Valencia Gótica

A Arte Gótica adquiriu um grande protagonismo em Valencia nos séculos XIV e XV, fruto do grande desenvolvimento alcançado pela cidade nesta época como centro mercantil. Num passeio por seu centro histórico, muitos foram os edifícios construídos neste estilo, tanto no plano religioso, quanto civil, como vimos na matéria anterior sobre a Lonja de Valencia. Outro exemplo da arquitetura gótica adaptada ao uso civil constitui o Edifício da Generalitat Valenciana, isto é, a sede do governo regional da Comunidade Valenciana. A Generalitat teve como origem a necessidade da Coroa para recadar impostos e logo o edifício passou a sediar o organismo representativo do Reino antes às cortes. Sua construção iniciou-se em 1421, e no século seguinte se colocou uma torre, já no estilo renascentista. Na foto vemos o edifício iluminado, pois estive na cidade em plena época natalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém pertencente ao Estilo Gótico Valenciano, o Almudín foi construído no princípio do século XV como um local de armazenamento e venda de trigo. Seu nome provém da palavra árabe Almud, uma medida relacionada aos graos. Considerado monumento histórico-artístico, desde 1996 funciona como um centro cultural. Vemos o edifício na foto abaixo, à esquerda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia conta com inúmeras igrejas góticas, apesar que as reformas subsequentes alteraram a fisionomia de muitas delas. A primeira que visitei foi a Igreja de San Agustín, que fazia parte do antigo Convento dos Frades da Ordem de Santo Agostinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi gravemente afetado, tanto na Guerra da Independência contra os franceses, quanto na Guerra Civil Espanhola do século XX. Por este motivo, a igreja teve que ser restaurada em 1940. Abaixo, vemos algumas fotos de seu belo interior, com destaque para um ícono bizantino situado no altar maior, denominado Nossa Senhora de Grácia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro da Catedral situa-se a Igreja de Santa Catalina, edificada a partir do ano 1300, num momento em que se começaram a construir templos católicos sobre as antigas mesquitas árabes. Recebeu este nome por um desejo expresso do Rei Jaime I, em honra a sua filha a Infanta Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1548, a igreja sofreu um grande incêndio, e foi parcialmente reconstruída. Entre 1688 e 1705, se construiu a torre campanário, obra de Juan Bautista Viñes, considerada uma das obras primas do Barroco Valenciano, e um dos símbolos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1936, a igreja foi assaltada e incendiada. Na década de 50 foi restaurada, devolvendo-lhe seu aspecto gótico original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à Lonja de Valencia, na Praça do Mercado, se localiza a Real Paróquia de los Santos Juanes (São João Batista e São João Evangelista). Erguida sobre uma mesquita árabe, sofreu diversas remodelações ao longo de sua história. Erguida originalmente no século XIII, foi reconstruída nos séculos XIV e XV devido aos vários incêndios que foi vítima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII e começo do XVIII, adquiriu seu aspecto barroco atual, sendo que sua parte exterior apresenta uma fachada a modo de retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central vemos uma escultura da Virgem do Rosário, realizada por Jacopo Bertesi. Sobre ela, a torre do relógio (imagem acima).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe intitula Real depois da visita que a Rainha Isabel II realizou ao templo em 1858. Em 1947, recebeu o título de monumento histórico-artístico. Uma pena que permaneceu fechada durante minha estadia, esta que é considerada uma das igrejas mais belas de Valencia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com o Real Convento de Santo Domingo, construído durante o reinado de Jaime I. Ampliado nos séculos XIV, XV e XVI, foi sede das Cortes do Reino de Valencia e nele se realizou o casamento de Felipe III com Mariana de Áustria. Lamentavelmente, também não pude visitá-lo e contemplar seu claustro gótico…

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Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Monastério de Piedra – Parte 2

