Calle de Alcalá – Madrid

Antes de iniciar o primeiro post de 2016, gostaria de desejar a todos (as) leitores (as)  um feliz 2016, repleto de realizações e felicidades. Aproveito também para agradecer  a visualização do meu blog, esperando que seu conteúdo seja do agrado de vocês. Inicio o ano com uma matéria sobre uma das mais importantes ruas de Madrid, a Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das ruas mais antigas e compridas da cidade, a Calle de Alcalá cruza a capital da Espanha de leste a este, num traçado de cerca de 10 km. Historicamente, representou o eixo de crescimento da cidade, até o período em que foi derrubada a antiga cerca de Felipe IV e o posterior alargamento urbano no processo conhecido como Ensanche de Madrid (segunda metade do séc. XIX), que possibilitou a abertura de grandes avenidas, como o Paseo de la Castellana. A partir de então, a cidade começou a expandir-se no sentido sul-norte. O primeiro trecho da Calle de Alcalá compreende o espaço entre a Puerta del Sol e a Plaza de Cibeles, que concentra uma grande quantidade dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Muitos deles já apareceram nas matérias do blog. Colocarei a data de sua publicação quando forem mencionados na presente matéria. Alternarei fotos antigas com imagens atuais, para que tenham uma ideia das transformações ocorridas nesta que é uma das vias urbanas mais importantes da cidade. Abaixo, vemos uma foto do Palácio das Comunicações, antiga sede central dos Correios da Espanha, situado na Plaza de Cibeles, e construído pelo arquiteto Antonio Palácios (publicado em 13/9/2012).

DSC09435Antigamente, este primeiro trecho da Calle de Acalá denominava-se Calle de los Olivares, devido a existência de oliveiras, que serviam de “abrigo” para os bandidos que se multiplicavam pela cidade em séculos passados. Por este motivo, as árvores foram derrubadas por ordem da rainha Isabel La Católica. O traçado da rua surgiu no século XV, seguindo o antigo caminho que levava à cidade de Alcalá de Henares, daí a explicação de seu nome. A seguir, vemos a foto de um quadro do pintor italiano Antonio Joli (Módena-1770/Nápoles-1777) intitulado “Vista de Madrid“, realizado em 1750, que oferece uma das imagens antigas mais célebres da Calle de Alcalá do séc. XVIII. O artista pintou o quadro durante sua estadia na capital, no período compreendido entre 1749 e 1754.

DSC08546No quadro podemos ver, na parte esquerda, a Igreja de San José, que ainda existe (matéria publicada em 10 e 11/4/2014). No centro, a primitiva Porta de Alcalá, que foi derrubada para a construção da atual na segunda metade do séc. XVIII. Ao seu lado, a antiga Praça de Touros, feita de madeira e com capacidade para 10 mil espectadores. Inaugurada em 1743, funcionou até 1874, quando desapareceu em virtude da construção do Bairro de Salamanca. Também do séc. XVIII é a Real Casa da Aduana que, apesar das reformas realizadas, conserva atualmente o seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma das obras de caráter civil mais importante deste século em Madrid, a Real Casa da Aduana foi erguida entre 1761 e 1769, e foi a primeira construção realizada na cidade pelo arquiteto real de Carlos III, Francisco Sabatini, autor também da Porta de Alcalá. Inspirada nos palácios italianos do séc. XVI, foi declarada Bem de Interesse Cultural em 1998 e atualmente é a sede do Ministério da Fazenda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto empregou no edifício os principais critérios adotados pelo Renascimento Italiano, como a horizontalidade e o sentido de proporção e harmonia, com poucos elementos decorativos. Ao lado, vemos um dos principais museus de Madrid, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, construído em 1725 (para maiores informações, ver a série de posts publicados entre 31/5 e 6/6/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de tornar-se Capital da Espanha em 1561, o crescimento de Madrid foi enorme, e na Calle de Alcalá começaram a aparecer conventos e mansões aristocráticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, transformou-se no centro financeiro da cidade, e ficou conhecida como a rua dos banqueiros, graças a grande quantidade de instituições econômicas que surgiram a partir de então. Um exemplo é a antiga sede do BBVA, construído em 1923 e que ficou famoso pelas esculturas de quadrigas que servem de ornamentação para a parte mais alta do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro exemplo é o edifício do atual Banco Espanhol de Crédito, construído em 1891 pelo arquiteto José Grases Riera, inicialmente como sede da empresa americana de seguros Equitativa. De fato, este belo edifício também é conhecido como Palácio Equitativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbos edifícios apareceram na série Belos Edifícios de Madrid, publicado em 22/11/2012. A Calle de Alcalá somente foi pavimentada em 1900. Abaixo, vemos uma foto das obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XX, a rua também tornou-se um local de entretenimento e muitos teatros surgiram, como o Alcázar, que fez parte de uma série sobre o Teatro Espanhol publicado em 25/6/2012. Abaixo, vemos no lado direito o famoso teatro, numa foto de 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Calle de Alcalá foi sempre uma das mais movimentadas ruas de Madrid, tanto em relação à atividade comercial, quanto ao tráfico de veículos. Finalizamos a matéria com uma imagem de princípio do séc. XX, quando os bondes, aqui chamados de Tranvía,  ainda circulavam pela rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo mais sobre a Calle de Alcalá

