Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Gijón Monumental

No meu primeiro dia em Gijón, o tempo não estava muito convidativo para aproveitar a praia, assim decidi dar uma volta e conhecer os principais pontos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPerto do meu hotel localizava-se a Igreja de San Lorenzo, que me surpreendeu por ter sido construída por Luis Bellido y González, um dos arquitetos fundamentais da passagem do séc. XIX para o XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada no gótico espanhol, foi erguida entre 1896 e 1901, num inconfundível estilo histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO belo e cuidado jardim situado em frente da igreja embeleza ainda mais o lugar….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos monumentos mais conhecidos de Gijón é o Palácio de Revillagigedo, também denominado do Marquês de San Esteban del Mar de Natahoyo. O edifício é um exemplo da arquitetura palaciana realizada no Principado de Asturias no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO marquês ordenou sua construção em 1704, aproveitando a existência de uma torre medieval gótica (séc. XV, situada à direita da foto).

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois da construção do palácio, a família do marquês recebeu o título de Condes de Revillagigedo. A torre da esquerda foi edificada para manter a simetria do conjunto. Seu corpo central caracteriza-se por sua abundante decoração, em contraponto com a austeridade das torres. O palácio foi declarado Bem de Interesse Cultural em 1974.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do palácio encontra-se a Colegiata de San Juan Bautista, concluída 15 anos depois do palácio.

20150722_201944Um dos personagens históricos mais importantes do panorama cultural de Gijón foi o escritor, jurista, político e ilustrado espanhol Gaspar Melchor Jovellanos (1744-Gijón/1811-Puerto de Vega), que foi merecidamente homenageado com uma estátua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO principal teatro da cidade também recebeu seu nome….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReferente cultural de Gijón, o Teatro Jovellanos foi inaugurado em 1899 com o nome de Teatro Dindurra. Durante a Guerra Civil Espanhola, foi reduzido a escombros e reconstruído em 1939, já com o seu nome atual. Meu passeio pela cidade me levou à Plaza Mayor, cuja entrada está dominada por um belo edifício decorado com esgrafiados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo normalmente ocorre nas grandes praças maiores de Espanha, em Gijón o Edifício do Ayuntamiento (prefeitura)  preside a praça, ponto de encontro dos cidadãos da cidade e de seus filhos também…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi construído em 1858 pelo arquiteto Andres Coello no estilo neoclássico. Depois de muito andar, resolvi repor as energias e para isso, nada melhor que um belo copo de vinho e uma porção de chorizo…para começar !!!

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Daroca Românica e Mudéjar

O patrimônio monumental da histórica cidade de Daroca é um dos mais importantes de toda a Comunidade de Aragón. Apesar de ter perdido ao longo dos séculos igrejas, sinagogas, fontes, etc, a vila possui catalogados cerca de 200 edifícios de interesse histórico e artístico. Entre eles, destacam suas igrejas de estilo românico e mudéjar, algumas delas consideradas como as mais antigas de toda a comunidade aragonesa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADas 3 igrejas que vamos ver no post, duas delas (Igreja de San Juan e de Santo Domingo) compartem históricamente características comuns. Construídas inicialmente no estilo românico (séc. XII), as obras foram interrompidas por problemas econômicos, sendo concluídas somente no século seguinte, quando são adotados elementos construtivos mudéjares. A importância e singularidade do Mudéjar de Aragón foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santo Domingo foi iniciada pelo ábside na segunda metade do séc. XII. Sua torre, edificada no final do séc. XIII e princípios do séc. XIV, é considerada a mais antiga do mudéjar em Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela podemos observar nitidamente a mudança dos elementos construtivos. Sua parte inferior construída em pedra pertence ao estilo românico, enquanto em sua parte central e superior foi utilizado o tijolo, característico dos artesãos mudéjares que a construíram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIV, foi acoplada à torre e ao ábside a igreja que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs janelas da torre possuem características da tradição muçulmana. Abaixo, vemos uma imagem do ábside.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santo Domingo foi erguida sobre uma das mesquitas de Daroca. Em seu ábside combinam-se os elementos de ambos estilos, românico e mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos a porta de entrada do templo, com um arco de clara influência islâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Miguel é o templo da cidade que conserva de modo mais intacto sua construção românica original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEdificada também no séc. XII, sua construção prolongou-se até a época barroca. A portada românica está formada por cinco arcos e um tímpano em que somente intuímos os elementos do desaparecido relevo com a imagem da majestade de Cristo, envolto numa mandorla, e rodeado dos 4 evangelistas e seus símbolos, conhecidos em conjunto como Tetramorfos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior guarda maravilhosas surpresas ao visitante. Entre 1518/1520 foi construído o coro, cujo teto coberto com bôvedas estreladas é típico da fase final do gótico espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Miguel pertence ao estilo românico denominado de transição, em que as formas puras do estilo combinam-se com elementos que anunciam a chegada do gótico. No interior podemos observar arcos de ambas tendências. O chamado Arco de Meio Ponto ou semicircular é típico do românico, enquanto o Arco Ojival é uma característica do gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO maior destaque do templo, porém, é o excepcional conjunto de pinturas góticas que conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas representam, como motivo central, a Coroação da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo conjunto observamos 12 anjos músicos, com seus instrumentos antigos. Esta tradição musical, representada nas pinturas, foi materializada com o Festival de Música Antiga, que se celebra todos os anos no mês de agosto. O ambiente da cidade, mágico por si só, torna-se extraordinário, com os artistas ensaiando por todas as partes da cidade para os concertos realizados à noite, em suas igrejas.

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