado simbolizando a Ganimedes.

A princípios dos anos 70, a companhia vendeu o edifício ao seu proprietário atual, a também empresa de seguros Metrópolis. A antiga estátua foi levada ao moderno edifício da empresa Fênix, situado no Paseo de la Castellana, e substituída pela atual, que representa a Vitória Alada, escultura de Federico Coullaut. Abaixo, vemos o edifício da empresa no Paseo de la Castellana e sua inconfundível estátua.

Desde que a companhia Metrópolis tornou-se proprietária do imóvel, o edifício sofreu várias restaurações, necessárias num local propício à contaminação ambiental e às pombas….Foram realizadas 5 reformas, além da instalação de uma iluminação noturna, com fama de ser das melhores da cidade.

Na foto que segue, podemos admirar a porta de entrada do edifício, belamente decorada.

A tradição da existência de portas urbanas em Madrid vem da época em que a cidade estava rodeada por muralhas, como a Puerta del Sol, por ex. Com o desenvolvimento urbanístico, em vez de locais de acesso, as portas se tornaram elementos comemorativos ou alegóricos. Em época contemporânea e fiel a esta tradição, Madrid incluiu em sua paisagem urbana a Porta de Europa. As duas torres que a conformam são conhecidas como Torres KIO, em homenagem à empresa promotora da obra, Kuwait Investments Office.

Situadas ao norte do Paseo de la Castellana, na conhecida Plaza de Castilla, ambas torres se elevam com uma inclinação de 15 graus com relaçao à vertical. São consideradas a segunda torres gêmeas mais altas de Espanha, com 114m de altura e 26 andares, sendo superadas apenas pelas torres de Santa Cruz, localizadas em Tenerife. Foram projetadas em 1989 e inauguradas simultaneamente em 1996, e foram os primeiros arranha-céus inclinados que se construíram no mundo.

Seu arquiteto, o americano Philip Johnson, foi o primeiro em receber o Prêmio Pritzker em 1979, considerado o Nobel da arquitetura. Discípulo do influente arquiteto Mies Van Der Rohe, ele e seu sócio, John Burgee, decidiram realizar um projeto que rompesse com o conceito de Desenho Lineal. Em uma de suas visitas às torres em 1996, afirmou: “Há que acabar com o ângulo reto, se não queremos morrer de aborrecimento…”. O projeto foi baseado num desenho do russo Alexander Rodchenko.

O segredo de sua construção baseia-se em que a maior parte de seu peso descansa sobre um eixo central composto de concreto armado e aço, enquanto a parte inclinada é muito mais leve. Para compensar a pressão de sua inclinação, um sistema de cabos une a parte alta do edifício com um contrapeso subterâneo situado no lado oposto.

As torre foram compradas pela Caja Madrid, uma instituição financeira, e pela Realia, uma empresa mobiliária, que instalaram em cada uma das torres seus logotipos. A torre da esquerda se conhece como Porta de Europa I, e a da direita, como Porta de Europa II. Para evitar confusões, a primeira dispõe de um heliporto pintado de azul, enquanto a segunda, de um heliporto vermelho.

A fisionomia da Plaza Castilla transformou-se em 2009, com a construção do Obelisco da Caja Madrid, em comemoração ao seu terceiro centenário. Este foi o primeiro projeto do internacionalmente reconhecido arquiteto valenciano Santiago Calatrava.

Completando a paisagem da praça, vemos a um monumento em homenagem ao político assassinado José Calvo Sotelo, feito de concreto armado. Inaugurado em 1960 pelo General Franco, se converteu num dos símbolos do regime franquista.

Convento de San Marcos – León

O Convento de San Marcos é uma das jóias da arquitetura leonesa, junto com a catedral e a Basílica de San Isidoro. É considerado um dos monumentos mais significativos do Renascimento Espanhol.

Sua origem se remonta ao séc. XII (1152), na época do rei Alfonso VII, quando a infanta Sancha de Castilla realizou uma doação destinada a construção de um edifício que pudesse hospedar os “pobres de Cristo”, convertendo-se num templo-hospital de refúgio para os peregrinos que faziam o Caminho de Santiago. No séc. XVI, este edifício foi derrubado para o erguimento de um novo, graças às doações feitas por Fernando El Católico.

Sua fachada é um expoente do estilo Plateresco e começou a construir-se em 1515. Está decorada com medalhões e estátuas que exaltam a monarquia, misturadas com motivos jacobeos e personagens do mundo clássico. O espaço central, que divide a fachada em duas é uma remodelação feita no período barroco, sobre a qual há uma estátua de Santiago Matamouros.

A torre foi levantada posteriormente, em 1711/1714, e no alto vemos a cruz de Santiago.

A igreja é de estilo gótico hispano tardio, comumente conhecido como estilo Reis Católicos. Finalizada em 1541, possui uma ampla nave e as bôvedas são de crucería.

O retábulo maior é do séc. XVIII. O coro foi realizado por Guillermo Doncel e Juan de Juni em 1542.

Acima, vemos a concha, símbolo principal do Caminho de Santiago.

O claustro, do séc. XVI, foi levantado em dois níveis por Juan de Badajoz, El moço.

O conjunto de  estátuas que adornam o templo é de indiscutível elegância.

As portadas e os sepulcros estao ricamente esculpidos.

Ao longo de sua história, o edifício teve uma enorme variedade de usos, principalmente depois que deixou de ser convento em 1836, destacando os seguintes:

– Prisão: um de seus “residentes” mais ilustres foi Francisco de Quevedo.

– Quartel de cavalaria.

– escola de veterinária, hospital penitenciário e campo de concentração de prisioneiros republicanos durante a Guerra Civil e o período do pós guerra mundial. Foi um dos estabelecimentos repressivos mais severos e saturados da Espanha franquista, alcançando uma população reclusa de 6.700 homens.

– Min. Guerra, Fazenda e Educação.

Atualmente, o edifício é utilizado de várias formas:

– Igreja

– Museu Arqueológico Provincial

– Hotel de categoria 5 estrelas da rede de Paradores Nacionais, que exibe em seu interior uma grande coleção de obras de arte.