Montblanc – Segunda parte

A Igreja de Santa Maria La Mayor preside o centro histórico. Construída a partir do séc. XIV e de grandes dimensões, é conhecida como a Catedral da Montanha, por sua localização no alto da cidade. Foi erguida sobre um anterior templo românico, também dedicado a Santa Maria. Devido ao crescimento populacional da vila, este primitivo templo ficou pequeno, e decidiu-se pela construção de um novo, no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPresumindo-se a longa duração da obra, para a celebração dos cultos foi erguida uma outra igreja, cuja existência é documentada desde 1288, a Igreja de San Miguel, atualmente a mais antiga de todas as igrejas da cidade.

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A antiga igreja românica de Santa Maria foi derrubada, e iniciou-se a construção da igreja gótica. A mediados do séc. XIV, a peste negra que assolou o continente motivou a paralizaçao das obras. No século seguinte, a Guerra Civil Catalã causou um duro golpe à vila, e as obras da igreja se deram por finalizadas, apesar de encontrar-se inacabada. Em 1548, a igreja foi consagrada e a finais do século foi construída a fachada, no estilo renascentista. Com a Guerra dos Segadores em 1651, as tropas castelhanas derrubaram a fachada, além de algumas partes da muralha . A fachada foi, então, reconstruída no estilo barroco, embora com certa influência renascentista. Abaixo, vemos um grupo de apóstolos que decoram a fachada, bem como a parte superior, na qual se esculpiu o escudo da vila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está formado por uma grande nave, coberta por bôvedas de crucería. Como destaque, o órgão é considerado um dos melhores da escola barroca catalã.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO altar maior está presidido por uma imagem da Virgem, gótica de madeira policromada, e talhada provavelmente no séc. XVI, conhecida também como a Virgem do Coro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma de suas capelas, podemos admirar um fabuloso retábulo, o de Sant Bernat e Sant Bernabé, do séc. XIV, submetido recentemente a um cuidadoso trabalho de restauração.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos imagens de uma de suas vidreiras e o rosetón central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo da grande igreja, situa-se a Praça Maior, onde em época medieval se realizava o mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANela encontramos algumas das casas senhoriais mais emblemáticas de Montblanc, além das tradicionais galerias porticadas, que lhe conferem um singular aspecto medieval. A Casa Desclergue, por ex., foi construída em 1575, no estilo renascentista.

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Vielha – Vale de Arán

O Vale de Arán é uma comarca da Província de Lérida, na Catalunha, encravada no meio dos Pirineus Centrais. De fato, 30% d seu território situa-se a uma altitude superior aos 2.000m. Cerca de 10mil habitantes vivem na região, na qual convivem 3 idiomas co-oficiais: o castelhano, o catalão e o aranês, uma variedade da língua occitana.

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Tradicionalmente, sua economia baseia-se na pecuária e na exploração florestal. Porém, atualmente o turismo tornou-se o motor de desenvolvimento do vale. Dois fatores contribuíram para tal mudança. Por um lado, a abertura do Túnel de Vielha possibilitou a comunicação da zona, anteriormente isolada, com as demais cidades da comunidade.

Por outro, a Estação de Esqui de Baqueira-Beret promoveu o chamado turismo de montanha, principalmente na alta temporada do inverno. Com o aumento da oferta turística, incrementou-se o desenvolvimento do vale, fazendo com que sua renda per capita seja uma das mais altas do país.

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As primeiras referências concretas sobre o Vale de Arán apareceram no séc. X, quando encontrava-se vinculado ao Condado de Ribagorza. No séc. XII, passa a integrar o Reino de Aragón e posteriormente ao Principado de Catalunha. Sua capital e município mais importante é Vielha e Mijaran, e é a base para conhecer-se a região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade lota na temporada de verão, quando os turistas buscam suas belas paisagens para atividades ecoturísticas, bem como no inverno, quando o esqui atrai milhares de praticantes. O município está formado por 13 pequenos povoados, e possui uma população de 4.500hab.

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Seu monumento mais destacável é a Igreja de San Miguel, construída em várias épocas. Apesar de ser um edifício predominantemente gótico, conserva elementos românicos de sua primeira construção, no séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada principal pertence ao séc. XIII, e nela observamos  as 59 figuras esculpidas em suas arquivoltas, representando anjos, santos, músicos e apóstolos.

DSC07488OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, aparece São Miguel Arcanjo, titular da igreja, e nos dois lados, Jesus Cristo flagelado e curando a um enfermo.

