Igreja de San Nicolás – Valência

Em pleno Centro Histórico de Valência situa-se um dos templos mais belos da cidade, a Igreja de San Nicolás e de San Pedro Mártir. Recentemente, quando estive na cidade, tive a oportunidade de conhecê-la por primeira vez e admirá-la tanto sua parte exterior, quanto seu magnífico espaço interno.

20181004_144531O local onde a igreja se situa sempre foi, ao longo dos séculos, um espaço sagrado. Já em época romana, havia um templo, que foi substituído por uma mesquita durante a dominação muçulmana. Com a reconquista efetuada pelo Rei Jaime I no século XIII, a mesquita foi consagrada como uma paróquia cristã e entregue a Ordem Dominicana, que batizou o templo em homenagem a San Nicolás de Bari. Anos depois, a ordem decidiu incorporar a titularidade da igreja a San Pedro Mártir, considerado o primeiro santo mártir dos dominicanos.

20181004_144658No século XV, chamado de Século de Ouro Valenciano, a igreja foi reconstruída e ampliada, adquirindo o aspecto gótico que possui atualmente. Desta época, se conserva a portada exterior, que vemos nas imagens acima. Esta reforma ocorreu durante o governo eclesiástico do Bispo Alfonso de Borja, que se tornaria cardeal e posteriormente Papa com o nome de Calixto II.

20181004_144603Durante o período da Contrarreforma, no final do século XVII (entre 1697 e 1700), a igreja foi reformada no estilo barroco.

20181004_143337Todo o interior do templo foi coberto por um excepcional conjunto de pinturas (quase 2 mil metros quadrados), realizado pelo pintor Dionís Vidal, discípulo do grande Antonio Palomino (1653/1726), considerado um dos maiores teóricos da arte na Espanha, além de ter sido nomeado pintor de câmara do Rei Carlos II.

20181004_143349As pinturas foram realizadas na própria estrutura gótica do templo, e representam episódios das vidas dos santos titulares, San Nicolás e San Pedro Mártir. Conhecida como a Capela Sixtina Valenciana, a Igreja de San Nicolás é considerada um dos melhores exemplos da combinação do estilo gótico com a decoração barroca.

20181004_14383520181004_144022O interior da igreja possui nave única e 6 capelas de cada lado…

20181004_14430620181004_143555San Nicolás viveu no século IV, e foi Bispo de Mira, na atual Turquia. Devido às invasões otomanas, seus restos foram levados à cidade italiana de Bari, onde se encontra seu sepulcro. Protetor da infância e da família, também é invocado em momentos de dificuldades financeiras. Abaixo, vemos seu busto, situado junto ao altar maior da igreja.

20181004_143733San Pedro Mártir viveu no século XIII. Pertencente à Ordem Dominicana, nasceu em Verona, Itália, e faleceu em 1252. Abaixo, vemos o órgão da igreja…

20181004_143720A igreja conserva importantes obras artísticas, como este retábulo que representa o Calvário de Cristo, realizado pelo pintor Rodrigo de Osona em 1476, um exemplo da transição do gótico ao renascimento.

20181004_144211No século XIX, foram realizadas algumas reformas na parte exterior da igreja, no estilo neogótico

20181004_144612Finalmente, em 1981, a Igreja de San Nicolás de Valência recebeu, merecidamente, o título de Monumento Histórico-Artístico.

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Edifício da Prefeitura de Valencia: Parte 2

