Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

A Valencia Romana

Valencia, capital da Comunidade Valenciana, está localizada na região leste da Espanha. Um de seus grandes atrativos, que lhe proporcionam uma importante fonte econômica, estão representados por suas convidativas praias, frequentadas por turistas nacionais e estrangeiros, transformando a cidade numa das mais visitadas do país. Além do mais, conta com um rico patrimônio histórico, artístico e cultural, e seu centro antigo é um dos maiores de toda a Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do post de hoje, iniciarei uma grande série sobre esta que é a terceira cidade do país, somente superada por Madrid e Barcelona. Valencia possui aproximadamente 800 mil habitantes, e sua zona metropolitana alcança mais de 1.5 milhao de habitantes. A cidade transformou-se no início do século XXI num foco da arquitetura contemporânea, com a construção do complexo da Cidade das Artes e das Ciências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Habitada originalmente por uma tribo ibérica, os Edetanos, a história da cidade inicia-se em pleno período romano, precisamente no ano 138ac, quando o cônsul Junio Bruto decide fundar uma nova cidade para acolher 2 mil soldados, recebendo o nome de Valentia Edetanorum. Podemos descobrir as origens da cidade no Museu de Almoina, que acolhe uma extensa zona arqueológica com as ruínas que foram encontradas no centro histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua época romana, Valencia contava com grandes edifícios públicos, como as Termas. Construídas no século II ac, estão consideradas como uma das mais antigas de todo o mundo romano, e seus restos podem ser vistos no museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje, Valencia é uma cidade de estrutura urbana herdada dos romanos. A zona mais importante da urbe romana estava constituída pelo Forum, que aglutinava seus edifícios de maior importância. Construído no século I dc, seu espaço formava uma grande praça, onde se desenvolvia a vida religiosa, comercial e jurídica da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele se encontravam os edifícios públicos vinculados ao governo municipal, estando delimitado por um conjunto de pórticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade estava cercada por uma grande muralha, localizada numa estratégica posição junto ao Rio Turia. Adquiriu uma maior relevância no século III dc, com a destruição da cidade de Sagunto, então capital imperial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais curiosas que podemos contemplar no museu é este objeto feito de vidro, um dos mais destacados feitos com este material de toda a Hispania. Encontrado em Valencia, possuía uma função litúrgica. Realizada em Roma no século IV dc, o recipiente foi fabricado com grande qualidade, e recebeu elementos decorativos com temas relacionados à simbologia católica. É considerado o objeto relacionado ao cristianismo mais antigo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seu período romano, Valencia foi o cenário de um dos martírios mais importantes do cristianismo primitivo, o de San Vicente Mártir. Diácono de Cesaraugusta, hoje Zaragoza, chegou a Valencia com o objetivo de difundir o cristianismo, no século IV dc. Esta época coincide com a perseguiçao realizada contra os adeptos da nova religião, promovida pelo Imperador Diocleciano, que condenou San Vicente à morte. Abaixo, vemos uma estátua do mártir numa das inúmeras pontes que cruzam a cidade.

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Museu Provincial – Ciudad Real

Este último post sobre Ciudad Real está dedicado ao Museu Provincial, o principal da cidade. Criado em 1976, consta de duas sedes. A que acolhe a coleção de arqueologia e paleontologia está situada na Calle del Prado, num edifício projetado por Carlos Luca de Tena, e inaugurado em 1982.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao museu facilita a compreensão da história, dos povos e do território onde se localiza Ciudad Real, através de suas peças arqueológicas, e da fauna e flora existente na região, através dos fósseis encontrados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seção de Arqueologia se estende desde o Paleolítico até a Idade Média, época em que foi fundada a cidade, com destaque para os inúmeras culturas que habitaram a zona. Em suas diversas salas, pude aprender diversos aspectos relacionados aos Iberos, como por exemplo, seus rituais funerários. Os Iberos acreditavam no além e praticavam o rito de incineração do cadáver. O fogo tinha, portanto, uma importância fundamental na purificação do indivíduo e no trânsito para a outra vida. Seus restos eram depositados em urnas de cerâmica, sendo acompanhado de objetos pessoais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm linhas gerais, estes objetos correspondiam às armas, se o defunto pertencia à classe de guerreiros, ou relacionados à vida doméstica. Alguns dos objetos encontrados constituem verdadeiros tesouros ibéricos, como o que vemos a seguir, chamado de Tesouro de la Paloma, encontrado na Província de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma cerâmica ibérica

