Castelos Reais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Reais da Espanha, veremos duas fortalezas de grande importância histórica e arquitetônica, ambas denominadas Alcázares Reais.  Integram o excepcional patrimônio histórico-artístico das cidades onde de encontram, Toledo e Segóvia, declaradas Patrimônio da Humanidade pela importância e conservação de seu centro histórico. O Alcázar de Toledo (Comunidade de Castilla La Mancha) está situado na parte mais elevada da cidade castelhana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios arqueológicos encontrados confirmam que o local esteve fortificado desde a época romana, quando a cidade foi fundada com o nome de Toletum, palavra que significa colina elevada, uma referência à própria geografia de Toledo. No período muçulmano, uma outra fortaleza se levantou no mesmo local, que foi ampliada pelos reis cristãos após a cidade ter sido reconquistada pelo Rei Alfonso VI no final do século XI.

20160425_165434O atual Alcázar de Toledo foi construído no século XVI durante o reinado de Carlos I como residência real, quando o monarca trouxe a capital do reino a Toledo. O projeto construtivo se deve aos arquitetos Alonso de Covarrubias e Juan de Herrera, ambos referências do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza foi utilizada como prisão real, quartel militar e sede de uma Academia de Infantaria. Sofreu, ao longo dos séculos, vários incêndios, como os ocorridos durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1710), na Guerra da Independência contra os franceses, no início do século XIX, e outro em 1887.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil do século XX (1936/1939), o Alcázar de Toledo foi praticamente destruído pelas tropas republicanas. A resistência dos nacionalistas, que se encontravam no interior do edifício, foi usada como propaganda política pelos integrantes do grupo comandado pelo General Franco. O Alcázar foi reconstruído a partir dos anos 40. Atualmente é a sede da Biblioteca de Castilla La Mancha e também do Museu do Exército. Vemos abaixo o grande pátio interior do Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia (Comunidade de Castilla y León) é, indiscutivelmente, uma das mais belas fortalezas da Espanha. Ergue-se soberano no alto de um grande rochedo, e sua vista é espetacular de qualquer ângulo, como o que vemos abaixo, junto com a românica Igreja de Vera Cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia é um típico castelo de contos de fada, daqueles que imaginamos quando lemos um livro sobre as histórias de reis e princesas da Idade Média

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs primeiros documentos que comprovam sua existência datam do século XII, embora se acredita que haviam edifícios de períodos anteriores. Durante a Idade Média converteu-se na residência favorita de muitos monarcas castelhanos, e foi remodelado várias vezes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADele partiu Isabel la Católica para ser coroada Rainha de Castilla (1474) na Igreja de San Miguel, situada no Centro Histórico de Segóvia, como vemos na pintura abaixo, que podemos contemplar no interior do Alcázar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Torre del Homenaje do castelo, construída durante a época do Rei Juan II no século XV e as coberturas de pizarra (ardósia) que foram colocadas durante o reinado de Felipe II no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Carlos III, o Alcázar de Segóvia tornou-se a sede do Real Colégio de Artilharia, em 1762. Cem anos depois, um terrível incêndio destruiu o interior da fortaleza, que pôde ser reconstruída da mesma forma graças às gravuras existentes. A visita ao interior do Alcázar nos permite admirar suas várias dependências, com destaque para suas inúmeras e magníficas coberturas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia possui também uma excelente coleção de armas e armaduras…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, veremos alguns exemplos de edifícios construídos que pertenceram ao clero.

