Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

Lugo Romana

A cidade de Lugo foi fundada há cerca de 2 mil anos atrás, quando o atual território espanhol era uma província do grande Império Romano, denominada Hispania. Sua história se inicia como um acampamento romano, provavelmente no local onde originalmente havia um castro, isto é, um povoado fortificado de origem celta. Este acampamento militar foi construído dentro do contexto das chamadas Guerras Cântabras, travadas no noroeste da península contra os povos que a habitavam, durante o governo do Imperador Augusto, com a finalidade de anexionar estas terras ao imenso império da antiguidade. Em 25 aC, em nome do imperador, Paulo Fabio Máximo funda Lucus Augusti, embrião da atual Lugo. Na Praça Maior da cidade vemos uma escultura dedicada a ambos fundadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA palavra “Lucus” significa “bosque sagrado”, cuja origem está relacionada ao idioma celta e relacionada à divindade Lug. A partir do ano 50 dC, inicia-se a expansão da cidade, que se converte num importante núcleo urbano, representativo da cultura e do modo de vida romano, como comprovam os restos arqueológicos conservados. Lucus Augusti formava parte de uma rede de cidades integradas por uma Vía Romana, incluindo a atual Astorga (a romana Asturica) e a cidade portuguesa de Braga (Bracara).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século III dC, Lucus Augusti foi a capital do denominado Convento Lucense, uma das três áreas administrativas que compunham uma das províncias de Hispania, chamada Gallaecia. Num passeio pela cidade podemos vislumbrar seu passado romano através dos restos arqueológicos que foram preservados, além de sua impressionante muralha, que veremos no próximo post. Abaixo, vemos um Miliário, que marcavam as distâncias entre as principais cidades da Hispania, colocados nas estradas que integravam o território, as conhecidas Calçadas Romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Alguns dos restos encontrados foram protegidos com uma estrutura de vidro que dificultam as boas fotos, como as que vemos abaixo, de uma casa romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu então uma estrutura funerária pertencente aos séculos I/II dC, situada na velha prisão de Lugo

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, outros achados arqueológicos podem ser admirados com total claridade, como os restos de outra casa romana (Domus), decorada com mosaicos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComo toda cidade romana de importância, Lucus Augusti possuía suas Termas, cujos restos estão situados dentro de um hotel balneário, com acesso livre ao público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Termas Romanas de Lugo foram declaradas Monumento Histórico-Artístico em 1931. A parte melhor conservada corresponde ao vestiário, composto por urnas utilizadas como armários para guardar a roupa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local foram expostos pequenos altares de época romana denominados Aras. Estavam dedicados às divindades do panteão romano, onde se realizavam votos de ação de graças ou pedidos concretos, por meio de uma inscrição em latim. As Aras existentes nas Termas Romanas de Lugo foram dedicadas às Ninfas, divindades relacionadas a natureza, principalmente a agua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte baixa da cidade, vemos a ponte romana que cruza o Rio Miño, e que servia de elo de comunicação entre Lucus Augusti e Bracara (Braga).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ponte sofreu numerosas intervenções, e de sua época romana se conservam somente os alicerces. A calçada romana que unia ambas cidades faz atualmente parte do Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm “soldado romano” protege a ponte contra os possíveis invasores…

