Monastério de Uclés – Parte 2

Como comentei no último post, o Monastério de Uclés teve uma grande importância histórica na Espanha por ter sido a sede da Ordem de Santiago, uma das principais ordens militares e religiosas do país. A Ordem de Santiago foi fundada no século XII (ano de 1170) no antigo Reino de León, precisamente na cidade de Cáceres, atual Comunidade de Extremadura. Inicialmente, seu objetivo primordial era proteger os peregrinos que realizavam o caminho a Santiago de Compostela, onde se encontra o sepulcro do Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o tempo, a Ordem de Santiago acabou participando do processo de expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica, tendo um papel relevante nas guerras de reconquista. No Monastério de Uclés vivía o grande mestre da ordem, bem como muitos dos cavalheiros que pertenciam à instituição. O emblema da ordem era a Cruz de Santiago, que podemos observar em distintos locais do monastério, como no pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu na sacristía….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de uma cruz vermelha que simula uma espada com forma de flor de lis na empunhadura. Os cavalheiros da ordem  levavam a cruz estampada num estandarte e em sua capa branca. A espada representa o espírito guerreiro do Apóstolo Santiago e sua forma de martírio, pois foi decapitado com uma espada. Simboliza também “tomar a espada” em nome de Cristo. Abaixo, vemos a cruz numa das capelas da igreja do Monastério de Uclés, na qual podemos ver exposições sobre a história da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem de Santiago enriqueceu graças ao grande território que se estendia sobre seus domínios, principalmente pela região que atualmente conhecemos como Castilla La Mancha. Chegou a possuir mais propriedades que as ordens de Alcántara e Calatrava juntas, outras ordens importantes do país. Sua rápida propagação se deve a que suas regras eram menos rígidas que as demais, sendo a única em que os cavalheiros membros tinham o direito de casar. Além de suas amplas propriedades na Espanha, a Ordem de Santiago possuía terras em Portugal, França, Itália, Hungria e também na Palestina. Abaixo, vemos a sacristía do Monastério de Uclés, transformada numa capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1493, os Reis Católicos incorporaram as ordens militares-religiosas à Coroa da Espanha. Atualmente, constituem uma organização nobiliária religiosa e honorífica. Na sequência, vemos um quadro do Apóstolo Santiago retratado como peregrino…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a bela escada de acesso ao nível superior do pátio construído como se fosse um claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE um quadro da Imaculada Conceição que decora uma das paredes do interior do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto a ser salientado neste monastério é a grande quantidade de estilos artísticos que apresenta em sua construção, como vimos na matéria anterior. Sua fachada principal pertence ao século XVIII, e foi realizada por Pedro de Ribera, um dos maiores arquitetos barrocos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi concebida como se fosse um autêntico retábulo feito de pedra, caracterizado por uma rica decoração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1836, com o processo desamortizador dos bens eclesiásticos, a Ordem de Santiago teve que abandonar o monastério. No começo do século XX, o Monastério de Uclés transformou-se num colégio de educação secundária e depois num colégio de noviciados pertencente aos padres agostinhos. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, foi saqueado, convertendo-se num hospital. Com o término do conflito, acolheu uma penitenciária para presos políticos até 1943, em cujo período faleceram centenas de presos republicanos pelas más condiçoes a que eram submetidos, além da prática da tortura. Finalmente, com o fechamento da prisão, foi transformado num seminário.

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Monastério de Uclés – Prov. Cuenca