DSC07485A torre foi levantada em época posterior, no séc. XVI, por ordem expressa do rei Fernando Católico. No interior, vemos uma das mais belas imagens românicas de todo o vale, uma talha conhecida pelo nome de Cristo de Mijaran, do séc. XII.

DSC07479Do mesmo século e estilo é a Pia batismal.

DSC07480O retábulo é do séc. XV, e nele vemos cenas da vida de Maria e de San Miguel.

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Outro dos atrativos do templo são suas pinturas murais conservadas.

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O órgão foi construído em 1778.

DSC07483Passeando pela cidade, descobrimos casarões antigos e casas rústicas, que conferem uma atmosfera acolhedora à localidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC07504Neste palácio com torres fortificadas funciona o Museu Etnológico da cidade.

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Em 1976, o centro antigo de Vielha foi declarado Conjunto Histórico-Artístico.

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Cardona – Catalunha

Situada num vale na parte central da Catalunha, a cidade de Cardona é considerada como Conjunto Histórico-Artístico desde 1992. Tal distinção se deve ao seu rico passado medieval, conservado em seus monumentos e ruas.

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Cardona sempre foi um enclave estratégico, e na idade média fazia fronteira com a Al Andaluz, o reino árabe peninsular. Sua maior riqueza, responsável por sua existência e esplendor, é o denominado Vale Salino, explorado desde tempos antigos. A exploração e comercialização deste fundamental produto no passado explica seu desenvolvimento e importância, convertendo-se num centro comercial e ponto de encontro de viajantes, que chegavam dos Pirineus e do sul da França. Por este motivo, gozava de uma carta que lhe conferia um excepcional regime de liberdade civil, um privilégio na época. Abaixo, vemos a igreja gótica de San Miguel, construída entre os séc. XIII e XIV, além de sua atmosfera medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da cidade, localizado no alto de um cerro é, possivelmente, a fortaleza medieval mais importante de toda a Catalunha. Jamais conquistado pelas armas, foi construído no séc. IX e sua história está relacionada com a poderosa família ducal da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, no séc. XV, os Duques de Cardona foram a família mais importante do então Reino de Aragón, exceptuando-se a casa real. Eram considerados “reis sem coroas”, tal seu poderio, que se manifestavam em extensas propriedades em Catalunha, Aragón e Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1714, depois de um assédio que destruiu boa parte de suas muralhas, Cardona foi um dos últimos redutos em entregar-se às tropas borbônicas de Felipe V, durante a chamada Guerra de Sucessão espanhola. O recinto do castelo igualmente nao pôde ser dominado pelo exército de Napoleão. Em 1794, foi convertido em quartel militar pelo exército espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais impressionantes do castelo é a Torre de Homenagem, também chamada de Minyona. Localizada na parte mais alta da montanha, sua fisionomia atual se deve às reformas realizadas entre 1794/1810, para evitar que se tornasse um ponto de referência de tiro para a artilharia, em caso de sítio. Com mais de 12m de altura (chegou a ter 25m, nos séc. X/XI), deve seu nome a uma lenda do séc. XVIII, que narra o amor de uma das filhas do senhor do castelo, chamada Minyona, por um guerreiro muçulmano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo pátio de armas da torre, conserva-se uma cisterna, que abastecia de água o castelo. Outro pátio de armas, situado dentro do castelo, corresponde à residência dos viscondes e duques da cidade, até o séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do conjunto é a Colegiata de San Vicente, erguida entre 1029/1040, em perfeito estado de conservação e integra os monumentos relacionados à primeira etapa do denominado Românico Catalão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo impressiona por suas dimensões, sendo que o interior está formado por 3 naves e seus respectivos absides semicirculares, além do transepto, distribuição que lhe confere a típica planta de cruz latina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto o presbitério, quanto o abside central encontram-se num nível mais elevado, pois no espaço inferior situa-se a cripta, local de enterramento e de abrigo das relíquias que possuía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, estão conservados dois sepulcros, sendo um deles do Conde Joan Ramon Folc I (1375/1442), construído em 1668, em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Panteão do Duque Ferran I (1513/1543), é de estilo renascentista (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro pertence ao séc. XIV e nos capitéis podemos observar os símbolos dos duques de Cardona.

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O átrio, espaço de transição entre o claustro e a igreja, estava decorado por pinturas murais, que foram levadas ao Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona.

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Atualmente, o castelo sedia um Parador Nacional, rede de hotéis cuja carcterística principal é a reabilitação de edifícios históricos para suas dependências, e foi eleito um dos 10 melhores castelos europeus para hospedar-se, segundo os usuários da Tripadvisor. O castelo de Cardona foi declarado Monumento Nacional em 1949 e a Colegiata de San Vicente, em 1931.

