Salamanca Romana e Românica

Os primeiros povoadores do que hoje conhecemos como a cidade de Salamanca se assentaram nas margens do Rio Tormes há cerca de 2500 anos atrás. No ano de 220 aC, Aníbal, o grande general de Cartago, em seu avanço pela Península Ibérica, sitiou e conquistou a antiga cidade de Helmántica. Finalizada a II Guerra Púnica, o vitorioso exército romano expandiu-se pela península, anexionando a cidade, que passou a integrar a Província Romana da Lusitânia. Durante este período, se construiu uma enorme ponte que cruza o Rio Tormes, também conhecida como Ponte Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARestaurada em diversas ocasioes, dos 26 arcos que está constituída, 15 sao de época romana. Sua data de construçao nao se conhece com precisao, estando situada entre os mandatos dos imperadores Augusto e Vespasiano, durante o séc. I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao da ponte visava oferecer uma estrutura que cruzasse o rio para os viajantes que percorriam a denominada Via de la Plata, que comunicava as antigas cidades romanas de Emérita Augusta (hoje Mérida) com Astorga. Entre os séculos XII e XIII, se reconstruiu a parte da ponte mais afastada do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1627, foram realizadas uma das maiores intervençoes em sua estrutura, devido às fortes enchentes provocadas pelo rio. Declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931, seu uso atualmente é exclusivo para pedestres, que aproveitam o espaço criado em seu entorno para a prática desportiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalamanca esteve fortificada em vários períodos de sua história. A chamada Cerca Velha foi levantada durante a dominaçao romana. A muralha nova foi erguida na Idade Média (séc. XIII),mas grande parte de seu perímetro se perdeu durante o processo de expansao da cidade, conhecido como Ensanche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco se sabe da época visigoda de Salamanca, exceto que foi sede episcopal já no séc. VI dC. Conquistada pelos muçulmanos no séc. VIII, ficou praticamente destruída durante as frequentes invasoes a que foi submetida, e a cidade foi abandonada. Salamanca foi reconquistada pelos Reinos Cristaos e repovoada por Raimundo de Borgonha, genro do monarca Alfonso VI, da mesma forma que sucedeu com a cidade de Segóvia. A partir de entao, se formam as bases da cidade atual. Muitas das construçoes desta época foram edificadas no estilo em voga naquele momento, o Românico. Um exemplo é a Igreja de San Marcos, que foi construída num pouco habitual formato circular, no final do séc. XI ou no começo do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs estudiosos nao chegam a uma conclusao defintiva sobre o porquê e com que finalidade foi levantada desta forma, já que a planta circular é rara dentro dos templos religiosos românicos. A construçao se caracteriza também pela quase total ausência decorativa de seus muros, compondo uma estrutura sóbria e austera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPróxima à belíssima Praça Maior de Salamanca, que em breve veremos com detalhes, encontramos a Igreja de San Martín, erguida no Estilo Românico no séc. XII. San Martin de Tours é um santo francês, e entre os episódios de sua vida se tornou famoso aquele que montado sobre um cavalo, divide suas roupas com um mendigo, fato retratado numa escultura policromada que decora a Porta do Bispo da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das construçoes pertencentes ao periodo românico se perderam, como a Igreja de San Cebrián, levantada no séc. XII e desaparecida no XVI. Se conserva apenas a cripta, um lugar lendário que, segundo a tradiçao popular, era o local onde lecionava aulas de ciências ocultas o próprio Satanás. Disfarçado de sacristao, dava cursos de adivinhaçao, magia, etc, a sete alunos durante sete anos, um dos quais permaneceria o resto de sua vida ao serviço do diabólico mestre. O escritor Miguel de Cervantes ofereceu um caráter burlesco a lenda em sua novela “A Cova de Salamanca”. A tradiçao foi levada a América Espanhola, e muitos dos lugares de reunioes de bruxas e demônios ficaram conhecidos como Salamancas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois da reconquista, a Diocese de Salamanca foi restaurada, iniciando-se a construçao da Catedral Românica no séc. XII, cuja matéria foi publicada em 24/07/2012. Abaixo, vemos uma foto da Capela Maior e seu impressionante retábulo, coroado por frescos representando o Juízo Final, realizado pelo pintor Nicolás Florentino em 1445.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo está presidido por uma imagem da Virgen de la Vega, padroeira da cidade. Finalizamos o post com uma imagem da Capela de San Martín, repleta de pinturas murais medievais.

