Plaza de Ramales – Madrid

Situada próximo ao Palácio Real e de frente para a Plaza del Oriente, a Plaza de Ramales é um tranquilo lugar para se tomar um bom copo de vinho e admirar sossegadamente a beleza de seu entorno. O local é cheio de história, e surgiu durante o governo de José Bonaparte, em 1810. Não foi por acaso que este monarca francês recebeu o apelido de “Rei Plazuelas“, pois uma de suas maiores preocupações consistia em derrubar edifícios e conventos ou igrejas antigas para a construção de espaços públicos, como praças.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente se chamava Plaza de San Juan, já que no lugar se erguia a Igreja de San Juan Bautista, uma das mais antigas de Madrid, erguida no início do séc. XIII. Em 1999, realizaram-se obras para um estacionamento subterrâneo na praça, e foram encontrados os restos arqueológicos da igreja, bem como objetos de cerâmica, provavelmente da época árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2005, foram colocados bancos na praça. O interessante é que estão colocados simulando o formato e a localização da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa entrada do local onde foram descobertos os achados arqueológicos, foi colocada uma placa com a planta original da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vocês podem ver na primeira foto publicada com o nome da praça, aparece como referência da mesma o universal pintor sevilhano Diego Velázquez. Na placa vemos que está  retratado com a Cruz de Santiago, pois antes de falecer foi nomeado cavalheiro desta ordem pelo rei Felipe IV graças aos serviços prestados durante seu reinado, pois Velázquez foi o pintor real do referido monarca. E que tem a ver o pintor com a praça ? O fato é que ele foi enterrado na desaparecida Igreja de San Juan Bautista. Com a sua demolição, seus restos se perderam. Incrível que na época ninguém alertou para que seu sepulcro fosse levado para outro lugar…Ou seja, os restos do artista podem estar situados em qualquer parte do subsolo da praça, mas ninguém sabe aonde !!!

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm memória ao genial pintor de “As Meninas” levantou-se uma coluna de pedra rematada com uma cruz. No pedestal, o nome do pintor com suas datas de nascimento e falecimento, e inscrições alusivas ao seu enterramento na igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de Ramales recebeu este nome em homenagem ao povoado de Ramales, situado na Cantábria. Nesta localidade foram travadas batalhas em 1839 entre os fiéis a rainha Isabel II e os adeptos de Carlos V, que almejava o trono. Este episódio relaciona-se com a denominada Primeira Guerra Carlista. Na praça, podemos contemplar algumas residências emblemáticas de algumas épocas históricas de Madrid. Do séc. XVIII, por exemplo, destaca a Casa Palácio de Domingo Trespalacios, construída por Andréz Diaz Carnicero em 1768, um exemplo da arquitetura residencial aristocrática do período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Casa Palácio de Ricardo Angustias foi construída na década de 20 do século passado. O imóvel foi projetado pelo arquiteto Cayo Redón y Tapiz, que reformou um edifício pré-existente, colocando dois novos andares e conferindo ao edifício um aspecto medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das esquinas da praça vemos algo raro atualmente em Madrid, embora comum em outros locais da Espanha. Trata-se de uma imagem da Virgem conhecida como Rinconeras, tradicionalmente colocadas nas esquinas das ruas como objeto de devoção ou como agradecimento aos pedidos atendidos. Neste caso em particular, esta virgem é chamada “La Dolorosa“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem nesta esquina, um atentado do ETA lamentavelmente custou a vida de 3 pessoas em 1994. A imagem da Virgem não sofreu nenhum dano, apenas os vidros que a protegem se racharam, mas prontamente foram substituídos pelos vizinhos da zona. Do lado da praça encontramos a Calle de Santiago, cuja igreja dedicada ao apóstolo também desapareceu na época de José Bonaparte, sendo substituída pela atual. Sua história será o tema do próximo post…

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

As Igrejas Mais Antigas de Madrid

Com o fim das guerras entre muçulmanos e árabes pelo controle de Madrid, a cidade começou a regularizar seu funcionamento urbano. Um fator primordial para que isso pudesse ocorrer foi o Foro da Vila, concedido pelo rei Alfonso VIII em 1202 (o foro é a carta de uma vila, pueblo ou cidade, na qual são regidos o conjunto de leis, normas e privilégios que ostentam). Nesta época, a cidade pouco tinha crescido, desde sua reconquista. Por isso, um dos meios utilizados para seu repovoamento foi a fundação de conventos e monastérios, situados fora do conjunto de muralhas. O primeiro deles foi o Monastério de San Martin, criado como um priorato dependente do influente Monastério de Santo Domingo de Silos. Inicialmente, sua vida transcorreu de forma independente da vila de Madrid, e seu abade detinha a jurisdição civil, criminal e eclesiástica sobre os habitantes e as terras que pertenciam ao monastério. O primeiro documento que o menciona data de 1126, quando o então rei Alfonso VII concede ao priorato o direito de repovoar o arrabal (bairro) de San Martin. Somente no séc. XV o monastério foi integrado ao Conselho de Madrid, convertendo-se numa das paróquias da cidade. Tanto a igreja, quanto o convento, desapareceram completamente com a eclosão da Guerra da Independência, entre o exército espanhol e as tropas de Napoleão no início do séc. XIX. Abaixo, vemos um gravado com o monastério situado no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo monastério construído em Madrid foi o de São Francisco que, segundo a tradição, foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis em 1217. No séc. XVIII, foi derrubado para a edificação da Basílica de São Francisco El Grande (matéria publicada em 12 e 13/2/2013), cuja imagem vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém desaparecido, o Monastério de Santo Domingo foi o terceiro em ser construído. Além destas instituições religiosas, no Foro de Madrid se menciona a existência de 10 paróquias, algumas das quais sobreviveram até hoje, embora com um aspecto diferente do original. Uma delas é a Paróquia de San Andrés (post de 23/4/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, acredita-se que o templo pôde ter sido edificado sobre uma primitiva igreja católica da Madrid árabe. Este templo adquiriu importância, porque nele encontrou sepulcro o padroeiro da cidade, San Isidro. A igreja foi muito danificada pelos destroços produzidos durante a Guerra Civil Espanhola, e teve que ser praticamente reconstruída.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma dos templos mais antigos de Madrid foi a Igreja de San Juan Bautista, situada na atual Praça de Ramales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, foi derrubada por José I (irmão de Napoleão) entre 1810 e 1811 para a ampliação da praça onde se situava, deixando uma via livre de comunicação entre o Palácio Real e a Porta do Sol. Na foto acima, observamos uns bancos feitos de granito que à primeira vista não parecem outra coisa. Na realidade, os bancos simulam o formato que possuía a antiga igreja e sua exata localização. No subsolo da praça, foram encontrados os restos arqueológicos da antiga igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja aparecia no foro de 1202, e um dos aspectos mais interessantes de sua história é que nela foi sepultado o pintor Diego Velázquez, cujos restos se perderam quando a igreja foi derrubada.