Patrimônio Religioso de Salamanca: Parte 2

Neste segundo post sobre o patrimônio religioso de Salamanca veremos outras construções de importância histórica da cidade castelhana. A Ordem Franciscana, como sucedeu com os carmelitas, também teve um grande papel na história salmantina. Um dos principais edifícios associados a ordem é o Monasterio de la Anunciación, um convento feminino fundado na segunda metade do século XV para as freiras da Ordem Terceira de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento, também conhecido como “Las Úrsulas“, foi ampliado pelo Arcebispo Alonso II de Fonseca, com a finalidade de estabelecer nele sua capela funerária. De fato, no monastério foi enterrado, depois de sua morte em 1512. Abaixo, vemos seu característico ábside gótico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada principal pertence ao período barroco, realizada por Jerónimo García de Quiñones, outro arquiteto emblemático da cidade, em 1722.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de mais de 5 séculos vivendo no local, em 2018 as religiosas tiveram que abandonar o convento devido ao escasso número de freiras e a falta de vocação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe mediados do século XVIII e de estilo barroco, a Capela de San Francisco fazia parte de um antigo convento franciscano, que não existe mais. Atualmente pertence à Ordem dos Capuchinos. Na fachada principal vemos uma imagem de São Francisco….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próprio santo foi homenageado com uma estátua realizada por Venancio Blanco, e inaugurada em 1976.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à estátua em homenagem a São Francisco, situa-se a Capela da Santa Vera Cruz, construída por uma das confrarias mais ilustre da cidade no século XVI, que nela está sediada. O projeto foi realizado por Rodrigo Gil de Hontañón, um dos principais arquitetos renascentistas do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeste período inicial, se conserva a fachada principal com uma imagem da Imaculada. No século XVIII, o interior dete singelo templo foi reformado no estilo barroco por Joaquín de Churriguera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Irmãos Churriguera destacaram-se no século XVII como arquitetos e escultores referentes na Espanha. Realizaram muitos trabalhos em Salamanca, sendo que um deles, José Benito de Churriguera (1665/1725) tornou-se o mais famoso. Seu irmão Alberto de Churriguera foi o responsável pela construção da Igreja de San Sebastián, situada ao lado do Palácio de Anaya, um dos edifícios históricos da Universidade de Salamanca, que vimos recentemente no blog.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi construída inicialmente em 1410, mas foi derrubada por problemas estruturais. Na primeira metade do século XVIII foi reconstruída por Alberto de Churriguera (1676/1750). A portada barroca foi decorada com uma imagem de San Sebastián realizada por outro membro da família, José de Lara Churriguera

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO período barroco foi determinante em muita das construções religiosas existentes em Salamanca, como podemos notar. A Igreja de San Pablo, situada na Plaza de Colón (com o conhecido monumento em homenagem a Cristóvão Colombo, que já vimos nesta série de matérias sobre a cidade) também se insere neste estilo artístico. Erguida no século XVII, em sua origem foi conhecida como Igreja da Santíssima Trindade, formando parte do Convento dos Trinitários Descalços. A fachada é a única parte que se conserva, decorada com um relevo da Santíssima Trindade

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo adquiriu o nome de San Pablo quando a antiga igreja dedicada ao santo foi abandonada por seu estado ruinoso (conhecida atualmente pelas ruínas de San Polo, que vimos no post anterior). Depois dos processos de desamortização do século XIX, a igreja perdeu sua função original, e o espaço litúrgico passou a ser usado como sede do quartel civil. Atualmente pertence ao sistema judiciário da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com a Igreja de la Puríssima, considerada uma das mais belas de Salamanca. Declarada Monumento Nacional desde 1935, sua construção foi ordenada pelo Conde de Monterrey em 1636 para que nela fosse sepultado junto com  sua família. Formava parte do Convento de Agustinas Recoletos, e as obras finalizaram em 1687.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada em frente ao Palácio do Conde de Monterrey, em sua arquitetura barroca destaca a cúpula, reconstruída em 1675, depois que a original foi derrubada, e sua fachada, com um grande pórtico de mais de 30m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pena que infelizmente não tive a oportunidade visitar a igreja por dentro, que conserva magníficas obras de arte, entre as quais diversos quadros de José de Ribera, um dos principais pintores barrocos do país. Fica para a próxima vez…