Castelos Senhoriais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Senhoriais da Espanha veremos outros exemplos de palácios construídos como fortalezas para os nobres, que ainda hoje impressionam por sua esbelta silueta na paisagem espanhola. O Castelo de Almansa é um dos mais importantes da Província de Albacete (Comunidade de Castilla La Mancha), situado no alto de uma colina que domina a cidade, conhecida como “Cerro del Águila“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente foi uma fortaleza muçulmana e nos séculos posteriores passou a pertencer a nobreza. Seua aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, no século XV. Este castelo foi cenário de um conflito histórico, a Batalha de Almansa, que possibilitou o ascenso de Felipe de Anjou como Rei da Espanha, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, no início do século XVIII. Proclamado Rei com o nome de Felipe V, foi o primeiro monarca da dinastia bourbônica a ocupar o trono da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém localizado na Província de Albacete, e edificado sobre uma fortaleza árabe anterior, o Castelo de Chinchilla de Monte Aragón foi outra das fortalezas que pertenceram ao II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, que da mesma forma que o anterior, foi igualmente restaurado por ele no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está formado por um fosso de grandes proporções, como vemos abaixo. Como elemento decorativo destaca o escudo do proprietário, algo habitual nas Fortalezas e Castelos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bom aspecto que conserva atualmente se deve a que foi utilizado como prisão durante muito tempo. Um dos prisioneiros mais famosos foi César Borjia, filho de Rodrigo Borjia, eleito Papa em 1492 com o nome de Alexandre VI. O filho foi acusado de cometer um assassinato contra seu irmão, o I Duque de Gandía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos Castelos da Espanha estão localizados em lindos povoados que conservam sua arquitetura medieval, caso de Pedraza, localizado na Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León). Foi construído sobre os restos de fortalezas anteriores, sobretudo romana e muçulmana. No século XV passou a pertencer à família dos Herrera, época que data sua Torre de Homenaje. No século XVI, tornou-se propriedade de Fernández de Velasco, Duque de Frías e Condestable de Castilla, cuja reforma lhe proporcionou o aspecto que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, o pintor Ignacio de Zuloaga (1870/1945), um dos principais pintores espanhóis do final do século XIX e início do XX, adquiriu o castelo e o restaurou, instalando em seu interior um atelier. Parte de sua obra pode ser vista no interior do castelo, e ainda hoje permanece pertencendo aos herdeiros do pintor, que o utilizam como residência e museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XVI como um suntuoso palácio fortificado para o Conde de Albuquerque, o Castelo de Cuéllar é um dos grandes atrativos deste povoado castelhano, situado também na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeus hóspedes mais ilustres foram o Rei Juan I de Castilla e sua esposa Leonor, que faleceu no castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, funcionou como penitenciária para presos políticos. Depois, passou a ser usado como um sanatório para tuberculosos. Atualmente,  seu interior alberga um instituto de educação secundária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro povoado maravilhoso de Castilla y León que conserva seu imponente castelo é Peñaranda del Duero, situado na Província de Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XI com a finalidade de deter o avanço muçulmano, foi reconstruído no século XV pelo I Duque de Miranda. De forma alargada, o castelo adapta-se perfeitamente ao grande rochedo sobre o qual se assenta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma grande muralha serve de elemento protetor, e a Torre de Homenaje eleva-se no centro da fortaleza.

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Castelos Senhoriais da Espanha – Parte 2