Antes de iniciar o primeiro post de 2020, gostaria de desejar um maravilhoso ano a todos vocês, repleto de harmonia, saúde e amor !!!! No final de 2019 realizei outras excursões organizadas por meus professores de história de Madrid e acompanhado por um grupo de 50 pessoas, sempre em busca de lugares de grande interesse histórico e artístico pela Espanha. O local escolhido numa delas incluiu uma cidade romana e um monastério que fazia tempo que tinha vontade de conhecer, situado na cidade de Uclés, que faz parte da Província de Cuenca, uma das províncias integrantes da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monastérios (mosteiros, em português) constituem instituições religiosas habitadas por monges em clausura. Também podem ser denominados Abadias (quando regidos por um abade) ou prioratos (dirigidos por um prior). O Monastério de Uclés, de grande importância histórica e religiosa no país, está situado no alto de um cerro, a cujos pés encontramos o povoado que dá nome ao monastério. Nesta pequena colina havia antigamente um castro celtíbero (pequeno povoado onde viviam tribos celtas que entraram em contato com os povos iberos, autóctonos do território espanhol). Séculos depois, os muçulmanos construíram no local uma fortificação, da qual se conservam apenas três torres e parte de sua muralha defensiva dupla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de Uclés faz parte de um grande complexo de construções realizadas em distintos períodos históricos, iniciando-se na época muçulmana e alcançando uma enorme importância como fortaleza propriedade da Ordem de Santiago, que o utilizou como sua sede principal, depois que a cidade de Uclés foi reconquistada pelo Rei Alfonso VIII, que acabou doando a antiga fortaleza a esta ordem religiosa da Espanha no ano de 1174.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Com o tempo, foram edificadas várias dependências nas quais viviam os membros da Ordem de Santiago, que se uniram à fortaleza inicial. Estas ampliações afetaram principalmente o sistema defensivo da fortificação, que em sua maior parte foi destruído. O Monastério de Uclés, tal como o conhecemos hoje, foi construído a partir de 1529, durante o reinado do Imperador Carlos I. Sua importância arquitetônica e artística se comprova pelos vários estilos da construção, relacionados ao prolongado tempo necessário até a finalização do conjunto monacal. Inicialmente, utilizou-se o estilo plateresco, que formou parte da primeira etapa do Renascimento na Espanha, caracterizado pela riqueza dos elementos decorativos. O projeto foi realizado por um arquiteto chamado Enrique Egas, de grande fama neste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o imenso pátio em forma de claustro do monastério, composto por 36 balcões distribuídos ao longo de seu perímetro. Foi construído no século XVII e apresenta dois níveis construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XVI se construiu a igreja no estilo herreriano, caracterizado pela austeridade decorativa. Este estilo deve seu nome ao arquiteto Juan de Herrera, famoso por ter sido o responsável principal do projeto do Monastério de El Escorial, situado próximo a Madrid. Por esta razão, o Monastério de Uclés é considerado como “El Escorial de La Mancha“. A igreja finalizou-se em 1602.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja foram sepultados vários membros relevantes da Ordem de Santiago, como Rodrigo Manrique e seu famoso filho, o poeta Jorge Manrique.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui apenas uma nave e um coro elevado. Em sua nave única se abrem capelas comunicadas entre si, onde podemos apreciar exposições sobre a Ordem de Santiago, além de várias obras artísticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior que presidia o Altar Maior era de estilo clássicos com tendências barrocas, mas foi danificado durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, e posteriormente reconstruído. O quadro central do retábulo foi realizado pelo pintor real Francisco Rizzi no século XVII, sendo recentemente restaurado. Nele aparece o Apóstolo Santiago, santo padroeiro da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Monastério de Uclés

 

 

Tarragona Moderna e Contemporânea

A partir do século XVI, se constroem em Tarragona novas fortificações para defender a cidade das constantes guerras e ataques de piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs epidemias continuavam assolando a cidade, provocando uma alta taxa de mortalidade, além do êxodo populacional. O porto sofreu graves prejuízos e acabou ficando abandonado, de forma que a atividade comercial foi desviada ao Porto de Salou. A economia entrou num período crítico, do qual se recuperou somente no século XVIII, quando se autorizou a reconstrução do porto, concedendo-lhe a permissão para comercializar livremente com o continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo plano cultural, a partir do século XVI os arcebispos da cidade desempenharam um importante papel em sua renovação. Muitos deles ocuparam cargos políticos, e dotaram a cidade de uma Universidade Literária. Por outro lado, as ordens religiosas realizaram abundantes atividades benéficas e educacionais. A chegada da água à cidade, impulsionada pelos religiosos, contribuiu de forma evidente para a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX, a Guerra da Independência, travada contra o exército de Napoleão, foi devastadora para Tarragona. Ocupada em 1811, o rastro de fome e miséria deixado após o conflito foi enorme.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa metade do século XIX, o crescimento econômico possibilitou reformas urbanas que acabaram transformando sua fisionomia. Em 1868, Tarragona deixou de ser uma praça forte, fato que permitiu a construção de novos edifícios situados fora do recinto de Muralha de San Juan, erguida no século XVI, que havia se convertido numa barreira entre a tradicional parte alta da cidade e o florescente bairro da marina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes, em 1854, se começou a derrubar uma parte da muralha medieval para que a cidade pudesse expandir-se. Neste ano, iniciou-se o projeto da Rambla Nova, que acabou convertendo-se no eixo comercial da cidade. Atualmente, a Rambla Nova é uma das mais importantes avenidas de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras no porto e no ensanche (processo de expansão urbana) provocaram a descoberta de vários restos arqueológicos de época romana, base da coleção do importante Museu Arqueológico de Tarragona. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, a cidade mais uma vez sofreu danos, desta vez devido aos bombardeios, e sua infraestrutura teve que ser novamente reconstruída. Na segunda metade do século XX, Tarragona transformou-se numa cidade industrial especializada no campo petroquímico, considerado o mais importante de toda a Espanha. Seu renovado porto torna-se o segundo do país em quantidade de toneladas anuais. A população aumenta graças à imigração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período, a partir do século XVI, podemos conhecer vários outros pontos de interesse na cidade, como a Casa Museu Castellarnau, um excepcional exemplo de residência nobre em Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no começo do século XV, nesta casa esteve hospedado o Rei Carlos I, durante uma visita à cidade em 1542. Conserva um interessante pátio gótico, e no século XVIII foi adquirida por um nobre chamado Carles de Castellarnau, que reformou o edifício. A casa hoje em dia é um museu e na visita contemplamos um estilo decorativo pertencente aos séculos XVIII e XIX.