A Construção da Gran Vía – Madrid

No dia 4 de Abril de 1910, foram levantadas tribunas onde hoje se ergue solene o Edifício Metrópolis, na Calle de Alcalá. O propósito eram receber a personalidades da Família Real Espanhola, que assistiriam a uma cerimônia que transformaria para sempre a Capital da Espanha. Uma carruagem trouxe a sua majestade, o rei Alfonso XIII e sua esposa D.Victoria, que foram recebidos pelo Presidente do Governo e pelo Prefeito de Madrid. Em seguida, os habituais discursos. Quando finalizados, o monarca desceu da tribuna, passou em frente a chamada Casa do Cura, pertencente ao sacerdote da vizinha Igreja de San José, quando lhe foi entregue uma picareta de prata. Com um gesto simbólico, o rei alçou o utensílio e golpeou a janela da casa do cura, que poucos momentos depois desaparecia da paisagem madrilenha. Estava inaugurada a Construção da Gran Vía de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois do golpe simbólico, apareceram um grande grupo de trabalhadores, que rapidamente reduziram o edifício a uma montanha de escombros. No dia seguinte, um jovem jornalista publicou uma frase que se tornou lendária: “Alfonso XIII hinca el pico” (literalmente, Alfonso XIII crava a picareta). O atrevido jornalista acabou tornando-se famoso e uma rua foi batizada com seu nome, D. Francisco Serrano Anguita. Na foto que segue, vemos uma imagem antiga da Igreja de San José, e do lado esquerdo vemos um pedaço da antiga Casa do Cura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da destruição da residência sacerdotal, outras reformas afetaram a própria igreja, cuja altura entre sua parte central e as laterais teve que ser uniformizada para alinhar-se com os novos edifícios que foram construídos com o tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Construção da Gran Vía supôs a reforma urbana mais importante ocorrida em Madrid no início do séc. XX, inserida dentro do contexto de ampliação da cidade, processo conhecido como Ensanche, como vimos no último post. Seu objetivo principal era o de unir a parte leste e oeste da cidade, através de um corredor que integraria a Calle de Alcalá com a própria Gran Vía. O eixo sul-norte, compreendido pelo Paseo del Prado, Recoletos e Paseo da Castelhana já existia, de forma que a abertura da Gran Vía facilitaria sobremaneira o tráfico de veículos e o acesso aos demais locais da cidade. Abaixo, vemos a Plaza de Cibeles, ponto de conexão entre o eixo sul-norte (sentido direita para esquerda da foto) e leste-oeste (de cima para baixo).