Nesta segunda parte sobre os Castelos Senhoriais da Espanha , veremos outros exemplos de fortalezas construídas pela nobreza como residência particular e espalhados por todo o território do país. Na Comunidade de Castilla La Mancha se conservam muitos destes castelos nobres. O Castelo de Orgaz, município pertencente à Província de Toledo, foi construído por Alvar Pérez de Guzmán, Senhor de Orgaz, no século XIV. Sua planta retangular está presidida por sua Torre de Homenaje, com 20m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Província de Cuenca localiza-se o Castelo de Belmonte, pertencente a esta bela cidade castelhana. Foi construído na segunda metade do século XV como um palácio fortificado por ordem do I Marquês de Villena, Don Juan Pacheco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de sua construção ter sido afetada em disputas como a Guerra Civil Espanhola, quando foi utilizado como quartel da guarda civil e como prisão, o Castelo de Belmonte encontra-se bem conservado. Seu interior é muito bonito, pois foi restaurado por um de seus personagens mais ilustres e descendente do marquesado de Villena, D. Eugenia de Montijo (1826/1920), que chegou a ser Imperatriz da França depois do matrimônio com Napoleão III. Abaixo, vemos o seu quarto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos tetos das várias dependências que compõem o castelo foram decorados com estupendos artesanatos mudéjares, como vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o pátio interior do castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Belmonte foi o cenário para várias produções cinematográficas, como o filme “El Cid” (1961), protagonizado por Charlton Heston e Sofía Loren. Na Comunidade de Castilla y León, Província de Ávila, vemos o Castelo de Valdecorneja, localizado no povoado de El Barco de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste castelo, edificado no século XII e reconstruído no XV, foi a propriedade dos Senhores de Valdecorneja, que também possuíam os títulos de Condes e Duques de Alba de Tormes. Sua planta quadrada com 4 torres circulares nas esquinas e Torre de Homenaje também quadrada, se repete em outros palácios fortificados da Espanha. No século XIX tornou-se o cemitério do município, e atualmente pertence à Casa de Alba, que realiza eventos culturais em seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Província de Soria, o Castelo de Berlanga del Duero destaca-se no alto de uma colina próxima à cidade. Foi construído no século XV sobre uma anterior fortaleza muçulmana do século XII pela família dos Tovar, proprietários do Senhorio de Berlanga. Inicialmente residência nobre, no século XVI foi transformado numa fortaleza defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Berlanga del Duero sofreu graves prejuízos ao longo do tempo, como durante a Guerra da Independência no início do século XIX, quando foi incendiado. Atualmente encontra-se restaurado, conservando uma muralha do século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Madrid, vemos dois outros castelos nobres. O chamado Castelo da Alameda situa-se atualmente na cidade de Madrid, no Distrito de Barajas, uma região que outrora constituiu um município autônomo que acabou sendo incorporado à capital espanhola. De pequeno tamanho, encontra-se num estado de semi-ruína. Foi construído no século XV por Diego Hurtado de Mendoza, I Duque del Infantado, para simbolizar seus domínios sobre a zona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste castelo sofreu muitos danos ao longo dos séculos. Em 1697 foi incendiado e no século XIX seus restos foram espoliados. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX também se viu prejudicado, com a instalação de um ninho de metralhadoras que integrava o sistema defensivo dos republicanos, ao lado da fortaleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo belíssimo povoado de Chinchón, cenário de vários filmes, encontramos o Castelo de Chinchón, considerado um dos últimos Castelos Senhoriais da Espanha. Originalmente  construído no final do século XV, acabou sendo devastado em 1521 e substituído pelo atual, levantado no final do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcebido como residência privada dos Senhores de Chinchón, no século XX chegou a ser utilizado como fábrica de licores. Se conserva apenas sua estrutura inferior, pois a parte superior foi destruída pelos séculos de guerras e incêndios que ocorreram.

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As Viagens do “Guernica”

Antes de abandonar Salamanca, tive a oportunidade de ver uma interessantíssima exposição sobre o quadro “Guernica“, a obra prima do mais influente artista do século XX, Pablo Ruiz Picasso (1881/1973). A exposição foi montada na Plaza de Anaya, situada ao lado das Catedrais de Salamanca, e foi organizada pelo Centro Cultural Caixa Forum, que está percorrendo várias cidades da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O “Guernica” já foi o tema de um post publicado em 17/5/2012, junto com o museu onde se encontra exposto, o Museu Reina Sofía de Madrid, que vemos abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos atrás, pude fotografar o “Guernica“, algo impensável atualmente, mesmo porque está proibido captar imagens do quadro.

