Castelos Reais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Reais da Espanha, veremos duas fortalezas de grande importância histórica e arquitetônica, ambas denominadas Alcázares Reais.  Integram o excepcional patrimônio histórico-artístico das cidades onde de encontram, Toledo e Segóvia, declaradas Patrimônio da Humanidade pela importância e conservação de seu centro histórico. O Alcázar de Toledo (Comunidade de Castilla La Mancha) está situado na parte mais elevada da cidade castelhana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVestígios arqueológicos encontrados confirmam que o local esteve fortificado desde a época romana, quando a cidade foi fundada com o nome de Toletum, palavra que significa colina elevada, uma referência à própria geografia de Toledo. No período muçulmano, uma outra fortaleza se levantou no mesmo local, que foi ampliada pelos reis cristãos após a cidade ter sido reconquistada pelo Rei Alfonso VI no final do século XI.

20160425_165434O atual Alcázar de Toledo foi construído no século XVI durante o reinado de Carlos I como residência real, quando o monarca trouxe a capital do reino a Toledo. O projeto construtivo se deve aos arquitetos Alonso de Covarrubias e Juan de Herrera, ambos referências do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza foi utilizada como prisão real, quartel militar e sede de uma Academia de Infantaria. Sofreu, ao longo dos séculos, vários incêndios, como os ocorridos durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1710), na Guerra da Independência contra os franceses, no início do século XIX, e outro em 1887.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil do século XX (1936/1939), o Alcázar de Toledo foi praticamente destruído pelas tropas republicanas. A resistência dos nacionalistas, que se encontravam no interior do edifício, foi usada como propaganda política pelos integrantes do grupo comandado pelo General Franco. O Alcázar foi reconstruído a partir dos anos 40. Atualmente é a sede da Biblioteca de Castilla La Mancha e também do Museu do Exército. Vemos abaixo o grande pátio interior do Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia (Comunidade de Castilla y León) é, indiscutivelmente, uma das mais belas fortalezas da Espanha. Ergue-se soberano no alto de um grande rochedo, e sua vista é espetacular de qualquer ângulo, como o que vemos abaixo, junto com a românica Igreja de Vera Cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia é um típico castelo de contos de fada, daqueles que imaginamos quando lemos um livro sobre as histórias de reis e princesas da Idade Média

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs primeiros documentos que comprovam sua existência datam do século XII, embora se acredita que haviam edifícios de períodos anteriores. Durante a Idade Média converteu-se na residência favorita de muitos monarcas castelhanos, e foi remodelado várias vezes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADele partiu Isabel la Católica para ser coroada Rainha de Castilla (1474) na Igreja de San Miguel, situada no Centro Histórico de Segóvia, como vemos na pintura abaixo, que podemos contemplar no interior do Alcázar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a Torre del Homenaje do castelo, construída durante a época do Rei Juan II no século XV e as coberturas de pizarra (ardósia) que foram colocadas durante o reinado de Felipe II no século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de Carlos III, o Alcázar de Segóvia tornou-se a sede do Real Colégio de Artilharia, em 1762. Cem anos depois, um terrível incêndio destruiu o interior da fortaleza, que pôde ser reconstruída da mesma forma graças às gravuras existentes. A visita ao interior do Alcázar nos permite admirar suas várias dependências, com destaque para suas inúmeras e magníficas coberturas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar de Segóvia possui também uma excelente coleção de armas e armaduras…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, veremos alguns exemplos de edifícios construídos que pertenceram ao clero.