DSC09435Desde que a Cerca de Felipe IV foi derrubada, numerosos projetos foram realizados para sua construção. Muito antes que existisse, sua construção foi a mais comentada e discutida de todas as ruas existentes em Madrid até então. Inclusive foi criada uma típica zarzuela, composta por Federico Chueca (cujo famoso bairro leva seu sobrenome) e Felipe Pérez em 1886, chamada “La Gran Vía”, que obteve um enorme êxito na cidade. Traduzida ao francês, logo estreou no Teatro Olímpia de Paris, com o mesmo sucesso da capital espanhola. Posteriormente, foi traduzida para inúmeros outros idiomas. Assim, a Gran Vía já era conhecida internacionalmente, antes mesmo que tomasse forma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto vencedor da Construção da Gran Vía foi o de José López Sallaberry, que contou com o apoio e o esforço do Prefeito de Madrid na época e grande impulsor da obra, o Conde de Peñalver. Sua memória está registrada numa placa comemorativa no começo da Gran Vía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO apoio financeiro para a obra foi dado inicialmente pelo banqueiro francês Julio Bielsa. A Construção da Gran Vía provocou o desaparecimento de aproximadamente 50 quarteirões. A maior parte das ruas destruídas tinham menos de 6 metros de largura, o que por si só dificultava tremendamente o tráfico rodado na região. Abaixo, vemos uma foto do tráfico na Gran Vía em 1963.

DSC07977Apesar de ter cumprido “apenas” 100 anos recentemente, a Gran Vía foi alvo de muitas reformas, algumas das quais representaram o desaparecimento de estruturas lendárias da própria avenida, como o acesso modernista da estação de metrô, realizada pelo insigne arquiteto Antonio Palácios.

DSC07979Na sequência, vemos a famosa rua nos anos 30 do século passado…

DSC00285Sua construção foi realizada em três etapas, que proporcionaram sua constituição final. Abaixo, a última parte construída, hoje em dia conhecida como a Broadway Madrilenha, graças a grande quantidade de cines e teatros que acolhe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos as distintas partes que a constituem, e um pouco de sua história…