DSC03525A exposição de Salamanca discorre sobre as viagens que o quadro realizou depois de ter sido pintado por Picasso, participando de diversas exposições internacionais antes de seu retorno a Espanha. Considerado uma das obras mais conhecidas, reproduzidas, admiradas e reinterpretadas da História da Arte, o “Guernica” transformou-se num verdadeiro ícone do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro foi realizado por Picasso entre maio e junho de 1937 e seu título é uma referência ao bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação alemã no dia 26 de abril deste ano, dentro do contexto da Guerra Civil Espanhola (1936/1939). Este ataque aéreo é considerado o primeiro realizado contra uma população civil da história das disputas bélicas. Na realidade, sua elaboração por parte de Picasso foi um encargo do governo republicano para ser exposto no Pavilhão Espanhol, montado durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, com a finalidade de atrair a atenção pública à causa republicana. Abaixo, vemos uma foto do pavilhão, cujo projeto construtivo se deve aos arquitetos Josep Lluís Sert e Luis La Casa, e o quadro exposto no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra Civil Espanhola em 1939 e o início do governo ditatorial do General Franco, Picasso manifestou o desejo que o quadro retornasse ao país somente depois que voltasse a ser uma nação democrática. Depois de sua exibição na Exposição Internacional de Paris, muitas outras foram realizadas no continente europeu, como a de 1938/1939 no Reino Unido, com grande êxito de público e organizada para arrecadar fundos para o Comitê de Ajuda aos Refugiados Espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, o quadro viajou por boa parte do mundo, antes de ser custodiado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) a partir de 1958, onde permaneceu exposto até 1981. Abaixo, vemos o itinerário do “Guernica“…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo de criação da obra foi plenamente documentado pelo pintor através de esboços preparatórios e também por fotografias realizadas por Dora Maar (1907/1997), uma artista plástica francesa que se tornou uma das mulheres da vida de Picasso. Este material constitui um dos melhores exemplos documentados do progresso de uma obra artística em toda a História da Arte Universal. Picasso realizou, num prazo de 6 meses, (antes, durante e depois da conclusão do quadro), uma série de 45 esboços que atualmente encontram-se expostos no Museu Reina Sofía de Madrid, junto com a famosa obra do artista de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO “Guernica“, um exemplo memorável da Arte Cubista, além de sua importância histórica e indiscutível qualidade artística, impressiona por seu tamanho (7.76m de comprimento x 3.49m de altura). Foi pintado utilizando-se somente as cores branca, negra e várias tonalidades de cor cinza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar do título da obra e suas circunstâncias históricas, não existe no quadro nenhuma referência explícita ao bombardeio da cidade de Guernica, pois trata-se de uma composição simbólica, e não narrativa, retratando o horror à guerra e os sofrimentos que infringe a todos os seres humanos. Por este motivo, o quadro converteu-se num símbolo de protesto antibélico, utilizado contra os vários confrontos do século passado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgo que desconhecia e que pude orgulhosamente constatar, é que durante as viagens do “Guernica” pelo mundo, o quadro esteve presente no Brasil em 1953, durante a realização da II Bienal de São Paulo, como vemos na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro serviu de motivo inspiratório a inúmeras obras em todo o mundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1981, o quadro retornou a Espanha, com uma ampla divulgação da imprensa, escrita e televisiva…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA chegada do “Guernica” no Aeroporto de Barajas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o quadro permaneceu no Casón del Buen Retiro, uma das dependências que faziam parte do destruído Palácio del Buen Retiro, originalmente construído dentro do Parque do Retiro, de propriedade real na época de sua construção, que ainda podemos contemplar passeando pela cidade.

DSC08622OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o “Guernica” passou a ser exposto permanentemente no Museu Reina Sofía, considerado um dos centros de Arte Contemporânea de maior prestígio de todo o mundo, cuja visita, evidentemente, recomendo !!!!!

Centenário do Metrô de Madrid- Parte Final

Neste último post sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos uma das mais interessantes iniciativas organizadas pela companhia metroviária para sua comemoração. Trata-se de uma exposição de trens históricos que podemos ver na Estação de Chamartín.