A Catedral de Ávila: Parte 2

Nesta segunda parte sobre a Catedral de Ávila veremos o interior do espaço sagrado, e algumas de suas obras mais importantes. A Capela Maior, por exemplo, acolhe um maravilhoso retábulo realizado no último período construtivo da catedral, no final do século XV e começo do XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior do retábulo foi executada por Pedro Berruguete, que combina a tradiçao hispano-flamenca com o novo estilo renascentista proveniente da Itália. O artista buscou a individualização dos personagens representados e um grande realismo, conseguidos através de um intenso naturalismo. Com sua morte, a execução do retábulo foi realizada, entre outros, por Juan de Borgoña, que retratou as cenas da Anunciação, Nascimento de Cristo, Transfiguração e Apresentação ao Templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à Capela Maior, foram colocadas duas esculturas dedicadas a Santa Catalina e San Segundo, ambas realizadas em alabastro por Vasco de la Zarza na primeira metade do século XVI. Abaixo, vemos a Santa Catalina…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA tradição diz que San Segundo foi um dos sete enviados por São Pedro e São Paulo com a missão de evangelizar Espanha. Foi o primeiro Bispo de Ávila, sendo considerado o padroeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da nave principal foi colocado o Coro, algo característico das Catedrais Espanholas. Inicialmente ele se encontrava junto a Capela Maior, ao modo das catedrais francesas. Durante o período renascentista, acabou sendo deslocado para o centro da nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído na primeira metade do século XVI por Cornelis de Holanda, que contou com a participação de Lucas Giraldo e Juan Rodríguez, entre outros. Elaborado com madeira de nogal, destaca-se por sua rica iconografía, onde foram representados uma grande quantidade de santos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais do coro, dois belíssimos órgãos, um barroco e outro de data posterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro da catedral foi inicialmente construído no século XIV no estilo gótico e apenas finalizado no XVI, já dentro da estética renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formado por 3 capelas, e constituiu sempre um local de enterramento, acolhendo os restos de personagens ilustres da História da Espanha, como Adolfo Suárez (1932/2014), o primeiro presidente do período democrático do país, iniciado depois da morte do General Franco. Abaixo, vemos uma lista que comprova a milenar tradiçao episcopal de Ávila, onde podemos ver todos os bispos da cidade, começando por San Segundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA San Segundo foi dedicado também uma das principais capelas das muitas existentes na catedral. O acesso a ela se dá tanto pelo interior, quanto pelo exterior do templo, cuja fachada austera vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída para acolher os restos de San Segundo para sua conservação, que foram trazidos da igreja românica a ele dedicado, prova da grande devoção de seus habitantes ao primeiro bispo de Ávila. Para que pudesse ser construída, tiveram que derrubar um cubo da muralha, prévia permissão concedida pelo rei Felipe II, pois a fachada da capela está adossada à mesma, como vemos acima. Abaixo, vemos o interior da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção da Capela de San Segundo foi iniciada por Francisco de Mora em 1602, e finalizada por seu sobrinho Juan Gómez de Mora em 1615. O retábulo em forma de baldaquino acolhe uma urna com as relíquias do santo, e foi realizado em 1715 por José Benito de Churriguera.