Castelos Senhoriais da Espanha – Parte 3

Neste último post sobre os Castelos Senhoriais da Espanha veremos outros exemplos de palácios construídos como fortalezas para os nobres, que ainda hoje impressionam por sua esbelta silueta na paisagem espanhola. O Castelo de Almansa é um dos mais importantes da Província de Albacete (Comunidade de Castilla La Mancha), situado no alto de uma colina que domina a cidade, conhecida como “Cerro del Águila“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente foi uma fortaleza muçulmana e nos séculos posteriores passou a pertencer a nobreza. Seua aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, no século XV. Este castelo foi cenário de um conflito histórico, a Batalha de Almansa, que possibilitou o ascenso de Felipe de Anjou como Rei da Espanha, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, no início do século XVIII. Proclamado Rei com o nome de Felipe V, foi o primeiro monarca da dinastia bourbônica a ocupar o trono da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém localizado na Província de Albacete, e edificado sobre uma fortaleza árabe anterior, o Castelo de Chinchilla de Monte Aragón foi outra das fortalezas que pertenceram ao II Marquês de Villena, Don Juan Pacheco, que da mesma forma que o anterior, foi igualmente restaurado por ele no século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo está formado por um fosso de grandes proporções, como vemos abaixo. Como elemento decorativo destaca o escudo do proprietário, algo habitual nas Fortalezas e Castelos da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO bom aspecto que conserva atualmente se deve a que foi utilizado como prisão durante muito tempo. Um dos prisioneiros mais famosos foi César Borjia, filho de Rodrigo Borjia, eleito Papa em 1492 com o nome de Alexandre VI. O filho foi acusado de cometer um assassinato contra seu irmão, o I Duque de Gandía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos Castelos da Espanha estão localizados em lindos povoados que conservam sua arquitetura medieval, caso de Pedraza, localizado na Província de Segóvia (Comunidade de Castilla y León). Foi construído sobre os restos de fortalezas anteriores, sobretudo romana e muçulmana. No século XV passou a pertencer à família dos Herrera, época que data sua Torre de Homenaje. No século XVI, tornou-se propriedade de Fernández de Velasco, Duque de Frías e Condestable de Castilla, cuja reforma lhe proporcionou o aspecto que vemos atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1926, o pintor Ignacio de Zuloaga (1870/1945), um dos principais pintores espanhóis do final do século XIX e início do XX, adquiriu o castelo e o restaurou, instalando em seu interior um atelier. Parte de sua obra pode ser vista no interior do castelo, e ainda hoje permanece pertencendo aos herdeiros do pintor, que o utilizam como residência e museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XVI como um suntuoso palácio fortificado para o Conde de Albuquerque, o Castelo de Cuéllar é um dos grandes atrativos deste povoado castelhano, situado também na Província de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeus hóspedes mais ilustres foram o Rei Juan I de Castilla e sua esposa Leonor, que faleceu no castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, funcionou como penitenciária para presos políticos. Depois, passou a ser usado como um sanatório para tuberculosos. Atualmente,  seu interior alberga um instituto de educação secundária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro povoado maravilhoso de Castilla y León que conserva seu imponente castelo é Peñaranda del Duero, situado na Província de Burgos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século XI com a finalidade de deter o avanço muçulmano, foi reconstruído no século XV pelo I Duque de Miranda. De forma alargada, o castelo adapta-se perfeitamente ao grande rochedo sobre o qual se assenta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma grande muralha serve de elemento protetor, e a Torre de Homenaje eleva-se no centro da fortaleza.

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Baluartes de Badajoz – Parte 2

