Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Igreja do Corpus Christi – Madrid

Madrid é uma cidade eminentemente barroca, em quanto a maioria de suas igrejas históricas. No princípio do século XVII, era  a capital de um grande império, e as ordens religiosas desejavam ter uma “casa mãe” na cidade. A Contrarreforma, que foi criada para deter o avance protestante na Europa, teve na Espanha e em sua monarquia o aliado principal  e sua grande defensora. Como consequência, Madrid torna-se uma cidade conventual. Tamanha concentração de templos atraiu a um grande contingente de artistas portugueses, italianos, flamencos, além dos próprios espanhóis, evidentemente, para decorar as inúmeras igrejas que se edificavam. A fase inicial do desenvolvimento do estilo barroco em Madrid possui algumas características que podemos identificar, como a simplicidade e austeridade exterior, mas uma rica coleção de imagens sacras no interior, destinadas à veneração dos santos como exemplo de conduta e a propagação da fé católica. Quadros e estátuas recriam a vida dos santos cristãos e os mistérios da fé católica para uma população em grande parte analfabeta, possibilitando a compreensão da doutrina. Um exemplo perfeito deste momento inicial na evolução do barroco na cidade é a Igreja de Corpus Christi, situada perto da Praça Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Apesar de sua localização em pleno Centro Histórico de Madrid, muitos habitantes da cidade nem sequer sabem de sua existência, ao estar numa praça algo escondida dos principais pontos turísticos e das ruas mais importantes. A Igreja do Corpus Christi é uma das mais acolhedoras da fase inicial do barroco madrilenho e, milagrosamente, chegou intacta aos dias atuais, sem qualquer tipo de reforma ou ampliação desde que foi construída em 1607. Na singela porta vemos as esculturas de Santa Paula e São Jerônimo adorando o Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que caracteriza esta fase primeira do barroco é o predomínio da linha reta sobre a curva, um aspecto sobrevivente do estilo anterior, o renascimento, principalmente relacionado com o monumento mais representativo deste estilo na Espanha, o Monastério de El Escorial, e seu principal artífice, o arquiteto Juan de Herrera. Na realidade, a igreja integra um conjunto maior, o Monastério de Jerónimas del Corpus Christi, um convento de clausura que continua funcionando como tal, sendo que suas freiras seguem fabricando seus deliciosos doces, cuja produção não atende a demanda, pois são poucas e de idade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento foi fundado por Beatriz Ramírez de Mendoza,  descendente de outra Beatriz que tornou-se famosa por ser a educadora dos filhos de Isabel La Católica, Beatriz Galindo, que realizou diversas obras assistenciais na cidade. Entre outras qualidades, possuía um domínio perfeito do latim. Um dos principais bairros de Madrid para comer tapas homenageia esta mulher avançada para a época em que viveu, com o apelido que ficou conhecida, “La Latina“. O projeto construtivo da igreja e do convento se deve ao arquiteto Miguel de Soria, que realizou um templo de uma nave, como vemos acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato curioso repercutiu de forma permanente para a igreja e o nome como ela popularmente passou a ser conhecida foi o achado de um quadro da Imaculada Conceição numa carbonería, local onde se produz o carbón, carvão em português. Este quadro foi adquirido por uma frade franciscano, que o levou ao convento mais próximo onde se encontrava, o Convento do Corpus Christi. Uma vez colocado no interior da igreja, adquiriu a fama de milagroso por seus devotos. A partir deste momento, a igreja ficou conhecida como “Las Carboneras“, as freiras que custodiaram a obra. Abaixo, vemos dito quadro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja guarda inúmeras obras de importância artística, como o Retábulo Maior do século XVII, uma magnífica obra de Antón de Morales, síntese magistral de arquitetura, pintura e escultura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO destaque do retábulo é um excelente quadro da Última Ceia realizado por Vicente Carducho, raro por seu posicionamento vertical. A ambos lados, ente colunas de Ordem Corintio, vemos as esculturas de São Jerônimo (esquerda) e São João Batista (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACulmina o retábulo um calvário atribuído a Pompeo Leoni, escultor que realizou diversos e impressionantes bustos dos monarcas espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do século XVII é o retábulo dedicado à Virgem das Tribulações e da Paz Interior, atribuído a Pedro de la Torre. A escultura da virgem foi realizada em 1812 por José de Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa próxima matéria, veremos a Igreja das Calatravas, pertencente à segunda fase do Barroco Madrilenho….

Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Um Passeio por Tarazona – Parte 2

Na Idade Moderna, houve uma proliferação de novas comunidades religiosas em Tarazona, quando se transforma numa cidade conventual com a chegada das Ordens dos Jesuítas, Capuchinos, Carmelitas, etc. Um exemplo dos conventos que podemos ver em Tarazona é o da Concepción, edificado no séc. XVI e que albergava os filhos das famílias nobres da cidade. O templo foi construído ao redor de uma muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes da chegada destas comunidades, Tarazona contava apenas com duas ordens religiosas na Idade Média, a dos Franciscanos e a dos Mercedários. Tive a ocasião de realizar uma visita guiada pelo interessante e histórico Convento de São Francisco de Assis, a primeira fundação conventual da cidade, situado ao lado da Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradição, o convento foi fundado pelo próprio São Francisco de Assis, durante o tempo que esteve em Espanha, realizando a peregrinação a Santiago de Compostela no ano 1214. No entanto, a documentação conservada não permite afirmar sua criação como anterior a 1270.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA primitiva igreja conventual, edificada no séc. XIV, foi reformada entre 1523 e 1542. Abaixo, vemos imagens de sua nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais da nave, podemos observar várias capelas. A Capela Maior, situada no centro da nave, foi construída durante as reformas realizadas no séc. XVI. Já o Retábulo Maior é barroco do séc. XVII. A imagem da Imaculada Conceição preside o conjunto, realizado para exaltar a Ordem Franciscana, com alguns de seus santos mais conhecidos, como São Francisco de Assis, São Bernardino de Siena e Santo Antônio de Pádua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO final da vida conventual ocorreu com a Desamortização de Mendizábal em 1836. Logo depois, o local foi transformado num hospital e muitas dependências do anterior convento se perderam, com exceção da igreja, transformada em paróquia no séc. XX, e do claustro, caracterizado por sua simplicidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma visita a Tarazona, é obrigatório conhecer a Antiga Praça de Touros, uma das mais originais do país e também uma de suas praças históricas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi inaugurada em 1792 e na época se denominava Praça Nova, pois as corridas de touros eram realizadas na Praça do Mercado, em frente da Prefeitura de Tarazona, como vimos na última matéria. Possui uma planta octogonal e está cercada por um conjunto residencial, fato que a torna realmente uma Praça de Touros diferente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas residências foram habitadas desde a origem da praça, situadas ao redor do espaço central onde eram realizadas as corridas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso ao interior da praça se realiza através dos 4 túneis existentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Velha Praça de Touros de Tarazona integra a uma associação denominada União das Praças de Touros Históricas de Espanha, erguidas antes de 1800, como as de Aranjuez, Ronda e Sevilha.