Pedro de Ribera

Depois de alguns dias de férias, retorno com uma vontade redobrada para mostrar a vocês mais lugares referentes do patrimônio espanhol e os personagens mais ilustres de sua cultura. O post de hoje e o próximo estarao dedicados a Pedro de Ribera, um dos arquitetos barrocos mais importantes do panorama artístico do país, que deixou uma marca inconfundível na paisagem urbana de Madrid. A matéria serve também como conclusao da série de posts sobre o Bairro de Lavapiés, pois na Calle del Oso nasceu o arquiteto em 1681 e no bairro residiu ao longo de sua vida, como comprova o edifício de sua propriedade que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPedro de Ribera é considerado um arquiteto autodidata, que foi capaz de criar um estilo próprio. No início, Ribera alistou-se no exército de Felipe V, levantando as barracas de campanha feitas de madeira, ofício que aprendeu de seu pai, que era carpinteiro. Já como arquiteto, trabalhou com Teodoro Ardemans e José Benito de Churriguera, do qual é considerado discípulo, que também viveu no Bairro de Lavapiés. Estes três nomes formam o grupo mais representativo do chamado Barroco Castizo de Madrid, pertencente à fase final do estilo. No entanto, a fama que Ribera adquiriu atualmente, nao coincide com o desprezo que a Real Academia de Belas Artes outorgava às suas obras, bem como pelo monarca Felipe V e sua esposa Isabel de Farnésio, que nao eram partidários da arquitetura barroca realizada pelos arquitetos espanhóis, preferindo a  estética neoclássica que se estava desenvolvendo na Itália e na França no séc. XVIII. Abaixo, vemos uma escultura do monarca, que podemos ver no Palácio Real deMadrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da ditadura do neoclacissismo imposta na época, Pedro de Ribera logrou um êxito profissional que se deve em parte ao bom relacionamento que possuía com o Marquês de Vadillo, considerado um dos melhores prefeitos que Madrid já teve, que o apoiou em muitas de suas obras. Abaixo, vemos um retrato do marquês, realizado em 1729 pelo pintor Miguel Jacinto Meléndez,  no ano de seu falecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA colaboraçao entre ambos se manteve até o final da vida do marquês, que foi enterrado num sepulcro existente na Ermita de la Virgen del Puerto, realizado por Ribera. Esta foi a primeira obra de importância do arquiteto em Madrid, considerada um dos primeiros edifícios barrocos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1716 /1718, foi destruída durante a Guerra Civil Espanhola, pois se encontrava numa das frentes de batalha da disputa. Foi reconstruída em 1945, depois de ter sido declarada Monumento Nacional. Para maiores informaçoes, ver o post publicado em 13/7/2013. Abaixo, vemos o sepulcro do Marquês de Vadillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1718, Ribera é nomeado ajudante de Teodoro Ardemans, entao Mestre Maior das Obras e Fontes de Madrid, cargo que passa a ocupar depois da morte deste último. Nesta privilegiada posiçao, Pedro de Ribera começa a realizar obras para a corte, apesar da preferência do rei pelos arquitetos estrangeiros. Um dos encargos recebidos por Felipe V foi a construçao da Ponte de Toledo, a terceira existente no local, sendo que as duas anteriores forma destruídas com as enchentes provocadas pelo Rio Manzanares. Construída com granito, foi edificada entre 1718 e 1732, e declarada Monumento Histórico-Artístico em 1956 (publicada em 18/4/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARibera edificou, total ou parcialmente, algumas das igrejas mais conhecidas da cidade, como a Igreja de San José, entre 1730 e 1748 (matéria publicada em 10 e 11/4/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALevantou também a torre da Igreja de Montserrat em 1729 (publicada em 20/1/2014), cuja técnica e esmero empregado é uma marca característica do arquiteto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais senhas de identidade de Ribera sao as fachadas de pedra dos edifícios que construiu. Um exemplo notável vemos no Quartel do Conde Duque, cuja matéria foi publicada em 12/4/2015.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe V ordenou ao arquiteto a construçao deste edifício, o maior de Madrid na época (224m de comprimento x 82m de largura). A fachada é um exemplo do estilo churrigueresco, realizada como se fosse um retábulo de pedra. No alto vemos o escudo do monarca com a inscriçao: “Reinando Felipe V, ano 1720”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

 

 

 

Igreja de San José – Parte 2

O interior da Igreja de San José possui uma planta de cruz latina com 3 naves, a central e duas laterais. Vimos no post anterior que as naves laterais acolhem numerosas capelas. Abaixo, vemos uma imagem geral do interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San José é riquíssima em obras de arte. Abaixo, vemos o famoso Cristo do Desamparo, obra do escultor barroco Alonso de Mena (1587/1646), que o esculpiu em 1631.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos mais destacados artistas do Barroco Espanhol, Luis Salvador Carmona (1708/1767), foi o responsável pela imagem de San José.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi executado em 1832, e está presidido por uma escultura da Virgem do Carmo realizada por Roberto Michel no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre as diversas capelas existentes, a que está dedicada a Santa Teresa é a mais importante. Constitui, por si só, uma pequena igreja, com inúmeras obras de alto valor artístico. Pertence ao séc. XVIII, e possui uma planta de cruz grega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas das bôvedas e da cúpula da capela foram realizadas por Luis González Velázquez (1715/1763), autor de numerosas obras pelos templos de Madrid. Abaixo, vemos o altar dedicado a Santa Teresa, cuja imagem também foi talhada por Luis Salvador Carmona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ambos lados da imagem de Santa Teresa, vemos as esculturas de San Elías e San Eliseo, fundadores do Carmelo (séc. XVII). Observamos, também, duas pinturas relacionadas a episódios da vida da santa. A seguir, vemos uma delas, que representa a Santa Teresa em sua condiçao de Doutora da Igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das partes laterais da capela está decorada com um magnífico retábulo neoclássico do séc. XVIII. Dita obra foi executada por Juan Pascual de Mena, filho de Alonso de Mena, que se destacou no mundo artístico ainda mais que seu pai. No centro, vemos uma escultura de San Eloy.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos mais uma imagem das belas pinturas que adornam o espaço da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de Santa Teresa encontra-se em um excelente estado de conservaçao, algo que nao podemos dizer em relaçao à nave central, principalmente nas bôvedas. O progressivo escurecimento das pinturas que a  decoram tornam difícil sua leitura e apreciaçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria comentando que o dramaturgo Lope de Vega (um dos principais nomes do Século de Ouro da culltura espanhola) se ordenou padre nesta igreja, e que nela pronunciou sua primeira missa.