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Igreja das Calatravas – Madrid

Num segundo momento, o Barroco em Madrid entra numa fase mais ornamental. As linhas curvas se destacam e o interior dos templos é invadido por retábulos de grande complexidade. Inicia-se por volta de 1660 e entra em decadência na década de 40 do século XVIII. Um exemplo deste tipo de barroco é a Igreja das Calatravas, situada na Calle de Alcalá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste templo foi mandado construir pelo rei Felipe IV para a Ordem Militar de Calatrava, onde se ordenavam os cavalheiros de dita organização. A igreja integrava o convento, que foi destruído durante o século XIX devido à Desamortizaçao de Mendizábal. Graças à intervenção de personalidades influentes, a igreja escapou de ser derrubada. No mesmo local onde se levantou o convento, existia um palácio de uma família nobre cuja filha foi amante de Felipe IV, como muitas outras damas de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome completo do templo era Convento de la Concepción Real de la Orden de las Comendadoras de Calatrava, e durante séculos sua cúpula dominou o horizonte da Calle de Alcalá, antes que modernos edifícios nas proximidades fossem construídos, ocultando seu perfil na modernidade. Abaixo, vemos uma foto antiga da Calle de Alcalá, onde podemos observar a cúpula no lado esquerdo da imagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto convento-igreja foi projetado pelo arquiteto Fray Lorenzo de San Nicolás entre 1670 e 1678. A fachada que estamos vendo foi, no entanto, reformada em 1858 no estilo neo-renascentista por Juan de Madrazo y Kuntz, onde destaca sua cor avermelhada e a cruz da Ordem de Calatrava em seu rosetón (roseta, em português).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta ordem foi fundada em 1158 durante o período da reconquista para defender a cidade e o castelo de Calatrava, situados na atual Província de Ciudad Real, Comunidade de Castilla La Mancha, constantemente atacados pelas tropas árabes. Logo se fundaram conventos femininos para acolher as mulheres e filhas daqueles que partiram à guerra, cuja missão era orar por seu triunfo. Com o tempo, estes conventos se transformaram em centros educacionais de prestígio para a nobreza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA história da Ordem de Calatrava, a diferença de outras ordens militares, é bem conhecida graças aos relatos do Bispo de Toledo Rodrigo Jiménez de Rada (1170/1247), promotor da construção da Catedral de Toledo. A ordem foi fundada pelo abade Don Raimundo, pertencente ao Monastério de Fitero de Navarra, sendo regida pelos ditames da Regra de San Benito e da Ordem Religiosa dos Cistercenses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cruz da Ordem de Calatrava pode ser vista como elemento decorativo em vários lugares da igreja, como em uma de suas portas de acesso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as distintas Ordens Militares existentes ao longo da história espanhola e os escudos a elas relacionadas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada exterior da igreja, vemos uma escultura da Imaculada Conceição que preside o templo, realizada por Sabino Medina.

dsc01993A riqueza decorativa de seu interior originou a frase que diz ” Na Igreja de Calatrava se encontram todos os santos…”. Abaixo, vemos a Virgem Negra de Montserrat, Padroeira da Catalunha e a Virgem do Pilar, Padroeira da Espanha e do Mundo Hispano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda fase do barroco é conhecida como Estilo Churrigueresco, uma referência a José Benito de Churriguera (Madrid: 1665/1725), que realizou retábulos maravilhosos, caracterizados por sua suntuosa decoração. O artista realizou sua única obra na cidade justamente para a Igreja das Calatravas em 1720, dedicada a San Raimundo de Fitero, fundador da ordem. Uma pena que, quando estava tirando as fotos do interior, fui avisado que elas não estavam permitidas, e pude tirar apenas uma do retábulo, que não ficou grande coisa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste barroco intenso e expressivo foi posteriormente desprezado pelo estilo neoclássico por seu exagero decorativo, sendo contrário aos princípios elaborados pela instituição reguladora do novo estilo que se impôs, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando, também situada na Calle de Alcalá (ver matéria publicada entre 31/5/2014 e 6/6/2014). Apesar disso, o Estilo Churrigueresco tornou.se muito popular e expandiu-se pelo país e, inclusive, pela América latina. No início do século XXI, a Igreja das Calatravas foi novamente restaurada, depois de décadas abandonada…

 

Pedro de Ribera – Parte 2

A cidade de Madrid nao seria a mesma sem a colaboraçao do arquiteto Pedro de Ribera, que no período barroco realizou desde igrejas a palácios, edifícios públicos e fontes, transformando a capital espanhola numa referente deste estilo artístico a nível europeu. Neste último post em sua homenagem, veremos outras obras executadas pelo grande arquiteto. Algumas delas pertenceram à classe aristocrática, que encarregaram a Ribera a edificaçao de suas residências, como o Palácio de Miraflores, construído entre 1730 e 1735.