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Cartagena Romana – Parte 2

Cartagena conserva um importante patrimônio relacionado ao seu passado romano, como vimos no último post sobre o teatro levantado em época de Augusto. Outra das construções mais importantes do período é o Forum, que foi aberto para visitação em 2012 e ocupa um grande quarteirão de restos arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA área preservada está delimitada por 3 calçadas romanas e dois edifícios, as termas e o átrio. Abaixo, vemos uma das calçadas, que se estendia de leste a oeste, denominada decumeno. Sua construção foi datada no séc. I aC. Estavam pavimentadas com pedra calcária e possuíam uma eficiente estrutura de canalização de águas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruídas no séc. I dC, as Termas eram locais de ócio e também de reunião social durante o Império Romano. Além de saunas, englobavam as salas frias (frigidarium), também utilizadas como vestiário (apodyterium), salas temperadas e salas quentes (caldarium), onde a água era esquentada por um  sistema de calefação e fornos. Um peristilo ou praça porticada permitia o acesso às termas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. II dC, o espaço desta sala porticada foi ocupado por uma taberna, que permaneceu no local até seu abandono no séc. IV dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício do Átrio, construído no final do séc. I aC, tinha a função de celebrar banquetes rituais em honra às divindades de origem oriental, provavelmente Serápis ou Ísis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço estava organizado por um pátio ou átrio composto por 4 colunas, porta de acesso às respectivas salas, onde os banquetes eram realizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício do Átrio conserva uma interessante decoração pictórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas pinturas foram realizadas no séc. II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. III dC, o edifício perdeu sua função, momento em que foram construídas várias casas. A partir de então, o átrio adquiriu um propósito de elemento distribuidor. Na foto abaixo, vemos uma das casas, que possuía um armazém onde foram encontradas um conjunto de 16 ânforas, para o transporte de vinho e azeite.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartago Nova contou também com um Anfiteatro, mas o seu material construtivo foi utilizado para a Plaza de Touros da cidade, finalizada em 1853. Lamentavelmente, encontra-se em estado de abandono….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Cartago Nova saíam os produtos agrícolas cultivados no interior de Hispania e outros produtos locais, como o sal, ainda que foram a exploração da prata e do chumbo extraídos de suas minas os recursos mais importantes para seu desenvolvimento. A seguir, vemos uma coleção de moedas romanas no Museu de Arqueologia Subaquática, que em breve veremos no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um Milinário Romano, uma coluna cilíndrica, normalmente de granito e formato quadrado. Eram colocados nas calçadas romanas que interligavam as principais cidades.Tinham entre 2 e 4m de altura, e sinalizavam a distância a cada mil passos romanos (cerca de 1481m).

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Cartagena Romana

Um novo período histórico se inicia para Cartagena, quando a cidade de Cartago é destruída pelo Império Romano durante o transcurso da Segunda Guerra Púnica. O general romano Publio Cornelio Escipión conquista a antiga cidade púnica de Qart-Sadasht em 209 aC, recebendo a partir de então a denominação de Cartago Nova. Com o tempo, transforma-se na principal cidade da chamada Província Hispania Citerior. Foi durante a época do Imperador César (44 aC) quando passa a ser uma colônia de direito, recebendo o título de Colônia Urbs Julia Nova karthago, com um estatuto jurídico próprio, comparado ao da própria Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartago Nova viveu em época de Augusto seu momento de máximo esplendor e um imenso projeto de reformas urbanas se realiza, dotando a cidade de construções administrativas, civis e religiosas. Um dos monumentos conservados mais importantes do período de Augusto é o Teatro Romano, construído durante os últimos anos do séc. I aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído num local densamente povoado, se aproveitou a ladeira rochosa para que fosse construída boa parte do recinto onde os habitantes pudessem assistir os espetáculos. A fachada do teatro possuía 16m de altura, e certamente causaria um grande impacto àqueles que chegavam a cidade por mar. Sua capacidade é estimada em 6 mil espectadores, e todos eles ocupavam um local determinado, segundo a hierarquia social. Os mais humildes presenciavam os espetáculos na lotada parte superior, enquanto os destacados magistrados ocupavam os privilegiados locais inferiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO teatro, além de sua função lúdica, constituía o local perfeito para a propaganda política e religiosa do imperador, personificado em Cartegena por dois jovens príncipes, Cayo e Lucio, que provavelmente foram os financiadores da obra e de sua ornamentação, segundo os restos arqueológicos encontrados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. II dC, o Teatro Romano de Cartagena sofreu um incêndio, cuja destruição fez com que jamais se recuperasse. Os elementos arquitetônicos foram empregados mais tarde na remodelação de novos espaços destinados a praças e mercados públicos nos séculos IV e V dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os séculos XI e XIII, perdido qualquer resto do teatro, se construíram residências islâmicas em seu entorno, que depois se tornaram os primeiros assentamentos cristãos após a reconquista da cidade em 1243.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de quase 20 anos de trabalhos arqueológicos, o Teatro Romano foi recuperado, constituindo um um dos monumentos mais importantes da cidade. O edifício conhecido como Palácio de Pascual de Riquelme, situado em frente à Prefeitura de Cartagena, se converteu num grande museu concebido pelo reconhecido arquiteto Rafael Moneo, que conduz o visitante desde a Praça do Ayuntamiento até o interior do Teatro Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu se articula em dois edifícios distintos, unidos por um corredor subterrâneo. As salas que o conformam foram divididas tematicamente, onde podemos apreciar elementos decorativos do teatro e comprovar a importância que os mesmos tinham dentro da estrutura do Império Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, os achados arqueológicos incluem uma casa construída no séc. II aC, que foi demolida para a construção do teatro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma cripta construída no séc. XIX, cuja singularidade radica que sua planta se adaptou às dimensões de duas dependências pertencentes a uma casa romana do séc. I aC, sendo que seus pavimentos foram utilizados para o solo da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão bastassem tantas coisas interessantes, podemos contemplar também os restos da antiga Catedral de Santa Maria, levantada com as pedras romanas do teatro. Reformas posteriores foram feitas e a igreja passou a ocupar parte do espaço do antigo teatro. Sua origem se remonta ao séc. XIII, depois de restituída a Diocese de Cartagena, logo após a reconquista pelos cristãos. Coma transferência da capitalidade eclesiástica para Murcia a igreja, ainda sem finalizar, se transformou apenas numa simples paróquia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria sempre esteve em más condições de conservação, graças ao seu progressivo abandono. Finalmente, entre 1899 e 1904, foi reconstruída pelo arquiteto Victor Beltrí, mas os danos ocasionados pela Guerra Civil Espanhola provocaram sua ruína definitiva. Atualmente, forma um conjunto único junto com o Teatro Romano.