DSC02057DSC02064Ao final da Rambla Nova, situa-se um maravilhoso mirante da cidade, com vistas ao porto, praias e monumentos relacionados com Tarraco, como o Anfiteatro Romano. Ficou conhecido como o Balcão do Mediterrâneo, nome escolhido por Emilio Castelar (1832/1899), político, escritor e jornalista espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado num acantilado ao borde do mar, uma zona ajardinada de forma elíptica evoca a fisionomia do Anfiteatro Romano, localizado junto ao mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO jardim foi plantado com várias espécies vegetais, entre as quais mencionamos a denominada “Trilogia do Mediterrâneo“, que constituía a base agrícola do mundo romano, o trigo, a uva e a oliva.

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Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Reus Modernista – Pere Caselles (Última Parte)

O extenso e variado legado do arquiteto modernista Pere Caselles i Tarrats em Reus incluiu não somente belos edifícios residenciais, como também muitas outras obras públicas. Neste último post sobre sua obra, veremos algumas delas. A Igreja de Sant Joan Baptista foi construída a partir de 1912 no estilo neogótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja permaneceu inacabada. Durante a Guerra Civil Espanhola, o templo foi queimado, motivo pelo qual teve que ser reconstruída nos anos 40 do século XX. Abaixo, vemos o projeto original do arquiteto para sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior, apesar das circunstâncias históricas, é muito interessante, como podemos observar nas fotos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva belos vitrais, como vemos no detalhe a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPere Caselles incorporou o estilo modernista na arquitetura industrial. Em 1906, executou o projeto de uma Estação Enológica, criada no ano anterior por decreto real. Inicialmente foi pensada como uma Escola Nacional de Agricultura, com o tempo passou a ser usada como um local para o desenvolvimento de técnicas para a obtenção do vinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO andar térreo foi destinado a oficinas, enquanto no primeiro andar situava-se a residência do engenheiro responsável e no andar superior para os demais funcionários. Em sua fachada foi colocada uma torre com finalidade não somente estética, mas devido a necessidade de poder abrigar instrumentos de observaçao metereológica. Em sua parte decorativa, vemos capitéis decorados com frutas, uma referência ao uso agrícola do local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a este edifício Pere Caselles projetou o Matadouro em 1889, também com elementos modernistas. Atualmente é a sede de uma Biblioteca Pública e da Universidade Obreira da Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande interesse, a Escola Prat de la Riba constitui um exemplo da modernização do ensino através do desenho arquitetônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto desta instituiçao reflete o interesse pelas correntes higiênicas presentes na reforma educacional da época, com ambientes frescos propiciados pela constante renovação do ar, além de espaços bem iluminados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte exterior foi construída com materiais resistentes e de fácil manutenção, como a pedra e o tijolo. Nela aparecem como elementos decorativos o Escudo da Catalunha, na imagem acima, e o da Espanha, sustentados por dois leões, prova de que o edifício foi financiado pelo estado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARepresentações florais geometrizadas em pedra também integram sua decoração, como se fossem os capitéis dos pilares construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma série de painéis decorativos feitos de cerâmica completam o conjunto, com desenhos azuis sobre fundo branco que retratam episódios do Novo Testamento relacionados à infância. Foram realizados por Francesc Labarta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA escola continua exercendo seu papel educacional ainda hoje…