DSC08681Uma de suas obras mais conhecidas é o Palácio do Marquês de Perales, atual sede da Filmoteca Nacional. A construçao ocupa boa parte do quarteirao onde está situada, e sua portada é uma das mais belas que realizou, com detalhes que revelam sua capacidade criadora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra jóia do barroco madrilenho realizada por Ribera é o Real Hospício de Ave Maria e San Fernando, edificado entre !721 e 1726.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta obra fica patente a influência de José Benito de Churriguera na cosntruçao de sua decorada fachada, organizada em dois níveis como se fosse um grande retábulo feito de pedra. O hospício deixou de exercer sua funçao como tal em 1922 e alguns anos antes foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Graças a intervençao da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, escapou da destruiçao e hoje é a sede do imperdível Museu de História de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos jardins do museu encontramos outra realizaçao do arquiteto, a magistral Fonte da Fama. Sua construçao foi ordenada pelo rei Felipe V para embelezar a cidade, bem como proporcionar água à populaçao. O projeto foi financiado pelo povo madrilenho, e no dia de sua inauguraçao, foi colocado um cartaz que dizia: “Deus quis, o rei mandou e o povo pagou”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo bairro onde nasceu e viveu, Lavapiés, Pedro de Ribera colaborou na construçao da Igreja de San Cayetano e San Millán, uma das “belas desconhecidas de Madrid”, principalmente em sua fachada. A igreja formava parte do Convento dos Teatinos, desaparecido depois da Desamortizaçao de Mendizábal em 1836.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIncendiada durante a Guerra Civil do séc. XX, o templo foi salvo graças a eficiente obra de restauraçao promovida pelo arquiteto Chueca Goitia. Em 1962 foi reaberta ao culto e declarada Monumento Histórico-Artístico. A igreja possui uma planta de cruz grega e seu interior é belíssimo. Suas grandes pilastras impressionam a todos que a visitam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPedro de Ribera faleceu em 1742 e foi sepultado na igreja que ajudou a construir. Abaixo, vemos uma placa comemorativa que vemos no interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância deste arquiteto fundamental foi reconhecida posteriormente, em pleno séc.XX, num dos edifícios mais emblemáticos da cidade, situado em plena Gran Vía. Trata-se da sede da Telefônica, uma das principais multinacionais espanholas. O autor do projeto construtivo rendeu uma homenagem ao grande arquiteto barroco, combinando a influência norte-americana de sua arquitetura com uma fachada que enaltece sua verticalidade, relembrando as notáveis fachadas de Pedro de Ribera.