O Edifício da Prefeitura de Valencia é  a sede do Museu Histórico Municipal, um interessante espaço cultural que expõe diversos objetos de relevância histórica relacionados com a cidade. O museu foi criado em 1927, ainda que sua configuração atual data de 1935, quando foram realizadas reformas pelo arquiteto Javier Goerlich no local onde originalmente se situava a Capela da Real Casa de la Enseñanza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de conhecer as várias salas que compõem o Edifício da Prefeitura, o visitante poderá contemplar alguns objetos que se converteram em verdadeiras relíquias, como o Pendón capturado dos árabes durante a reconquista da cidade pelo monarca Jaime I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Quadros de temática religiosa também englobam a coleção do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um quadro que representa o Arcanjo Miguel como pesador das almas, disputando com o demônio o destino de cada indivíduo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Sala Floral recebe este nome porque nela se exibe os Foros de Valencia, conjunto de leis outorgadas por Jaime I em 1261, que regeram a história do Reino de Valencia. O espaço foi decorado com pinturas murais realizadas por José Vergara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala foi decorada com um teto de inspiração mudéjar e adornado com motivos heráldicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto interessante constituem os mapas históricos da cidade, como o de abaixo, de 1704.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o Escudo de Valencia, formado por um dos símbolos mais queridos pelos valencianos, o morcego, colocado em sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO emprego de animais é muito comum nos brasões de todo o mundo, sendo os mais frequentes os animais ferozes como o urso, leão, águia, etc, e também os de caráter mitológico, como os dragões. O morcego é uma figura heráldica presente em vários escudos relacionados com a Coroa de Aragón, e sua incorporação ao escudo da cidade está relacionado com uma tradição que remonta à reconquista de Jaime I. Uma lenda diz que os exércitos muçulmanos prepararam um ataque surpresa contra as tropas do monarca Jaime I. Uma noite, quando os soldados dormiam num acampamento, foram despertados por um barulho estranho, posteriormente associado a um morcego. O exército do rei conseguiu repelir o ataque inesperado e poucos dias depois, Jaime I entrou vitorioso na cidade. Outra explicação diz que um morcego pousou no casco do rei, sendo interpretado para que estivesse sempre vigilante. No centro do escudo vemos também duas letras L, relacionadas ao título de “Duas vezes leal”, concedido à cidade durante a guerra castelhano-aragonesa, travada entre os reis Pedro IV de Aragón e Pedro I de Castilla, na chamada “Guerra dos dois Pedros”. Finalizamos a matéria com imagens de alguns detalhes decorativos presentes no Edifício da Prefeitura de Valencia.

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A Lonja de Valencia: Patrimônio da Humanidade