Na matéria de hoje veremos alguns dos principais elementos que conformam a Muralha Abaluartada de Badajoz, uma impressionante fortificação que foi construída a partir de 1680 para resistir aos ataques de artilharia, como vimos no post anterior. A tarefa de sua construção coube ao capitão geral de Extremadura, o Conde de Montijo, que ordenou a derrubada da antiga muralha medieval. A entrada da cidade estava defendida por um pequeno forte denominado Cabeça del Puente, ligado à Ponte de Palmas. De planta trapezoidal, estava composto por fossos e locais de abastecimento de água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte de Palmas já existia antes de ser fortificada, pois foi construída durante o reinado de Carlos I, no século XV. Com 582m de comprimento, foi reformada várias vezes, pois foi destruída em muitas ocasiões devido às enchentes provocadas pelo Rio Guadiana. Na década de 90 do século XX, obras de reurbanização em suas margens criaram novos espaços de ócio para os cidadãos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte de Palmas recebeu este nome graças à Porta de Palmas, situada no lado contrário do recinto fortificado. Também do século XV, está formada por duas torres circulares e no século XIX transformou-se em prisão. Na fachada interior da porta, foi colocada uma imagem da Virgen de los Ángeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATanto os baluartes, quanto os semi-baluartes que compõem a fortificação, receberam nomes religiosos. A Muralha Abaluartada nasce junto à Alcazaba, no chamado Semi-Baluarte de San Antônio. Abaixo, vemos a Porta de Mérida, que permite o acesso a esta zona do recinto fortificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois do início de sua construção no final do século XVII, a cidade sofreu um assédio das tropas inglesas e portuguesas durante a Guerra da Sucessão Espanhola. Em 1705, as tropas de ambos países, partidários do Arquiduque Carlos I de Áustria, atacaram a cidade, que foi defendida pelas tropas espanholas e francesas, leais ao pretendente francês Felipe de Anjou, que ao final da guerra, seria proclamado rei com o nome de Felipe V. Durante a Guerra da Independência travada contra o exército de Napoleão, a Espanha recebeu a ajuda dos ingleses, enquanto a França recebeu o auxílio do exército português.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABadajoz foi assediada em três ocasiões. No primeiro assédio, foi conquistada pelos franceses e no último, em 1812, as tropas inglesas e espanholas retomam a cidade. No Baluarte de Santiago, o General Menacho, comandante do exército espanhol, foi morto defendendo a cidade. Um monumento foi erguido para celebrar sua memória.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Baluarte de San Roque vemos a Porta do Pilar, cuja construção finalizou em 1692.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos a fachada interna da Porta do Pilar. Sua fachada externa foi decorada com os escudos da Casa dos Áustria e do Conde de Montijo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior do Baluarte de San Roque encontramos o Palácio de Congressos, que foi construído sobre a antiga Praça de Touros da cidade. Atualmente, é utilizado como local de atividades culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABadajoz também sofreu graves consequências durante a Guerra Civil Espanhola, quando foi ocupada em 1936 e padeceu uma brutal repressão por parte do exército nacionalista. Na antiga Praça de Touros, mais de 4 mil integrantes da causa republicana foram fuzilados. O Baluarte da Trindade teve um grande protagonismo durante o conflito. Abaixo, vemos a Porta de Trindade, edificada em 1680.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês puderam observar, Badajoz participou de forma ativa nas principais disputas da história da Espanha, e seu caráter militar e de fronteira a transformou numa Praça Forte a ser defendida a todo custo, com consequências diretas em sua paisagem urbana.

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Praças Alta e de San José – Badajoz