Igreja de San José – Madrid

Situada na Calle Alcalá, próxiao à intersecçao desta com a Gran Vía, a Igreja de San José constitui um dos maiores tesouros barrocos de Madrid. O templo foi levantado sobre o antigo Convento de San Hermenegildo, pertencente à Ordem das Carmelitas Descalças. Dito convento foi concluído em 1605 e no séc. XVIII foi derrubado. A construçao atual iniciou-se em 1730 e finalizou-se doze anos depois, obra prima do arquiteto Pedro de Ribera, durante o reinado de Felipe V de Bourbon. Abaixo, vemos a fachada e sua ornamentada decoraçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem das Carmelitas foi fundada no séc. XII por Sao Simao Stock na Palestina, apesar que suas origens míticas remontam ao profeta Elias. Santa Tereza de Jesus e San Juan de la Cruz, ambos espanhóis, reformaram a ordem, reconduzindo a vida conventual ao acetismo e à meditaçao. Por sua vez, a Paróquia de San José foi fundada em 1754 pelo XI Duque de Frías. Inicialmente, a igreja situava-se no palácio do mencionado duque. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1836, se extingue todas as ordens de frades, e o antigo convento foi derrubado, permanecendo  somente a igreja, convertida  na Paróquia de San José. No local  do convento demolido, construiu-se o Teatro Apolo, lugar de estréia de famosas zarzuelas. Lamentavelmente, também foi derrubado em 1873. Na sequência, vemos outra foto da fachada da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da fachada, vemos uma imagem de N.Sra do Carmen, realizada pelo escultor Roberto Michel no séc. XVIII (artista que também colaborou na decoraçao da Fonte de Cibeles).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1912, época em que a Gran Vía estava no início de sua construçao, o arquiteto Juan Moya reformou completamente a fachada, ampliando as partes laterais para igualar sua altura com os edifícios colidantes. Abaixo, vemos uma antiga foto da igreja de 1900, e se percebe as partes laterais originais, com uma altura mais baixa.

DSC07984Do lado direito da igreja, vemos a antiga casa do cura, onde o rei Alfonso XIII “cravou a piqueta”, um gesto simbolico que deu início à construçao da Gran Vía em 1910. Outras imagens decoravam a fachada, como as de San José e San Hermenegildo. Atualmente, ambas encontram-se no átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do teto do átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente, numa visita ao interior da igreja, um simpático e solícito senhor se aproximou de mim, e vendo meu interesse sobre o templo, me explicou com detalhes as muitas obras de arte existentes na igreja. Levou-me também a um local normalmente de acesso restrito, a Sacristia, cuja beleza divido com vocês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos o teto decorado da Sacristia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo recinto, admiramos belas imagens, como esta, representando a N.Sra do Rosário, executada por Ricardo Bellver. Este escultor tornou-se famoso pela escultura do Anjo Caído, que encontramos no Parque do Retiro. Meu companheiro recordou que o artista, depois de realizar a controvertida obra, passou a representar virgens…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor da nave central, encontramos duas naves laterais, que acolhem numerosas capelas, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos com mais detalhes o interior da Igreja de San José…