El Capricho de Gaudí

O principal motivo de minha visita a Comillas foi conhecer uma das poucas obras realizadas pelo arquiteto Antoni Gaudí fora da Catalunha, a Vila Quijano, mais conhecida como “El Capricho“. Um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, foi projetado pelo grande arquiteto quando ainda era jovem, entre 1883 e 1885.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto Joan Martorell e o empresário Eusebi Guell introduziram Gaudí nos círculos sociais de Comillas e Gaudí foi contratado por Máximo Díaz de Quijano para que realizasse o projeto de sua residência, depois que regressou rico de Cuba, nos jardins que rodeiam o Palácio de Sobrellano, que vimos recentemente no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGaudí tinha apenas 31 anos quando projetou El Capricho, e foi um dos primeiros edifícios em que experimentou formas geométricas diferentes. Em sua fase inicial, o arquiteto se viu influenciado pela arquitetura de cunho histórico em voga no final do século XIX, principalmente através de um de seus principais mestres, Joan Martorell, que também deixou seu legado em Comillas. Em suas primeiras obras, Gaudí incorporou vários estilos, como o neogótico, o neomudéjar, além da arte oriental. Desta primeira fase, destacam dois edifícios criados quase que simultaneamente, a Casa Vicens de Barcelona e El Capricho de Comillas, que possuem certa semelhança, como a decoração exterior e a distribuição do espaço interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto e o proprietário nunca chegaram a se conhecer pessoalmente, pois Gaudí projetou a Vila Quijano em Barcelona, deixando a direçao das obras ao seu colega Cristóbal Cascante. Díaz de Quijano era apaixonado pela música e pela jardinagem, e estes dois aspectos de sua vida foram incorporados por Gaudí na decoração da residência. De fato, Díaz de Quijano chegou a compor Zarzuelas com letras do escritor realista José María de Pereda. Um dos aspectos que mais chamam a atenção no exterior da casa é a profusão de detalhes de temática vegetal e musical, como os azulejos decorados com girassóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs azulejos de formato quadrado foram inspirados na técnica tradicional da arquitetura hispano-árabe. A variedade estilística empregada por Gaudí na construção originou uma obra eclética. Outro material utilizado foi o ferro forjado, utilizado para os balcões e outras estruturas da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das estruturas feitas de ferro adquiriram a forma da Clave de Sol, outra referência ao gosto pessoal do proprietário. No El Capricho, Gaudí executou plenamente seu ideal de casa residencial, exposto no Manuscrito de Reus em 1878, um dos poucos textos conhecidos do grande arquiteto. A originalidade do desenho e a colorida decoração da casa é uma das causas por que a Vila de Quijano ficou conhecida como El Capricho, uma analogia ao gênero musical.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm elemento inconfundível da parte exterior da casa é a torre, que cumpre a função de mirante, sendo inspirada nos minaretes muçulmanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre se assenta sobre as 4 colunas do pórtico que permite a entrada à residência. Estão orientadas aos quatro pontos cardeais, e foram decoradas com capitéis de inspiração romântica, com pássaros e folhas de palmito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAToda a construção está cercada por um belo jardim, no qual Gaudí também deixou mostras de sua genialidade. Abaixo, vemos uma panorâmica da casa desde o jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAGaudí gostava de recriar ambientes rústicos, feitos com materiais naturais, além de estruturas artificiais. Um exemplo é a gruta que vemos no jardim, que propicia uma atmosfera romântica ao local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o objetivo de comunicar o pátio traseiro da casa com o caminho que rodeia o jardim, Gaudí desenvolveu uma escada-ponte, realizada com tijolo e cerâmica branca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm Comillas, a tendência em demonstrar a riqueza dos indianos, ou seja, daqueles espanhóis que fizeram fortuna na América e regressaram às suas cidades de origem, como Quijano Díaz, ficou ainda mais patente depois das visitas realizadas pelo Rei Alfonso XII à cidade. Por todo o norte da Espanha podemos ver muitos dos denominados Palácios Indianos, que se relacionam com um tipo de arquitetura composta por elementos exóticos em seu aspecto ornamental. Gaudí era, portanto, o arquiteto perfeito para materializar esta exuberância decorativa num palácio indiano. Finalizamos esta primeira parte sobre El Capricho com uma foto do panteão dos Marqueses de Comillas, tirada do jardim da Vila Quijano. No próximo post, veremos o interior da casa…