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA religiosidade destes povos se expressavam através de celebrações realizadas em santuários públicos, lugares de cultos sagrados nos quais eram feitas oferendas às divindades. Em alguns destes santuários foram encontrados uma grande quantidade de exvotos de bronze, que eram oferecidos como forma de agradecimento por alguma graça concedida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa época romana do território (Hispania), o destaque fica por conta dos mosaicos, além de outros temas abordados, como a importância da moeda na economia do império.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte dedicada aos visigodos também é de muito interesse. Num princípio os visigodos, no aspecto religioso, professavam o Arrianismo, uma doutrina considerada herética pelo cristianismo ortodoxo, pois negava a dupla natureza de Cristo e a Santíssima Trindade. Por este motivo, nos primeiros anos da presença visigoda na Espanha conviveram duas igrejas, a Católica Romana para os antigos habitantes (hispanoromanos) e a Arriana. Esta separação terminou em 589 dC durante o III Concílio de Toledo, quando o rei visigodo Recaredo se converteu ao catolicismo, impondo a religião a toda a população. Muitos dos objetos encontrados desta época são capitéis que decoravam o interior das igrejas, como este que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs visigodos eram exímios produtores de objetos feitos de metais, fabricados para o adorno pessoal, como colares, pulseiras, broches para cintos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos utensílios de maior fama da cultura árabe, a cerâmica, conta com vários exemplares na coleção permanente do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA tradição mudéjar também está presente, como neste painel de azulejos…OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma de suas salas podemos admirar uma Porta Mudéjar, procedente do antigo bairro judeu (Juderia) de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção de Paleontologia exibe diversos fósseis, tantos vegetais, quanto animais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAImpressionante de verdade é o esqueleto completo de um Mastodonte

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra sede do Museu Provincial está dedicada à coleção de Belas Artes, e se encontra no Antigo Convento de la Merced, que vimos na matéria passada. Espero que tenham gostado desta cidade castelhana e que possam algum dia visitá-la. Desde Madrid, se pode chegar até ela em trem de alta velocidade (AVE), e a viagem dura apenas uma hora…

 

Alcázar de Elche e Museu Arqueológico

Um dos principais monumentos históricos de Elche é o Alcázar de la Señoria, que foi a residência dos governantes da cidade entre os séculos XV e XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém conhecido como Palácio Altamira, esta fortaleza é uma das mais importantes de toda a Província de Alicante. Nele encontramos restos da etapa árabe da cidade, datados entre os séculos XI e XIII, mas a maior parte da construção pertence aos séculos XV e XVI, como sua muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor seu caráter de fortaleza militar, acolheu a personagens importantes, como o rei Jaime II, Pedro IV e os Reis Católicos. Sua fachada principal compreende duas torres semicirculares e a denominada Torre de Homenagem, de planta quadrada, que vemos acima. Abaixo, vemos o Pátio de Armas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seu interior se conserva uma parte da muralha árabe e uma de suas portas (final do século X e princípio do XI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao Alcázar se complemente com o Museu Arqueológico e Histórico de Elche (MAHE), situado numa parte reformada para acolher suas inúmeras peças (2006)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Arqueológico foi criado por Alejandro Ramos Falqués, principal arqueólogo do recinto de Alcúdia, local onde foram encontradas muitas das obras expostas e situada a pouca distância de Elche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 1940, sua coleção de peças arqueológicas foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1962, fato que revela sua importância. Em suas diversas salas, a exposição permanente nos permite conhecer os diversos períodos por que passou a cidade de de Elche, com peças representativas de cada período e seu contexto histórico.Cada sala corresponde a um determinado período, e a tecnologia está presente em todo o trajeto do museu, tornando a visita didática e atraente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Elche povoada pelos iberos denominava-se Ilici (século V a I aC), e sua localização se encontrava a 3 km da cidade atual. Desta época, podemos admirar diversas obras de interesse, como o Vaso de Tanit, decorado com a figura de uma divindade relacionada com deusas femininas ligadas à cultura grega, como Deméter, ou às divindades de origem púnicas, como Tanit.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs vários aspectos do mundo ibérico são apresentados, com destaque para o mundo dos mortos e as esculturas a ele relacionados, representando a animais como o touro, a vaca e o leão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Museu Arqueológico vemos uma réplica da escultura ibérica mais famosa que existe, a Dama de Elche, cujo original se encontra no Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século I aC com a chegada dos romanos, Elche passou a ser uma colônia com o nome de Iulia Ilici Augusta. Deste período selecionei uma belíssima peça, o chamado Eros de Algorós. Esculpida em mármore branco, tinha a função de cobertura de um sarcófago infantil.