A prosperidade econômica e a estabilidade monetária alcançada por Valencia no século XV a transformou numa das maiores potências econômicas do Mediterrâneo. Este período é considerado o século de ouro da cidade no plano demográfico, cultural e artístico. Com cerca de 75 mil habitantes em 1483, converteu-se na cidade mais importante da península, através do seu grande porto marítimo e o desenvolvimento das atividades mercantis. O edifício mais importante desta época é ainda hoje um dos referentes da cidade, a Lonja dos Mercadeiros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma lonja é um local de reunião de comerciantes, e a Lonja de Valencia é considerada uma das obras mais importantes da arquitetura gótica civil de toda a Europa. Simboliza a pujança e riqueza da cidade no século XV, um exemplo perfeito da Revolução Comercial que se propagou por todo o continente, além do crescimento social e o prestígio alcançado pela burguesia valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcebida como um verdadeiro templo dedicado ao comércio, foi construído em apenas 15 anos, entre 1483 e 1498, pelo mestre Pere Compte. A lonja situa-se na Praça do Mercado, centro vital da cidade desde a época árabe. Nela se realizaram corridas de touros, execuções públicas, etc. Sua função de mercado data do reinado de Jaime I, mas foi com Pedro IV de Aragón que adquiriu um caráter comercial permanente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que pudesse ser realizada sua construção, foram adquiridas e posteriormente derrubadas 25 casas. O edifício se assemelha aos castelos medievais, por seu imponente aspecto de fortaleza. A estrutura está repleta de figuras simbólicas e personagens grotescos, e somente em relação às gárgulas, se contabilizam 28 delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Escudo do Reino de Aragón, franqueado por anjos, colocado numa das esquinas exteriores do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia consta de 4 partes. Na torre situa-se o calabouço, onde eram confinados aqueles que roubavam os comerciantes e os proprietários de estabelecimentos menos honrados…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas dependências mais espetaculares, a denominada Sala de Contrataçao deslumbra por sua beleza gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço está formado por duas fileiras de colunas helicoidais de 16 m de altura, que lhe proporcionam um aspecto semelhante a um bosque de palmeiras. Por sua vez, o teto da sala está composto por espetaculares bôvedas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, o edifício recebeu o nome de Lonja da Seda, pois nele se realizavam as transações relativas ao comércio da seda, cuja indústria era a mais potente da cidade. No século XIV, existiam muitos comerciantes que se dedicavam à sua fabricação, principalmente judeus, e mais tarde conversos, que se agruparam em 1465 numa confraria chamada “Virgem da Misericórdia“. Por este motivo encontramos uma capela a ela dedicada no interior da Lonja. O século XVIII representou o momento de maior esplendor do comércio da seda, com cerca de 25 mil pessoas que trabalhavam em sua indústria. A partir de 1790, a atividade entrou em decadência, mas a Lonja de Valencia mantêm o nome de Lonja da Seda até hoje, uma homenagem a esta indústria pioneira. A seguir, vemos o Pátio de los Naranjos (Pátio das Laranjas, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma escada situada no pátio conduz a outra dependência do edifício, a Sala do Consulado do Mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Consulado do Mar foi uma instituição criada em 1238, onde os juízes celebravam sessões relacionadas a assuntos marítimos e mercantis. Abaixo, vemos a belíssima sala, também decorada com um magistral teto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Lonja de Valencia foi declarada Monumento Nacional em 1931, e em 1996 recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, concedido pela Unesco, por sua importância histórica, excelente estado de conservação e exemplo único do Gótico Civil Europeu.