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Comillas Modernista

Além de seu belíssimo centro histórico, a vila de Comillas possui um impressionante patrimônio arquitetônico relacionado ao Estilo Modernista. O edifício mais famoso é El Capricho, projetado pelo arquiteto Antoni Gaudí, que veremos no próximo post. Muitas outras construções do estilo podem ser vistas num passeio pela cidade. Um exemplo é a Fonte dos 3 Canos, realizada em pedra pelo igualmente famoso arquiteto modernista Lluís Domènech i Montaner, em 1889. Situada no centro, foi dedicada a Joaquín del Piélago, ilustre personalidade da cidade que financiou a instalação da rede de água de Comillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALluís Domènech i Montaner também foi o responsável da porta que permite o acesso à Universidade Pontifícia, outro edifício pertencente ao estilo. Conhecida como “Porta das Virtudes“, combina perfeitamente o tijolo, a cerâmica e a pedra como materiais construtivos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício da Universidade Pontifícia foi projetado pelo arquiteto Joan Martorell, autor do Palácio de Sobrellano, que vimos no último post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJoan Martorell, dentro do contexto historicista da arquitetura no final do século XIX, realizou um edifício com influências tanto do gótico, quanto do estilo mudéjar. A construção foi iniciada em 1883 e seis anos depois foi decorada no estilo modernista por Lluís Domènech i Montaner.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO filho mais ilustre da cidade, o primeiro Marquês de Comillas, Antonio López y López, financiou a obra. Com sua morte, foi o filho, Cláudio López Breu, quem assumiu o compromisso de continuar com sua execução. Criada em 1890, a Universidade Pontifícia de Comillas inicialmente era um seminário para a formaçao de sacerdotes. Em 1904, o Papa Pio X concedeu ao seminário o direito de conferir graus acadêmicos de Filosofia, Teologia e Direito Canônico, convertendo-se em Universidade Pontifícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADela saíram importantes figuras eclesiásticas, principalmente arcebispos, contribuindo de maneira fundamental para o título que ostenta a cidade, a “Vila dos Arcebispos“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição constitui uma universidade católica e particular, dirigida pelos jesuítas e atualmente com sua sede principal em Madrid. Dos jardins da universidade pude tirar algumas boas fotos com o mar de fundo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Primeiro Marquês de Comillas foi o principal responsável pela transformação urbana da cidade no final do século XIX, depois que seu amigo pessoal o rei Alfonso XII visitou a vila em duas ocasiões, em 1881 e 1882. Com apenas 14 anos emigrou a Cuba. Em terras americanas, ganhou uma fortuna e, ao regressar a Espanha, fundou um banco, uma fábrica de tabacos e uma companhia de navegação, negócios que o converteu num dos empresários mais ricos do país na época. Foi então que o monarca lhe concedeu o título de Marquês de Comillas. Apesar de viver em Barcelona, patrocinou a construção de vários edifícios emblemáticos em sua vila de origem. Comillas se transforma num local de moda para a aristocracia espanhola. Antoni Gaudí foi outros dos arquitetos de renome que contribuíram para a transformação urbana da cidade. Dele é a denominada Porta do Moro, que permite o acesso a um palacete da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída em 1900, a porta possui formas redondeadas e as esquinas com linhas onduladas. Está composta por três aberturas: a maior para carruagens, a de tamanho médio para pessoas e, em sua parte superior direita, vemos uma abertura circular que permite a passagem dos pássaros. Por este motivo, a porta é conhecida como a “Porta dos Pássaros“. Abaixo, vemos algumas fotos deste belo palácio.