Finalizamos com um detalhe realmente curioso sobre o castelo. Histórias que relacionam castelos com fenômenos paranormais sempre existiram, porém parece que no de Cardona, sua crença chegou até mesmo a modificar o dia a dia do local. Segundo testemunhas, que incluem hóspedes e funcionários que trabalham no hotel, o quarto de número 712 registra fenômenos estranhos, como aparições espirituais, móveis que se movem, etc. O fato foi comentado na TV espanhola pelo programa Quarto Milênio, e o espaço permanece fechado, só podendo ser reservado por hóspedes através de um pedido expresso. No andar onde se situa o “embruxado” quarto, o serviço de limpeza sempre é composto por, no mínimo, duas pessoas. Como dizem os espanhóis, por si acaso…

Palencia

Palencia situa-se às margens do rio Carrión e dista 235km de Madrid. Conta com aprox. 80mil habitantes. A origem do seu nome procede da palavra Pallantia, que designava um antigo povoado prerromano que existia no local. É considerada a cidade espanhola com a maior quantidade de área verde por habitante, além de ser considerada uma das mais limpas  e de alto grau de desenvolvimento sustentável. A maior parte do centro está formada por ruas habilitadas somente para pedestres, tornando o passeio deveras agradável.

A época visigoda foi um dos períodos mais esplendorosos de Palencia, pois se tornou sede episcopal, uma das mais antigas do país e na época superada apenas pela diocese de Toledo, e também sede da corte. Na Idade Média, seu grande impulsor foi o rei Alfonso VIII de Castilla, que lhe concedeu foros e fundou uma instituição educativa que se tornaria a Universidade mais antiga do país, recebendo a aprovação pontifícia em 1221 e , infelizmente, desaparecendo décadas depois.

A prosperidade  do séc. XVI transformou a cidade, junto a outras províncias castelhanas, no coração econômico e demográfico do Império Espanhol. A Primeira Guerra Mundial e a Guerra Civil Espanhola favoreceram, até certo ponto, o seu desenvolvimento, devido às industrias alimentícias e de armas que dispunha, indispensáveis para o abastecimento das tropas.

Atualmente, Palencia é uma cidade de serviços com um rico Patrimônio Histórico, prova de sua importância no passado. Apesar disso, o turismo cresce lentamente, não sendo uma das cidades mais visitadas de Espanha. Não obstante, recomendo uma excursão desde a capital, que apesar da distância, pode ser percorrida numa rápida viagem em Trem de Alta Velocidade.

Seu monumento mais conhecido, a Catedral de San Antolín, foi a matéria do post anterior. Na foto abaixo, vemos a bela praça onde o templo se localiza.

Outro monumentos religiosos de interesse são:

A Igreja de San Miguel  é considerada, arquitetonicamente, como de transição do Românico ao Gótico. Seu elemento de destaque é a torre de aspecto militar, que lhe confere mais uma aparência de fortaleza que de igreja. Nela foi realizado o casamento entre Rodrigo Diaz de Vivar, popularmente conhecido como El Cid,e sua esposa D. Jimena. No entanto, pode-se dizer que ainda o templo permanece desconhecido. Monumento nacional desde 1931.

A Igreja de San Francisco é uma construção do séc. XIII no estilo gótico, com ampliações renascentistas e barrocas. Declarada Monumento nacional desde 1992,  pertence à Ordem Jesuíta.

O Convento de San Pablo foi levantado pelo fundador da Ordem Dominicana , Santo Domingo de Guzmán, no séc. XIII. Porém, a igreja que hoje contemplamos, foi erigida nos séc. XIV e XVI.

Além dos monumentos religiosos, existem muitos outros de caráter civil de especial beleza. O Palácio da Deputação Provincial, por ex., é um edifício modernista construído em 1914, sendo responsável pelo governo e administração da província.

O Colégio de Villandrando, localizado na Calle Mayor, foi construído como asilo e instituição para crianças órfãs. Seu arquiteto, o palentino Jeronimo Arroyo, buscou uma reinterpretação do gótico veneziano e catalão, com destaque para sua bela fachada.

A Ponte Mayor sobre o rio Carrión foi erguida no séc. XVI  e reformada e ampliada no XVIII.

A estátua da mulher palentina causo polêmica na sua inauguração, por ser considerada moderna demais para o local onde foi colocada. Atualmente, porém, é um ponto de encontro e foi carinhosamente apelidada de “La Gorda”.