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Pedro de Ribera

Depois de alguns dias de férias, retorno com uma vontade redobrada para mostrar a vocês mais lugares referentes do patrimônio espanhol e os personagens mais ilustres de sua cultura. O post de hoje e o próximo estarao dedicados a Pedro de Ribera, um dos arquitetos barrocos mais importantes do panorama artístico do país, que deixou uma marca inconfundível na paisagem urbana de Madrid. A matéria serve também como conclusao da série de posts sobre o Bairro de Lavapiés, pois na Calle del Oso nasceu o arquiteto em 1681 e no bairro residiu ao longo de sua vida, como comprova o edifício de sua propriedade que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPedro de Ribera é considerado um arquiteto autodidata, que foi capaz de criar um estilo próprio. No início, Ribera alistou-se no exército de Felipe V, levantando as barracas de campanha feitas de madeira, ofício que aprendeu de seu pai, que era carpinteiro. Já como arquiteto, trabalhou com Teodoro Ardemans e José Benito de Churriguera, do qual é considerado discípulo, que também viveu no Bairro de Lavapiés. Estes três nomes formam o grupo mais representativo do chamado Barroco Castizo de Madrid, pertencente à fase final do estilo. No entanto, a fama que Ribera adquiriu atualmente, nao coincide com o desprezo que a Real Academia de Belas Artes outorgava às suas obras, bem como pelo monarca Felipe V e sua esposa Isabel de Farnésio, que nao eram partidários da arquitetura barroca realizada pelos arquitetos espanhóis, preferindo a  estética neoclássica que se estava desenvolvendo na Itália e na França no séc. XVIII. Abaixo, vemos uma escultura do monarca, que podemos ver no Palácio Real deMadrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da ditadura do neoclacissismo imposta na época, Pedro de Ribera logrou um êxito profissional que se deve em parte ao bom relacionamento que possuía com o Marquês de Vadillo, considerado um dos melhores prefeitos que Madrid já teve, que o apoiou em muitas de suas obras. Abaixo, vemos um retrato do marquês, realizado em 1729 pelo pintor Miguel Jacinto Meléndez,  no ano de seu falecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA colaboraçao entre ambos se manteve até o final da vida do marquês, que foi enterrado num sepulcro existente na Ermita de la Virgen del Puerto, realizado por Ribera. Esta foi a primeira obra de importância do arquiteto em Madrid, considerada um dos primeiros edifícios barrocos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1716 /1718, foi destruída durante a Guerra Civil Espanhola, pois se encontrava numa das frentes de batalha da disputa. Foi reconstruída em 1945, depois de ter sido declarada Monumento Nacional. Para maiores informaçoes, ver o post publicado em 13/7/2013. Abaixo, vemos o sepulcro do Marquês de Vadillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1718, Ribera é nomeado ajudante de Teodoro Ardemans, entao Mestre Maior das Obras e Fontes de Madrid, cargo que passa a ocupar depois da morte deste último. Nesta privilegiada posiçao, Pedro de Ribera começa a realizar obras para a corte, apesar da preferência do rei pelos arquitetos estrangeiros. Um dos encargos recebidos por Felipe V foi a construçao da Ponte de Toledo, a terceira existente no local, sendo que as duas anteriores forma destruídas com as enchentes provocadas pelo Rio Manzanares. Construída com granito, foi edificada entre 1718 e 1732, e declarada Monumento Histórico-Artístico em 1956 (publicada em 18/4/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARibera edificou, total ou parcialmente, algumas das igrejas mais conhecidas da cidade, como a Igreja de San José, entre 1730 e 1748 (matéria publicada em 10 e 11/4/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALevantou também a torre da Igreja de Montserrat em 1729 (publicada em 20/1/2014), cuja técnica e esmero empregado é uma marca característica do arquiteto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais senhas de identidade de Ribera sao as fachadas de pedra dos edifícios que construiu. Um exemplo notável vemos no Quartel do Conde Duque, cuja matéria foi publicada em 12/4/2015.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe V ordenou ao arquiteto a construçao deste edifício, o maior de Madrid na época (224m de comprimento x 82m de largura). A fachada é um exemplo do estilo churrigueresco, realizada como se fosse um retábulo de pedra. No alto vemos o escudo do monarca com a inscriçao: “Reinando Felipe V, ano 1720”.