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Valencia Árabe

Com a queda do Império Romano, a cidade de Valencia caiu sob o domínio dos visigodos em 497 dc. Pouco se conhece deste período histórico na cidade. No Museu de Almoina se conservam tumbas monumentais de finais do século VI, pertencentes à época visigoda. Possuíam um caráter familiar e coletivo, sendo que em algumas delas foram encontrados os restos de mais de 30 indivíduos. Foram construídas com grandes blocos de pedra e decoradas com motivos relacionados ao cristianismo. As sepulturas continham também ricas peças em forma de colares, anéis, pulseiras, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi com a chegada dos árabes em 718dc que a cidade alcançou um primeiro período de prosperidade. Permaneceram  mais de 500 anos, e passou a denominar-se Balansiya. Entre suas contribuições à cidade mencionamos o moderno sistema de plantio, numa zona de escassa pluviometria. No século X, alcançou uma população estimada em 15 mil habitantes, tornando-se a cidade mais populosa da zona oriental de Al Andaluz, nome com que se conhece o território árabe na Espanha. No século XI, durante o período conhecido como Reino de Taifas, no qual surgiram várias cidades independentes depois da desintegração do Califato de Córdoba, a cidade obteve um notável crescimento. Um excepcional conjunto de muralhas foi erguido. Apesar das reforma e ampliaçoes realizadas, o sistema defensivo permaneceu de pé até 1865. Ainda hoje podemos contemplar algumas de suas imponentes portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano de 1094, El Cid conquista Valencia, depois de 8 meses de assédio, mas foi novamente retomada pelos árabes pouco tempo depois. A cidade é definitivamente reconquistada pelo Rei Jaime I, chamado de El Conquistador, e sua façanha foi celebrada em toda a Europa, já que o Papa Gregório IX havia outorgado à empresa um caráter de cruzada. Em 1238 entrava vitorioso na cidade, depois de realizar um pacto com o rei mouro Zayyan. Contou com o apoio das Ordens Militares do Templo, de Calatrava e do Hospital.No Edifício da Prefeitura de Valencia (Ayuntamiento) podemos ver um de seus objetos históricos de maior importância, o denominado Pendão da Reconquista, içado pelos árabes para indicar sua rendição às tropas de Jaime I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de reconquistada, Jaime I teve que lutar contra os interesses das nobreza catalã e aragonesa, que pretendiam converter as terras conquistadas numa prolongação de seus territórios. Para impedi-lo, o monarca transformou a cidade num reino singular,criando uma nova unidade política e jurídica unida à Coroa de Aragón. Com a  outorgação dos Foros de Valencia, os reis que lhe sucedessem ao trono estariam submetidos às leis próprias dos valencianos. A cidade torna-se, deste modo, num estado soberano, mesmo estando incorporado ao Reino de Aragón. Além dos Foros, se redatou um código marítimo, considerado o mais antigo do continente. No entanto, algumas instituições criadas pelos árabes foram mantidas, como o famoso Tribunal das Águas, encarregado de regular sua utilização. Desde 1247, a cidade passou a ter moeda própria, o Real Valenciano. Abaixo, vemos o busto de Jaime I, também colocado no interior do Edifício da Prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte da população árabe abandonou a cidade após a reconquista, e os que nela permaneceram (conhecidos como mudéjares) passaram a viver num bairro próprio, a Morería, situado fora das muralhas. Muitas das mesquitas existentes foram transformadas em igrejas católicas. Um bom exemplo da arquitetura mudéjar de Valencia corresponde aos chamados Banhos do Almirante, por estarem situados no Palácio Gótico dos Almirantes de Aragón. Apesar de sua aparência árabe, foram construídos em 1313.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes banhos possuíam um caráter civil e sua funcionalidade e sistema construtivo foram herdados das antigas termas romanas. Divididos em salas fria,temperada e quente, é um dos poucos banhos desta época que se mantiveram ativos desde sua criação até o século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a época romana, Valencia sempre se orgulhou de ter um excelente sistema de saneamento, que foi ampliado e aperfeiçoado com o tempo. Graças a ele, a cidade transformou-se numa das mais limpas de toda a Espanha. Em 1944, os Banhos do Almirante foram declarados Conjunto Histórico-Artístico. Fechados para o uso público em 1959, pouco depois funcionou como uma academia de ginástica. Em 1985 foi adquirido pelo governo que o restaurou, sendo aberto para a visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as características aberturas situadas no teto, que proporcionam iluminação ao interior do banho, exemplos da arquitetura árabe destes espaços públicos.

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Alicante – Comunidade Valenciana

No verão deste ano (meses de julho e agosto) conheci por primeira vez a cidade de Alicante, um dos destinos de férias preferidos para muitos espanhóis, inclusive os madrilenhos. Situada no leste do país e banhada pelo Mar Mediterâneo, Alicante é uma das três capitais de província que compõem a Comunidade Valenciana (as outras duas são Valencia e Castellón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACidade mais importante da denominada Costa Blanca, Alicante (Alacant, no idioma valenciano) possui aproximadamente 340 mil habitantes, o que a torna o segundo município mais populoso da comunidade, depois da cidade de Valencia.

20160808_174120Na época mais quente do ano, a cidade atrai a uma enorme quantidade de turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros, em busca de suas praias e do sol que brilha intensamente. Em pleno centro urbano, a Praia de El Postiguet fica lotada com a presença de turistas ingleses, alemães, etc, além da presença dos próprios alicantinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs jovens preferem a Praia de San Juan, um pouco afastada do centro…