Na matéria de hoje, veremos dois lugares emblemáticos de Badajoz. Dentre todas as praças da cidade, as denominadas Praça de  San José e Praça Alta são consideradas as mais importantes, do ponto de vista histórico. Ambas estão situadas ao lado da Alcazaba e formam um espaço contínuo. A origem da Praça de San José se remonta ao período em que a Alcazaba ficou pequena para acolher uma população em aumento, que começou a mudar-se para a zona adjacente.OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça recebeu este nome graças a Ermita de San José, construída no século XIII depois da reconquista da cidade, ocorrida no dia de São José. Com a Guerra de Independência no início do século XIX, o templo foi bombardeado e saqueado pelos franceses, provocando sua deterioração progressiva. Em 1917, a ermita foi substituída pela construção atual,o Convento de San José, projetada pelo arquiteto Francisco Franco Pineda no estilo neogótico. Em frente a igreja podemos observar uma cruz de ferro colocada em 1632.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral da praça, se conservam casas construídas no estilo mudéjar. Se desconhece a época exata de sua construção. Sua fachada está composto por arcos sobre colunas, cujos capitéis são de origem visigodos, que foram reutilizados. Atualmente, acolhem um Centro de Informação Turística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Alta passou a existir depois que casas da época árabe foram derrubadas, quando então funcionava o mercado de animais da cidade. Em 1458, iniciou-se uma reforma que modificou seu aspecto, com a construção de portais formados por um conjunto de arcos feitos de tijolo e pedra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo principal desta reforma era transformar o local para que voltasse a cumprir sua função original de mercado. Ainda hoje podemos ver exemplos de rótulos escritos em seus muros, que delimitavam os espaços reservados para as distintas classes de comerciantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça também passou a ser um local de espetáculos diversos. Nela se celebraram corridas de cavalos e de touros, autos sacramentais, representações teatrais e execuções públicas. O local apresenta duas partes bem diferenciadas. Na mais antiga situava-se a antiga Casa Consistorial, de finais do século XV. Este edifício exerceu a função de prefeitura da cidade até 1799. Destaca sua fachada com elementos mudéjares. Atualmente o edifício é utilizado para a celebração de atos institucionais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos duas das torres que compõem o recinto da Alcazaba, situadas detrás da antiga Casas Consistorial. Ao lado dela, vemos a fachada do Edifício do Conselho de Ferias e Festas, considerada a mais antiga da cidade (1450).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça Alta possui um caráter renascentista, com amplos espaços abertos. É considerada a primeira praça pública construída em Badajoz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA finais do século XVII, o bispo da cidade Juan Marin de Rodezno realizou uma nova reforma na praça, finalizada abruptamente em 1703 devido à Guerra da Sucessão Espanhola. Se completou apenas um terço do planejamento previsto, e a praça também é conhecida pelo nome deste bispo. No costado da praça, vemos um monumento em sua homenagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da reforma não ter sido completada integralmente, podemos admirar a decoração barroca dos edifícios desta parte da praça, que em conjunto foram denominadas Casas Coloradas, composta por esgrafiados com motivos geométricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem da praça tirada da Alcazaba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo foi dito no começo da matéria, antigamente as Praças de San José e Alta estavam unidas, até que a mediados do século XVI se construiu o Arco del Peso, que acabou separando as mesmas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a Praça Alta está sendo reabilitada e é um dos principais pontos de encontro dos habitantes de Badajoz. Um lugar único, sem dúvida nenhuma.

 

Um Passeio por Murcia

Na matéria de hoje veremos outros lugares de interesse histórico e cultural que realizei durante minha visita à cidade de Murcia. A Universidade, por exemplo, ocupa o local do antigo Convento de la Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Universidade de Murcia possui um belíssimo claustro renascentista que data do séc. XVII. Suas esbeltas colunas de mármore culminam em capitéis toscanos. As galerias que compõem o claustro são utilizadas por seus alunos como espaço cultural.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ considerado um dos claustros universitários mais belos do país. Bem próximo à Universidade localiza-se a Praça de Touros da cidade, já centenária…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro centro cultural importante é a sede do Colégio de Arquitetos, onde pude ver uma excelente exposição fotográfica sobre a Semana Santa, uma das principais festividades da cidade. O edifício foi construído em 1816 sobre um antigo palácio que pertenceu ao Tribunal da Inquisição. A fachada foi conservada, mas o interior foi totalmente remodelado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre um lugar e outro, aproveitei para descansar em algumas de suas inúmeras áreas verdes. O denominado Jardins del Malecón é um dos principais da cidade. Na entrada, vemos a Portada del Huerto de las Bombas, que pertenceu a um palacete cujo nome se deve a uma batalha ocorrida em suas imediações em 1706, durante o período da Guerra da Sucessão Espanhola. No centro da portada foi colocado o escudo nobiliário do proprietário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro parque interessante é o Jardim do Salitre, também chamado da Pólvora, graças a uma fábrica que existiu no local, fundada em 1754. Proporcionou balas para os guerrilheiros da cidade, durante a resistência de seus habitantes contra a invasão de Napoleão no início do séc. XIX. Da antiga fábrica, se conserva sua chaminé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma iniciativa da prefeitura que muito me agradou foi a colocação de avisos nas ruas da cidade, no sentido de alertar a população contra acidentes de pedestres, numa época em que as pessoas falam no celular ou escrevem no whatsApp e se esquecem de sua própria segurança.