20190416_110440O visitante poderá contemplar na exposição 4 trens históricos considerados clássicos na história do Metrô de Madrid, que circularam desde a inauguração da primeira linha em 1919 até o momento em que foram substituídos por veículos mais modernos.

20190416_111044A maior parte destes  trens circularam até 1965, mais uma pequena série adicional que foi colocada em serviço em 1976. Muitos deles depois prestaram seus serviços como veículos auxiliares.

20190416_11060320190416_111747Algumas das características básicas destes trens são sua estrutura metálica com motores fabricados pelas empresas General Eletric e Westinghouse, que foram construídos na Espanha sob licença. O sistema de freios também foi fabricado pela Westinghouse. Abaixo, vemos o interior de um destes trens históricos…

20190416_110832Muitos destes trens originais foram designados pelo nome das estações de metrô a que estavam destinados. O denominado de “Cuatro Caminos“, a estação final da linha inaugural de 1919, por exemplo, foi construído entre 1919 e 1921 por uma empresa de Zaragoza, com a parte elétrica e o sistema de freios sendo fabricados nos EUA e França. Estes trens foram os primeiros em serem construídos com estrutura metálica em toda a Espanha. Na época, foram admirados pelo conforto em comparação com os veículos de transporte existentes e alcançavam uma velocidade de 55 km/h. Foram retirados de serviços no final da década de 80. Abaixo, vemos um destes trens em serviço numa foto antiga…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o interior restaurado deste tipo de trens…

20190416_112257Já na época estava proibido fumar no interior como podemos observar na placa existente…

20190416_112358O Metrô de Madrid investiu um grande esforço na restauração destes trens históricos. Abaixo vemos o aspecto que tinham antes do processo de recuperação…

20190416_111954A seguir vemos um trem histórico numa foto de 1966…

20190416_111613Na sequência, o interior de outro veículo, com acentos reservados para pessoas mutiladas, abundantes no período da Guerra Civil Espanhola (1936/1939).

20190416_11302820190416_113112Abaixo vemos trens atuais que circulam pelas linhas do Metrô de Madrid, evidentemente muito mais modernos que os chamados “trens históricos”, em quanto a design, tecnologia e infraestrutura que oferecem.

20190220_085559OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos modernos trens que circulam pela linha 1 foram pintados à maneira dos trens antigos, para comemorar o Centenário do Metrô de Madrid, como vemos na foto a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero que vocês tenham gostado desta série de matérias publicadas em homenagem ao Metrô de Madrid, que está cumprindo seus 100 anos de vida. Aproveitem para utilizá-lo quando venham visitar a cidade…

 

Centenário do Metrô de Madrid – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos outros aspectos históricos de interesse deste popular sistema de transporte público da capital espanhola, através de fotos antigas pertencentes ao arquivo do Metrô e de fotos realizadas por mim. Como comentei no primeiro post, a linha inaugural ligava a Puerta del Sol, no centro da cidade, com o bairro de Cuatro Caminos, uma zona industrial importante na época, cuja imagem vemos abaixo, uma foto tirada no início do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se construíram as oficinas mecânicas da companhia metroviária, que foram utilizadas durante um bom tempo no século XX, como podemos ver a seguir…

20190416_11214620190416_111453Abaixo, vemos o local em construção…

20190416_112223O Metrô de Madrid foi pioneiro na inserção da mulher no mercado de trabalho. Aquelas que conseguiram um posto de trabalho nas bilheterias foram as primeiras, junto com as telefonistas empregadas na empresa Telefônica, cuja sede se encontra também em Madrid. Somente podiam ocupar o emprego se estivessem solteiras. No momento em que se casavam, eram obrigadas a abandonar o trabalho, segundo o costume da época. Esta norma esteve vigente até 1984 ! A primeira mulher maquinista apareceu somente em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o corpo de funcionários do Metrô de Madrid está formado por mais de 7 mil funcionários. Abaixo, vemos outra foto antiga de empregados da empresa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o metrô serviu como local de refúgio para a população, como aconteceu com muitas outras cidades européias durante a Segunda Guerra Mundial.