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Um passeio por Tarazona

A reconquista de Tarazona pelo monarca aragonês Alfonso I El Batallador no séc. XII permitiu a restauração da cidade como sede episcopal, um fato transcendental para sua importância sociocultural, refletida nos magníficos monumentos construídos a partir deste momento, como sua esbelta catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, o templo catedralício não é o mais antigo de Tarazona, título que pertence à Paróquia de Santa María Magdalena, construída logo após a reconquista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reconstruída a partir de 1409, destacando sua imponente torre mudéjar, que domina o centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja possui belíssimas obras de arte, como o Retábulo Maior do séc. XVI, atribuído ao artista italiano Pietro Morone.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo está constituído por cenas relativas à Paixão de Cristo, bem como por imagens dos santos de maior devoção da paróquia, como São Sebastião, São Jerônimo, São Francisco e Maria Madalena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra de grande interesse é um quadro pintado em ambos os lados ao redor de 1535. Em sua parte interior foi retratado o Juízo Final presidido pelo Arcanjo Gabriel e no exterior, a Imaculada Conceição, cercada pelos símbolos de sua pureza, como o sol, a lua e as estrelas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABastante raro é um exemplar de facistól mudéjar de finais do séc. XV ou princípios do XVI, antigamente situado no coro da igreja. Este objeto litúrgico serve de suporte para o livro de cânticos, utilizado durante os cultos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro monumento fundamental de Tarazona, o Palácio Episcopal foi erguido sobre uma antiga fortaleza muçulmana, transformado posteriormente na residência dos Reis de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício converteu-se na residência dos Bispos de Tarazona no séc. XVI. No exterior, o destaque fica por conta de sua fachada realizada como se fosse um retábulo de pedra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior possui dependências de grande importância artística, como o Salão dos Bispos, ao qual chegamos depois de subir a escada nobre, com um maravilhoso teto construído na metade do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salão dos Bispos é um dos maiores destaques de todo o edifício, com sua galeria de retratos episcopais, realizados também pelo artista Pietro Morone no séc. XVI.

20150814_132918OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Episcopal de Tarazona é considerado uma das melhores obras do renascimento em toda a Comunidade de Aragón, junto com o Edifício do Ayuntamiento, que veremos no próximo post. Finalizamos a matéria com a Igreja de San Atilano, padroeiro da cidade nascido no ano 939.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradição, sobre a casa natal do santo construiu-se um pequeno oratório, que no séc. XVIII foi derrubado para a construção de um templo mais digno, realizado no estilo barroco. Na fachada da igreja podemos observar o Escudo de Tarazona.

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Burgos Renascentista e Barroca

No séc.XVI, Burgos alcançou um grande desenvolvimento econômico em decorrência de sua próspera atividade mercantil, de projeção internacional. Como consequência, a cidade adquiriu um novo protagonismo no plano cultural, que podemos certificar em muitas das construções deste período e dos séculos subsequentes. Como uma homenagem ao primeiro monarca do Reino de Castilla independente, se ergueu em 1580 um arco comemorativo a Fernán González, obra de Juan Ortega de Castañeda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Arco foi construído num estilo sóbrio e clássico. Abaixo, vemos o outro lado do mesmo, com a inscrição que homenageia a Fernán González.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns anos antes de levantar-se o arco, o comerciante burgalês Diego de Bernuy promoveu a construção do Hospital de la Concepción, em 1567. Sua finalidade era atender aos mais necessitados da cidade, sendo o primeiro hospital de tipo moderno que existiu em Burgos. O edifício foi possivelmente projetado pelo arquiteto Juan de Vallejo. Em sua austera e clássica fachada, destaca a portada, atribuída a Juan de Nantes, com a escultura da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJuan de Vallejo participou também na realização da fachada da Igreja de San Cosme e San Damián, cuja construção se deu a partir de finais do século XV e princípio do XVI. O arquiteto executou uma bela portada de estilo plateresco em 1552, composta por um expressivo calvário e as esculturas dos santos titulares do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVII, em pleno período barroco, se construiu a Igreja de San Lorenzo como uma capela para os jesuítas, em 1684. A fachada do templo está formada por colunas e a imagens do santo.

20150727_130514Com a expulsão dos jesuítas em 1764, a antiga capela transformou-se em paróquia. No chão, bem em frente a entrada do templo, vemos sua planta centralizada numa placa de bronze, uma iniciativa curiosa…

20150727_130446Na sequência, vemos algumas fotos do interior da Igreja de San Lorenzo, com destaques para sua cúpula e o Retábulo Maior Barroco.

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