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Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola (Parte 2)

Lázaro Galdiano formou uma pinacoteca que, além de seu enorme valor, servisse de referência para avaliar a importância artística da Espanha e de sua própria história. Como outros grandes colecionadores da época, mostrou especial predileção pelos retratos de homens e mulheres ilustres, cuja coleção presente no museu é representativa de vários períodos, como veremos a seguir. O pintor Alonso Sánchez Coelho (1531/1588), por exemplo, tornou-se famoso por sua capacidade como retratista. Pintor de câmara do rei Felipe II, suas obras enaltecem os detalhes e a penetração psicológica do personagem, como neste quadro de Ana de Áustria (1549/1580), quarta esposa do rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada uma das mais refinadas da pintura cortesana do reinado de Felipe II. Do período barroco, destacam os retratos de Sebastián Herrera Barnuevo (Madrid-1619/1671). Além de pintor de câmara do rei Carlos II, foi também escultor e arquiteto. Realizou o retrato do monarca quando menino, que vemos abaixo. Carlos II (Madrid-1661/1700) passaria a posteridade com o apelido de “El Hechizado” (O Enfeitiçado) por seus problemas de saúde, baixa estatura e esterilidade. Filho e herdeiro de Felipe IV e Mariana de Äustria, morreu sem descendência, fato que provocou a Guerra da Sucessão Espanhola e a chegada da Dinastia dos Bourbones ao trono espanhol, com o rei Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monarcas e rainhas de Espanha foram representados não só por pintores espanhóis, mas também por artistas estrangeiros, como Ticiano, por exemplo. Considerado um dos precursores do neoclassicismo, Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi um grande  pintor alemão, além de teórico da arte, tornando-se célebre pelos retratos que realizou da corte europeia. Foi convidado pelo rei Carlos III para residir em Madrid, e nomeado pintor real. Retratou o monarca nesta importante obra que vemos na sequência. Carlos III (Madrid-1716/1788) era filho de Felipe V e Isabel de Farnesio. Entre 1734 e 1759 tornou-se o Rei de Nápoles e Sicília. Em 1759 foi proclamado Rei de Espanha, cujo reinado caracterizou-se pelas amplas reformas urbanas realizadas na capital. Por este motivo, passou a ser conhecido como o Rei Alcalde, sendo considerado até hoje como um dos melhores administradores que a cidade já teve em sua história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estética neoclássica na Espanha foi enriquecida com a obra de Zacarías González Velázquez (Madrid-1763/1834). Formado pela Real Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid, tornou-se posteriormente diretor desta instituição fundamental na vida artística do país. Sua capacidade criativa pode ser apreciada no refinamento de suas obras, que pode ser vista no quadro em que representa a Manuela González Velázquez tocando o piano, um quadro de forte influência francesa pintado entre 1820 e 1821.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas espanhóis mais admirados por Lázaro Galdiano foi Francisco de Goya. Adquiriu várias obras do pintor aragonês, cujo conjunto representa uma das maiores atrações do museu. Abaixo, o Enterro de Cristo, realizado entre 1771 e 1772.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro La Era ou El Verano, de 1786…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período compreendido entre 1797 e 1799, o Museu Lázaro Galdiano conta com várias obras do pintor, como esta Madalena Penitente, de grande influência impressionista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos a Santa Isabel curando as chagas de um enferma (esquerda) e San Hermenegildo na prisão (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas das obras mais apreciadas do acervo pictórico do museu representam o mundo tenebroso de Goya, como o quadro El Conjuro o las Brujas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o Aquelarre, nome pelo qual se conhece as reuniões de bruxas para a realização de rituais e feitiços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença de artistas estrangeiros na coleção de Lázaro Galdiano ampliaria o conhecimento do povo espanhol em relação à arte que se desenvolvia no continente, contribuindo para sua educação cultural. No próximo post, veremos algumas das principais obras das escolas italiana, flamenca, alemã, etc, presentes no museu.