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Empúries – Província de Girona

Para os interessados no passado remoto da Península Ibérica, um dos passeios obrigatórios que se pode realizar pela Comarca de Alt Empordà (Província de Girona, Comunidade da Catalunha) é a visita ao recinto arqueológico de Empúries.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local é considerado um dos parques arqueológicos de maior importância em toda a península, pois é o único que conserva restos de uma colônia grega (Emporion, fundada no século VI aC) e de uma cidade romana (Emporiae, fundada no século I aC), dentro de um espaço de grande beleza natural. Abaixo, vemos a entrada ao recinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAnualmente, milhares de pessoas visitam seus restos e o Museu de Arqueologia de Catalunha-Empúries, situado dentro de seus limites, contendo as peças mais significativas encontradas nas escavações realizadas. Seu descobrimento está relacionado ao movimento cultural ocorrido no século XIX, sendo que um de seus principais objetivos era recuperar as origens da cultura catalã . Em 1908, a Junta de Museus de Barcelona iniciou as escavações oficiais de Empúries, sob a direção do famoso arquiteto Josep Puig i Cadafalch.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local já havia sido habitada por comunidades indígenas, os Iberos, desde a fase final da Idade de Bronze (século IX ao VIII aC). A partir do século VII aC, estes povos mantiveram contatos comerciais com outras culturas mediterrâneas, como os gregos, fenícios e etruscos. Várias necrópoles encontradas (locais de enterramento) colaboraram para a compreensão desta etapa primitiva do assentamento. Dentro do museu, se exibem várias peças deste período, como uma ânfora ibérica usada para o transporte de matérias primas (séculos VI a I aC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObjetos de cerâmica relacionados ao ritual do vinho…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecipientes para perfumes realizados em pasta de vidro ( séculos V a IV aC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmpúries foi a porta de entrada das culturas clássicas na Península Ibérica. Por seu porto natural chegaram no século VI aC os gregos, e mais tarde o exército romano comandado por Cneo Cornelio Escipión, durante o desenlace da Segunda Guerra Púnica, fato que marcou o início da romanização do território (218 aC). É considerada a única cidade grega documentada arqueológicamente na península. Seu nome grego, Emporium, significa mercado, e desta denominação derivou o atual nome da comarca, Empordà. O centro da cidade grega chamava-se Ágora, local onde se desenvolviam as atividades políticas, sociais e comerciais, edificada no século II aC. Abaixo, vemos algumas das cisternas existentes em sua parte comercial, que abasteciam as famílias que não possuíam água em suas casas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte alta da cidade grega localiza-se a zona de templos religiosos, como o dedicado a Ísis e Serápis, divindades importadas da cultura oriental. A seguir, vemos o templo de Asclépio, deus da medicina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMagnífica é a estátua grega do século II aC encontrada em 1909, que se exibe no museu, desta divindade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade grega ainda esconde grande parte de seus tesouros, pois apenas uma pequena parte do conjunto foi escavada. Estava protegida por um conjunto de muralhas, como vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbas cidades, a grega e a romana, encontram-se completas, pois a diferença de outras cidades antigas, em Empúries não existiram construções superpostas, possibilitando a compreensão da estrutura urbana das duas culturas. Por este motivo, é também denominada a Pompeia Catalã . No próximo post, veremos a antiga cidade romana´…

 

