Almagro – Parte 2

O primeiro monumento que conheci em Almagro, pela proximidade do hotel onde me hospedei, foi a Igreja de San Bartolomé, construída com tijolo e pedra. Antiga igreja da Ordem dos Jesuítas, sua construção iniciou-se em 1625, mas as obras somente prosseguiram, por motivos econômicos, em 1733, sendo concluída na segunda metade do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu interior possui a típica planta das igrejas jesuítas, com apenas uma nave e compostas por capelas comunicadas entre si a ambos lados da nave.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais, vemos tribunas entre pilastras com balcões decorados no estilo rococó a base de elementos vegetais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA titularidade do templo foi dada ao santo padroeiro da cidade, San Bartolomé (São Bartolomeu, em português), um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo. Apesar de ter sido um dos testemunhos da Ascensão de Cristo, não desempenhou um papel destacado nos evangelhos. Divulgou o evangelho na Índia e foi o fundador do Cristianismo na Armênia, sendo considerado o santo padroeiro da Igreja Apostólica deste país, junto com São Judas Tadeu. Sua representação mais habitual é a de seu martírio por esfolamento, a remoção da pele do corpo. São Bartolomeu foi martirizado por Astiages, Rei da Armênia. Na época barroca, é comum vê-lo representado como apóstolo com a escritura sagrada e mostrando uma navalha, como vemos nesta escultura situada no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE também na fachada da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior, vemos uma reprodução do famoso quadro do pintor espanhol José de Ribera (1591/1652), intitulado “O Martírio de San Felipe“, cujo original se encontra no Museu do Prado de Madrid. Durante muito tempo se pensou que se tratava do Martírio de San Bartolomé, mas São Felipe foi crucificado, e não esfolado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a cúpula da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da igreja, a Ordem Jesuíta construiu um grande colégio, situado ao seu lado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlmagro é uma cidade em que os chamados Ofícios Tradicionais ainda sobrevivem, como os belíssimos objetos feitos de metal, que eram expostos próximos à Plaza Mayor numa interessante feira de final de semana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro ofício de grande destaque, pela qualidade de suas peças, é o Encaje, parecido ao bordado..

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A tradição em sua fabricação pode ser vista no Museu do Encaje, situado junto à Plaza Mayor

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Encajeras, as mulheres responsáveis por sua elaboração, foram homenageadas com uma merecida estátua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlmagro também demonstra sua riqueza cultural na gastronomia. Seu prato mais famoso são as berinjelas fritas (berenjenas, em espanhol), cuja origem está relacionada à cozinha árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive a oportunidade de saborear as delícias gastronômicas da cidade num edifício de finais do século XVI, a Posada de Almagro, antigamente conhecida como Posada de San Bartolomé. O ambiente rústico do local com sua galerias de madeira constituem o ambiente perfeito para saborear os pratos da gastronomia da Comunidade de Castilla La Mancha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveitei para provar um Menu de fim de semana que custou 18 euros. De primeiro prato, comi um delicioso Calabacín relleno de carne picada (Abobrinha recheada com carne moida).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe segundo prato, bacalhau

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara completar, vinho tinto e melão, de sobremesa…

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Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Museu da Real Academia de San Fernando – Pintura Religiosa

O denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola desenvolveu-se principalmente durante a época do barroco, estilo predominante da Contrareforma (séc. XVII). O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid possui uma excelente coleçao de seus principais nomes, cuja temática religiosa foi um dos pilares de sua criaçao artística. Hoje conheceremos alguns deles, através de algumas obras expostas no museu. Iniciamos, porém, com um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol, Juan de Juanes (1510/1579). Em sua obra, notamos a influência da pintura italiana, dedicando-se sobretudo à iconografia religiosa. Abaixo, vemos o quadro que realizou da Sagrada Família.

DSC08563Também ao séc. XVI pertence o pintor Luis de Morales (Badajoz- 1515/1586). Em sua obra, sao abundantes as cenas da Paixao de Cristo. Foi apelidado de “El Divino” pela intensidade e força expressiva de sua temática religiosa, fruto de sua profunda fé. Abaixo, vemos a “Piedade”, pintada em 1570.