Durante os quase 650 anos que o Monastério de Piedra foi habitado, os monges tiveram que abandoná-lo em três ocasiões. A primeira delas ocorreu em 1809, durante o contexto da Guerra da Independência. Um decreto do irmão de Napoleao, José I, supôs a supressão da comunidade religiosa. Os monges foram expulsos e o monastério foi saqueado pelo exército do imperador francês, transformando-se num hospital. Terminada a guerra em 184, o rei espanhol Fernando VII autorizou os monges sobreviventes a recompor a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1820, durante o processo político conhecido como Triênio Liberal, a comunidade voltou a ser suprimida e os bens religiosos foram nacionalizados, sendo que alguns deles acabaram leiloados. Três anos depois, os monges novamente retornaram ao monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1835, a rainha regente Maria Cristina de Borbón decretou a promulgação da lei de dissolução das ordens religiosas masculinas e a desamortização dos bens eclesiásticos, provocando o fim definitivo do Monastério de Piedra. Durante a visita que se realiza por suas dependências, observamos a grande quantidade de imagens que foram mutiladas durante o século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do século XII, edificada na fase final do estilo românico, foi destruída durante o início do século XIX. Acima e abaixo, podemos observar algumas imagens do templo que atualmente se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro, um dos pilares da vida monacal, é robusto e austero, seguindo os ditames prescritos pela Ordem Cistercense. Recentemente foi restaurado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo seu redor, se organizam as várias dependências do monastério. A Sala Capitular, por exemplo, constituía um local de reuniões em que se tomavam as principais decisões a respeito da vida na abadia, como seu planejamento econômico, a admissão de novos integrantes e a confissão pública de faltas cometidas. Nela eram lidos os capítulos da Regra de San Benito. Este emblemático espaço do século XII se conserva, felizmente, em boas condições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm lugar impressionante dentro do monastério é o denominado “Passadizo de los Conversos“, uma espécie de túnel utilizado pela comunidade de conversos, formada por indivíduos que auxiliavam os monges nas tarefas diárias. Trata-se do único existente no país construído dentro do estilo românico que ainda se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério possuía um local que servia como depósito de provisões e onde se guardava o vinho elaborado pelos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o local acolhe uma exposição de aparatos agrícolas e o Museu do Vinho da Denominação de Origem Calatayud.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outra de suas dependências podemos admirar uma exposição de carruagens antigas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos fatos mais curiosos do monastério sucedeu  na cozinha, pois foi nela que se produziu por primeira vez o chocolate na Europa, quando um monge que pertencia ao monastério trouxe, em 1531, o cacau do continente americano e a receita do delicioso produto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1840, cinco anos depois do processo de desamortização, o monastério passou a ser uma propriedade privada, cujo dono se chamava D. Pablo Muntadas Campeny. Seu filho, Juan Federico Muntadas, transformou a horta do monastério num excepcional parque natural, que veremos no próximo post. Além do mais, converteu parte das instalações conventuais num hotel com funções hidroterápicas. Hoje em dia, podemos visitar o parque e o monastério e passar alguns dias na própria hospedaria do monastério, com conforto, excelente gastronomia, num ambiente perfeito que reúne  beleza natural e história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20160912_180846Em 1983, o Monastério de Piedra foi declarado Monumento Nacional.

A Constituiçao de Cádiz

Um dos fatos históricos mais importantes sucedidos em Cádiz foi a promulgação da Constituição de 1812, um acontecimento fundamental na vida do país por ter sido a primeira carta magna elaborada na Espanha. Foi aprovada em plena Guerra da Independência (1808/1814), num período em que o país foi governado por José Bonaparte, irmão do imperador Napoleão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Constituição de Cádiz foi a resposta do povo espanhol à invasão  comandada pelo imperador francês. Considerada uma das mais liberais de sua época, tornou-se conhecida como “La Pepa“, uma alusão a José Bonaparte, vulgo Pepe Botella. Apesar de sua transcendência, a constituição teve uma vida efêmera, pois foi abolida quando o monarca Fernando VII retorna de seu cativeiro na França no final da guerra, implantando o mais duro absolutismo no governo do país durante 6 anos (1814-1820). Atualmente, podemos visitar vários lugares associados a este grande momento histórico da cidade, como o Monumento à Constituição de 1812, erguido em 1912 para celebrar seu primeiro centenário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bela homenagem foi projetada pelo arquiteto Modesto López Otero (1885/1962) e o escultor Aniceto Marinas (1866/1953).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Constituição de Cádiz foi promulgada no Oratório de San Felipe Neri, um templo barroco de grande relevância no panorâmico artístico de Andaluzia, por ser um dos poucos existentes construídos numa planta elíptica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1907, tanto por sua singularidade arquitetônica, quanto por sua importância histórica, pois tornou-se a sede da corte durante a elaboração da constituição. No exterior, várias lápides comemorativas celebram este grande momento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo ao Oratório situa-se o Museu Iconográfico e Histórico das Cortes e do Sítio de Cádiz, também inaugurado em 1912 como comemoração de seu primeiro centenário. O edifício foi projetado pelo arquiteto Juan Cabrera Latorre, que concebeu uma fachada de inspiração neoclássica. Acolhe abundantes objetos dos séculos XVIII e XIX, principalmente aqueles relacionados com o assédio das tropas francesas ocorrido entre 1810 e 1812. Evidentemente, conta também a história da Constituição de 1812

