Manuscritos Medievais do Castelo de Ponferrada

O Castelo Templário de Ponferrada guarda atualmente uma coleçao incomparável de documentos e manuscritos medievais. Em todo o mundo, somente na cidade é possível encontrar tamanha quantidade de livros religiosos, científicos e humanistas, ilustrados pelos melhores artistas de livros iluminados da Idade Média e do Renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos documentos existentes de excepcional valor histórico é o Processo contra os Templários, escrito 700 anos depois do acontecimento pelo Vaticano, a começo do séc. XXI. O livro é um dos 799 exemplares emitidos sobre a absolviçao histórica da Ordem Templária. Baseia-se no Pergaminho de Chinon, e contêm as atas do julgamento inquisitorial promovido contra a ordem. O pergaminho, que se havia perdido, foi encontrado em 2001 por Barbara Frale, uma investigadora italiana que revisava uma das milhares de estantes de livros da Biblioteca e Arquivo Secreto do Vaticano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs denominados Manuscritos Iluminados ou Ilustrados sao aqueles em que o texto é complementado com uma rica decoraçao. A maior parte dos manuscritos sobreviventes foram escritos na Idade Média, possuem uma temática religiosa, e foram criados à maneira de códices. Elaborados inicialmente em papiro, logo começaram a ser utilizados o pergaminho, material feito a partir da pele de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha. O chamdo Livro do Cavalheiro Zifar é um deles. Trata-se do primeiro relato de aventuras de ficçao escrito em prosa no idioma espanhol, e foi redatado entre 1300 e 1341. Apresenta as características de uma típica novela de cavalheria, e seu autor foi provavelmente Fernand Martínez, um clérigo de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, podemos visitar no Castelo de Ponferrada a Exposiçao Templum Libri, que reúne mais de 300 obras de um valor incalculável. As obras foram doadas à prefeitura da cidade por um colecionador, que enconntrou no espaço do castelo um lugar perfeito para que se tornem conhecidos e estudados. Evidentemente, nao nao as ediçoes originais, que se encontram em museus de todo o mundo, e sim ediçoes facsímiles, igualmente valiosas. Um facsímil é uma cópia exata do original e sao elaborados depois de um acordo com o proprietário do original, e a partir dele sao realizados um número limitado de cópias, entre cem e mil, dependendo do livro, sem a possibilidade de que sejam novamente copiados num prazo determinado de anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo início da Idade Média, os manuscritos eram elaborados no scriptorium dos monastérios, mas no séc. XIV já existia uma significativa indústria que se encarregava de sua produçao. A maior aportaçao espanhola  aos manuscritos medievais europeus sao os conhecidos Beatos.  O célebre Beato de Liébana, cujo monastério encontra-se no norte de Espanha (Cantábria), realizou comentários sobre o Apocalipse no séc.VIII, o último livro do Novo Testamento escrito por Sao Joao, que influenciou de modo significativo a cultura medieval. A obra foi copiada durante os duzentos anos seguintes em vários outros monastérios, e cada exemplar possui uma decoraçao única, sendo que os próprios comentários variam de um para outro. Na exposiçao Templum Libri podemos conhecer 17 deles, como o Códice de San Miguel de Escalada, escrito em 960 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Códice do Monastério de Santo Domingo de Silos, redatado e iluminado no séc. XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, o Códice do Monastério de Santa Maria La Real de las Huelgas, situado na Província de Burgos, escrito em 1220 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutros Manuscritos Iluminados comuns na Idade Média sao os denominados Livro das Horas. Cada exemplar é único, já que foram feitos exclusivamente para uma pessoa determinada, pertencente à nobreza ou casa real. Contêm oraçoes, salmos, assim como abundantes ilustraçoes referentes à devoçao crista. O livro continha um texto para cada hora litúrgica do dia, daí a explicaçao de seu nome. Foram compostos para as pessoas que desejavam incorporar elementos da vida monástica em seu cotidiano. Realizados nos séc. XV e XVI, constituem uma importante referência dos hábitos de vida do período, assim como uma excepcional fonte de iconografia crista. Um dos mais ricos jamais elaborados, o Livro de Horas de Bedford foi escrito em 1423, durante o período gótico. O original encontra-se na British Library de Londres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos códices mais importantes encontrados na Biblioteca Nacional de Espanha (Madrid) é o Livro de Horas de Carlos V (realizado em 1520 dC). Do total de 336 páginas que possui, 320 estao iluminadas com pinturas de alto valor artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADestinado ao público feminino, o Livro de Horas de Lorenzo de Médici (séc. XV) foi provavelmente um presente para o casamento de suas filhas. O livro é um refinado conjunto de textos iluminados  atribuído a Francesco Rosselli, um dos maiores expoentes da escola florentina de iluminaçao. A obra foi extraordinariamente encadernada com veludo. O original encontra-se na Biblioteca Medicea Laurenziana, de Florença.

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O Castelo de Molina de Aragón

Os castelos constituem uma poderosa imagem do inconsciente coletivo associada à Idade Média. Este período histórico compreendeu mil anos, desde seu início com a queda do Império Romano no séc. V dC até o descobrimento da América em 1492 ou a queda do Império Bizantino um ano depois. No séc. XV, portanto. Está dividida em Alta Idade Média (do séc. V ao X) e Baixa Idade Média (do XI ao XV). O conceito preconcebido de uma época obscura, tenebrosa, onde o homem foi julgado por seus preconceitos e atrasos técnicos há muito deixou de ser utilizado pelos historiadores e medievalistas em particular. Atualmente, a consideram como uma etapa crucial da história da humanidade, plena de desafios e realizações. Guerras e superstições a povoaram, é certo, mas mesmo com o notável progresso técnico surgido depois da Revolução Industrial, o homem não se livrou delas. Inclusive foi capaz, há um pouco mais de 70 anos, de infligir a maior matança generalizada da história. Parece que o “Animal Homem” independe de sua cronologia histórica, esperando apenas o momento oportuno para manifestar-se, com consequências cada vez mais desastrosas. Por isso, a visão de um Castelo provoca uma infinidade de sensações, uma combinação de mistério, grandeza, poder, arrebatamento, etc, etc. Mesmo depois de 7 anos vivendo na Espanha, não me deixa , absolutamente, indiferente em contemplá-los. E não foi diferente com o Castelo de Molina de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o castelo que vemos foi uma fortaleza árabe, construída durante os séculos X e XI, e habitado por Abengalbón, senhor da localidade e amigo pessoal de El Cid, como nos relata o Cantar de Mío Cid, acolhendo Rodrigo Díaz de Vivar  quando partiu de Castilla em direçao à Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEdificado com objetivo defensivo e residencial, depois da cidade ser reconquistada no séc. XII, transformou-se na fortaleza dos senhores cristãos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO castelo foi ampliado e sua construção foi finalizada por D.Blanca de Molina. Seus robustos muros possuem vários metros de grossura e contava com 8 torres, das quais se conservam a metade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Torre do Relógio é uma delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de Aragón encontra-se atualmente isolada da fortificação, e atuava como uma importante estrutura de vigilância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido à sua posição geográfica, no limite da fronteira entre os antigos Reinos de Castilla e Aragón, o castelo presenciou inúmeras batalhas, tanto na Idade Média, quanto na Guerra de Independência, travada contra os franceses no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XIX foi convertido em quartel militar. Desta época podemos ver um antigo banheiro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Molina de Aragón é considerado uma das maiores fortalezas de toda a Comunidade de Castilla-La Mancha, e um dos maiores atrativos desta cidade, repletas de surpresas e locais interessantes.

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