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Pelas Ruas de Lavapiés

O Bairro de Lavapiés possui inúmeras histórias e lendas curiosas, que se preservaram sobretudo no nome de muitas de suas ruas. A Calle de Embajadores, por exemplo, que serve de linha divisória entre o bairro e a zona do Rastro, foi assim chamada porque no séc. XV houve uma epidemia de peste e os embaixadores de outros países presentes na cidade decidiram hospedar-se nos locais mais afastados, com medo do contágio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm estranho acontecimento deu origem ao nome da Calle Del Sombrerete. No séc. XVI, um pasteleiro da zona afirmou ser o rei Sebastiao de Portugal, desaparecido no norte da África. O monarca Felipe II nao se mostrou nada satisfeito que alguém representasse a coroa portuguesa, ou dizia sê-lo, devido aos seus interesses em anexionar o país vizinho. Como o dito homem permanecia afirmando o mesmo, foi preso e condenado à morte. O pobre delirante foi levado ao patíbulo num burro com um sombrero (espécie de chapéu). Depois de ser enforcado, o sombrero voou pelos ares, caindo no telhado de uma casa, cuja rua onde se situava passou a receber esta denominaçao. Na placa da rua, vemos que o músico Isaac Albeníz (1860/1909) se inspirou nesta zona para criar a composiçao “Lavapiés”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das ruas mais importantes do bairro é a Calle del Mesón de Paredes. Os denominados mesones eram estabelecimentos comerciais que serviam comida aos viajantes, sempre com esmero e qualidade, sendo por isso muito respeitados pela populaçao. Nesta rua situava-se o mais famoso da regiao, o “Mesón de la Fama“, documentado já em 1520. Um cartaz em sua fachada dizia:

“Passe caminhante, que aqui há de todo bastante”. Posteriormente, passou a chamar-se Mesón de Paredes, o nome de um de seus proprietários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta rua nasceu um dos grandes arquitetos do Barroco Madrilenho, José Benito  Churriguera (1665/1725). Ele e seus irmaos, também arquitetos, criaram um estilo próprio, caracterizado pela ornamentaçao extremamente decorativa dos retábulos religiosos e das fachadas dos edifícios. O “Estilo Churrigueresco” exerceu uma enorme influência em todo o continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAChurriguera viveu em outra rua conhecida do bairro, a Calle del Oso (urso, em espanhol). Coincidentemente, nela nasceu outro dos arquitetos fundamentais da História de Madrid, e considerado discípulo de Churriguera, Pedro de Ribera. A rua recebeu este nome porque se conta que nela viveu um homem de circo, que guardava um urso numa jaula. Um dia, umas crianças se meteram dentro da jaula, mas felizmente nada aconteceu, fato que as pessoas da regiao atribuíram a um milagre da Virgem do Favor, que se venerava junto a casa do proprietário do urso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma imagem da Calle del Oso…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra história curiosa se refere à Calle de la Cabeza. Diz a lenda que nela vivia um sacerdote, que certo dia contratou um jovem como criado. Semanas depois, o padre desapareceu, sendo finalmente encontrado morto em sua cama, com a cabeça cortada. Todos suspeitaram do criado, que também desapereceu. Um belo dia, este foi ao mercado  e comprou a cabeça de um carneiro. Enrolou a cabeça num papel e a colocou debaixo de sua capa. Com o rastro de sangue que deixava por onde caminhava, foi abordado por policiais, que lhe perguntaram que tinha debaixo da capa. Respondeu que levava uma cabeça de carneiro, mas quando abriu a capa, viu atônito que se tratava da cabeça do sacerdote….Depois de confessar o crime, o jovem foi condenado à morte por garrote vil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fabricaçao de chapéus, ou sombreros, também se relaciona com o bairro porque nele se situava o promissor negócio de sua produçao e venda em várias lojas que se instalaram em Lavapiés a partir do final do séc. XIX. Esta é a explicaçao do nome da Calle de la Sombrerería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro personagem fundamental que viveu em Lavapiés, ainda que por pouco tempo, foi Pablo Picasso. Entre 1897 e 1898, o artista viveu na Calle de San Pedro Mártir, esquina com a Calle de la Cabeza, no edifício que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFalando em pintura, recentemente o bairro foi alvo de várias intervençoes criativas nos muros de seus edifícios, realizadas por diversos artistas, que deixaram a zona ainda mais colorida.