20160811_171151Alicante não é apenas sinônimo de sol e belas praias, e possui uma história milenária. Pelo seu porto natural, inúmeras culturas como os Iberos, Fenícios e Gregos desenvolveram uma intensa atividade mercantilista. No entanto, na antiguidade foram os Cartagineses os povoadores de maior destaque, que transformaram sua costa no centro mais importante de suas bases navais, até que foram expulsos pelos Romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da dominação romana, Alicante pertenceu a Bizancio e em seguida ao Reino Visigodo. Uma das épocas mais prósperas ocorreu a partir do século VIII, quando passa a integrar o Império Árabe de Al Andaluz, sendo então denominada Medina Laqant. A cidade foi muçulmana até o século XIII, quando foi incorporada ao Reino de Aragón pelo monarca Jaime I. No século XVI, durante o reinado de Felipe II, os mouriscos (muçulmanos convertidos ao catolicismo) foram expulsos do país, fato que alterou enormemente sua produção agrícola, já que a maioria deles trabalhavam no campo. As consequências econômicas logo se fizeram sentir. Durante o século XVIII, a cidade se recupera, momento em que se transforma na terceira cidade mercantil da Espanha, depois de Barcelona e Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlicante ostenta o título de cidade desde 1490, concedido durante o reinado de Fernando II de Aragón. Atualmente, o turismo é uma importante fonte de ingressos. Uma das razões para tanto é a qualidade de suas águas. Mesmo as praias urbanas possuem um excelente nível de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas avenidas mais populares é a Explanada de España, um dos símbolos da cidade. Situada paralela ao mar, é exclusiva para pedestres e está repleta de palmeiras.  Toda sua extensão foi decorada com mosaicos de formato ondulado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre Alicante e seus principais monumentos. As fotos panorâmicas deste post foram tiradas do alto do Castelo de Santa Bárbara, situado num cerro em frente à Praia de El Postiguet. Esta imponente construção militar e defensiva será o tema do próximo post…

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Um Passeio por Barcelona

Na matéria de hoje veremos alguns dos locais mais significativos de Barcelona, que podem ser conhecidos num agradável passeio pelo centro da cidade. Nossa primeira parada será a Plaza de Cataluña (Plaça de Catalunya, em catalão), considerada uma das maiores praças da Espanha, com cerca de 30 mil metros quadrados de superfície.

20160908_201755Esta enorme praça, repleta de estabelecimentos comerciais, bares e restaurantes, representa um ponto de união entre o centro antigo da cidade com o denominado Ensanche (em catalão, Eixample). A partir dela, aparecem algumas das vias mais conhecidas e famosas de Barcelona, como Las Ramblas, o Paseo de Grácia, etc. Antes que as muralhas fossem derrubadas na metade do século XIX, seu espaço estava ocupado por uma explanada situada fora da cidade, justo em frente a uma das portas principais de seu recinto defensivo, a Puerta del Ángel.

20160908_202246O Ensanche de Barcelona foi um projeto urbanístico de ampliação da cidade além do perímetro de suas muralhas, uma reforma que sucedeu em muitas das cidades europeias antigas. A permissão para a construção da Plaza Cataluña se deu a partir da Exposição Universal de 1889, mas a primeira etapa de sua urbanização ocorreu somente a partir de 1902. A praça está decorada com várias e belas esculturas e uma fonte, que durante a noite fica toda iluminada.