20190220_085904Muitos trens do metrô passaram a ser utilizados como ambulância durante o conflito…

20190416_111333Em 1924 se inaugurou a central elétrica que abasteceu de energia o sistema metroviário da cidade. Composta por 3 motores Diesel, foi a estação elétrica de maior potência da Espanha na época, sendo desativada nos anos 50. Durante a Guerra Civil foi a responsável do abastecimento de energia elétrica da cidade, Atualmente forma parte do patrimônio industrial de Madrid e pode ser visitada, pois foi transformada num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das primeiras estações construídas na linha inaugural contavam com elevadores manejados por ascensoristas, sendo que o primeiro elevador foi instalado em 1920. Abaixo, vemos a entrada da Estação de Gran Vía, projetada pelo arquiteto Antonio Palácios. Feita de granito, ferro e vidro, funcionou até 1970, quando foi desmontada e levada até o povoado de Porriño, situado na Galícia, local de nascimento do famoso arquiteto espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté 1960, a profundidade médias das estações do Metrô de Madrid era de 9m. Em 1962, chegou aos 18m, quando as escadas rolantes começaram a funcionar. No final do século passado, a profundidade média chegou aos 25m. Atualmente, o Metrô de Madrid é considerado um dos sistemas de transporte de maior acessibilidade do mundo. Abaixo, vemos a Estaçao de Chamartín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos cartazes comemorativos foram colocados nas estações da linha 1 com a celebração do centenário do Metrô. Neles podemos observar as diferenças na evolução  tecnológica dos trens ao longo dos anos, além da inclusão de novos “passageiros”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a segunda parte desta série com uma foto atual da Estação Sol, a primeira em ser construída em 1919…

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Toureiros famosos da Espanha – Parte 2

Neste segundo post sobre os Toureiros de maior renome da Espanha veremos outras personañidades do mundo taurino que  se destacaram na história da tauromaquia. Um deles foi Juan Belmonte (1892/1962), um toureiro nascido em Sevilha, considerado um dos mais populares da história e um dos renovadores da arte de torear à pé. Muitos o consideram o fundador do Toreo Moderno e liderou, junto com Joselito, a idade de ouro das touradas no início do século XX. Sua carreira profissional desenvolveu-se entre 1913 e 1936, ano em que se retirou definitivamente. Em 1919, chegou a participar de 109 touradas, uma cifra recorde na época. Foi o primeiro em torear estando imóvel junto ao touro, cujo estilo foi culminado por Manolete. Foi um grande amigo do escritor americano Ernest Hemingway, e aparece em duas de suas novelas, “Morte na Tarde ” e “Festa“. Em 1962, a ponto de cumprir 70 anos, se suicidou com um disparo. No filme “Meia noite em Paris“, de Woody Allen, Juan Belmonte foi representado pelo ator Daniel Lundh. Abaixo, vemos a Juan Belmonte na Plaza de Toros de Madrid (foto de Baldomero).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das dinastias taurinas mais famosas da história foi a família dos Ordóñez, originária de Ronda, encabeçada por Cayetano Ordóñez (1904/1961). Ficou conhecido pelo apelido “El Niño de la Palma“. Seu pai possuía uma loja de sapatos chamada “La Palma“, fato que explica o apelido. Abaixo, vemos uma escultura que lhe rende homenagem, situada em frente à Plaza de Toros de Ronda