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Barcelona Romana

As colinas que fazem parte da paisagem de Barcelona já estavam ocupadas desde o séc. IV aC, principalmente no atual bairro de Montjuic. Devido à sua localização, próximo ao porto formado pela desembocadura do rio Llobregat, e por situar-se numa zona mais elevada que as demais, adquiriu uma posição estratégica no controle das rotas comerciais da região. Os povos autóctonos comercializavam produtos agrícolas, vinho e azeite de oliva por recipientes de cerâmica e utensílios de metal com a cidade de Empúries, situada ao norte da península, e também com os centros comerciais controlados pelos cartagineses na costa sul e Ilhas Baleares.

Esta situação modificou-se com as chamadas Guerras Púnicas entre Cartago e Roma, que lutavam pelo domínio do Mediterâneo. Dessa forma, os romanos invadiram a Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro assentamento romano na futura Barcelona situou-se no monte Táber e foi utilizado como posição defensiva. Depois da vitória sobre os cartagineses, iniciou-se o processo de colonização e pacificação do território conquistado. Barcino foi fundada entre os anos 15 e 10 aC, durante o reinado de Augusto. No princípio, o povoado carecia de importância dentro do império, ma devido à sua estratégica localização, seu papel foi tornando-se cada vez mais relevante. A prosperidade econômica fez com que  o povoado se transformasse de colônia em civitas durante o governo de Caracalla (211/217 dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mediados do séc. III, porém, a cidade foi invadida e arrasada pelos francos. Posteriormente, para evitar novos ataques, o imperador Cláudio ordenou a construção de uma poderosa muralha, transformando Barcelona na cidade melhor defendida do território catalão nos dez séculos seguintes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortificação estava composta por 76 torres, sendo que duas delas sustentavam a porta de entrada da cidade, e que podemos contemplar atualmente na Praça Nova, ao lado da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdossada a uma das torres, vemos os restos do aqueduto que levava água à cidade.

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Muitas das seções desta antiga muralha estão integradas a edifícios de épocas posteriores, como podemos ver no emblemático bairro gótico de Barcelona.

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A cidade romana estruturava-se ao redor do Monte Táber, onde situava-se o fórum e os principais edifícios públicos e políticos e que hoje em dia continua como o centro político da capital catalã, na conhecida Praça de Sant Jaime, que acolhe a sede da prefeitura e da Generalitat da Catalunha.

Uma excelente maneira de conhecer a antiga Barcino é visitar o Museu de História da cidade, localizado na Praça do Rei. Situado num palácio do séc. XV, tanto o pátio quanto a escada de acesso ao interior do museu são de época gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo subsolo da instituição, podemos conhecer um de seus maiores atrativos, um impressionante trajeto que cobre uma área de 4000 metros quadrados com os vestígios arqueológicos da época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs escavações realizadas permitem contemplar ruas, casas com mosaicos e até uma instalação vinícola, em que se pode conhecer a elaboração da apreciada bebida durante o séc. III dC.

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Além disso, o museu conserva em seu acervo estátuas e bustos de personagens romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu vemos também restos de pinturas que decoravam as casas de Barcino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outro centro cultural fundamental da cidade, o museu Frederic Marès, existem esculturas relativas à época da dominaçao romana.

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Um dos legados da época romana mais incríveis existentes na cidade está atualmente localizado num edifício que sedia o Centro Excurcionista de Catalunha. Trata-se do templo de Augusto, datado da época da fundação da cidade (séc. I aC). Conservam-se 4 colunas coríntias do templo que foi consagrado ao culto imperial. A estrutura dominava a paisagem do fórum, ao estar situado num local elevado.

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