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Cádiz – Comunidade de Andaluzia

Nos anos 60, uma emissora de rádio de Cádiz assim iniciava sua programação: “Aqui Cádiz, a cidade mais antiga do Ocidente”. A afirmação é verídica, pois a cidade conta com uma história de mais de 3 mil anos. Admite-se sua fundação pelos fenícios procedentes de Tiro, no séc. XII aC. Este povo de grandes navegantes não utilizavam as vogais em seu alfabeto, e conheciam a localidade com o nome de GDR (Gádir), cujo significado poderia ser “recinto amurralhado”. De fato, Gádir foi o enclave fenício mais importante da Península Ibérica e dela partiu Aníbal para a conquista da Itália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de finalizada as Guerras Púnicas com a vitória militar dos romanos sobre Cartago, se construiu uma nova cidade, a Gades Romana, que tornou-se a principal localidade de Hispania situada na costa, desde o Estreito de Gibraltar. Alcançou grande prosperidade, graças principalmente à pesca do atum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes achados arqueológicos pertencentes a época romana é o famoso Teatro, encontrado por acaso em 1980. É considerado o teatro romano mais antigo entre todos os conhecidos na Península Ibérica, e o segundo maior da Hispania, superado apenas pelo Teatro de Córdoba. Tinha capacidade para receber 20 mil espectadores, uma enormidade, levando-se em conta que a cidade estava habitada por cerca de 50 mil habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs escavações realizadas deixaram à mostra apenas uma parte do teatro, e algumas outras podem ser vistas no subterrâneo do local construído como  Centro de Interpretação do Teatro Romano de Cádiz, onde podemos conhecer sua história e importância. Uma maquete nos permite visualizar como era realmente…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO teatro foi construído no séc. I aC, e abandonado no séc. IV dC. Sobre suas ruínas os árabes edificaram uma fortaleza. Abaixo vemos uma bela panorâmica em preto e branco da Cádiz atual, que me impressionou durante a visita ao teatro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo sucedeu com as antigas cidades da Espanha, Cádiz foi dominada pelos visigodos com a decadência do Império Romano e pelos árabes a partir do séc. VIII dC. Em 1262 foi reconquistada pelo rei Alfonso X “El Sábio” e incorporada ao Reino de Castilla. Sobre os restos romanos, um novo recinto de muralhas foi construído.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1596, a cidade foi saqueada e destruída por uma esquadra anglo-holandesa, devido a guerra entre Espanha e Inglaterra. Sua importância portuária se renova no final do séc. XVII, quando a antiga Casa da Contratação de Comércio, responsável pelas atividades mercantis com o continente americano, é trazida de Sevilha a Cádiz. A cidade se transforma no principal porto marítimo do país a partir de 1700, quando contava com 40 mil habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma série de acontecimentos bélicos afetaram a cidade no começo do séc. XIX, como a famosa Batalha de Trafalgar (1805) e o Sítio de Cádiz (1810/1812), quando a cidade foi conquistada pelo exército de Napoleão. Superado este complicado período de sua história, a cidade floresceu novamente, e sua composição urbana atual deriva deste momento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a Desamortização de Mendizábal (1836), novos espaços públicos foram criados para a população com a derrubada de antigos conventos, como muitas das praças que vemos hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos passeios mais agradáveis que podemos fazer em Cádiz contorna a antiga muralha defensiva, oferecendo belas vistas do entorno e espaços ajardinados de grande beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias veremos alguns dos principais pontos turísticos da cidade de Cádiz. Não percam !!!