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Real Academia de Belas Artes de San Fernando – Madrid

Uma das instituiçoes culturais mais importantes da história de Espanha, a Real Academia de Belas Artes de San Fernando situa-se na Calle de Alcalá, e sua sede encontra-se instalada no antigo Palácio de Goyeneche, visto no post anterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituiçao foi fundada pelo primeiro rei da Dinastia dos Bourbones, Felipe V, em 1744 e inaugurada por seu sucessor, Fernando VI, em 1752. Sua concepçao se deve ao escultor italiano Domenico Olivieri que, estando à frente do cargo de escultor do Palácio Real, solicitou a permissao de Felipe V para abrir uma instituiçao de Belas Artes. Num primeiro momento, a Real Academia de Belas Artes teve sua sede na Casa de la Panaderia, em plena Praça Maior (edifício situada à esquerda da foto abaixo).

DSC02000Desde 1757, realizou cursos de formaçao artística, além de outorgar o título de arquiteto. Atualmente, a Real Academia de Belas Artes dedica-se à investigaçao, divulgaçao e conservaçao do Patrimônio Artístico Espanhol. No entanto, nos séculos XVIII e XIX, ostentava funçoes docentes e diretivas, e muitas vezes foi criticada pelo regime ditatorial com que estabelecia os conceitos artísticos e arquitetônicos, principalmente durante o período neoclássico, quando as obras pictóricas e os edifícios construídos deveriam seguir o padrao estabelecido pela instituiçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando o Palácio de Goyeneche foi adquirido pela coroa para nele instalar a instituiçao (1773, durante o reinado de Carlos III), o arquiteto Diego de Villanueva suprimiu todos os elementos barrocos realizados por José Benito de Churriguera, pois sua decoraçao carregada nao se enquadrava nos limites da arquitetura neoclássica imperante, sóbria em decoraçao e voltada para os princípios de equilíbrio, proporçao e simetria. Abaixo, vemos fotos do interior da instituiçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO exame de admissao dos interessados no curso de pintura, por ex., constava de duas provas. Numa delas o artista deveria preparar uma obra num prazo de 6 meses sobre um tema de natureza mitológica, religiosa ou histórica. A outra consistia num desenho realizado num prazo de duas horas,  estando o aluno na presença do Tribunal de Acadêmicos da Real Academia, que julgava a obra realizada. Como ampliaçao de sua formaçao, mediante um concurso, os alunos podiam obter uma beca para estudar em Roma, entao considerada a Meca dos Artistas.

DSC08487A Real Academia de Belas Artes acumulou, ao longo de sua história, uma impressionante coleçao de obras de arte, que pode ser vista em sua sede na Calle de Alcalá. Aliás, o acervo foi o primeiro em ser aberto para o público na Espanha, a finais do séc. XVIII. O Museu da Real Academia de Belas Artes é considerada a segunda pinacoteca em importância do país (superada apenas pelo Museu do Prado), pela riqueza e abundância das obras expostas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio, seu rico acervo se formou para fins didáticos, pois como centro de ensino que era, adquiria obras que servissem de modelos escultóricos e pictóricos para os alunos. Nos séc. XIX e XX, a coleçao foi ampliada graças aos mecenas protetores da Academia, muitos dos quais nobres de grande importância política. Abaixo, vemos fotos do impressionante Salao de Atos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos um retrato de Felipe V, fundador da instituiçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo foi enriquecido também em parte pelas coleçoes reais, pelos próprios pintores que pertenciam à Academia, além das obras procedentes de diversas igrejas e conventos, que tiveram seus bens confiscados depois da Desamortizaçao de Mendizábal de 1836.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, iniaremos uma série com algumas das obras mais representativas do acervo da Real Academia de Belas Artes de Madrid, tanto na parte de pintura (artistas espanhóis e estrangeiros), quanto na de escultura. Nao percam…