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Palácio de Sobrellano – Comillas

A prolongada estância do Rei Alfonso XII em Comillas, unida ao impulso construtivo do Marquês de Comillas, propiciaram uma verdadeira reforma urbana que transformou a paisagem urbana da vila, através da construção de uma série de edifícios que modificaram a fisionomia da cidade. Os melhores arquitetos da Catalunha na época foram contratados, realizando obras que mais tarde originaria o Movimento Modernista. O próprio Marquês de Comillas ordenou a construção de um grande palácio residencial, chamado Palácio de Sobrellano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto encarregado do projeto foi Joan Martorell, que acabou projetando outros edifícios emblemáticos de Comillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Sobrellano foi construído no estilo neogótico com alguns elementos modernistas entre 1882 e 1888. Antonio López y López, o primeiro Marquês de Comillas, não pôde ver finalizada a obra, pois faleceu em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste palácio é considerado a primeira obra modernista realizada em Comillas. Possui uma planta retangular e totalmente simétrico. Abaixo, vemos alguns elementos estruturais e decorativos que foram utilizados em sua arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Sobrellano foi o primeiro edifício da Espanha a receber luz elétrica em todo o país e apareceu em vários filmes. O palácio é visitável, mas a falta de tempo me impediu de vê-lo por dentro. Joan Martorell projetou também uma capela com a finalidade de servir como panteão para os primeiros Marqueses de Comillas, e foi situada nos jardins que cercam o palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela segue o mesmo padrão neogótico do palácio, e pode ser considerada em seu conjunto como uma catedral em miniatura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a entrada ao palácio e à capela….

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa frente do palácio foi colocado um monumento comemorativo às visitas realizadas pelo Rei Alfonso XII a Comillas.

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Pavilhões das Fincas Guell – Barcelona

Bem próximo ao Palácio Real de Barcelona está situado uma das obras menos conhecidas do arquiteto modernista catalão Antoni Gaudí na cidade, os Pavilhões das Fincas Guell. Esta série de edifícios encontram-se localizados no Bairro de Pedralbes, e foram construídos por Gaudí entre 1883 e 1887.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra, original e criativa como todas as construções de Gaudí, pertence a sua etapa orientalista, quando se inspira nas artes da Índia, Pérsia e do Japão, além da arte islâmica realizado na Espanha, principalmente o mudéjar e o estilo nazarí. Nela, o arquiteto emprega com profusão diversas tonalidades de tijolo, azulejo cerâmico e os arcos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, os Pavilhões das Fincas Guell correspondem às casas da portaria e os estábulos de uma propriedade rural (finca, em espanhol) pertencente a Eusebi Guell, amigo e mecenas do famoso arquiteto. Ambos se conheceram em 1878, durante a realização da Exposição Universal de Paris, criando uma longa amizade cujos frutos foram o Palácio Guell (matéria publicada entre 9/01 e 10/01/2013) e o Parque Guell (publicado  entre 22/01 e 23/01/2013), algumas das obras mais emblemáticas de Gaudí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo vimos no post anterior, Eusebi Guell possuía uma finca, união de dois terrenos. Um dos mestres de Gaudí, Joan Martorell, construiu um palacete,  que foi reformado por Gaudí, mas que foi derrubado em 1919 para a construção do Palácio Real. Na ocasião, Gaudí foi encarregado de reformar o palácio e construir os pavilhões da portaria, os estábulos e os muros, que felizmente ainda se conservam. A porta principal deste conjunto foi feita de ferro forjado, com a figura de um impactante dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos algumas imagens dos estábulos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA portaria consta de 3 pequenas construções, rematadas por estruturas de ventilação em forma de chaminé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeclarado Monumento Histórico-Artístico em 1969, os Pavilhões das Fincas Guell foram restaurados e abertos ao público em 2015. Um lugar excelente para poder compreender e admirar a obra deste genial artista, sem dúvida nenhuma…

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