DSC08560O tema da Piedade se renova na obra de Morales devido à sua intensidade. Em vida, alcançou grande fama, e seu principal protetor foi o Bispo de Badajoz, Juan de Ribera. No mesmo ano (1570), realizou o quadro intitulado “Cristo ante Pilatos”. Este episódio também se denomina Ecce Homo (Eis aqui o Homem), palavras ditas por Pilatos, segundo a Paixao de Sao Joao. O fundo negro da cena elimina toda a referência espacial e o olhar do espectador se concentra sobre as três figuras de meio corpo da cena. Cristo aparece no meio de dois personagens de cruel sarcasmo. O da esquerda possui traços caricaturescos, enquanto o outro, pela vestimenta, representa a Pilatos.

DSC08562Um dos pintores mais representativos da Contrareforma, Francisco de Zurbarán (1598/1664) destacou-se na pintura religiosa, na qual sua arte revela uma grande força visual e um profundo misticismo. Amigo de Velázquez, tornou-se famoso graças aos quadros encarregados para conventos e monastérios. É conhecido como o “Pintor dos Monjes”, tema em que foi um mestre indiscutível. Um exemplo é o quadro “Frade Francisco Zumel”, um monje nascido em Palencia, e um dos membros mais conhecidos da Ordem da Merced.

DSC08554Em 1639, Zurbarán realiza a obra “Agnus Dei”. O cordeiro, que aparece com as patas presas, se converte no símbolo da inocência e do próprio Cristo, cujo sacrifício significou o triunfo sobre a vida e a morte.

DSC08556O tema da Crucificaçao foi retratado por muitos artistas do barroco, entre os quais Alonso Cano (Granada-1601/1667). A seguir, vemos “Cristo na Cruz”, proscedente do Convento de San Martín de Madrid, inegável obra prima pela perfeiçao do desenho e o sentimento de solidao e morte que consegue expressar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um excepcional artista, destacando-se tanto na pintura, quanto na escultura e arquitetura. Realizou diversas obras para os conventos e igrejas de Madrid. Abaixo, contemplamos o quadro “Cristo recolhendo suas roupas”, um tema que aparece na Itália no séc. XVI. O pintor retrata o momento que segue à flagelaçao de Cristo, narrado no Evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera (Xátiva, Prov. Valencia-1591/Nápoles-1652)  desenvolveu sua carreira artística em Nápoles, fato que contribuiu para que fosse conhecido como “El spagnoletto”. Foi um dos principais artistas que colaboraram na formaçao da Escola Napolitana de Pintura. Dele é a obra “Apariçao do Menino Jesus a Sao Antonio”, realizada em 1636. Sao Antonio de Pádua foi canonizado um ano depois de sua morte em 1232, sendo o santo mais popular da Contrareforma, superado apenas por Sao Francisco. Abaixo, vemos uma das melhores representaçoes do santo durante o período barroco, realizada por Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de José de Ribera logo foram enviadas a Espanha, influindo de maneira decisiva na técnica e nos modelos pintados por Velázquez e Murillo. Um dos artistas espanhóis mais apreciados no exterior, Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha-1618/1682) formou-se na chamada Pintura Naturalista. Com o tempo, evolucionou a formas próprias do barroco, antecipando o Rococó.  Além da Pintura Religiosa, cultivou continuamente a Pintura de Gênero. Em 1646, Murillo pintou o quadro “Sao Diego de Alcalá e os pobres”. O santo nasceu perto de Sevilha e faleceu em Alcalá de Henares. Seu corpo permaneceu incorrupto, suscitando a veneraçao popular. Murillo representa na obra tipos populares que reaparecerao em muitos outro quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XVIII, destacamos dois pintores. O primeiro deles, Zacarias González Velázquez, já mencionamos no post anterior sobre retratos. Acadêmico de San Fernando e Pintor de Câmara, alcançou o posto de Diretor de Pintura e Diretor Geral da Real Academia. Quando solicitou ser nomeado para a instituiçao, apresentou a obra “Cristo Crucificado” em 1790. O aspecto neoclássico da obra é resultado da influência do mesmo tema realizado por Antonio Raphael Mengs, mestre do estilo.

DSC08537Finalizamos o post com o pintor Mariano Salvador Maella (Valencia-1739/Madrid-1819). Este importante artista foi acusado de “Afrancesado”, por ter servido ao rei José I, irmao de Napoleao. Por este motivo, quando Fernando VII retorna ao país e assume o trono, foi apartado de suas funçoes e substituído por Vicente López. Maella é considerado o pintor das Imaculadas por excelência do último terço do séc. XVIII, como podemos comprovar a seguir.

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