Museu Arqueológico Nacional: Hispania

O período histórico em que a Península Ibérica se transformou numa província romana sob o nome de Hispania contribuiu de forma decisiva para a formação e paisagem do atual território espanhol. Basta observar a quantidade de cidades fundadas nesta época. Entre muitas outras, podemos citar Taragona (Tarraco), Barcelona (Barcino), Toledo (Toletum), Alcalá de Henares (Complutum), Mérida (Emerita Augusta), Zaragoza (CaesarAugusta), etc, etc. Muitos dos grandes monumentos realizados se conservaram e atualmente podemos admirá-los mesmo depois de dois milênios de história, como o Teatro de Mérida e o Aqueduto de Segóvia, ambos declarados Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo acervo permanente do Museu Arqueológico Nacional existem uma enorme quantidade de peças romanas, entre bustos, moedas, mosaicos, etc. Veremos algumas delas, inserindo-as dentro de seu contexto histórico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA invasão de um novo povo foi o responsável pelo futuro domínio da Península Ibérica pelos romanos. Isso ocorreu graças ao enfrentamento entre o Império Romano e a outra potencia marítima da época, Cartago, ambas em disputa pela supremacia do Mediterrâneo. No séc. VI aC, os cartagineses se apoderaram de Tartessos, uma colônia situada no sul da Andaluzia, rica em minérios, e que serviu de base de operações militares para a conquista do território, como o desembarque  efetuado em Cádiz em 238 aC. Aliás, a riqueza mineral e agrícola destas terras foram um dos principais motivos do interesse  destes povos em submeter a península. Almícar Barca, o general cartaginês encarregado destas manobras militares, quis reorganizar suas forças e compensar as perdas sofridas durante a I Guerra Púnica, travada entre os dois impérios. Depois de sua morte em 228 aC, foi substituído por Asdrúbal, que estendeu seus domínios, fundando a cidade de Cartago Nova, atual Cartagena (Comunidade Murciana). Assinou também um acordo com os romanos, no qual ambos impérios dividiam o território a ser conquistado, com o Rio Ebro como fronteira natural entre cada um deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, seu herdeiro, Aníbal, não admitia limites em relação aos seus propósitos de conquista. Empreendeu uma grande guerra contra Roma, utilizando a península como uma plataforma de ataque. Tomou algumas cidades que mantinham contatos comerciais com o Império Romano, como Sagunto, por exemplo. A resistência desta cidade, que recebeu auxílio dos romanos, foi o fator decisivo para a eclosão da II Guerra Púnica (218/102 aC). O general romano Publio Cornelio Escipión “El Africano” derrotou os cartagineses, tomando Cartago Nova em 207 aC e expulsando-os de Cádiz. A partir de então, a península começava a fazer parte do Império Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da vitória contra Cartago, faltava ainda submeter os povos ibéricos (ou celtíberos), cuja resistência foi muito maior do que os romanos podiam imaginar. A conquista da famosa cidade de Numancia (Província de Sória) tornou-se um símbolo da resistência ibérica, junto com a liderança de Viriato, célebre guerreiro e chefe da resistência lusitana. Somente no ano 19 aC, o General Agripa, um dos melhores do Império Romano na época, conseguiu derrotar os cántabros e astures, povos ibéricos que viviam nas montanhas situadas ao norte da península. Por fim, Roma era dona de todo o território peninsular, que passou a ser chamada de Hispania, cujo significado é “terra onde os coelhos são abundantes”. Mesmo durante o processo de conquista, a romanizaçao impregnou pouco a pouco os costumes dos povos autóctonos em todos os âmbitos da vida. A dominação romana foi a primeira tentativa de tornar a Península Ibérica uma unidade territorial ao instalar-se uma concepção política única. No plano administrativo, Roma dividiu a península em duas províncias, no ano 197 aC: Hispania Citerior e Hispania Ulterior. No ano 27 aC, na época do Imperador Augusto, passou a ser dividida em três províncias: Lusitania, Baética e Tarraconensis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras públicas começaram a serem construídas de uma maneira vertiginosa. Para poder comunicar as cidades, foram planejadas uma enorme quantidade de vias, as chamadas calçadas romanas, que chegaram a totalizar 10 mil quilômetros. Muitos destes caminhos continuaram sendo utilizadas na Idade Média e serviram de base para a construção das modernas estradas. Entre as mais importantes encontravam-se a Vía de la Plata e a Vía Augusta, onde foi encontrado este milliario, uma espécie de marco situado nas calçadas que equivalia a mil passos (aproximadamente 1.5 Km).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das características principais das classes dirigentes no Império Romano, a divinização dos imperadores tornou-se um eficaz meio de propaganda política e um pilar básico do estado e da vida municipal. Abaixo, vemos a representação escultórica de Tibério (direita), imperador entre 14 e37 dC. Ao seu lado, vemos sua mãe e esposa de Augusto, Lívia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrês imperadores romanos nasceram na Hispania, Trajano, Adriano e Teodosio. A ascensão política até suas nomeações como imperadores comprovam a importância que Hispania adquiriu dentro do grande império. Para Roma, a Península Ibérica se havia transformado num enclave comercial e estratégico de primeira magnitude. A seguir, vemos um busto de Trajano, o primeiro imperador de origem hispano. Governou de 98 a 117 dC, sendo considerado um excelente soldado e um bom administrador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFilho adotivo e sucessor de Trajano, Adriano pertenceu a uma família de senadores de Itálica (atual província de Sevilha), onde nasceu. Imperador entre 117 a 138 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, Teodósio, denominado O Grande, nasceu em Cauca, atual Coca, Província de Segóvia. Foi o último imperador que governou todo o império sozinho e sua importância foi fundamental ao transformar o catolicismo na religião oficial do império em 390 dC. No próximo post, continuaremos vendo alguns aspecto interessantes de Hispania através das peças do Museu Arqueológico Nacional de Madrid.