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto pelo qual Cádiz é conhecida internacionalmente se deve ao famoso carnaval realizado anualmente. Uma de suas maiores atrações, o desfile de fantasias, pode ser admirado no Teatro Falla, o mais importante da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bela construção neomudéjar foi iniciada em 1884, sendo finalizada somente em 1910, pelo mesmo arquiteto do Oratório de San Felipe Neri, Juan Cabrera de Latorre. Possui um formato de ferradura, e se assemelha muito às Praças de Touros edificadas no mesmo estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Teatro Falla foi construído no mesmo lugar onde anteriormente se erguia um teatro feito de madeira, incendiado em 1881. Os elementos da arquitetura islâmica destacam-se na fachada do edifício…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos nosso passeio por esta bela cidade com uma das joias de sua arquitetura contemporânea, o Hotel Parador Atlântico, que oferece estupendas vistas de Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 1929, foi totalmente reformado há alguns anos atrás, segundo os critérios mais avançados da tecnologia construtiva. O projeto se deve ao arquiteto Luis Collarte, que enfatizou a amplitude dos espaços e o aproveitamento da luz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma do hotel levou em conta as modernas normas ambientais, com painéis solares, coletores de águas pluviais, utilização de energia renovável, etc. Tive a oportunidade, junto com minha esposa, de saborear um almoço em seu restaurante, e provar sua deliciosa gastronomia.

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Castelo e Muralhas de Burgos

Apesar das transformações ocorridas nos últimos séculos, a Idade Média deixou um importante legado em Burgos, ainda visível num passeio pela cidade. Uma das principais construções deste período histórico é o Castelo, situado no Cerro de la Blanca ou das Flores, que a 75m sobre a própria cidade, era um local perfeito para a edificação de uma fortaleza militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Burgos foi construído durante o reinado de Alfonso III no ano de 884, coincidindo com a fundação da própria cidade. Está constituído por uma muralha com 2.30m de grossura com torres almenadas em seu entorno. Entre os séculos XI e XIII a fortaleza tornou-se a residência dos reis castelhanos. O castelo carece de Torre de Homenagem, um dos elementos mais emblemáticos dos castelos europeus medievais. Em seu lugar se construiu um palácio para o rei Alfonso X. Foi utilizado eventualmente como local de alojamento de personalidades importantes, encontros diplomáticos, celebrações da corte e também como prisão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto está formado por uma série de poços e galerias subterrâneas, cuja finalidade principal era prover de água os ocupantes do castelo, principalmente durante os assédios. Um destes poços possui quase 70m de profundidade. Abaixo, vemos uma das zonas onde se realizam trabalhos arqueológicos no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIV, passou a ser propriedade da nobreza, concretamente da família dos Stúñiga, que exerceu o governo da fortaleza até a chegada dos Reis Católicos. Posteriormente, funcionou como fábrica de pólvora e escola para artilheiros. No final do séc. XV ou princípio do XVI, o castelo foi reconstruído.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1736, sofreu um incêndio, mas durante a Guerra da Independência contra os exércitos de Napoleão os franceses reativaram suas funções militares, graças a sua estratégica localização. Antes de ser abandonado em 1813, as tropas do imperador francês explodiram o castelo. O acontecimento ocorreu sem que houvesse tempo para a evacuação total dos soldados, de modo que mais de 200 faleceram durante a sua destruição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa parte mais alta da fortificação, podemos contemplar toda a cidade de Burgos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento característico de toda a cidade medieval são suas muralhas, que em Burgos se conservam em algumas partes, como no recinto onde localiza o castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa época de sua fundação, os pequenos núcleos habitáveis existentes ao redor do castelo foram unidos por uma muralha no séc. IX. Os restos da muralha que se conservam atualmente pertence ao séc. XIII, quando o rei Alfonso X decidiu reconstruir a primitiva muralha em 1276, já que se encontrava em péssimas condições e deixavam fora boa parte dos novos bairros que surgiram nos séculos XII e XIII.

20150727_102333Uma boa forma de conhecer os restos preservados é percorrer o chamado Paseo de los Cubos, assim denominado pelas torres circulares que aparecem junto ao muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerca tinha a função principal de separar fisicamente a cidade, com seus foros e privilégios, do campo e aldeias circundantes, além de exercer o controle de impostos. No geral, possui de 8 a 10m de altura. A Muralha de Burgos foi declarada Monumento Histórico-Artístico por sua importância histórica. No próximo post, veremos as principais portas que a compunham e que sobreviveram a passagem dos séculos, algumas das quais se tornaram verdadeiros símbolos da cidade.