Pelos Mercados de Reus

Estive três dias na cidade de Reus, tempo suficiente para conhecer as muitas atrações deste município catalão. As antigas muralhas medievais edificadas no século XIV foram derrubadas, e o seu trajeto original foi delimitado com marcas realizadas no solo, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReus foi severamente castigada durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939) por apoiar a causa republicana, como podemos observar nesta pintura mural…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade contava com um aeroporto militar e uma fábrica de aviões pertencente ao exército republicano, motivo pelo qual foi bombardeada constantemente pelos fascistas. Entre abril de 1937 e janeiro de 1939, Reus sofreu 67 ataques aéreos efetuados principalmente pela aviação italiana, a serviço do General Franco. Para se protegerem, os habitantes construíram cerca de 40 refúgios antiaéreos espalhados pela cidade. Este, que vemos a seguir, é um dos mais extensos, com aproximadamente 500m de túneis e com capacidade para acolher a 1200 pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a cidade se embeleza com diversas fontes e estátuas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma boa forma de se conhecer as tradições culinárias de uma cidade é visitando seus mercados, algo que sempre costumo fazer em minhas viagens pelo país. O Mercado Central de Reus está completando 70 anos de existência, pois foi inaugurado e 1949.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm local perfeito para saborear a gastronomia local é esta antiga praça do século XIX, construída para o comércio de carne e pescado, situada ao lado da Catedral de Reus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso à praça se dá por arcos situados nos extremos, e em cada um deles vemos esculturas representativas dos produtos que se comercializavam no lugar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça está cercada por vários restaurantes, e por edifícios residenciais situados a ambos lados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta praça aproveitei para comer muitas vezes, saboreando os menus diários oferecidos. Numa das vezes, pedi de primeiro prato um delicioso carpaccio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe segundo prato, um saboroso bacalhau….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE uma sobremesa típica da Gastronomia da Catalunha, a Crema Catalana, considerada uma das receitas mais antigas de toda a Europa. Feita com gema de ovo, farinha de trigo ou milho, e coberta com açúcar caramelizado e canela, proporcionando um toque crocante ao prato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO menú  incluía ainda bebida, no caso vinho tinto, e pão, e me custou 17 euros…bom demais !!!

Um Passeio por Reus

O Centro Histórico de Reus oferece vários lugares de interesse para o visitante, e deve ser percorrido à pé, a melhor forma para conhecê-lo. De caminho ao centro constatei uma curiosa figura pendurada num edifício, e me aproximei para ver do que se tratava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, esta figura é uma das esculturas mais famosas da cidade, denominada “O Judeu do Raval“. A mediados do século XVIII, o proprietário do edifício instalou uma estátua satírica com o dedo acusador apontando a uma casa, cujo residente era judeu e com o qual manteve uma disputa judicial. Em 1925, a escultura original de 1763 foi transferida ao Museu de Arte e História de Reus, e em 2012 se colocou uma réplica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem perto localiza-se a Carrer de Casals (original em catalão. Em espanhol, Calle de Casals), que foi o centro da comunidade judaica (juderia) de Reus. Aproveitei para tirar uma foto da rua…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pouca distância da Plaza del Mercadal, que vimos no post anterior, vemos a Igreja de Sant Pere, a mais antiga da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente a última fase do estilo gótico, o templo iniciou sua construção em 1512 e foi consagrado em 1569, recebendo a titularidade de São Pedro, padroeiro da cidade (Sant Pere, em catalão). Na fachada principal, vemos uma singela portada com a imagem do santo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, podemos admirar a bela roseta da igreja. Abaixo, vemos sua parte externa e também desde o interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom 60m de altura e planta hexagonal , a Torre Campanário tornou-se famosa por sua escada interior de caracol, motivo de inspiraçao para o arquiteto Antoni Gaudí quando projetou a escada interior (também de caracol) para a Sagrada Família de Barcelona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs 4 sinos que existiam na torre foram desmantelados durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939) para fabricar armamentos. Atualmente existem apenas 2 sinos, que foram colocados na década de 40.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Guerra Civil prejudicou igualmente o interior do templo, e tanto a decoração quanto os vitrais foram afetados. Por este motivo, os vitrais são modernos e substituíram os originais, depois do término do conflito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de reconstrução do interior foram realizadas pelo arquiteto de Reus César Martinelli. Abaixo, vemos uma foto geral do interior da igreja, destacando sua estrutura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1941, depois que o retábulo maior do século XVI foi desmontado por seu péssimo estado, se construiu o baldaquino de pedra que vemos atualmente, obra do mencionado arquiteto. O grupo escultórico principal representa ao Príncipe dos Apóstolos com as chaves e a tiara papal, acompanhado pelos 4 Doutores da Igreja, além da representação do Espírito Santo. Embaixo, se colocou uma arca com o busto relicário de São Pedro, feito de prata no século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Batismal da igreja foram batizados os filhos ilustres que nasceram na cidade: O General Prim, o pintor Mariano Fortuny e Antoni Gaudí. Na Capela do Santíssimo se guarda o coração do pintor, nascido em Reus em 1838 e falecido em Roma, em 1874.

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