Museu Arqueológico Nacional: Os Visigodos

Entre os séculos IV e V dC as fronteiras do Império Romano se desmoronam. Os povos godos, a partir de então, invadem o vasto território romano, procedentes do centro e do norte do continente. Na Península Ibérica, os principais povos que constituíram esta nova etapa histórica foram os visigodos, que venceram, ao longo do seu período de conquista a outros dos denominados povos bárbaros, como os Suevos e Alanos, que haviam dominado parte da península.

DSC09582Os Visigodos instalaram a capital de seu reino em Toledo, durante o reinado de Atanagildo, cuja panorâmica vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Reino Visigodo se articulava em torno da monarquia, auxiliada por uma assembleia mista composta por nobres e eclesiásticos. As sessões políticas e religiosas eram realizadas geralmente na Igreja de Santa Leocádia, cuja importância aumentou quando passou a acolher os famosos Concílios de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 589, durante o Terceiro Concílio de Toledo, o monarca Recaredo se converte ao cristianismo, transformando-o na religião oficial do estado. Antes, os reis visigodos eram adeptos do Arrianismo, uma corrente religiosa considerada herética, pois negava a dupla natureza de Cristo, humana e divina. A igreja passa a ocupar um papel ativo no governo, junto com a monarquia. Na atual Espanha, se conservam algumas basílicas da época visigoda, bem como restos arqueológicos, alguns dos quais podemos observar no Museu Arqueológico Nacional, como estas esculturas litúrgicas feitas de mármore, dos séculos VI e VII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Monarquia Visigoda era eletiva, e não hereditária, detalhe que causou muitas disputas e sangue. Dos 34 reis visigodos que governaram a Península Ibérica, 10 foram assassinados por familiares próximos e somente 15 tiveram morte natural. Apesar disso, sua organização estatal possuía uma sólida estrutura, baseada nos princípios jurídicos e administrativos do Império Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Isidoro (560 ?/636) foi um dos personagens mais brilhantes da Espanha Visigoda. Arcebispo de Sevilha e considerado um dos doutores da Igreja Católica, a ele se deve uma obra fundamental que reúne todo o conhecimento da época, as Etmologias. No âmbito artístico, os visigodos eram excepcionais no trabalho de metais, como podemos comprovar na coleção exposta do Museu Arqueológico. Por exemplo, na sequência vemos objetos de ornamentação pessoal denominados fíbulas aquiliformes (séc. VI). Feitas de bronze e vidro, eram usadas como elementos diferenciadores do status social. Esta tipologia é uma das mais representativas dos povos visigodos. Sua função era segurar capas e túnicas, sendo utilizadas pela nobreza, que adornavam suas roupas com riqueza e colorido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais importantes de todo o museu pertence à época visigoda, e nos mostra o grau de refinamento conseguido pelos artesãos daquele período. Se trata do famoso Tesouro de Guarrazar, datado entre 621 a 672 dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste excepcional conjunto de peças elaboradas com pedras preciosas foi encontrado em sepulcros na localidade de Guarrazar (Província de Toledo) em 1858 e demonstram o luxo associado às classes elitistas. As coroas e cruzes eram oferendas de imperadores e reis para igrejas e monastérios, recordando o vínculo entre a monarquia e sua divindades. A peça mais destacada é a Coroa do Rei Recesvinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém vemos fíbulas e broches de cintos usados como adorno pessoal, confeccionados segundo influências bizantinas e da época final do Império Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, se considera o Rei Leovigildo como o fundador da monarquia visigoda na península, assim como a cidade de Recópolis, construída para seu filho Recaredo. Ainda hoje podemos visitar suas ruínas, situadas na Província de Guadalajara. De sua basílica se conservam elementos escultóricos datados dos séculos VI e VII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO exército não constituía um organismo institucionalizado na época visigoda. Quando as circunstâncias o exigiam, o monarca convocava os nobres, que reuniam as tropas necessárias, junto com grupos de soldados mercenários. As contínuas disputas pelo poder e as constantes revoltas aristocráticas provocaram no início do séc. VIII uma frágil situação, que alcançou seu apogeu na época do último rei visigodo, Rodrigo. No ano 710 subiu ao poder e durante seu breve reinado ocorre o desembarque dos muçulmanos na Península Ibérica, colocando em cheque a fragilidade da monarquia visigoda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 711, data fundamental na história da Espanha, as tropas muçulmanas de Tarik desembarcam em Gibraltar. Rodrigo, com um exército numeroso, tenta deter o avance árabe, mas é incapaz de fazê-lo, sendo derrotado na Batalha de Guadalete. Inicia-se um novo período histórico, que duraria quase oito séculos…