Museu Arqueológico Nacional: Os Iberos (Parte 2)

Algumas das principais obras primas pertencentes ao acervo do Museu Arqueológico Nacional estão vinculadas à cultura ibérica. Em sua maioria, são esculturas de grande qualidade artística que representam figuras femininas. Em seu contexto geral se conhecem como Damas. No Santuário del Cerro de los Santos, situado na Província de Albacete, foram encontradas algumas destas figuras, como a Grande Dama Oferente que vemos abaixo (pedra calcária, séc. III aC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta escultura feminina, em tamanho quase natural e numa atitude de oferenda, foi associada, por sua vestimenta e ornamentação, a uma mulher jovem apresentando-se diante de uma divindade, como parte de um rito de passagem. Estas outras imagens que vemos a seguir, no entanto, correspondem a mulheres de idade madura e classe social elevada. Podem estar relacionadas também a certas divindades, a semelhança de deusas orientais entronizadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta outra peça, feita de argila, e datada entre os séculos IV e III aC, é conhecida como a Dama de Ibiza, por ter sido encontrada nesta ilha. Aparece com os braços levantados em atitude de oração e exibe uma rica decoração com motivos vegetais. Não se sabe ao certo se representam um personagem feminino realizando oferendas ou se trata de uma divindade, neste caso a Deusa Púnica da fertilidade e renascimento, Tanit.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs necrópoles ibéricas encontradas constituem uma prova indiscutível na crença da vida após a morte. Objetos colocados junto ao defunto se relacionam a personagens destacados da comunidade. O costume de incinerar o cadáver se generaliza neste período. Depois de sua cremação, seus restos são introduzidos numa urna que eram colocadas dentro da tumba. Em alguns casos, a própria escultura guardava os restos cremados, como no caso da excepcional Dama de Baza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta escultura de pedra estava em sua origem completamente policromada. Encontrada numa tumba em Baza, Província de Granada, representa uma divindade feminina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA famosa Dama de Elche se considera uma das grandes atrações do museu, e se transformou num verdadeiro ícone da cultura ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua identidade é um mistério, mas lhe foram atribuídas características humanas e divinas. Atualmente, sua representação é interpretada como o retrato de uma dama da aristocracia ibérica, cujos descendentes lhe haviam divinizado. Apresenta o rosto idealizado e ricamente vestida com joias. Originalmente também estava policromada  e com os olhos revestidos com um material feito de vidro. Seu achado foi ocasional, sendo encontrada na província arqueológica de La Alcúdia de Elche, Comunidade Valenciana. Rapidamente foi adquirida pelo Museu do Louvre de Paris, onde esteve exposta até 1941. Um acordo realizado entre os governos francês e espanhol propiciou sua devolução, regressando ao Museu do Prado até sua instalação definitiva no Museu Arqueológico Nacional em 1971. Feita de pedra calcária, foi datada entre os séculos IV e III aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras esculturas famosas foram relacionadas com a função protetora de tumbas, como a Bicha de Balazote, encontrada na Província de Albacete.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta escultura híbrida, um touro com cabeça humana, foi realizada em pedra calcária e com datação aproximada entre o final do séc. VI e princípio do séc. V aC, e sua influência grega é destacada. A partir do próximo post, conheceremos um pouco sobre a desintegração da cultura ibérica promovida através da conquista do território pelo Império Romano. Foi então quando as terras da Península Ibérica passaram a ser conhecidas como Hispania