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Alcázar de Ciudad Rodrigo

Como unidade fundamental e complementária do sistema defensivo de Ciudad Rodrigo, o Alcázar, palavra de origem árabe que significa fortaleza, eleva-se na paisagem urbana da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar ou Castelo de Ciudad Rodrigo foi construído no séc. XIV, sob as ordens do monarca Enrique II, o primeiro rei da denominada Dinastia dos Trastámara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do conjunto, se ergue robusta a Torre de Homenagem, de formato quadrado com 17m de cada lado. Possui três níveis composto por janelas ojivais, um elemento característico da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortaleza foi erguida na zona menos acessível da cidade, sob um barranco escarpado em direçao ao rio. Do alto da Torre de Homenagem, temos uma bela vista do sistema fortificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ possível visitar o Alcázar, já que desde 1931 foi transformado num estabelecimento da rede hoteleira Parador Nacional, que se diferencia por estarem situados em locais históricos. Depois de uma reforma, foi reaberto para o público em 2000.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Alcázar foi rodeado por uma muralha própria que conta com várias torres de vigilância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortificaçao desempenhou um importante papel na Guerra da Independência contra um exército francês composto por 50 mil soldados. Apesar da resistência oferecida, as pequenas tropas espanholas capitularam em 1 de junho de 1810.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara a realizaçao do projeto de construçao, Enrique II contratou o arquiteto Lope Arias Jenízaro, que transformou o Alcázar num dos símbolos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara chegar ao topo da torre, subimos por uma estreita e empinada escada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do próximo post, realizaremos um passeio pelo Centro Histórico de Ciudad Rodrigo, revelando seus palácios e monumentos mais importantes….

Ronda – Parte 2

Ronda desempenhou um importante papel histórico durante a ocupaçao árabe da península, e os monumentos que conserva desta época sao testemunhos disso. Em breve, conheceremos um pouco deles. Em 1485, foi conquistada pelos Reis Católicos, sete anos antes da tomada definitiva do último reduto árabe da Península Ibérica, a cidade de Granada. Os séculos seguintes possibilitaram uma época de esplendor, cuja configuraçao arquitetônica podemos admirar atualmente.OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte principal da antiga Madinat árabe será agora denominada “cidade”. O Bairro Alto se transformará no Bairro do Espírito Santo e o Baixo ou da Judería, no atual Bairro de San Miguel. O desenvolvimento provocado pelo crescimento da pecuária, indústria e a mineraçao dotou a cidade de inúmeros monumentos, como a Porta de Felipe V, construída em 1742, durante o reinado do primeiro monarca da dinastia borbônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa mesma época é a Fonte dos 8 canos

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVIII é o Edifício do Ayuntamiento (prefeitura), levantado em 1734.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO novo traçado urbano da cidade teve como consequência o aparecimento de novas espaços públicos, como a Praça de Espanha. Construída no princípio do séc. XIX, é uma das mais importantes e frequentadas da cidade. Nela, situa-se a antiga Casa Consistorial, de 1843, e transformada em Parador Nacional em 1994 (à esquerda na foto). No centro da praça, vemos o monumento em homenagem ao rondenho Antonio de los Ríos Rosas (1808/1873), ilustre político que chegou a ser Deputado, Ministro e Presidente do Congresso em 1862.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Guerra de Independência, travada contra as tropas francesas de Napoleao, afetou profundamente a cidade de Ronda. Muitos moinhos e cultivos foram arruinados, e a economia tornou-se precária. A invasao dos franceses originou o fenômeno do Bandoleirismo, devido à formaçao de guerrilhas para combater o exército estrangeiro. Depois dos estragos provocados pela guerra, os guerrilheiros ficaram sem recursos básicos de subsistência, dedicando-se aos assaltos dos caminhos da serra de Ronda e o contrabando de produtos vindos de Gibraltar. Alguns destes personagens tornaram-se lendários, como o famoso José Maria “El Tempranillo”. Sua história, e de outros personagens, podem ser conhecidas no excelente Museu dos Bandoleiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com uma excelente exposiçao, composta por fotos antigas, documentos, trajes utilizados pelos bandoleiros mais conhecidos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs façanhas e histórias destes personagens que ainda impregnam o imaginário popular da regiao foram amplamente retratados pelos viajantes românticos, como por ex., Washington Irvine, que utilizou Ronda e suas curiosas histórias como fonte de inspiraçao para suas novelas. Muitos outros escritores deixaram para a posteridade suas impressoes sobre a cidade, e em sua memória, foi construído um belo e justo monumento.

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