20160908_202030 O Eixample ocupa a parte central da cidade, sendo o distrito mais povoado de Barcelona. Representa uma zona de grande interesse turístico, graças a grande quantidade de monumentos que acolhe em seu perímetro, como a Sagrada Família, a Casa Milà, somente para citar alguns poucos exemplos. Foi projetado por Ildefonso Cerdà (1815/1876), como consequência da destruição de suas muralhas. O Plan Cerdà, como ficou conhecido esta grande reforma urbana, foi realizado em 1859. Possuía um caráter geométrico e preocupado pelos aspectos higiênicos. Sua estrutura urbana aproveitou o máximo possível a direção dos ventos para facilitar a limpeza da atmosfera e a ventilação natural. Outro aspecto importante do novo plano urbano era a mobilidade, ao criar avenidas largas e pensadas para a circulação de veículos, muitos anos antes da invenção do automóvel. Abaixo, vemos uma imagem panorâmica do Paseo de Grácia, uma de suas ruas mais conhecidas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local emblemático de Barcelona é a Plaza de San Jaime (Sant Jaume, em catalao), centro político e administrativo desde sua época romana, quando a cidade denominava-se Barcino. Situa-se no local onde há cerca de 2 mil anos atrás se erguia o Forum Romano (para conhecer melhor a Barcelona Romana, ver post publicado em 5/2/2013). O aspecto atual da praça data de 1823, quando foi reurbanizada e batizada com o nome de Plaza de la Constituición. A Plaza de San Jaime acolhe os dois edifícios mais importantes da administração catalana. O primeiro é o chamado Palau de la Generalitat (Palácio de la Generalidad, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste edifício constitui a sede da presidência da Generalitat da Catalunya, o mesmo que dizer o Governo da Comunidade. É considerado um dos poucos edifícios de origem medieval que se mantêm como sede de governo. A construção atual é de 1596, realizada no estilo renascentista pelo arquiteto Pere Blai. Uma escultura de São Jorge realizada em 1860 por Andreu Bleu preside a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Palau de la Generalitat situa-se a Prefeitura de Barcelona, também chamada de Casa da Cidade. Sua origem se remonta ao ano 1249, durante o reinado de Jaime I. O atual edifício é do século XIX, construído pelo arquiteto Josep Mas i Vila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes dois edifícios constituem um dos 4 órgãos administrativos com responsabilidade política da cidade. Os demais são a Administração Geral do Estado Espanhol e o Congresso de Deputados (Diputación de Barcelona).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Idade Média, o abastecimento de água para a população se realizava através de suas inúmeras fontes públicas. Uma destas fontes históricas é a de Santa Ana, construída em 1356 e localizada em pleno Bairro Gótico (posts publicados em 18/2 e 19/2/2013), bem próxima à Plaza de San Jaime e a Catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fonte de Santa Ana recebeu sua esbelta decoração de cerâmica somente em 1918, depois de ter sido reformada um século antes.

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Real Cassino de Murcia

A denominada Calle Trapería é uma das ruas mais movimentadas da cidade. Aberta no final do séc. XIII pelo rei Jaime I, nela se concentrava o comércio de tecidos. Em seu perímetro, está situado um dos monumentos mais incríveis de Murcia, e por isso mesmo, um dos mais visitados de toda a Comunidade Murciana, o Real Cassino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ difícil mostrar-se indiferente diante de tanta beleza, concentrada num único lugar. O Real Cassino de Murcia foi construído a partir de 1847, combinando variados estilos artísticos, que coexistiram na segunda metade do séc. XIX. A fachada, por exemplo, é de estilo eclético com influências modernistas e históricas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal foi realizada pelo arquiteto Pedro Cerdán (1863/1947), responsável por várias obras neste estilo em toda a região de Murcia. Apesar de ser a sede da instituição que funciona como um clube privado, é possível visitá-lo, oferecendo também diversas atividades culturais em sua programação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARestaurado integralmente entre 2006 e 2009, o título de Real Cassino foi outorgado pelo rei Juan Carlos I, logo após as reformas. Depois de passar pela entrada, vemos uma belíssima sala construída e decorada com uma combinação de madeira e vidro, realizada por Manuel Castaños.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço de entrada permite o acesso ao chamado Salão Árabe, inspirado na arquitetura da Alhambra de Granada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste maravilhoso salão com conotações históricas foi igualmente projetado por Manuel Castaños. Abaixo,vemos alguns detalhes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salão Árabe está coberto por uma grande cúpula de vidro. Uma inscrição percorre todo seu diâmetro. Diz: “Nada é mais grande que Alá.”

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde sua fundação, o Real Cassino de Murcia tornou-se uma das instituições mais destacadas da vida social dos seus habitantes. O Salão Árabe nos conduz à Galeria Central, totalmente coberta por uma estrutura de vidro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarado Monumento Histórico-Artístico em 1983, o Real Cassino está composto por várias dependências de grande beleza, organizadas em torno à Galeria Central. Na próxima matéria, veremos as principais, e vocês terão uma ideia de sua riqueza decorativa…