OLYMPUS DIGITAL CAMERATeve 6 filhos, dos quais nada menos que 5 foram toureiros. O mais famoso de todos foi Antonio Ordóñez (1932/1998), que cresceu num ambiente taurino, presenciando as glórias de seu pai. Antonio triunfou em numerosas praças de touros, especialmente na de Madrid. Retirou-se de forma definitiva em 1981, momento em que passa a dedicar-se à ganadería e administrar a Plaza de Toros de Ronda, que havia adquirido. Considerado um dos maiores toureiros do século XX, Antonio Ordóñez possuía uma técnica perfeita, e também foi homenageado com uma escultura na Plaza de Toros de Ronda

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias personalidades americanas do mundo artístico contribuíram para a divulgação das touradas, como o cineasta Orson Welles (1915/1985), autor do filme “Cidadão Kane“, uma obra fundamental da sétima arte. Sua amizade com Antonio Ordóñez foi de tal magnitude que suas cinzas foram depositadas numa fazenda situada em Ronda, pertencente ao toureiro. Abaixo, vemos uma imagem (carente de qualidade pela luz que incide no vidro que a protege) do grande cineasta americano assistindo uma tourada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro grande admirador de Antonio Ordóñez foi o já mencionado escritor Ernest Hemingway (1899/1961), um grande apaixonado pelo país, seus costumes e tradições. Hemingway foi correspondente durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939) e um conhecido defensor da causa republicana. Abaixo vemos uma foto do escritor com Antonio Ordóñez (à direita) e seu pai Cayetano (à esquerda da foto)…

20190222_130947Na foto abaixo, vemos a Hemingway com Antonio Ordóñez

20190222_131325Outra das maiores rivalidades históricas das touradas foi protagonizada por Antonio Ordóñez e Luis Miguel “Dominguín”, motivo de inspiraçao para a obra “Verao Perigoso” de Hemingway, o último livro por ele escrito (1959/1960) e publicado póstumamente em 1985. Antonio Ordóñez era cunhado de Luis Miguel “Dominguín”, pois este casou-se com sua irma, Carmen Ordóñez. A seguir, uma foto de ambos toureiros…

20190222_131236Luis Miguel “Dominguín” (1926/1996) tornou-se famoso também por sua vida amorosa e sentimental, e suas relações com várias artistas de Hollywood agitaram a sociedade espanhola da época, como Rita Hayworth e Lauren Bacall. Seu romance com Ava Gardner tornou-se lendário. Se conta que na primeira noite com a atriz americana levantou-se da cama e preparava-se para sair do hotel, quando Ava Gardner lhe perguntou aonde se dirigia, e Dominguín respondeu que a contar aos demais a “façanha”. Dominguín foi um dos matadores mais  populares dos anos 40 e 50,  filho do também toureiro Domingo González “Dominguín” e pai do cantor Miguel Bosé. Seu êxito nas arenas taurinas foi tal que chegou a sair 5 vezes pela Porta Grande da Plaza de Toros de Las Ventas de Madrid. Retornando a Hemingway, o escritor foi assíduo frequentador das Tabernas de Madrid.  Uma de suas preferidas chamava-se “El Callejón“, como podemos ver na foto abaixo, junto com seu amigo Antonio Ordóñez, no lado direito da imagem.

20190222_131217Depois que a taberna foi fechada por seu proprietário espanhol nos anos 90, um cubano comprou o imóvel e o converteu num restaurante de gastronomía típica de seu país, chamado “Cuando salí de Cuba“. O busto em homenagem ao escritor, bem como uma grande quantidade de fotos da vida de Hemingway, algumas das quais aparecem nesta matéria (e que gentilmente me permitiram publicar) ainda podem ser admiradas no local.

20190222_131344Depois de conhecer o restaurante há alguns anos atrás, tornei-me um cliente habitual do mesmo…

20190222_135225O restaurante oferece um simpático atendimento e menus diários que custam 11 euros (dois pratos a escolher, bebida e sobremesa incluídas). Normalmente escolho batata com carne moída de primeiro prato e “Ropa Vieja” de segundo (carne desfiada com arroz branco, uma coisa rara na cidade). Realmente, uma delícia…

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