Guerra da Sucessao Espanhola – Barcelona

Os três locais que vamos conhecer hoje de Barcelona possuem uma mesma base histórica, cujo desenlace e consequências provocaram seu surgimento na paisagem urbana da cidade condal. Estamos falando da Guerra da Sucessão Espanhola, conflito que implicou na participação das potências européias de princípio do séc. XVIII. Seu fator desencadeante foi a falta de descendência do rei Carlos II, conhecido como o “enfeitiçado”, por sua débil saúde, física e mental. O monarca foi o último da denominada casa austríaca dos Habsburgos em governar o país ibérico. As principais cortes da Europa desejavam o trono espanhol, e dois foram os candidatos que o disputaram: o austríaco arquiduque Carlos, filho do imperador Leopoldo, e o francês Felipe de Anjou, neto de Luis XIV. O conflito iniciou-se na Espanha em 1702, sendo que  Felipe era o preferido de Castilla, enquanto que a Coroa de Aragón se decantava pelo austríaco. O exército de Felipe de Anjou conseguiu, no entanto, reduzir a resistência à cidade de Barcelona. Neste contexto, foi fundamental a tomada do Castelo de Montjuic, situado na montanha homônima,  um local estratégico para a defesa da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a morte do filho maior de Leopoldo, José I, o arquiduque Carlos foi para Viena de imediato para ser coroado imperador. Os ingleses, temerosos de que o austríaco ficasse também com o trono espanhol, assinaram com a França um tratado no qual reconheciam o francês como o novo rei espanhol, sob o nome de Felipe V. O Castelo de Montjuic só foi entregue definitivamente às tropas borbônicas em 1714. Dessa forma, a guerra propiciou o início da dinastia dos Borboun, que permanece até hoje com a casa real da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tratado de Utrecht ratificou o acordo anteriormente assinado, desta vez com a participação da Áustria, e a paz foi restabelecida. O tratado foi redatado de uma forma que nenhuma das nações européias tivesse poder suficiente para impor-se às demais. Foram criados pequenos estados (Holanda, Prússia), impedindo qualquer expansão territorial e bloqueando uma possível aliança entre Espanha e França, impossibilitando a continuação geográfica de seus reinos. Outro local associado a guerra é o conhecido Parque da Cidadela, durante muitos anos o único parque da capital catalã. Essa extensa e popular área verde ocupa o antigo terreno ocupada por uma fortaleza construída por Felipe V, para dominar e controlar a cidade após a Guerra da Sucessão. Dita fortaleza era considerada a maior construção militar do continente e formava parte de um conjunto que incluía também o Castelo de Montjuic. Em 1868, a cidadela foi demolida e sua área foi transformada num parque, urbanizado com a realização da Exposição Universal de 1888. Para tanto, contou com a participação de Gaudi na elaboração da cascata monumental que, localizada no centro do parque, se destaca por sua profusão escultórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO parque conserva alguns edifícios da antiga cidadela, como o do arsenal, hoje transformado no Parlamento da Catalunha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro de seus limites, podemos visitar também o zoológico da cidade, bem como edifícios remanescentes da Expo de 1888, como o Museu de Zoologia, de Lluís Domènech i Montaner.

Durante a construção da cidadela, muitas casas foram demolidas e seus habitantes foram levados a um novo local, atualmente conhecido como um dos bairros imprescindíveis numa visita à cidade. É a denominada Barceloneta, que depois de ocupada pela população do bairro da Ribera, onde se situava a cidadela, foi também o local escolhido para a residência de pescadores e operários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbundante é a oferta gastronômica do bairro, principalmente no que se refere ao pescado. No centro, situa-se a Igreja de Sant Miquel del Port, edificada na mesma época em que se construiu o bairro (metade do séc. XVIII).

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